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2 TRILHAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA

2.5 Instrumentos de coleta e tratamento de dados

São variadas as formas de coletar dados para uma pesquisa, fazendo-se uso dos denominados instrumentos de pesquisa, considerados “como um procedimento, método ou dispositivo (aparelho) que tenha por finalidade extrair informações de uma determinada realidade, fenômeno ou sujeito de pesquisa.” (APPOLINÁRIO, 2006, p. 133). Sendo que, os principais tipos de instrumentos de coleta de dados são as entrevistas, os questionários, a observação direta dos fenômenos e a análise de documentos.

Para esta pesquisa foram utilizados entrevistas, observação direta e análise de

2.5.1 Observação Direta

A observação consiste no contato direto com o fenômeno estudado, utilizando os órgãos do sentido como ferramentas para a exploração da realidade. Vale ressaltar que ela não consiste em apenas ver ou ouvir, mas na examinação de fatos e fenômenos (APPOLINÁRIO, 2006; MARCONI; LAKATOS, 2013). Além disso, tem como pré-requisito a presença constante no campo para convívio com os informantes num longo processo. (GIL, 2010b).

Nesse sentido, a observação direta foi o instrumento utilizado a fim de obtenção da aproximação teoria-prática necessária para maior imersão no fenômeno estudado. Dessa maneira, fez-se necessária a realização de pesquisa de campo para o conhecimento da realidade socioespacial dos municípios integrantes da Região Metropolitana do Cariri – RM Cariri, que passam por um processo de crescimento econômico acelerado e repleto de repercussões sociais, ambientais e políticas. Nesse momento, conheceu-se de perto o aspecto socioespacial dos municípios componentes da RM Cariri, contatou-se atores político-institucionais e a própria população, visitou-se obras e investimentos. Esses momentos serão introduzidos no decorrer do trabalho a partir de registros fotográficos.

2.5.2 Entrevistas

Já as entrevistas são definidas como o procedimento que envolve duas pessoas – o entrevistador e o entrevistado. Gil (2010b, p. 109) define a entrevista como “uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”, podendo ser classificada da seguinte maneira:

As entrevistas estruturadas (o pesquisador segue um roteiro de perguntas previamente estipuladas, não estando livre para adaptá-las ou mesmo coletar informações não solicitadas), as semiestruturadas (há um roteiro previamente estabelecido, mas também há um espaço para a elucidação de elementos que surgem de forma imprevista ou informações espontâneas dadas pelo entrevistado) e as não-estruturadas (não há roteiro preestabelecido, sendo que o entrevistador tem a liberdade de explorar o tema em um contexto de conversação informal). (APPOLINÁRIO, 2006, p. 134).

Aqui optou-se pela realização de entrevistas estruturadas, nas quais “o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido; as perguntas feitas ao indivíduo são predeterminadas”. (MARCONI, LAKATOS, 2006, p. 197). Foram realizadas duas entrevistas com atores político-institucionais com atuação na RM Cariri: a primeira com o Prof. Jório José Carneiro Barretto Cruz, responsável pelos primeiros produtos da assessoria à implementação da Região Metropolitana do Cariri5; a segunda foi realizada

com o atual secretário das Cidades do estado do Ceará, Prof. Dr. Jesualdo Pereira Farias, cuja pasta é a responsável pelos trabalhos voltados à consolidação, gestão e planejamento da RM Cariri.

Foram construídos dois roteiros de entrevista para cada um dos entrevistados, respectivamente (Apêndices A e B). O roteiro de entrevista direcionado para o Prof. Jório Cruz contemplou indagações relativas a sua assessoria na Região Metropolitana do Cariri e ao seu conhecimento acerca da questão metropolitana do Cariri. A entrevista com esse ator ocorreu em 29 de junho de 2015, na residência do entrevistado, na cidade de Recife - PE.

Já o roteiro de entrevista preparado para o momento com o Secretário das Cidades do Ceará, Prof. Dr. Jesualdo Pereira Farias, abarcou questões relativas ao papel da secretaria das cidades no tocante à gestão, planejamento e investimentos na Região Metropolitana do Cariri; implementação do Plano de Desenvolvimento Integrado para essa RM; funções públicas de interesse comum e cooperação no âmbito metropolitano; e avanços, desafios e perspectivas para a RM Cariri. A entrevista ocorreu em 23 de maio de 2017, no gabinete do secretário, localizado na própria sede da secretaria das cidades do Ceará, em Fortaleza.

Os princípios éticos da pesquisa foram considerados na realização das entrevistas, ou seja, cada um dos entrevistados tomou conhecimento do objetivo da pesquisa e uso das informações obtidas por meio da assinatura do Termo de

Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo A), como também da assinatura do Termo de Cessão Gratuita de Direitos de Depoimento Oral (Anexo B).

As entrevistas foram gravadas por meio do aplicativo compatível com dispositivos celulares denominado “Voice Record” e transcritas na forma de texto por meio do recurso

“Google Speach” (https://www.google.com/intl/pt/chrome/demos/speech.html) que auxilia

na transcrição de gravações verbais. Após a primeira versão da transcrição pelo Google

Speach foi realizada uma nova escuta para verificação de possíveis incongruências. A

transcrição literal das entrevistas dos Professores Jório Cruz e Jesualdo Farias podem ser obtidas nos apêndices C e D, respectivamente.

Por meio da realização das entrevistas, buscou-se a compreensão que esses importantes atores políticos-institucionais possuem acerca do contexto metropolitano do Cariri cearense, sobretudo nos aspectos relativos ao arcabouço político-institucional, notadamente, gestão, planejamento, institucionalização e metropolização na direção das funções públicas de interesse comum. Com os dados obtidos, partiu-se para a análise dos mesmos. Nessa etapa, utilizou-se como procedimento de análise das informações coletadas o método científico denominado de análise do conteúdo que, segundo

Appolinário (2009) objetiva dar sentido a materiais textuais diversos, como revistas,

prontuários de pacientes, transcrição de entrevistas, nos quais é necessário reduzir o material original ao ponto de deixar claro quais são as categorias de análise.

2.5.3 Análise de documentos e de dados secundários

Os documentos analisados são oriundos de diversas instituições: IPEA, IBGE, IPCE, legislações municipais, estaduais e federais. Entre os principais documentos do IBGE, destacam-se: o documento intitulado “Regiões de influência das Cidades – REGIC”, o estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas”, o documento “Classificação e caracterização dos espaços rurais e urbanos do Brasil”, e os Censos de 2000 e 2010. Além deles, também foram analisados documentos relativos ao tratamento constitucional dado às regiões metropolitanas; legislações como o Estatuto da Cidade e, naturalmente, o Estatuto da Metrópole; a lei de criação da RM Cariri, bem como diversos materiais elaborados pelo IPEA e IPCE.

Além disso, foram levantados dados secundários dessas e de outras instituições, visando à argumentação teórico-metodológica e análise da realidade estudada.

2.6 Procedimentos de análise de dados sobre o processo de metropolização e