CAPÍTULO III – M ÉTODO
3.5 Instrumentos de coleta de dados e procedimentos
Qualificado o projeto de pesquisa, em seguida foi elaborado instrumento de coleta de dados dos prontuários (adaptado do checklist de sintomas da CID-10 para transtornos mentais: Protocolo de análise de prontuários para investigar TMC em servidores públicos estaduais). Em seguida, o projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética da UFSC e a partir de sua aprovação foi realizado o estudo piloto. As variáveis foram avaliadas com a finalidade de corrigir erros, esclarecer e simplificar as questões formuladas. Este estudo piloto constituiu-se de busca de informações preenchendo-se o instrumento de coleta de dados no arquivo da GESAS, onde se encontra o banco dos prontuários de servidores afastados em LTS. Os prontuários estão dispostos em ordem alfabética, sendo escolhidos aleatoriamente aqueles com patologias de transtornos mentais e comportamentais e do sistema osteomuscular, contemplando-se na amostra todas as letras do alfabeto.
Para a observação do fenômeno (saúde/trabalho) utilizou-se esse protocolo (adaptado do checklist da CID 10), bem como foram observadas as variáveis que o compõe. Registrou-se todos os detalhamentos sobre saúde e trabalho constantes nos prontuários dos participantes. A observação foi estruturada, com a elaboração de Protocolo para cada um dos participantes da pesquisa, com base nos instrumentos referidos anteriormente, sendo realizado teste prévio (piloto em 10 prontuários), com vistas a implementar as adequações necessárias (retirada, acréscimo ou ajustes na semântica dos tópicos a serem coletados). Em seguida, durante quatro meses, os 300 prontuários foram estudados, sendo registrados nesse Protocolo próprio os dados dos participantes. Ato contínuo, foi elaborado um glossário de termos (apêndice 4) dos termos técnicos inerentes a pesquisa, para segurança da compreensão do fenômeno estudado.
O Protocolo foi construído tomando por base além do checklist, a decomposição de variáveis que constituem o objeto de estudo, qual seja, a relação entre o adoecimento psicológico e as características do trabalho no serviço público estadual. Com base na literatura disponível foram identificadas três macro-variáveis (Perfil demográfico e ocupacional, Adoecimento psicológico, Posto de trabalho).
Para cada variável foi realizado um processo de decomposição ou detalhamento, até serem obtidas unidades de análise que correspondessem aos níveis de mensuração adequados à natureza da variável, conforme descrito no Apêndice 1:
- Perfil demográfico e ocupacional: sexo, estado civil, escolaridade, cargo que ocupa, tempo de serviço, renda familiar;
- Adoecimento psicológico: licenças de tratamento de saúde - características dos TMC e comorbidades, queixas referidas pelos trabalhadores ou indicações clínicas, tempo de licenças de tratamento de saúde concedidas, tipos de TMC (incidência e prevalência), número de casos de invalidez temporária ou permanente de acordo com a CID-10, registros de internações em nosocômios, realização de tratamento psicológico ou psicoterápico, uso de psicofármacos, etc.;
- Posto de trabalho: dados referentes ao trabalho dos servidores públicos estaduais. Condições, organização e relações sociais de trabalho - levantamento dos registros nos prontuários, do ponto de vista do perito que analisou o servidor ou do depoimento do servidor público, relacionamentos, comunicação, informações, processos cognitivos (atenção, memória, tomada de decisão), carga de trabalho (tarefas prescritas e atividades realizadas), estilo de vida (fumo, ingesta de bebida alcoólica, prática de exercício físico, horas de sono, alimentação, administração do estresse).
Em data e horário previamente agendados foram estudados os prontuários elencados, preenchendo-se Protocolo adaptado do checklist. O tempo previsto para a coleta de dados necessitou ser ampliado (quatro meses) em virtude da quantidade de informações encontradas nos prontuários, exigindo avaliação criteriosa, estudo de cada participante, das cópias de exames anexados, pareceres formulados pelos peritos acerca dos processos clínicos caracterizados.
Conforme mencionado anteriormente o integrante dos quadros de pessoal dessas organizações e que, por motivo de adoecimento, afastou-se têm arquivado em local próprio na GESAS, identificação do servidor, seu histórico, dados do seu local de trabalho, e informações do adoecimento, durante sua vida funcional. As informações colhidas dos participantes no estudo dos prontuários foram sigilosas, nenhum deles foi identificado, nem mesmo o local de seu trabalho. Alguns desses participantes não teriam condições de compreender o espírito científico da pesquisa em virtude do seu grau de comprometimento mental (alienação, esquizofrenia, depressão).
Após a realização da pesquisa documental, providenciou-se a organização dos dados e resultados: foram elaboradas tabelas, figuras, quadros, gráficos e as medidas da estatística descritiva. Após o levantamento dos dados, os mesmos foram comparados com dados epidemiológicos e clínicos oriundos de pesquisas em saúde do trabalhador, tanto em âmbito nacional, quanto internacional. Dos 300 Protocolos preenchidos foram necessárias buscas de outras informações no SIRH, ou mesmo no posto de trabalho, ou com o perito que avaliou o servidor (paciente) para dirimir algumas dúvidas e esclarecer a relação saúde e trabalho. Ainda foi
necessário buscar informações relevantes na literatura para a compreensão do fenômeno estudado. O fluxo do procedimento metodológico para caracterizar a relação saúde e trabalho está ilustrado na Figura 5.2.
Ética na pesquisa com seres humanos
A pesquisa observou o que prescreve a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que cria parâmetros éticos para as pesquisas na área da saúde. Essa Resolução define que a pesquisa com seres humanos que o envolva direta ou indiretamente, precisa observar rigorosamente os pressupostos da ética (sigilo, respeito). Cumpridas as exigências éticas foram procedidos o preenchimento dos Protocolos (adaptação do checklist). Os Protocolos preenchidos foram arquivados em pastas próprias e, paralelamente, compilados e tratada as informações. A pesquisa foi aprovada previamente pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC.
Figura 5.2 Fluxograma dos procedimentos da pesquisa
Servidores Públicos Estaduais
Autarquias, Fundações e
Secretarias GESAS
LTS Outras patologias
TMC e DME Parecer do Comitê de Ética
Piloto (prontuários dos participantes da pesquisa) Fontes de Informação
Prontuários
Categorias de análise CID 10
Documentos e depoimentos Análise e tratamento dos dados
Relações entre saúde e trabalho
3.6 Fluxograma dos procedimentos para pesquisar os TMC/DME e características do