4 FATORES INTERVENIENTES NA APLICAÇÃO DO APRENDIDO
5.3 Instrumentos e procedimentos de coleta de dados
Determinar o impacto da educação no trabalho consiste, essencialmente, em identificar as mudanças de comportamento do indivíduo treinado e encontrar indícios de que elas se deram em função de sua participação no programa, ou em função de fatores externos ao treinamento.
Assim, a coleta de dados foi realizada com treinandos, superiores e pares, conforme ensinam Kirkpatrik (1996), Hamblin (1978) e Millioni (2005), em dois momentos: antes do curso e 90 dias após a conclusão, seguindo o que os autores citados consideram o tempo ideal para a mudança de comportamento em função do treinamento.
A escolha da metodologia baseou-se principalmente nas propostas de Kirkpatrick (1996) para minimizar os riscos de erro de avaliação, conforme capítulo três. Todavia, considerando a realidade encontrada nas empresas, entende-se que nem sempre é possível observar todas as sugestões do autor.
Na instituição em estudo, a distribuição dos participantes de turmas é feita proporcionalmente entre as diversas unidades dos 10 estados compreendidos pela instituição, o que impossibilitou o atendimento à sugestão de utilizar grupo controle, com amostras exatamente iguais, e dificultou a obtenção de 100% de retorno dos
pesquisados. Devido ao tempo disponível para a pesquisa, também ficou impossibilitada a realização de outras avaliações.
Para a coleta de dados, foram utilizadas análises de documentos da instituição para obter informações que fundamentassem os pressupostos (LÜDKE, ANDRÉ, 1986).
Utilizou-se, ainda, questionários com perguntas abertas e fechadas visando ao registro de percepções e sentimentos dos sujeitos, com indicação de categorias e possibilidade de fornecer respostas enquadráveis em mais de uma categoria. As informações obtidas por esses instrumentos geraram os insumos necessários à análise qualitativa da pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 1991).
Ressalta-se que não foram utilizadas as entrevistas devido à pulverização dos participantes do treinamento, distribuídos pelos diversos estados de atuação do Banco, tornando-se inviável seu emprego.
O questionário foi elaborado com base em leituras, principalmente de Kirkpatrick (1996, 1998, 2006) e Hamblin (1978), que trazem modelos de perguntas; em questionamentos oriundos da prática diária da pesquisadora, e no instrumento IMPACT elaborado e validado por Gardênia Abbad (1999) em sua tese de doutorado, apresentado em escala Likert de concordância, conforme Quadro 5:
Quadro 5 – Extrato do instrumento IMPACT
5 4 3 2 1
Sempre Freqüentemente Algumas vezes Raramente Nunca
2- Fatores Situacionais de Apoio
13. Tenho tido oportunidade de usar no meu trabalho as habilidades que aprendi no treinamento
14. Falta-me tempo para aplicar no trabalho o que aprendi no treinamento.
Fonte: Adaptado de Abbad (1999).
O treinamento escolhido para aplicação da pesquisa é integrante do programa de formação de novos gestores da instituição, com duração de um mês, tendo ocorrido entre outubro e novembro.
Para construção do instrumento foram analisados os objetivos do treinamento e as competências exigidas para o gestor, independente de função específica.
Elaborado o instrumento, foi realizado pré-teste de auto-avaliação, em turma semelhante à da pesquisa, a fim de avaliá-lo semanticamente. Na ocasião, o instrumento foi aplicado presencialmente pela pesquisadora, no primeiro dia do curso, para garantir o retorno do material com agilidade.
Assim, verificou-se o nível de compreensão das questões, a adequação do tempo previsto para resposta e o encadeamento das perguntas. Com base em questionamentos feitos pelos treinandos foi excluída uma questão redundante, e modificadas duas questões para melhor esclarecimento da pergunta.
Para validação da auto-avaliação após o treinamento e da heteroavaliação antes e após, o procedimento utilizado foi o envio de questionário, via correio eletrônico, juntamente com esclarecimentos sobre a pesquisa. Por ter sido aplicado a distância, o pré-teste não obteve o retorno total, mas suficiente para que se percebesse a necessidade de alterações semânticas nas questões propostas. Validado o instrumento, os esforços foram direcionados à aplicação oficial do questionário.
Antes do treinamento, foi encaminhado questionário, via correio eletrônico para o treinando, gestor e par (funcionário da mesma unidade escolhido de acordo com o grau de proximidade funcional com o sujeito). O questionário subdividiu-se em quatro dimensões: (1) Dados Pessoais e Funcionais; (2) Motivação; (3) Objetivos do Treinamento e (4) Aplicação do Treinamento.
O primeiro nível, visava obter informações sobre o perfil dos participantes com relação aos dados demográficos e funcionais, como faixa etária, sexo, nível de escolaridade, tempo de empresa, função e tempo na função. Na heteroavaliação questionavam-se apenas os dois últimos itens.
O segundo nível, motivação, buscava informações sobre o que estimulou a participação do funcionário no evento, do ponto de vista do treinando, do gestor e do par.
Quanto aos objetivos, buscava-se inferir da percepção dos envolvidos, acerca dos conhecimentos que seriam discutidos no curso.
O quarto nível, aplicação do treinamento, tinha por objetivo coletar informações da percepção do funcionário, sobre o suporte material e psicossocial
recebido para desempenho das atividades (apoio fornecido pela instituição, gestores e pares) e sua visão geral das condições do ambiente de trabalho.
Decorridos 90 dias do retorno do funcionário treinado ao trabalho, ele, seu superior e par responderam novo questionário, com o objetivo de verificar se foi percebida alguma alteração no comportamento do profissional. Questionavam-se, ainda, os fatores interferentes no processo, segundo opinião de cada um, com ênfase na percepção de suporte à transferência de treinamento.
Por se tratar de pesquisa envolvendo seres humanos, os participantes assinaram Termo de Consentimento de Caráter Livre e Esclarecido (Anexo B), conforme modelo do Comitê de Ética da Universidade Federal do Ceará, e segundo a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde - Ministério da Saúde.