CAPÍTULO II – CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO DE INVESTIGAÇÃO-AÇÃO
5. Orientações Metodológicas
5.1. Instrumentos e Procedimentos na recolha de dados
A fim de realizar uma recolha de dados o mais possível objetiva, considerámos distintos instrumentos e procedimentos (cf. tabela 1).
Na implementação do nosso projeto, como explicámos, há a considerar duas fases distintas: uma de sensibilização para o estudo do não-verbal, de forma a entendê-lo como uma competência comunicativa (quatro primeiras sessões), e uma outra de compreensão das diferenças culturais na linguagem não-verbal, entre portugueses e espanhóis (da quinta à sétima sessão).
A primeira fase do nosso projeto – tomada de consciência da importância da comunicação não-verbal como competência – realizou-se durante o segundo trimestre. Guardámos para o último trimestre o estudo da linguagem não-verbal, no âmbito da comunicação intercultural, pois julgámos que só faria sentido tal abordagem após uma motivação e sensibilização prévias para a temática em questão e porque, estando circunscritos ao cumprimento do programa, pareceu-nos oportuna tal estratégia, aquando da lecionação da temática relacionada com as viagens, onde os alunos poderiam ser confrontados com dificuldades de comunicação, oriundas do desconhecimento de alguns
Para tal, para análise do vídeo Columpio, retirámos o som e obrigámos os alunos a centrar a sua atenção exclusivamente na linguagem não-verbal, a fim de que aqueles interpretassem os estados emocionais das personagens. Para uma melhor organização e sistematização da atividade, socorremo-nos de um guião de leitura orientada.
No que diz respeito à curta-metragem Cuerdas, de Pedro Solís, houve o interesse de aliar o estudo sobre a linguagem não-verbal ao desenvolvimento de competências transversais à disciplina. Nesta curta-metragem, o menino com paralisia cerebral apenas respondia com o olhar e com o sorriso às solicitações da outra protagonista. Portanto, selecionámos imagens desses registos de interação em linguagem não-verbal e desafiámos os alunos à sua descodificação (anexo 2, doc. 2, exerc.2). Para a exploração da respetiva curta-metragem, recorremos, mais uma vez ao guião de leitura.
Nas sessões subsequentes, voltámos a considerar vídeos em linguagem não-verbal (cf. tabela1), PowerPoint de imagens, guiões de leitura orientada e exercícios de léxico contextualizado (anexo 2, documentos, 4, 5 e 6).
Nesta primeira fase do trabalho, não recolhemos dados, optando antes pela observação direta. Todavia, não considerámos essa atuação menos legítima, já que a observação se traduz nos “únicos métodos de investigação social que captam os
comportamentos no momento em que eles se produzem e em si mesmos, sem a mediação de um documento ou de um testemunho” (Quivy & Campenhoudt, 2008, p.196).
Ainda assim, compreendemos que a técnica de observação direta apresenta algumas limitações, o que nos obrigou a recorrer aos instrumentos de análise contemplados na segunda fase do nosso projeto, de modo a dar sustentabilidade à investigação. Neste sentido, para a recolha de dados, nessa segunda fase, procedemos à gravação de uma aula (cf. tabela 1, anexo 3, doc.1) e à aplicação de um questionário escrito dirigido à turma de intervenção e à turma de Salamanca, com alunos da mesma faixa etária (anexo 4).
Objetivos de Investigação Objetivos das questões Questões
(anexo 2, doc. 8)
* Desenvolver a consciência dos discentes, relativamente à dimensão cultural na linguagem não-verbal.
*Constatar que a linguagem não-verbal não é universal.
Preproyección
*Perceber que os hábitos culturais de um povo determinam gestos específicos.
1. b)
*Verificar que o mesmo gesto assume significados diferentes de cultura para cultura.
1. d)
* Avaliar os conhecimentos dos discentes sobre as diferenças de alguns signos cinéticos, culturalmente enraizados.
*Reproduzir gestos culturais espanhóis e portugueses.
Preproyección e questão 1. *Identificar gestos culturais espanhóis.
Tabela 2: Relação entre os objetivos de investigação com as questões da aula gravada.
No que diz respeito ao inquérito por questionário, alusivo ao tratamento do tempo, (anexo 4), apresentamos, de seguida, a relação entre os nossos objetivos de investigação e os deste instrumento de recolha de dados:
Objetivos de Investigação Objetivos do questionário29 Questões
(anexo 4) * Avaliar os conhecimentos dos alunos sobre as
diferenças de alguns signos cronémicos, culturalmente enraizados.
* Verificar o conhecimento sobre as diferenças dos horários escolares praticados em Espanha e Portugal.
1.1
* Perceber se conhecem as diferenças dos horários dos estabelecimentos comerciais praticados em Espanha e em Portugal.
1.2
* Descrever as imagens preconcebidas dos nossos alunos portugueses e dos alunos da turma de Salamanca, sobre o seu povo e o outro estrangeiro, no que respeita às diferenças de tempo para intercomunicar.
* Identificar as representações sobre o outro, relativamente ao tempo que cada um despende para intercomunicar.
1.3
* Descrever as imagens dos nossos alunos portugueses e dos alunos da turma de Salamanca, sobre o seu povo e o outro estrangeiro, a partir das informações transmitidas pelo “tempo da História”.
*Conhecer as representações que foram determinadas por diferentes momentos da História.
2
assegurado o princípio de autenticidade. Como defende Pardal e Lopes, é um “instrumento
de recolha de informação, preenchido pelo informante”, com a vantagem de garantir, em princípio, o anonimato, condição necessária para a autenticidade das respostas” (2011,
p.74).
De seguida apresentamos um quadro síntese, onde as tipologias de gestos e de tratamento de tempo utilizadas para tratar os dados surgem agrupadas em categorias de análise:
Tabela 4: Categorização e subcategorização dos dados.
I. A interculturalidade na linguagem não-verbal.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS DADOS
C1. Conhecimento sobre os gestos culturais.
* Gestos que exprimem realidades culturais próprias de Espanha.
*Transcrição dos artefactos orais (anexo 3, doc.1) produzidos pelos alunos na resolução dos exercícios (anexo 2, doc.8).
*Gestos que exprimem realidades culturais idênticas às dos portugueses. C2. Conhecimento sobre o
tratamento do tempo.
* Conhecimento dos horários escolares e comerciais.
*Respostas ao questionário (anexo 4). *tempo necessário para comunicar e
relacionar-se.
* Momentos da História determinantes para formular auto e heteroimagens.