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PARTE I Revisão da literatura 19 

3.  Caracterização dos instrumentos de gestão 25 

3.3.  Instrumentos de orientação do comportamento 50 

Os instrumentos comportamentais, visam garantir o alinhamento dos gestores descentralizados com os objetivos da empresa, garantindo o seu funcionamento como um todo. Segundo Jordan et al (2011, 38), estes instrumentos permitem “enquadrar e canalizar as ações dos gestores e decisões na “boa” direção, isto é, com vista à satisfação dos objetivos da empresa e não somente de objetivos locais e parciais.”.

Para Peters & Waterman (cit. in Poeiras, 2009), “A descentralização de autoridade e a participação na tomada de decisões obtêm maiores níveis de motivação, empenho e criatividade na formulação e resolução dos mais distintos problemas. Se os gestores se sentirem parte integrante do projeto organizacional eles dão o melhor de si e colocam o seu conhecimento ao serviço da empresa procurando permanente a excelência na sua forma de atuar.”. (Poeiras, 2009, 25)

“Orientar” o comportamento significa garantir o alinhamento da gestão, ou seja, dar condições a cada gestor para que ele tenha um comportamento empresarial por forma a privilegiar na gestão do seu sector os interesses da empresa. Neste âmbito existem três instrumentos fundamentais, para influenciar e orientar o comportamento dos gestores tendo como vista a satisfação dos objetivos da empresa:

 Organização em centros de responsabilidade;

 Avaliação de desempenho dos centros de responsabilidade;

 Sistema justo de preços de transferência interna (PTI’s). (Jordan et al, 2011).

3.3.1. Centros de responsabilidade

Umaorganização estruturada em centros de responsabilidade (CR), pressupõe uma unidade orgânica descentralizada, em que cada gestor descentralizado tem conhecimento preciso de quais são as suas missões, a natureza dos objetivos a serem atingidos, os meios sobre os quais ele tem – por delegação – poder de decisão. Existem quatro tipos de centros e responsabilidade que podem e devem ser usados numa organização e que devem ter um gestor responsável pelas atividade e pelo desempenho desse centro. Esses centros são:

 Centro de custo (ou despesa): os centros de custo ou de despesa são aqueles que apenas fazem a mensuração dos inputs em unidades monetárias ou por

outras palavras apenas medem os custos decorrentes da atividade, ou por opção ou porque a tipologia da atividade assim obriga.

Estes centros de custo ou de despesa são também classificados em centros de custo Padrão, e em centros de custos discricionários. Os centros de custo Padrão englobam atividades cujo output é homogéneo, permitindo a estimação de custos como por exemplo: custo hora da mão-de-obra, custo de hora equipamento, custo por tonelada produzida e etc. Já os centros de custo discricionários englobam atividades cujo o output não é homogéneo e que, por esse fato, não é possível determinar o custo por unidade produzida, enquadram-se neste tipo de centros de custo as atividades administrativas (contabilidade, auditoria, fiscalidade, tesouraria, cobranças, etc);

 Centro de receita (ou proveitos): regra geral, aplicam-se a unidades de marketing e comerciais, em que a sua atividade é medida pelo seu output (normalmente volume de vendas), tendo como referência para a medição e avaliação do desempenho, o orçamento de vendas e ou a quota de mercado. Estes centros não são responsáveis pelos custos de produção de bens ou serviços, nem têm conhecimento da respetiva estrutura de custo, apenas possuem autoridade para: praticarem descontos com base numa tabela e sobre os preços base de venda; estabelecerem formas e condições de pagamento, muitas vezes também dentro de certos parâmetros aprovados pela gestão;

 Centros de resultados: neste tipo de centro o seu gestor tem um maior poder de decisão, pois para além de deter o poder sobre a decisão de quais os recursos a utilizar e consequentemente quais os níveis de custos, tem também o poder de decisão sobre o nível de proveitos, pelo que domina as duas variáveis que influenciam o resultado do centro. O gestor deste tipo de centro tem como objetivo financeiro maximizar o seu resultado, podendo para isso fazer variar as duas variáveis: custos e/ou proveitos;

 Centros de investimento: pode-se definir como uma unidade que detém o poder de decisão sobre custos, proveitos e outros elementos patrimoniais (ativos/passivos), como forma de financiamento da sua própria atividade operacional, o gestor tem total autonomia para gerir a sua atividade, tendo como objetivos financeiros encontrar o equilíbrio entre o resultado obtido e o nível de investimento necessário. O centro de investimento recebe um

proveito ou um encargo financeiro (juros) em função dos recursos cedidos ou utilizados por si. Este juro é o fator que marca a diferença entre uma demonstração de resultados de um centro de resultados (não incluí juros) e de um centro de investimento (inclui juros).

A diferença entre estes centros de responsabilidade depende da forma como são medidos os inputs e os outputs de cada centro, atendendo à especificidade de cada uma das suas atividades para efeitos de controlo e avaliação de desempenho. (Jordan et al, 2011; Poeiras, 2009; Santos, 2010).

3.3.2. Avaliação de desempenho dos centros de responsabilidade

A organização de uma unidade de negócio em centros de responsabilidade só faz sentido se forem avaliados os respetivos desempenhos, por forma a orientar o comportamento dos gestores na persecução dos objetivos individuais da unidade de negócio e estratégicos da empresa. Assim, dependendo do tipo de centro de responsabilidade, utilizam-se normalmente as seguintes métricas económico-financeiras. (Santos, 2010).

Tabela 7 - Centros de responsabilidade e métricas de avaliação.

3.3.3. Preços de transferência interna

Os PTI (preços de transferência interna), é o mecanismo utilizado pelas empresas para valorizar e regular as transações de bens e serviços entre um determinado centro de resultado ou de investimento e outros centros de responsabilidade. O PTI é um custo para uma área e constitui, em simultâneo, o proveito de outra. Porém importa distinguir preços de transferência interna e prestações internas. Os PTI’s estão vocacionados para os produtos/serviços transferidos internamente entre centros de responsabilidade, e as prestações internas surgem para afetar os custos dos centros auxiliares aos centros principais. (Jordan et al, 2011), (cit. in Tavares, 2014).

O objetivo de um PTI consubstancia-se assim em:

 Regular o funcionamento entre os centros de responsabilidade e os recursos consumidos (todo o recurso consumido utilizado tem um preço/custo);  Dar informação de gestão relevante, por forma a motivar o gestor a tomar

decisões sobre a melhor relação custo – proveito;

 Ajudar a avaliar o desempenho de um centro de responsabilidade;

 Promover o alinhamento das decisões dos gestores sobre os seus objetivos de lucro individuais com os objetivos estratégicos da empresa. (Santos, 2010). O estabelecimento do preço de transferência interno a utilizar, nem sempre é fácil. Os PTI’s podem ser calculados de acordo com o custo ou com os preços de mercado; os preços baseados no custo podem ser calculados, ainda, de acordo com o custo real, o custo padrão ou baseados no custo padrão com uma margem, os métodos de fixação dos PTI’s distinguem-se no quadro:

Tabela 8 - Métodos de fixação dos PTI's e suas características.

Fonte: (Tavares, 2014, 30)

Contudo, um sistema de gestão baseado em PTI só terá sucesso se:  For equitativo, simples de utilizar e compreendido pelos gestores;

 Traduzir o justo valor do bem/serviço transacionado entre centros de responsabilidade;

 For negociado e aceite pelas partes envolvidas, ou seja, não deve ser imposta pela alta direção/administração;

 O seu funcionamento aproximar-se, na medida do possível, ás regras de mercado. (Santos, 2010).