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4 ESTADO DA ARTE

5.4.1 Instrumentos e procedimentos para a coleta de dados

Os dados foram coletados por meio de formulários estruturados voltados para as puérperas e os gestores; e um checklist com indicadores avaliativos da estrutura física e organizacional das maternidades.

Os instrumentos foram validados utilizando-se a técnica Delphi, que permite obter consenso de grupo a respeito de um determinado tema. O grupo é composto por juízes, ou seja, profissionais especialistas na área do estudo que será desenvolvido. Para tanto, esses

especialistas respondem, preservando o anonimato, a um questionário estruturado, por meio de rodadas. Na primeira rodada as opiniões dos juízes são analisadas, revisadas e agrupadas em um novo questionário. A segunda rodada consiste na análise dos juízes sobre os resultados da primeira etapa, e no envio de novas respostas e justificativas, com a oportunidade de mudar a sua opinião, tendo em vista as respostas do grupo. Os resultados são resumidos e avaliados quanto ao grau de consenso. Um grau aceitável de consenso deve ser determinado pelos pesquisadores, previamente à coleta de dados, e pode variar entre 50 a 80%. Quando isso ocorre, o processo pode cessar com resultados finais retroalimentados pelos participantes. Caso não ocorra, outras rodadas serão realizadas (CASSAR FLORES; MARSHALL; CORDINA, 2014; HASSON; KEENEY; McKENNA, 2000).

Para a validação dos instrumentos utilizados nesse estudo, houveram dois encontros com a participação de sete juízes, especialistas na área da saúde da mulher, mas com atuação em diferentes áreas: docência, gestão e assistência. Cada questão era lida e discutida entre os juízes, e após as possíveis mudanças o item era considerado validado por consenso de todos.

Dois formulários foram aplicados às puérperas. O primeiro formulário (APÊNDICE A) abordou informações sobre características sociodemográficas, antecedentes obstétricos, dados acerca da admissão na maternidades e caracterização do recém-nascido. O segundo formulário (APÊNDICE B) abrangeu a satisfação das puérperas acerca dos aspectos da estrutura física, dos recursos humanos e de equipamentos e materiais. Para a estrutura física foi investigado o tempo de espera na admissão, a presença de acompanhante; o conforto físico, a satisfação com a limpeza do hospital; para os recursos humanos investigou-se a atenção fornecida pelos profissionais de saúde, a oportunidade de fazer perguntas e a percepção das puérperas quanto à qualidade do cuidado a ela prestado pelos profissionais de saúde; e por fim, os recursos de equipamentos e materiais incluíram a satisfação quanto aos equipamentos da maternidade, medicamentos, fornecimento de itens de toillet/hotelaria. Informações sobre as consultas durante a gestação foram recolhidas do cartão de pré-natal. Esses formulários foram construídos tendo como referência instrumentos utilizados em outros estudos, tendo sido realizadas pequenas alterações para adaptação aos objetivos dessa pesquisa, e posterior validação (MATOS, 2015; CALOU, 2015).

Quanto à observação sistemática, utilizou-se um roteiro tipo checklist (APÊNDICE C) que abordou itens dos recursos humanos, físicos, materiais, medicamentos e equipamentos, bem como dados organizacionais e registro de dados dos seguintes setores: centro de parto normal, alojamento conjunto, UTIn, UCINCo, UCINCa e CGBP. A seleção desses setores se deu em

consonância com o componente II - Parto e Nascimento da Rede Cegonha. O tempo médio de observação para cada setor foi de quatro horas.

Destaca-se que a observação sistemática foi realizada com autorização do profissional responsável pelo setor da maternidade onde os dados foram colhidos. Com esta técnica de coleta de dados o pesquisador sabe o que procura e usa propósitos preestabelecidos, porém flexíveis, para o levantamento de dados do fenômeno que observa (MARCONI, LAKATOS, 2010).

Os itens que compuseram o checklist foram definidos com base nas portarias do Ministério da Saúde, que regulamentam os programas de governo e as políticas públicas acerca da assistência ao parto e nascimento na atenção terciária. As portarias que direcionaram a construção do checklist foram: Portaria nº 11 de 7 de janeiro de 2015 (BRASIL, 2015b), Portaria nº 2068 de 21 de outubro de 2016 (BRASIL, 2016), Portaria nº 1.020 de 29 de maio de 2013 (BRASIL, 2013a), Portaria nº 930 de 10 de maio de 2012, RDC 36/2008 (ANVISA, 2008).

Os indicadores de estrutura física e organizacional utilizados nos instrumentos foram: para os recursos humanos: a presença de médicos e enfermeiras em todos os plantões, disponibilidade de profissionais de saúde habilitados na área obstétrica, distribuição dos profissionais acerca de funções administrativas; para os recursos físicos: a possibilidade de acompanhante no pré-parto, a existência de sala de registro e recepção, computador com internet, existência de quartos PPP (pré-parto, parto e puerpério), a adequação das salas de cesárea e parto normal, alojamento conjunto e berçário para receber os pais, banheiro disponível para pacientes e visitantes, existência de ala separada para trabalho de parto, presença de pia para lavagem das mãos, sala de espera e sala disponível para atividades educativas, número de berços, existência de lavabo antes da entrada do berçário, local para acompanhante, existência de posto de enfermagem, área para prescrição médica, de ambientes de apoio; para os recursos materiais, medicamentos e equipamentos: a presença de ar comprimido, oxigênio, foco, mesa de parto, carrinho de urgência e de anestesia, estetoscópio, esfignomanômetro, estetoscópio de Pinard ou sonar Doppler, berço aquecido, disponibilidade de sabão, toalha e água corrente, mesas e cadeiras, mesa de exame ginecológico, bola de Bobat e cavalinho, arco de suporte, banheira ou piscina de trabalho de parto, balança para recém-nascido, escada de dois degraus, balança antropométrica, fita métrica flexível e inelástica, gel, papel toalha, material e equipamento de reanimação, ventilador pulmonar mecânico, equipamento para infusão contínua, fototerapia, incubadora, poltronas removíveis; para as condições organizacionais: existência de livro de ordens e ocorrências, censo diário, normas, protocolos, atividades sistemáticas de orientações às mães, atendimentos de emergência; para registro de dados:

formulários para a organização do prontuário do paciente acerca da identificação e anamnese, evolução e prescrição médica e de enfermagem, sinais vitais, partograma, AIH, resumo de alta.

Para a equipe gestora do cuidado e os diretores das unidades e do hospital foi aplicado um formulário (APÊNDICE D) com questões acerca da gestão do cuidado, o uso de diretrizes e protocolos, e informações sobre questões organizacionais.

O formulário utilizado derivou de um estudo que avaliou a ferramenta Protocolo Nº 22 Ação Rede Cegonha (P22ARC), que teve por objetivo realizar ação de auditoria no componente II – Parto e Nascimento da Rede Cegonha. Este formulário é o Roteiro para as Atividades de Controle na Rede Cegonha, denominado Roteiro gerencial 2 – Auditoria na unidade hospitalar/maternidade. Entretanto, vale ressaltar que algumas alterações foram realizadas no instrumento, seguindo a orientação do próprio autor, no sentido de aperfeiçoar a avaliação e obter resultados mais fidedignos e transparentes (MATOS, 2015).

Para a coleta de dados, as puérperas e os gestores foram abordados e receberam orientação sobre a pesquisa. A pesquisadora fez a leitura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE E), e após o aceite, os participantes o assinaram.

As entrevistas com as puérperas foram conduzidas durante o internamento no alojamento conjunto. O tempo estimado para a aplicação dos instrumentos foi em média de quarenta e cinco minutos. Quanto aos gestores, a pesquisadora elaborou uma escala de acordo com a disponibilidade de horários de cada participante para a aplicação do formulário em ambiente reservado somente com a presença da pesquisadora e do entrevistado.