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Instrumentos de recolha de dados

No documento Estudo de caso (páginas 52-56)

PARTE II ESTUDO EMPÍRICO

CAPÍTULO 2 METODOLOGIA

2. Contextualização

2.5. Instrumentos de recolha de dados

Em consideração aos objetivos deste estudo, os instrumentos privilegiados para a recolha de dados foram a pesquisa documental, a observação naturalista, a entrevista e o TLTLE. Todas as técnicas se revelam importantes e se completam quando combinadas porque servem propósitos específicos. Na perspetiva de Quivy e Campenhoudt (2005) a necessidade da sua utilização prende-se essencialmente com objetivos propostos no estudo de caso em curso e com as caraterísticas em análise.

2.5.1. Entrevista

Relativamente à preparação da entrevista, esta foi realizada de forma cuidada, o que nos obrigou a uma reflexão atenta aquando a sua elaboração. Definidos os objetivos, construímos um guião orientador que, pela sua flexibilidade, permitisse um aprofundamento das questões levantadas.

Segundo Estrela (1994) é através da entrevista que se torna possível a recolha de dados de opinião, que permitem obter indícios para

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a caraterização do contexto em estudo e dos seus intervenientes. O mesmo autor destaca ainda que a definição clara dos objetivos é fundamental na preparação da entrevista, pois daí resultará a escolha dos procedimentos a adotar. Para Queiroz (1991) esta é uma técnica eficaz quando se pretende conhecer de maneira profunda o modo de pensar do informante e, através dele, a sua visão do mundo.

O guião orientador constitui-se fundamentalmente como um apoio ao entrevistador e não como um registo exaustivo e rigoroso de questões a colocar ao entrevistado.

Embora existam vários tipos de entrevistas, enveredamos pela entrevista padrão, já que «o esquema geral aumenta a abrangência dos dados e torna a sua escolha um tanto sistemática, para cada participante» (Patton, 1990, cit. em Tuckman, 1994).

Na opinião de Albarello et al (1997, p. 100), o entrevistador «não dá a sua opinião, não avalia, não dá sugestões, não vinca um interesse particular por determinadas afirmações do seu interlocutor, evitando ao mesmo tempo parecer indiferente. Manifesta [apenas] uma aceitação incondicional dos sentimentos e opiniões do seu parceiro e é caloroso com ele.»

Enquanto instrumento de recolha de dados, podemos afirmar que a entrevista apresenta vantagens como a flexibilidade relativamente à duração, à adaptação a novas situações e a diversos tipos de entrevistado, bem como a possibilidade de recolher informações pessoais e/ou do tipo confidencial e desvantagens como, uma maior especialização do investigador, os custos que lhe estão associados e o tempo que consomem (Carmo & Ferreira, 1998).

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Partindo da necessidade de recolher informações acerca da criança, das atividades/estratégias utilizadas, verificando e aprofundando, desta forma, determinadas informações anteriormente recolhidas, mostrou-se pertinente realizar uma entrevista à professora de Educação Especial e ao Encarregado de Educação do aluno em estudo.

2.5.2. Pesquisa Documental

A pesquisa documental surge como “o método de pesquisa central ou mesmo exclusivo” de uma investigação (Bell, 2008, p. 101), na medida em que nos fornece informações necessárias a uma melhor fundamentação dos resultados obtidos através da aplicação de outros métodos.

Para concretizarmos o presente projeto de intervenção recorremos ao Projeto Educativo do Agrupamento de Escolas de Ansião, Projeto Curricular de Turma, ao PEI, aos Relatórios Psicológicos e aos registos de avaliação dos anos transatos, da Professora de Educação Especial e de outros técnicos.

Optamos pelo recurso a esta técnica porque permite complementar a informação com dados obtidos através das restantes técnicas. Revelou-se fundamental aceder a fontes de informação escritas e/ou informatizadas que foram produzidas pelo Executivo do Agrupamento de Escolas, e pela professora de Educação Especial, de acordo com a sua prática letiva e o contexto educativo em que intervém.

O acesso e consulta a esta panóplia de documentos informativos permitem contextualizar o ambiente onde ocorreu a intervenção, ao mesmo tempo que fornece informações quanto ao modo de gestão, regras e regulamentos oficiais da instituição.

43 2.5.3. Observação Naturalista

Como refere Estrela (1994, p. 47), esta é uma técnica que “visa explicar o porquê e para quê, através do como”.

A observação direta permite recolher informação acerca do contexto e dos respetivos elementos, sendo desde logo substancial ao processo de investigação-ação, devido ao seu caráter sistemático (Esteves, 2008).

Segundo Estrela (1994), a observação naturalista permite a aquisição de informação, que se destaca da obtida através de outras técnicas, em termos de qualidade e quantidade. Por conseguinte, esta técnica foi complementada por outras técnicas de recolha e análise de dados.

Bell (1993), Estrela (1994) e Ruquoy (1997) realçam a importância de se complementar a entrevista com a pesquisa documental, uma vez que a entrevista possibilita que se aceda parcialmente a informações sobre as representações, prática e quotidiano do contexto. Nas palavras de Cavaco (2009, p. 78), torna-se, portanto, premente o recurso a várias técnicas complementares de modo a recolher “o máximo de informação pertinente”.

Numa fase inicial deste trabalho, realizaram-se dois momentos de observação naturalista de cerca de meia hora, na UEE do Agrupamento de Escolas de Ansião, procurando observar o comportamento dos alunos em estudo, bem como a relação pedagógica existente com a Professora de Educação Especial e, ainda o tipo de estratégias/atividades desenvolvidas pela mesma.

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2.5.4. Teste de Linguagem Técnica da Leitura e Escrita

O Teste de Linguagem Técnica da Leitura e Escrita (Martins, Mata, Peixoto e Monteiro, 2000), surge como forma de avaliar os conhecimentos de termos técnicos cujo domínio é indispensável à aprendizagem da leitura e da escrita.

Esta prova é composta por 23 itens e por 2 itens ilustrativos. A prova é aplicada individualmente. Para cada item, é dada uma instrução centrada no termo técnico em análise e pedido à criança que escolha, entre as opções disponíveis, o item correspondente.

Os itens avaliam o conhecimento de termos como «número», «letra», «palavra», «frase» «primeira(s) ou última(s) palavra(s) de uma frase», «letras maiúsculas e minúsculas» «título de uma história» «linha», «direccionalidade de leitura/escrita», «história escrita».

Cada resposta correta é cotada com 1 ponto, sendo que os resultados podem oscilar entre os 0 e 23 pontos.

“A prova destina-se a crianças que vão iniciar a escolaridade obrigatória e a crianças em fases iniciais de aprendizagem da leitura e escrita”. (Martins et al, 2000, p. 5)

Como suporte avaliativo, aplicou-se o instrumento TLTLE em dois momentos, março e junho, respetivamente.

No documento Estudo de caso (páginas 52-56)

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