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CAPÍTULO IV INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DE RECOLHA DE

1. Instrumentos e procedimentos de recolha de dados

Com o intuito de recolher objetivamente dados pertinentes para o nosso projeto, uti- lizámos diversos instrumentos e procedimentos, de entre os quais destacamos os dois in- quéritos por questionário e a apresentação dos diálogos relativos a aspetos que se prendem com a alimentação e a gastronomia.

Como o nosso projeto intencionava comparar o comportamento e o conhecimento dos escolares relativamente a alguns aspetos respeitantes à alimentação nos dois lados da fronteira, solicitámos a colaboração do CEPE (Coordenação do Ensino do Português em Espanha), o que nos permitiu aplicar o primeiro dos inquéritos a alunos espanhóis.

O primeiro questionário tinha então duas versões: uma em português, que foi apli- cada, no final do segundo período, em turmas da Escola Secundária de Castro Daire - uma do 3.º ciclo, onde a maioria dos discentes nunca teve aulas de espanhol, e outra de 11.º ano; a segunda versão em espanhol foi disponibilizada no Google Forms, para ser preenchida por alunos espanhóis.

De referir que este questionário foi aplicado aos alunos da turma onde foi imple- mentado o nosso projeto, ainda sem influência da parte interventiva, o que permitiu, após as sessões previstas no projeto, aplicar o segundo questionário, de modo a recolher dados que possibilitassem retirar ilações relativamente à intervenção.

Quanto aos diálogos produzidos pelos diferentes grupos de alunos, realizou-se a in- ventariação do léxico fundamental presente nos mesmos, o que nos permitiu proceder a uma análise mais objetiva no contexto da intervenção.

1.1. Inquéritos por questionário

Tendo plena consciência de que não existem meios perfeitos de investigação, con- siderámos que o questionário é o instrumento que nos poderia auxiliar na obtenção de da- dos para o nosso estudo.

Na elaboração dos questionários procurámos estruturar as questões de maneira a que se configurassem de forma lógica para quem a eles iria responder (Carmo & Ferreira, 1998:141) e facilitassem a análise das respostas (Bell, 2002:99). Garantimos o anonimato e procurámos manter uma coerência intrínseca, organizando-o por temáticas e evitando “a ambiguidade, a imprecisão e a suposição” (idem). Tivemos cuidado na sua apresentação, explicámos o pretendido na nota introdutória e agradecemos aos informantes a colaboração

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prestada (Pardal & Lopes, 2011:84). Para garantir que a taxa de “não-resposta” não fosse elevada, o pedido de preenchimento aos alunos portugueses foi feito presencialmente, cri- ando uma maior empatia e aumentando o grau de colaboração; no caso dos alunos espa- nhóis, como o formulário foi elaborado através do Google Forms, tentou-se o preenchi- mento obrigatório de um maior número de respostas antes da sua submissão. Sabemos que a obtenção de dados desta forma pode ser capciosa, mas queremos acreditar que a maioria dos alunos inquiridos procedeu ao preenchimento do questionário de forma consciente e honesta.

Os questionários foram sujeitos a um tratamento de dados de caráter quantitativo.

1.1.1. Questionário inicial

Como já referimos, o questionário inicial apresentou duas versões: uma em portu- guês (ANEXO 27), uma vez que alguns dos informantes não tinham tido um contacto for- mal com a língua espanhola; outra, em espanhol, destinada a alunos do país vizinho (ANEXO 28).

O questionário encontrava-se dividido em três partes: a primeira, com alguns dados identificativos, mas sem pôr em risco o anonimato; a segunda parte, subdividida em qua- tro: “período da manhã”, “almoço”, “jantar” e “geral”, onde se pretendia conhecer alguns hábitos e preferências dos alunos; a terceira, procurava fazer o levantamento do seu conhe- cimento relativamente a alguns hábitos de consumo no país vizinho.

Relativamente à modalidade de perguntas, privilegiámos as de escolha múltipla em leque aberto, dado que estas, conforme referem Pardal & Lopes (2011:79), dão a possibili- dade “ao inquirido de apresentar um outro aspeto não considerado no questionário [retiran- do] a esta modalidade o carácter de fechamento” e aumentando as “potencialidades de re- colha de informação”. Recorremos também à utilização de perguntas fechadas e abertas, mas estas exigiam geralmente uma resposta curta para facilitar a tabulação. Utilizámos ainda perguntas de avaliação ou estimação, sobretudo sob a forma de escalas de atitudes que permitem ao investigador medir atitudes e opiniões do inquirido: “pede-se a um indi- víduo para reagir positiva ou negativamente a uma série de proposições que dizem respeito a ele próprio, a outros indivíduos, a atividades diversas, a instituições ou a situações. Deste modo, características qualitativas podem posteriormente ser trabalhadas de forma quantita- tiva.” (Carmo & Ferreira, 1998:143)

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1.1.2. Questionário final

Os princípios anteriormente enunciados presidiram igualmente à elaboração deste questionário final (ANEXO 29). A aplicação deste instrumento restringiu-se à turma-alvo do projeto, após a intervenção, e mantem-se na sequência do questionário anterior, pois a maioria das perguntas da primeira parte repete-se relativamente às que os alunos tinham respondido no questionário inicial; por essa razão, informámos os discentes de que se tra- tava de uma “continuação”, não necessitando assim da nota introdutória. Os objetivos de cada uma das duas partes deste questionário eram distintos: se na primeira parte pretendí- amos perceber de que modo o conhecimento intercultural dos alunos tinha aumentado em relação aos aspetos focados, na segunda tencionávamos compreender em que medida os alunos avaliavam a contribuição do projeto de intervenção, para o seu nível de conheci- mento atual e futuro. Nesta última parte, recorremos a perguntas de estimação para procu- rar “captar os diversos graus de intensidade face a um determinado assunto” (Pardal & Lo- pes, 2011:79); neste caso, face aos efeitos do projeto de intervenção de acordo com a per- ceção dos alunos.

1.2. Os diálogos

Os diálogos foram preparados previamente para serem apresentados em aula. Na preparação dos diálogos, para além de todo o material fornecido e trabalhado em aula, os alunos tiveram ainda acesso a um conjunto de expressões facilitadoras da comunicação e da organização da expressão / produção oral, para a situação comunicativa que lhes tinha sido atribuída. Os diálogos foram gravados em aula para possibilitar a sua posterior trans- crição. Ademais disso, cada grupo entregou o rascunho da apresentação efetuada. A partir dos dois documentos de cada grupo (rascunho e transcrição), fruto da produção escrita e oral (ANEXOS 30 a 35), foi possível inventariar o léxico fundamental presente nos diálo- gos a partir dos textos escritos (ANEXO 36) e das transcrições das apresentações dos mesmos (ANEXO 37).

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2. Metodologia de análise dos dados