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Instrumentos e procedimentos de recolha de dados

PARTE II PERCURSO METODOLÓGICO

2. DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO

2.3 Instrumentos e procedimentos de recolha de dados

No desenvolvimento de um trabalho de investigação é fundamental definir o modo através do qual se vai recolher a informação A escolha do método de colheita e de dados depende,

entre outras, da natureza do problema, dos objetivos do estudo, das questões de investigação colocadas, do nível de conhecimentos do investigador relativo às variáveis e da análise prevista (Fortin, 1999).

Para a recolha de dados optamos pela entrevista semiestruturada (Apêndice V), este tipo de entrevista baseia-se num conjunto de questões, onde o investigador tem a liberdade de introduzir outras perguntas para esclarecer dúvidas ou aprofundar assuntos de interesse para a investigação (Hernández Sampieri, Hernandez Collato, Baptista Lucio, 2013), ou seja, funciona como guia de assuntos ou questões onde o investigador tem a liberdade de intervir para a clarificação dos conceitos ou temas desejados. Este instrumento permitiu obter informação sobre as práticas dos enfermeiros na avaliação da deglutição, bem como perceber quais as suas dificuldades/necessidades nesta área.

Neste sentido a entrevista é composta por duas partes distintas. A primeira parte do instrumento de colheita de dados é constituído por perguntas fechadas com vista à identificação dos aspetos sociodemográficos, formação e experiência profissional do entrevistado e a segunda parte é composta pelas questões orientadoras da entrevista (conhecimento sobre a temática em estudo; expressão de fatores dificultadores e facilitadores; estratégias utilizadas e necessidades de formação).

Previamente à realização das entrevistas à população do estudo, foi efetuada a entrevista pré-teste, a um enfermeiro da UCIP, que não participou posteriormente no estudo para confirmar a pertinência e compreensão das questões em relação aos objetivos da investigação, não havendo necessidade de alterar o definido. Segundo (Fortin, 2009) o pré- teste realça as dificuldades do enunciado das perguntas e aclara as situações duvidosas. Segundo Sampieri, Collato e Lúcio (2013), é fundamental que o investigador crie um clima de confiança e empatia com o entrevistado e evite distrações como barulhos, interrupções e telemóveis. Assim as entrevistas foram realizadas após o fim de turno dos enfermeiros, ou então durante o período mais calmo do turno, ficando os doentes a cargo de outros colegas, de modo não haver de interrupções promovendo assim um ambiente mais relaxado e natural. As entrevistas decorreram durante o mês de janeiro, foram áudio gravadas com o consentimento dos entrevistados e tiveram a duração aproximadamente de vinte minutos.

Os discursos produzidos pelos entrevistados foram apreciados com recurso à análise de conteúdo, segundo os princípios descritos por Sampieri, Collato e Lúcio (2013). Segundo os mesmos autores, os dados recolhidos e submetidos a técnica de análise de conteúdo oferecem a possibilidade de tratar, de forma metódica, informações recolhidas das entrevistas.

O processo de análise qualitativa dos dados consiste assim em codificar, interpretar os dados, descrevendo o contexto de estudo e a explicação de factos, acontecimentos e do fenómeno em estudo. É importante perceber que os dados obtidos através da entrevista, encontram-se não estruturados, sendo o investigador responsável por dar estrutura a eles. A análise de conteúdo deve seguir um conjunto de etapas sequenciais e metódicas do material de análise que inclui a sua organização, codificação, categorização e interpretação (Hernández Sampieri, Hernandez Collato, Baptista Lucio, 2013).

Deste modo procedeu-se à organização das entrevistas, através da atribuição de um código a cada entrevista, para facilitar a identificação de cada participante, mas de forma a garantir a confidencialidade e o seu anonimato. Seguidamente foram transcritas, lidas e codificadas, iniciando a transformação dos dados em bruto de forma a atingir uma representação do seu conteúdo. Na terceira etapa procedeu-se à categorização, organizando um quadro de referência, onde são definidas as áreas temáticas, categorias e unidades de registo que ordenaram a informação. Por fim, a interpretação, onde foram percebidas quais as práticas dos enfermeiros na avaliação da capacidade de deglutição. Além do instrumento anteriormente referido este estudo teve ainda como estratégia de colheita de dados a observação das práticas na avaliação da deglutição. Segundo Fortin (1999, p. 241) “Os investigadores interessados em estudar o comportamento das pessoas não têm opções na forma de colher dados: ou pedem aos sujeitos que digam o que fazem (...) ligada à entrevista, ou observam o que os sujeitos fazem por meio de observação direta.” Os dados recolhidos através da observação foram registados em grelha própria. Assim, após consentimento por toda a equipa foi aplicado uma grelha de observação (Apêndice VI) na abordagem do enfermeiro à pessoa com risco de alteração da deglutição, durante o mês de fevereiro e início de março (aproximadamente quatro semanas). Esta grelha foi construída pela investigadora para o estudo, tendo em conta os princípios básicos de avaliação de deglutição e a escala de GUSS e tinha como principal objetivo avaliar as práticas dos enfermeiros na avaliação da deglutição, identificando quais as principais dificuldades nesta área.

A observação das práticas dos enfermeiros foi realizada sempre no turno diurno, com início às 8:30h e término às 21h. Foram observados 12 enfermeiros, não foi possível observar toda a população do estudo. Apesar de todos os enfermeiros estarem informados da execução das observações, estes não sabiam em que momento ocorria a observação, uma vez que o investigador realizou as mesmas de uma forma discreta sem recurso a material didático (folhas, canetas, capa), para que não houvesse enviesamento de resultados.

A limitação das observações deveu-se à escassez de tempo, quer à dificuldade da investigadora em observar o enfermeiro no exato momento em que iria avaliar a capacidade de o doente deglutir, quer ao número de doentes extubados e que podiam ser alimentados.

Após análise das entrevistas e da observação realizamos um cruzamento de dados que segundo Sampieri, Collato e Lucio (2013) consiste em utilizar várias fontes para obter os dados, oferecendo uma maior riqueza, amplitude e profundidade do fenómeno em estudo.