Para a coleta dos dados necessários à análise que nos propusemos a realizar, utilizamos os seguintes instrumentos de coleta: anotações de observações durante as aulas (e após o término das mesmas); produtos escritos pelos alunos, gerados em atividades realizadas em aula; gravações em vídeo de aulas e/ou de parte destas.
A seguir apresentamos uma descrição sucinta dos instrumentos de coleta e de sua utilização e também dos tipos de dados que estes possibilitaram coletar.
Anotação de observações
Durante as aulas, utilizamos um roteiro de aula. Esse roteiro continha espaços para anotações, que foram realizadas à medida que surgiam situações que chamavam nossa atenção. Portanto, essas observações não se configuram como descrições das aulas, mas sim como descrições de eventos/ocorrências captadas pelo olhar dirigido do pesquisador, baseado no referencial teórico adotado e nos objetivos da pesquisa.
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Os dados apresentados foram obtidos do questionário de caracterização socioeconômica utilizado para a seleção dos candidatos ao ingresso no Curso Pré-Vestibular da UFSCar, ao qual o pesquisador teve
Algumas mudanças nas anotações foram realizadas após o término das aulas, quando transcrevíamos (passávamos a limpo) as anotações feitas em aula e quando, também, refletíamos sobre a aula já desenvolvida e planejávamos as alterações da aula subseqüente.
Essas anotações descreveram expressões dos alunos não gravadas em vídeo e não expressas nos registros escritos- como produto de atividades. Dois exemplos podem ilustrar este tipo de anotação. Na aula 06, em uma discussão, o aluno Fábio diz que: - “No jogo é assim, mas na vida é diferente...”. Na aula 13, em uma conversa entre a aluna Vanessa e o professor/pesquisador, ela diz: - “Eu não acredito que as mutações
são aleatórias.”. Estes dados só seriam coletados se tivéssemos anotado durante as
aulas. Assim, por meio das anotações pudemos registrar informações importantes sobre idéias dos alunos, relativas à temática abordada, como nos dois exemplos acima citados e também sobre operações de pensamento, explicitadas nas discussões realizadas em aula e em outros tipos de interação entre alunos e professor/pesquisador.
Outro tipo de dado coletado por meio de anotações de aula diz respeito às situações/eventos ocorridos em aula, que foram desencadeadores de reflexão sobre os procedimentos do professor/pesquisador. Por meio da observação e registro das situações identificadas como favoráveis ou desfavoráveis à aprendizagem, pudemos obter dados sobre os procedimentos do professor/pesquisador, suas intervenções e suas compreensões sobre os eventos de aula. A maioria dos dados sobre mudanças no planejamento a partir de situações ocorridas em sala de aula foi coletada por meio desse instrumento de coleta. Por exemplo, na aula 10, percebemos um aparente cansaço e desinteresse dos alunos. Através de conversas, descobrimos que esta situação, diferente da corriqueira animação e interesse dos alunos nas outras aulas, relacionava-se à proximidade do vestibular, o que anotamos como dado de observação e que gerou mudanças no planejamento das próximas aulas.
Também foram coletados por meio de observação e anotação em aula dados sobre a participação do instrumento de ensino no desenvolvimento da intervenção. A aparente motivação/interesse e a falta destes em atividades com o instrumento, por exemplo, foram tipos de anotações que geraram dados para nossa análise.
Produtos escritos pelos alunos como registro de atividades realizadas
Utilizamos no início da intervenção (Aula 01 - Avaliação Diagnóstica) e ao fim desta (Aula 15 - Avaliação Final) dois questionários previamente adaptados para os objetivos deste estudo. O questionário inicial foi uma adaptação de um instrumento de coleta de dados de Bizzo (1996) – Anexo 1. O questionário final foi uma adaptação do instrumento utilizado por Ferrari & Chi (1998) – Anexo 5. Em ambos questionários realizamos alterações pequenas na estrutura e conteúdo, que se configuraram como adaptações à nossa situação e aos participantes de nossa pesquisa (“berry trees” foi substituído por plantas frutíferas no questionário final, por exemplo). Também modificamos algumas perguntas de forma a torná-las mais objetivas sobre o conceito de Seleção Natural. Os questionários – aplicados, como já referido, na primeira e última aula do curso – propiciaram a obtenção de dados sobre o conhecimento dos alunos – idéias prévias ao início do processo de ensino – e sobre as operações de pensamento ao início do curso e sobre o desenvolvimento dos conceitos e do pensamento – como resultados de aprendizagem – ao final do curso.
Também como parte da coleta de dados ao início e ao final da intervenção, há outros registros escritos dos alunos, produto das atividades realizadas como parte das duas etapas anteriores da intervenção.
Além destes, todas as atividades realizadas durante a etapa de desenvolvimento do processo de ensino contam com registros escritos dos alunos, que fizeram parte da própria atividade. Este tipo de instrumento de coleta foi o principal para a obtenção dos dados sobre os processos relacionados ao desenvolvimento das idéias e pensamento dos alunos. Os tipos de dados coletados referem-se às expressões dos alunos sobre os princípios e conceitos abordados durante todo o processo de ensino e também a todas as operações de pensamento. A título de exemplificação do tipo de dado obtido com os registros escritos dos alunos, na aula 07, quando propusemos que os alunos, divididos em dois grupos, realizassem duas rodadas curtas com o instrumento, uma com a população inicial começando com + e outra com +++++. Foi solicitado que os grupos anotassem com detalhes o que foi acontecendo. Após uma discussão, foi proposto aos alunos: “Criem hipóteses para explicar como podem ter aumentado ou diminuído de tamanho as sub-populações nos casos analisados”. As hipóteses que estes levantaram e registraram por escrito para entregar ao final da atividade é um tipo de dado que foi
objeto de análise, tanto na categoria conceitual como na categoria de análise sobre as operações de pensamento. Mais especificamente, os registros propiciaram informações sobre a operação de pensamento e também sobre quatro princípios/conceitos: variabilidade intraespecífica; taxa diferencial de sobrevivência; taxa diferencial de reprodução e seleção natural (alguns dos quais não foram utilizados na análise desenvolvida neste trabalho, por não se relacionarem diretamente às categorias de análise estabelecidas).
Os registros mencionados também forneceram dados sobre a participação do instrumento de ensino na estratégia. Muitas atividades realizadas com o instrumento geraram registros escritos pelos alunos, que continham dados sobre a dinâmica de realização da atividade e dos produtos desta.
Gravações em vídeo de aulas
As aulas foram gravadas por colaboradores, que foram instruídos a concentrarem-se nos alunos, suas falas e comportamentos. Inicialmente nossa intenção era gravar todas as aulas do curso, mas isso não foi possível devido a problemas técnicos (em duas aulas a filmadora/gravadora apresentou problemas) e operacionais/organizacionais (pessoas que gravariam a aula não puderam comparecer). Independentemente destes problemas, algumas situações de aula não foram gravadas propositadamente, como a resolução das questões de questionários, visitas a setores da Universidade(Museu de Paleontologia e Laboratório de Biologia Molecular), apreciação de filme etc.
Optamos por gravar eventos em que não teríamos condições de observar mais atentamente as situações e interações em aula ou em que, previsivelmente, a gravação melhoraria significativamente a qualidade do dado obtido para análise. Os eventos escolhidos foram: discussões em classe, desenvolvimento de atividades com o instrumento, verbalizações orais dos alunos para a apresentação da resolução de problemas propostos como parte das atividades realizadas. Como ocorreu na aula 05, em que solicitamos aos alunos que demonstrassem, com o instrumento, como pode ocorrer a adaptação de uma população de organismos a um ambiente.
- as idéias dos alunos e operações de pensamento realizadas por estes, expressas em falas espontâneas ou como parte da realização de atividades. Os registros audiovisuais foram equivalentes, em algumas atividades, aos registros escritos pelos alunos, acrescidos de dados de espontaneidade e de comportamento não possíveis de serem coletados pelos registros escritos;
- as intervenções do professor/pesquisador. Algumas atividades foram gravadas e em parte destas havia participação do professor/pesquisador, propondo ou conduzindo atividades e fazendo exposições. Assim, as gravações possibilitaram outra forma de registro sobre o papel desempenhado pelo professor no processo de ensino;
- a participação do instrumento de ensino na intervenção. O registro em vídeo de atividades realizadas com o instrumento possibilitou dados sobre as diferentes formas de utilização/contribuição do instrumento no processo de ensino, assim como da interação entre alunos e instrumento e entre professor/pesquisador e instrumento. Desta forma, os registros em vídeo contêm dados sobre os diferentes elementos propiciados pelo instrumento para criar oportunidades de aprendizagem aos alunos, assim como de parte dos resultados das atividades realizadas com ele.