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Instrumentos de coleta e interpretação dos achados

No documento 2017IvanaTisot (páginas 65-68)

2 DESENHO E ARRANJO METODOLÓGICO DE TRABALHO

2.4 Instrumentos de coleta e interpretação dos achados

Vale explicitar, inicialmente, que, na presente investigação, as imagens mentais e as imagens visuais ocupam um lugar primordial. Essa perspectiva se fundamenta em estudos de Ormezzano (2009), que, a partir das teorias contemporâneas do imaginário de Bachelard (2000), Elíade (1994) e Durand (1997), considera e privilegia o imaginário, os mitos e as imagens no âmbito científico e artístico.

De acordo com Ormezzano (2004, p. 70), “o ser humano cria símbolos e lhes dá expressão por meio das artes e das religiões, nas quais se observam as condições psicossociais do ser humano desde a Pré-História até o mundo contemporâneo”. Na mesma direção, Duarte Júnior (2001, p. 145) afirma que:

A arte, por conseguinte, ao se colocar entre a experiência direta do real e a sua conceituação, faz-nos atentar para a especificidade de cada experiência frente a um objeto ou situação, ainda que eles possam ser classificados em categorias gerais de acordo com a linguagem, a filosofia ou a ciência. O objeto artístico é sempre uma concretização do conceito, o desvelamento de um caso particular e único que jaz subsumido na generalidade de uma ideia ou abstração.

Tanto o autor como o espectador podem se beneficiar da experiência estética. Ler uma imagem pode provocar o desenvolvimento do sujeito, no qual os atos cognitivos são orientados pela imaginação e pela fantasia. O imaginário, por sua vez, “[...] implica um processo ativo por meio do qual a imaginação cria imagens apreendidas anteriormente pela percepção, atualizando suas modalidades e articulando-as entre si” (ORMEZZANO, 2004, p. 72). A partir dessa perspectiva, é possível compreender determinados conteúdos pelas diversas formas de comunicação, sejam elas verbais ou não-verbais, evocando atividades semióticas e iconográficas distintas, mas que se integram em um único processo.

Dessa forma, os instrumentos para a coleta de dados se dão, primordialmente, na entrevista iconográfica, mas que contemplam também, as imagens produzidas pelos participantes durante as oficinas e por meio do diário de campo, contendo as descrições dos diálogos e das atitudes entre os sujeitos e os registros das atividades realizadas.

Assim, esta pesquisa foi desenvolvida com base nos preceitos da Leitura Transtextual Singular de Imagens (LTSI), proposta por Ormezzano (2009). Nessa proposta, a autora orienta que se realizem oficinas de educação estética e que os dados para a investigação sejam coletados por meio da entrevista iconográfica.

Na presente investigação, a entrevista constou de uma única pergunta-chave que foi respondida por meio de um texto visual, denominado "texto iconográfico". Salienta-se que, nessa etapa, tanto os autores dos textos, como os demais participantes da oficina, são apreciadores e leitores desses textos.

Para melhor compreender o significado dos textos a partir da LTSI, Ormezzano (2009), sugere integrar o significado dado pelo autor, às informações da leitura do grupo e à interpretação do pesquisador, buscando tramar uma síntese discursiva, destacando a relevância da simbiossinergia. Seguindo as orientações da autora (2009), foram utilizados os seguintes critérios para a Leitura Transtextual Singular de Imagens (LTSI):

a. O suporte e o material do desenho:

A linguagem do desenho exige uma postura inventiva. Dessa forma, os participantes da pesquisa puderam escolher livremente os materiais que melhor respondessem a seus

interesses para comunicarem uma ideia. Foram empregados diferentes suportes, como o papel, o tecido, o metal, a madeira, bem como variados meios, como o lápis, o nanquim, o carvão, o pastel seco, o giz de cera, a caneta hidrográfica, entre outros.

b. Aspectos compositivos da linguagem visual:

Dentre os elementos compositivos da linguagem visual, destacou-se, ao longo da pesquisa, o uso do ponto, da linha, da cor, do plano, da perspectiva, da simetria, da proporção, da textura, da relação entre figura e fundo e do contraste entre luz e sombra. Ao se articularem, esses elementos produzem a configuração do espaço gráfico. “Este conhecimento formal contribui, no momento da leitura, como o saber intuitivo, subjetivo, simbólico, que sugere a imagem a ser interpretada ou descrita” (ORMEZZANO, 2009, p. 60).

c. Simbologia espacial:

A simbologia espacial apresenta-se a partir do esquema espacial interpretativo, elaborado por Grünwald e fornecido por Jans, (ZIMMERMANN, 1992, p. 95 apud ORMEZZANO, 2009, p. 58). Sendo assim, a investigação orientou-se pelo seguinte esquema espacial interpretativo:

d. Simbologia das cores:

Na metade do século XIX, em pleno Romantismo, Portal (2000), escreve Lo simbolismo

de las colores, trazendo à discussão o tema para as áreas científicas. O autor, que contribuiu na

tradução das escrituras sagradas do Oriente e fez o europeu contatar com as fontes da tradição oriental, utiliza três linguagens das cores: a divina, a sagrada e a profana. Desse modo, considerou-se, tal como é concebido no simbolismo das cores, as três linguagens propostas.

e. Referencial do imaginário:

Este item foi desenvolvido sob a luz da teoria de Durand (1988; 1998; 2002), autor que se empenhou em estudar o imaginário e o caminho antropológico das imagens, além do modo como as imagens se produzem, como se transmitem, como são recebidas. O autor (1998) considera o imaginário como o “museu” de todas as imagens passadas, possíveis, produzidas e a produzir, nas suas diferentes modalidades da sua produção, pelo homo sapiens. A obra

Dicionário de Símbolos, de Chevalier e Gheerbrant (2002), é um referencial importante sobre

os símbolos e foi um grande aporte durante este estudo.

f. Síntese da pesquisadora:

Trata-se da relação dos textos iconográficos frente a outras fontes iconográficas e/ou literárias, reforçando o sentido dos símbolos e dos arquétipos presentes. O dinamismo da função simbólica se dirige à revelação, à manifestação do entendimento, cujas imagens tornam-se símbolos vivos, revestidos de um sentido que os acompanha e os transcende. Por essa razão, a pesquisadora não se limitou ao estudo da expressão artística, mas a uma ampla visão interdisciplinar que envolve Filosofia, Sociologia, Psicologia e História, vez que se entende a arte como expressão do imaginário humano e como uma forma particular de expressar a visão de mundo.

No documento 2017IvanaTisot (páginas 65-68)