2 ITINERÁRIO DA PESQUISA E SEUS ENCAMINHAMENTOS
2.2 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
2.2.2 Instrumentos de Pesquisa
Consideramos que o principal instrumento de estudo é o pesquisador. Sua função ampla recorre ao observar e participar, recriar estratégias, organizar circunstâncias para a aprendizagem, motivar e coordenar as atividades em sala de aula.
Ele atribui significados a um objetivo pré-elaborado, com a compreensão que as circunstâncias podem se alterar a qualquer momento em seu percurso, tanto na teoria quanto na prática. Os critérios para realização da pesquisa são descritos pelos pontos a seguir.
A) A observação
Ressalta Vianna (2007, p. 12) “Ao observador não basta simplesmente olhar. Deve, certamente, saber ver, identificar e descrever diversos tipos de interações e processos humanos”. Para tanto, o pesquisador deverá estar preparado, possuindo um adequado treinamento, identificando problemas (a partir de observações causais), envolvendo os quatro sentidos básicos além da visão, registrando dados, ações e emoções das circunstâncias verificadas.
Em trabalhos onde o observador é também participante alguns cuidados devem estar em voga, sobretudo no que diz respeito ao registro dos dados, evitando o excesso de sentimentalismo com os observados. Também deve prestar atenção até onde suas emoções e sentimentos constituem dados e quando elas poderão influenciar as ações dos outros sujeitos (OLIVEIRA, 2007).
Quando bem executada, a observação participante possibilita a investigação de contextos particulares, desvendando situações cotidianas em virtude da abertura e flexibilidade da pesquisa, além do aprofundamento das questões referentes à investigação em processo.
Criamos instrumentos de registro para cada oportunidade de pesquisa oferecida nas escolas ou na universidade. Adequamos os instrumentos para cada circunstância. Utilizamos nos ambientes escolares três principais instrumentos de coleta de dados (jornal de pesquisa, entrevistas e questionário).
B) Jornal de pesquisa
O jornal de pesquisa (também conhecido como diário de campo) consiste segundo Barbosa (2010), na possibilidade de ultrapassar a simples cópia mecânica e produzir um conhecimento condizente com a realidade. Não aponta a pesquisa como aprendizagem para si mesmo, nestas circunstâncias tem um caráter público, que pretende esclarecer os passos de determinada investigação.
Durante as pesquisas-piloto, notamos que o uso de blocos de anotações era inconveniente, pois prejudicavam a observação participante além de distrair os alunos nas atividades estabelecidas em sala de aula. Neste aspecto, nos detemos na escrita do jornal de pesquisa, anotando nossos (in) sucessos relacionados à investigação.
Sendo assim, trechos de diálogos e reações ocorridas durante as aulas, e, principalmente, durante a realização dos mapas mentais foram registrados e se encontram em apêndice (Apêndice I em CD).
C) Entrevistas
Segundo Oliveira (2007, p. 86) “a entrevista é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador (a) e entrevistado (a) e obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando”. Dessa forma, após o termino das atividades procuramos realizar um diagnóstico final sobre as possíveis contribuições das práticas realizadas, especialmente, do uso dos mapas mentais, na perspectiva dos alunos. Em decorrência do tempo, as entrevistas foram realizadas em grupos (de três a cinco alunos), com todos os estudantes do 4º e 5º ano, salvo os faltosos. As entrevistas foram norteadas por questões semiestruturadas, descritas abaixo.
Questões para entrevista com os alunos:
1. Qual das atividades realizadas vocês acharam mais interessante? Por quê? 2. Qual das atividades vocês menos gostaram de fazer? Por quê?
3. O que vocês acham que aprenderam com a realização dos mapas mentais durante as aulas de Geografia?
4. Vocês acham importante estudar Geografia? Explique.
Em outra ocasião estivemos em contato com a gestora da escola com a qual realizamos uma entrevista focalizada. Para Gil (1999, p. 120) esse tipo de entrevista é de caráter “[...] livre; todavia, enfoca um tema bem especifico. O entrevistador permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto, mas, quando este se desvia do tema original, esforça-se para a sua retomada”.
O tema em questão foi o processo de ensino-aprendizagem no segundo ciclo dos anos iniciais do EF (4º e 5º ano) surgindo questões referentes ao cumprimento da legislação na escola, a estrutura física da escola, organização do trabalho escolar
(principalmente das professoras), desempenho escolar dos alunos do 4º e 5º ano. Essas temáticas são contextualizadas ao longo do capítulo 3 e 4.
D) Questionário de investigação
Em decorrência do tempo da pesquisa, último bimestre de 2014, foi necessário aplicar o recurso “questionário de investigação” com as docentes do 4º e 5º ano. Nossa intenção inicial foi o de registrar o perfil das professoras. Também o de discutir as problemáticas e estabelecer uma troca de experiências das observações de cada professora sobre a execução e propostas da pesquisa.
Para fins de registro, o questionário foi construído possuindo treze (13) questões, divididas em cinco partes: identificação, formação, experiência profissional, prática profissional e execução da pesquisa (ver apêndice II). Com base na leitura das respostas das professoras, tivemos condições de entender as dificuldades. Entre elas a relação ao ensino de Geografia e suas sugestões para o trabalho com os mapas mentais e metodologias auxiliares.
E) Outros instrumentos para as práticas com os alunos
Para a realização das atividades com mapas mentais confeccionamos dois modelos de prancha para desenho. O primeiro voltado às atividades realizadas individualmente (em folha A4) constituída por cabeçalho com espaço para nome e idade, o que auxiliou na identificação dos sujeitos da pesquisa (Apêndice III). A segunda para uso em grupo (em folha A3).
Os outros recursos utilizados foram: Atlas Geográfico, mapa do Brasil32, Região Nordeste33 e Centro-Oeste34, Estado da Paraíba35, Campina Grande – PB36, Atlas Escolar da Paraíba37.
32 BRASIL. Editora Globomapas. Brasil político- rodoviário.[São Paulo], 2014. 1 mapa: 89 x 117 cm. Escala: 1:5000000.
33 BRASIL. Editora Globomapas. Brasil região nordeste.[São Paulo], 2014. 1 mapa: 89 x 117 cm. Escala: 1:2000000.
34 BRASIL. Editora Globomapas. Brasil região centro-oeste: político, rodoviário, regional e turístico.[São Paulo], 2014. 1 mapa: 89 x 117 cm. Escala: 1:2000000.
35 ESTADO DA PARAÍBA. Editora Trieste. Estado da Paraíba político rodoviário e escolar. [São Paulo], 2008. 1 mapa: 89 x 117 cm. Escala 1: 500 000.
36 CAMPINA GRANDE. Editora Trieste. Campina Grande PB.[São Paulo], 2008. 1 mapa: 89 x 117 cm. Escala 1: 10 000.
Mediante termo de consentimento, a gestão escolar permitiu o uso da câmera fotográfica/celular e da filmadora. Isso auxiliou na percepção de elementos não identificados na ação da pesquisa, servindo como um registro de apoio. As fotos, filmagens e gravações serviram para interpretação das atividades com os mapas mentais realizados. Além desses, se fez uso de material de papelaria: lápis grafite e de cor, caneta hidrocor, cola, tesoura, fita adesiva (durex) e borracha.
Utilizamos o recurso do brinquedo didático “Brincando de engenheiro”38 para construção de maquetes, introduzindo a noção do lúdico no trabalho pedagógico com mapa mental. A maquete mental (mapa mental construído coletivamente, o qual é discutido na página 97 e 98) foi construída sob uma superfície de cartolinas (papel cartão).