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PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO EM AUTORREGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO CONTEXTO ACADÊMICO

3.2. Hipóteses

3.4.1. Instrumentos do Pré-teste e do Pós-teste

Os instrumentos utilizados no pré-teste e no pós-teste serão descritos a seguir. Antes de respondê-los foi solicitado aos alunos que preenchessem uma ficha de identificação. A ficha requisitava informações referentes aos dados pessoais, formação escolar, atividades de trabalho e lazer, além de hábitos de estudos dos participantes.

Atividade autorreflexiva geral: “Quem é você como estudante?”

(Boruchovitch, 2009)

Esse questionário consiste de três perguntas abertas, nas quais os participantes são solicitados a refletirem sobre si próprios e a se autodescreverem como estudantes. As questões apresentadas são as seguintes: “O que você faz quando precisa estudar e aprender um novo conteúdo?”, “Quais são os seus pontos positivos como aluno?” e “Quais são os seus pontos negativos como aluno?”. No pós-teste, para os participantes do grupo experimental, foram acrescentadas as seguintes perguntas: “Você acha que essa proposta de intervenção (conteúdos online e atividades autorreflexivas) o ajudou a estudar e a aprender melhor?”; “Se sim, descreva em maiores detalhes”; “Se não, explique o porquê”.

 Escala de Autoeficácia para a aprendizagem (Zimmerman & Kitsantas, 2005 - traduzida por Boruchovitch & Ganda, 2010)

A escala, de título original Self-efficacy for Learning Form e desenvolvida por Zimmerman e Kitsantas (2005), foi traduzida para o português por Boruchovitch & Ganda, 2010, após o consentimento formal dos autores. A tradução foi inicialmente realizada por dois profissionais da área educacional fluentes na Língua Inglesa. Depois, as traduções foram comparadas, analisadas e reformuladas de modo a se obter a versão mais adequada à realidade brasileira. Finalmente, realizou-se uma tradução inversa para garantir a confiabilidade do conteúdo de cada item do instrumento.

A escala do tipo Likert é composta por 19 itens, cujas opções de respostas assumem valores que vão de 0% a 100%, de acordo com a seguinte gradação: 0% (Definitivamente não sou capaz de fazer), 30% (Provavelmente não), 50% (Talvez), 70% (Provavelmente sim) até 100% (Definitivamente sou capaz de fazer). Deve-se ressaltar que, em consonância às orientações de aplicação do instrumento, as respostas são digitadas no banco de dados em números cardinais de 1 a 10 e não em porcentagem. Assim, por exemplo, se em um item o participante respondeu 30%, no banco será digitado como 3; Se respondeu 90%, será digitado como 9 e assim por diante.

Os itens da escala se referem às crenças de autoeficácia relacionadas a três atividades acadêmicas: estudo, preparação para provas e anotações em sala. O escore total varia entre 0 e 100 e maiores escores indicam o relato de níveis mais elevados de crença de autoeficácia para a aprendizagem. Não há itens de pontuação invertida. Em

pesquisa realizada com 223 alunos universitários de diferentes cursos, a consistência interna do instrumento, medida pelo alfa de Cronbach, obteve um valor alto de 0.97 (Zimmerman & Kitsantas, 2007). Como exemplo de itens, podem ser citados os que se seguem: o Item 07: “Quando você está tentando entender um assunto novo, você é capaz de associar os novos conceitos com os antigos suficientemente bem para recordá- los?” e o Item 18: “Quando você acha que foi mal numa prova que acabou de fazer, você é capaz de retomar suas anotações e localizar todas as informações que você tinha esquecido?”.

 Learning and Study Strategies Inventory - LASSI (Weinstein, Schulte & Palmer, 1987)

O LASSI é um instrumento destinado a mensurar as aptidões de estudo, as estratégias de aprendizagem e as atitudes dos alunos no contexto acadêmico. A escala do tipo Likert possui cinco opções de resposta que variam entre 1 (Nada característico em você) e 5 (Totalmente característico em você). A versão que foi utilizada na presente pesquisa foi adaptada e validada para o contexto brasileiro, em um estudo conduzido por Bartalo (2006), com uma amostra de 833 alunos universitários dos estados do Paraná e São Paulo. Após a análise fatorial e conceitual dos itens, o instrumento ficou composto por 71 itens, distribuídos em nove subescalas, entre as quais as oito primeiras estão em consonância com a escala original de Weinstein, Schulte e Palmer (1987): processamento da informação, ansiedade, organização do tempo, concentração, atitude, seleção de ideias principais, auxiliares de estudo, motivação e preocupações ao estudar. Ao final, há também um conjunto extra de 11 itens referentes aos hábitos de estudo na internet. Caso o aluno não utilize a internet para estudar, ele sinaliza no início e não precisa responder as questões.

O escore total da escala LASSI varia de 71 a 355, de modo que, maiores escores indicam que os alunos relatam melhores habilidades e estratégias de estudo. Há inversão de valores nos seguintes itens: 2, 4, 5, 9, 10, 14, 16, 18, 21, 24, 25, 27, 29, 30, 31, 33, 34, 37, 38, 40, 42, 43, 45, 46, 48, 49, 51, 53, 55, 60, 62, 63, 65, 66, 67, 70 e 71. Na pesquisa de Bartalo (2006), as análises de consistência interna para as subescalas medidas pelo alfa de Cronbach, revelaram valores considerados de aceitáveis a altos, de 0.64 a 0.82.

Alguns exemplos de itens são: o Item 03: “Depois de uma aula, revejo os meus apontamentos/anotações para relembrar a matéria”; o Item 33: “Não quero aprender muitas coisas diferentes na universidade. Quero aprender apenas o que for preciso para arranjar um bom emprego”; e o Item 57: “Fico tão nervoso e confuso quando faço uma prova que as respostas que dou não são as melhores que a minha capacidade permite”.

 Situação-problema para avaliação de Estratégias Autoprejudiciais de

estudantes universitários (Boruchovitch & Ganda, 2009)

Instrumento formado por uma situação-problema, seguida por duas questões fechadas e duas abertas, referentes ao uso de estratégias autoprejudiciais em contexto acadêmico. A situação apresentada foi desenvolvida com base na literatura da área e versa sobre um aluno que faz uso de estratégias autoprejudiciais em contexto educacional. A partir dessa história, pede-se ao participante que pense sobre sua conduta no curso universitário e então responda se faz ou não uso de tais estratégias, quais são as que usa e se acha importante refletir sobre os atos que atrapalham a sua aprendizagem.

 Questões abertas para avaliação das Atribuições Causais e emoções a ela

relacionadas (Boruchovitch & Santos, 2012)

Instrumento composto por dez questões abertas, cinco referentes ao sucesso acadêmico e cinco relacionadas ao fracasso acadêmico, nas quais se indaga o principal motivo atribuído pelo aluno às situações propostas, as emoções eliciadas em cada ocasião e as suas percepções de controle, lócus/internalidade e estabilidade frente a cada causa.