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CAPÍTULO III METODOLOGIA

3.3. INSTRUMENTOS DE MEDIDA E RECOLHA DE DADOS

As técnicas e instrumento de coleta de dados empíricos foram realizados através de questionário com questões em sua maioria “fechadas” (objetivas), onde em cada uma delas deveria ser assinalada(s) a(s) resposta(s) entre as opções oferecidas. De acordo com Babbie (1999, p.189,190) as perguntas fechadas “dão maior uniformidade de respostas e são facilmente processadas”. Segundo Alencar (2004, p.103) “as questões são formuladas exatamente da mesma forma para todos os entrevistados e as opções de respostas são exatamente as mesmas”, assim torna-se mais fácil a tabulação e análise dos dados, e o entendimento sobre as respostas dos entrevistados, que devem ser compatíveis com os objetivos propostos.

O instrumento de pesquisa foi elaborado seguindo duas etapas. Inicialmente, foi realizada uma revisão de literatura de autores reconhecidos nas áreas de estratégia: Porter (1985 e 2001), Mintzberg e Quinn (2001), e comércio eletrônico: Laudon e Laudon (2010),

Kalakota e Robinson (2002), Turban e King (2004). Nesta etapa as perguntas foram elaboradas de acordo com principais temas relacionados ao comércio eletrônico e aos objetivos da pesquisa.

As questões contempladas no questionário foram classificadas segundo a sua natureza. O questionário foi composto por variáveis do tipo dicotômicas, Sim ou Não (S/N), de escolha múltipla, onde é apresentado uma lista de possíveis respostas e do tipo ordinal que são as que seguem uma escala de Likert, onde cada nível de resposta corresponde a um nome/atributo. A instrução que se dará ao entrevistado para assinalar as suas respostas variará segundo o objetivo pretendido (Barañano, 2008). Para Babbie (2009, p.214) “as escalas são dispositivos de redução de dados, [...] as várias respostas de um respondente podem ser resumidas num único escore, e mesmo assim os detalhes específicos daquelas respostas serem mantidas quase na totalidade”, acrescenta que o termo likert é um método de medição desenvolvido por Rensis Likert e é associado a um formato de pergunta frequentemente usado nos questionários de survey. “Basicamente, mostra-se aos respondentes uma declaração e se pergunta se eles concordam fortemente, portanto, modificações nas redações das categorias de respostas podem ser feitas” (p.232). Adotou-se também o método de respostas em árvore, onde permite que certas questões sejam determinadas pelas respostas dadas às questões precedentes permitindo colocar a cada entrevistado apenas as questões pertinentes (Babbie, 1999).

Em oito questões fechadas havia ao final das alternativas, o campo “Outro”, questão aberta para se caso a resposta da empresa não contemplasse nenhuma das alternativas e para evitar-se o perigo de deixar de fora alguma eventual resposta importante. Esta decisão permite não enviesar as alternativas de respostas do entrevistado e constitui um apoio importante na interpretação dos resultados (Barañano, 2008).

O questionário foi construído e disponibilizado no site

<http://www.encuestafacil.com/RespWeb/QN.aspx?EID=1205052>. As principais vantagens da investigação on-line frente aos métodos tradicionais são seu baixo custo, já que não é necessário contratar entrevistadores, e a agilidade proporcionada pela internet, já que a entrada e o processamento de dados são imediatos (Babbie, 1999). Este método de recolha de dados adotado foi positivo, permitiu maior rapidez no preenchimento, de forma que os respondentes não cansassem, tentando obter o maior número de retornos dos questionários.

Após a elaboração do questionário e as revisões procedidas para eliminar as diferenças de entendimento das questões e das respostas, foi realizado um pré-teste do questionário com uma amostra de três empresas e quatro especialistas das áreas de Tecnologia da informação e Gestão, incluindo os orientadores, onde contribuíram para aprimorar e validar o instrumento da pesquisa e “garantir sua aplicabilidade, eficácia e sua eficiência [...] o pré-teste terá como resultado a confirmação da adequação do questionário ou, pelo contrário, a verificação da não adequação do questionário e, portanto, a sua modificação, no todo ou em parte” (Barañano, 2008).

Segundo a autora, a validade de construto particularmente diz respeito se as demonstrações e construções realmente estão a medir as coisas que são ditas para medir.

A aplicação possibilitou mensurar o tempo gasto na coleta e identificar algumas falhas decorrentes da complexidade das questões, tornando-se necessário retirar alguns itens e modificar o enunciado de outros. O questionário modificado conseguiu agregar esclarecimentos adicionais para as questões e especificar melhor o conteúdo de algumas respostas.

Como a pesquisa foi destinada a aplicar-se a uma delimitada área geográfica, o método escolhido de entrega foi uma combinação de três maneiras, visitando os entrevistados, através do envio por email e por meio do website da pesquisa.

Quanto ao procedimento de coleta de dados, primeiramente foi feito contato presencial em todas as empresas com uma breve explicação dos objetivos da pesquisa e pedido de colaboração e após o aceite foi enviado via email uma carta de apresentação (ANEXO I – CARTA DE APRESENTAÇÃO) explanando melhor a pesquisa e indicando o endereço da URL com a versão do questionário on-line. Os questionários foram aplicados no período de 08 de abril a 13 de maio de 2012, dirigidos ao responsável pela gestão do CE na empresa ou senão a uma pessoa que tivesse conhecimento suficiente sobre a empresa, neste caso, os gerentes ou proprietários das MPE´s participantes.

Seguiu-se a sugestão de Babbie (1999, p.173), que recomenda o monitoramento dos retornos e que seja formulado um gráfico (Figura 7), onde deve ser marcado como dia 1, o dia em que os questionários são enviados; cada dia depois, marca-se no gráfico o número de questionários retornados. “O mais importante é que ele sirva como guia de como está indo a coleta de dados”.

A fim de melhorar a taxa de resposta, lembretes foram enviados para os respondentes uma semana após o primeiro envio de emails. Percebido o baixo número de respostas, questionários impressos foram entregues pessoalmente, com data marcada para o recolhimento, fase representada no gráfico onde a linha possui maior crescimento.

Figura 7 - Frequência de questionários finalizados

Dos 158 questionários enviados às empresas, 14 foram respondidos por email, 25 questionários por meio do site (www.encuestafacil.com) e a maioria dos respondentes, 65 empresas o responderam através de questionários impresso, entregues diretamente na empresa, com data agendada para a recolha. Ressalta-se que, das 158 empresas constituintes da população, 5 empresas admitiram não aceitar participar da pesquisa, 4 delas abandonaram o questionário antes de finalizar e, 45 não responderam nenhuma das perguntas, por razões não conhecidas. Em relação aos 4 questionários abandonados decidiu-se a anulação total das respostas, justifica-se pelo fato de não estarem devidamente preenchidos. Portanto, antes de serem excluídas as empresas foram contactadas, mas não retornaram antes do fechamento da análise. A eliminação destes respondentes da amostra, devido a estas circunstâncias é comum (Maroco, 2003).

Percebe-se que estas questões foram abandonadas na 3ª parte do questionário (Estratégias de CE), provavelmente por conter questionamentos referentes à estratégia adotada por elas em relação à sua iniciativa de CE. Portanto, a taxa de respostas obtida poderá ser considerada boa, tendo em conta que a média para este tipo de questionários se situa entre os 5-10%, (Yun & Trumbo, 2000; Laughlin, 2001, Maroco, 2003).

A aplicação do questionário foi realizada pela própria pesquisadora, isso para que a investigação seja completa, e que contemple a maior quantidade de informações e dados relevantes para a investigação, que segundo Barañano (2008, p.101), esta via de aplicação tem a grande vantagem, pois o investigador obtém um conhecimento detalhado sobre o tema.

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