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INSTRUMENTOS DE COLETA E ANÁLISES DE DADOS

No documento SUÉLEN PONTES MACHADO (páginas 61-63)

A pesquisa abrigou diferentes fontes de coleta de dados, tais como questionários, entrevistas e análise documental, a fim de estabelecer uma sólida triangulação. O maior número possível de fontes de evidências aumenta o nível de fiabilidade sobre o fato de realizar alegações acerca da amostra. Portanto, este levantamento utilizou três instrumentos de coleta, questionários, entrevistas e documentos, com o intuito de melhor atingir os objetivos propostos ao estudo (HAIR et al., 2005). Os instrumentos de coleta de dados precisam seguir um rigoroso padrão científico, para que os resultados não sejam contestáveis.

Em relação ao instrumento de coleta de dados quantitativos, o questionário, foi desenvolvido pela autora com sustentação na capacidade de absorção, junto ao tema de inovação e tecnologia (Apêndice A). Para Hair et al. (2005), é essencial que questionários sejam desenvolvidos sob eixos científicos, com propósito de garantir êxito no estudo, além de uma validação do instrumento. Assim, este estudo teve, durante a banca de qualificação, professores da área como julgadores do questionário e do roteiro de pesquisa aplicado. E, posteriormente, o questionário e roteiro de pesquisa foram validados com um integrante da coordenação da incubadora de Guarapuava – PR. Alguns ajustes em relação à interpretação das variáveis foram realizados.

As questões do questionário foram estruturadas dentro de quatro construtos. O primeiro visou obter informações sobre o processo de incubação; o segundo propôs caracterizar as competências individuais; o terceiro permitiu identificar a capacidade de absorção dos empreendedores durante o processo de incubação; e o quarto delimitou o grau de inovação e tecnologia que são almejados pelos empreendedores.

Foi possível identificar 15 IEBTs em funcionamento no Estado, embora o relatório da Anprotec apresentasse 21. Inúmeras foram as buscas na internet sobre informações para contato. Quando a incubadora pertencia a uma universidade, entrou-se em contato com a mesma, e respostas de que as incubadoras não estavam mais em funcionamento foram obtidas. Foram contatadas todas as IEBTs mencionadas no Quadro 16, para se obter dados das empresas. Logo, houve a identificação de 15 incubadoras e apenas 12 delas contribuíram respondendo o questionário por parte dos empreendedores. Foram elencadas 122 empresas de base tecnológica, caracterizando a população em estudo. Após essa etapa, o link do questionário foi enviado por e-mail, para que houvesse a participação dos mesmos. Inicialmente, houve a devolutiva de 27 questionários. Para aumentar este número, os gestores das incubadoras também foram contatados para reenviar o link aos seus empreendedores. Telefonemas e

contatos por redes sociais contribuíram ao exato número de 83 acessos ao link do questionário. Entretanto, apenas 60 questionários foram respondidos em sua integra. Para Cooper e Schindler (2011), os dados precisam obter um padrão mínimo de qualidade. Assim, foram descartados questionários que não cumpriam com respostas em sua integra, totalizando uma amostra de 60

empreendedores, adequados ao diagnóstico estatístico.

Destaca-se o cuidado, desempenhado pela pesquisadora, para que houvesse o maior número possível de respostas. Insistências por telefone, e-mail e mensagens foram realizadas durante os três meses de coleta

Foram obtidos dados primários qualitativos, por intermédio de entrevistas com os diretores de IEBTs (Apêndice B). A escolha dos entrevistados se deu de modo não probabilístico, pois dependeu da disponibilidade dos gestores durante o período de coleta de dados. Devido aos fatores éticos de utilização de sujeitos à consecução da pesquisa, as entrevistas foram efetivadas após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Apêndice C), sobre a pesquisa. O termo TCLE garante os direitos e deveres por parte do pesquisador e entrevistado, promovendo maior responsabilidade aos sujeitos de pesquisa.

Entrevistas semiestruturadas foram realizadas com gestores das IEBTs do Estado do Paraná, a fim de obter outras perspectivas sobre o assunto. Os gestores das 15 incubadoras foram convidados, por e-mail e telefonemas, para participar das entrevistas. Entretanto, por motivos de disponibilidade apenas 6 gestores puderam colaborar com a pesquisa. Devido a utilização do critério de saturação quanto ao número de entrevistas, as insistências por telefone foram cessadas. Para Yin (2005), significa executar entrevistas até que os dados comecem a ficar repetitivos. Esses sujeitos subsidiaram informações pertinentes à caracterização do ambiente das IEBTs, assim como detalharam o perfil empreendedor buscado durante as seleções de empresas para o processo de incubação. Stake (2011) certifica que as entrevistas podem elucidar ou ainda refinar informações já coletadas. Oportuno se fez estruturar perguntas abertas, para que o entrevistado pudesse conferir informações complementares àquelas estabelecidas na abordagem quantitativa, pelo instrumento de questionários, por exemplo. Flick (2009) corrobora que esta técnica pode esclarecer teorias subjetivas dos entrevistados, quando oportunizadas perguntas com respostas mais amplas. Além disso, o roteiro de entrevista deve dispor de perguntas controladas pela teoria, com intuito de não dispersar a interlocução. O roteiro para a entrevista semiestruturada se posicionou em dois eixos, a fim de responder as duas categorias de análise. A primeira remete-se à gestão do ambiente IEBT e, a segunda, ao desempenho conquistado pelas MPE, analisados sob a perspectiva dos gestores, que foram convidados a participar das entrevistas.

Foram coletados dados referentes à análise documental. Sá-Silva, Almeida e Guindani (2009) asseveram o quão significante é retratar dados do contexto histórico e sociocultural, para ampliar a compreensão do objeto de estudo. O significado de documentos ultrapassa o conceito de textos escritos ou impressos. Podem ser considerados imagens, documentos escritos ou não, filmes entre outros, desde que não tenham domínio científico. Assim, documentos referentes às normas internas e editais de seleção das IEBTs foram analisados.

Para a análise dos dados, primeiramente houve a tabulação dos mesmos, dentro das especificidades de cada instrumento. Os softwares SPSS® e Microsoft Excel® foram utilizados para tabulação e análises estatísticas dos dados quantitativos. Visto que o estudo se define como descritivo e tende caracterizar a amostra, foram empregadas análises descritivas, análise de confiabilidade dos construtos com o Alfa de Crombach, Análises de Clusters, bem como suas correlações (HAIR et al. 2005; FIELD, 2009, FÁVERO; BELFIORE, 2017).

O software Atlas TI® foi aplicado para as análises qualitativas das entrevistas, sob a

incidência de análise do conteúdo por avaliação. Para Bardin (2016), a análise por avaliação ou análise de asserção avaliativa possui raízes na Psicologia Social sobre o conceito de atitude. Isto é, demonstrar de alguma maneira (verbal ou não) a concepção acerca de uma ideia, acontecimento, pessoas ou coisas, de modo relativamente estável e organizado. Portanto, após a transcrição das entrevistas, os textos foram analisados para que fossem extraídas dimensões a respeito dos objetos de atitude, bem como suas avaliações.

Utilizou-se também a técnica de triangulação para as análises. Os dados primários processados foram triangulados de acordo com o instrumento, entrevistas, questionários e documentos, com a literatura utilizada nesta dissertação. Yin (2016) assegura o quão essencial é a coleta de fontes múltiplas de evidência em uma triangulação, para que haja várias avaliações do mesmo fenômeno e, consequentemente, aumente a fiabilidade dos construtos teóricos.

No documento SUÉLEN PONTES MACHADO (páginas 61-63)