Capítulo 2- Dimensão Investigativa da Intervenção
2.1. Metodologia
2.1.2. Instrumentos de recolhas de dados e procedimentos
Uma investigação-ação é um processo longo que passa por várias etapas, e “à
semelhança da investigação qualitativa, é (…) dinâmico, interactivo e aberto aos emergentes e necessários ajustes, provenientes da análise das circunstâncias e dos
fenómenos em estudo.” (Máximo-Esteves, 2008, p.82) Nesse sentido, é necessário proceder a uma recolha de dados, para progredir e ajustar a investigação-ação, utilizando,
43 Assim, todos os instrumentos de recolha de dados foram fundamentais para compreender
os contextos, e potenciar com mais qualidade os circuitos de comunicação entre escola e
família. Foram eles:
- Observação participante, notas de campo e reflexões semanais, para conhecer os tipos
de participação das famílias na creche e no jardim-de-infância, e em que contextos
acontecem. Para agrupar os dados recolhidos utilizei dois quadros (um para cada valência)
que incluem excertos e observações e que ajudaram a compreender o contexto onde
estagiei, ajudando na tomada de decisão para a intervenção.
- Análise documental do Projeto Educativo da instituição, dos Projetos Pedagógicos das
salas e conversas com as educadoras, realizadas ao longo dos semestres, para
compreender e conhecer as práticas de envolvimento e participação dos familiares
existentes.
- Análise das planificações diárias e semanais para que aquando da minha intervenção
diárias, no semestre par, pudesse potenciar circuitos de comunicação entre as famílias e
a creche e o jardim-de-infância com qualidade e diferenciados.
De forma a sintetizar e a organizar os dados recolhidos, relativos aos primeiros
instrumentos mencionados, utilizei duas tabelas, compostas por 3 colunas. Nas primeiras
colunas estão as informações relativas ao número da observação, o dia e a situação em
que ocorreu, bem como os intervenientes. Nas segundas estão as observações, notas de
campo ou excertos das reflexões das situações observadas. Nas terceiras são indicados os
tipos de participação e envolvimento das situações correspondentes, segundo a tipologia
de Joyce Epstein.
No que diz respeito aos segundos instrumentos mencionados, os mesmos serviram
de complemento na ajuda da definição das tipologias existentes nas salas, sendo por isso,
44 Relativamente aos terceiros instrumentos referenciados também utilizei duas tabelas,
uma para cada valência, compostas por 4 colunas. Na primeira são mencionados o número
de planificações, com o intuito de verificar o seu total, e em quantas tive em conta a
temática da relação família-escola. Na segunda coluna são apresentados excertos dos
sentidos globais dos dias, com o intuito de verificar se existiu alguma planificação em
que foi destinada a potenciar a comunicação/integração da família na sala. Na terceira,
transcrevi excertos dos objetivos específicos relacionadas com a temática. Na última
coluna também transcrevi excertos das planificações, onde previ estabelecer contacto
com a família.
Os dados apresentados a seguir, dizem respeito, à creche e jardim-de-infância,
respetivamente, uma vez estagiei nas duas valências e as análises e o projeto de
intervenção não foram iguais.
Creche
De acordo com o quadro apresentado no apêndice 1, a análise feita no projeto
curricular de sala e com as observações diárias, onde os familiares e educadora
mantinham conversas informais no acolhimento e saída das crianças, é possível concluir
que as tipologias de envolvimento parental predominantes são o tipo 1 e 2, onde são
asseguradas as funções básicas e comunicação, respetivamente. As funções básicas
asseguradas pelas famílias dizem respeito aos elementos necessários ao dia-a-dia da
criança, que são levados para a creche (roupa, alimentação, fraldas, toalhitas cremes e os
seus objetos pessoais, como chupetas, fraldas de pano e/ou peluche para adormecer). A
comunicação existente entre equipa educativa e familiares era feita de várias formas,
45 acolhimento e saídas das crianças, e ainda com desenhos, pinturas e colagens realizadas
pelas crianças expostas no placar à entrada da sala.
Relativamente a outros tipos de recolha de dados, as planificações, elaborei um
quadro (apêndice 2), onde estão presentes o número de planificações que realizei, com o
intuito de conhecer os tipos de participação existentes. Apesar de no primeiro semestre
apenas ter planificado para duas sessões para conhecer mais acerca do envolvimento
parental, todas as semanas estive atenta para esse tema, pois anteriormente apresentei os
resultados provenientes das minhas observações, notas de campo e excertos de reflexões.
Os objetivos apresentados no apêndice 2 foram, no entanto fundamentais para estar ainda
mais atenta aos tipos de envolvimento parental, concluindo que, segundo Homem (2002),
a participação existente na creche também pode ser classificada como espontânea em
relação à sua natureza e indireta quanto ao grau de democracia.
Jardim-de-infância
De acordo com os dados apresentados no apêndice 3, e análise do projeto
curricular de sala, e observações diárias, os tipos de envolvimento parental
predominantes, segundo Joyce Epstein, são o tipo 1, 2 e 4, funções básicas, comunicações
e aprendizagem em casa, respetivamente. As funções básicas asseguradas pelos familiares
eram aquelas necessárias ao dia-a-dia da criança no jardim-de-infância, e as quais a
instituição não podia suportar, como roupa, alimentação, fraldas, toalhitas cremes e os
seus objetos pessoais, como chupetas, fraldas de pano e/ou peluche para adormecer.
Apesar de algumas crianças já não precisarem de fraldas, a maioria ainda necessita
durante o momento da sesta. As comunicações efetuadas são realizadas entre equipa
educativa e familiares, através de reuniões, acolhimento e saídas das crianças, caderneta
46 medida em que exponha desenhos, pinturas, cartazes de dias festivos, como dia dos
namorados e fotografias. Relativamente ao tipo 4, aprendizagem em casa, a educadora iniciava uma proposta com as crianças na sala, enviando para casa, sendo terminada com
os familiares e os seus educandos.Por exemplo, na época natalícia, as crianças pintaram três rolos de papel higiénico, colaram em forma de pirâmide e, a educadora enviou para
casa, para que em família enfeitassem como uma árvore de natal.
Relativamente a outros tipos de recolha de dados, as planificações, elaborei um
quadro (apêndice 4), onde estão presentes o número de planificações que realizei, com o
intuito de verificar os objetivos propostos para conhecer os tipos de participação. Apesar
de no primeiro semestre apenas ter planificado em duas sessões para conhecer mais acerca
do envolvimento parental, todas as semanas estive atenta para esse tema, pois
anteriormente apresentei os resultados provenientes das minhas observações, notas de
campo e excertos de reflexões. Todos os instrumentos foram fundamentais para
compreender a essência do envolvimento parental, existente na sala de jardim-de-
infância. Por exemplo, a observação participante foi fundamental para conhecer as
práticas de envolvimento parental instituídas.