Para atingir os objetivos deste estudo realizamos a coleta de dados através do encontro socioclínico e do diário de pesquisa.O diário de pesquisa foi construído entre outras finalidades para promover a análise das implicações da pesquisadora com o corpo no processo de trabalho docente. Foram feitas abordagens tanto na direção de ensino
quanto na coordenação do curso de enfermagem para que pudéssemos estar nos reunindo com os professores de enfermagem para coleta de dados.
O encontro aconteceu dia 28 de outubro de 2015, no laboratório de primeiros socorros dentro do próprio estabelecimento de ensino apenas com a presença dos participantes, da pesquisadora, de sua orientadora e dos relatores que neste caso foram minha irmã e meu companheiro de trabalho. O encontro se deu as 15:00 horas, horário de reunião destes. O tempo para o encontro socioclínico foi de uma hora e meia e contamos com a colaboração de seis dos nove professores de enfermagem da casa. Os três docentes que não puderam participar justificaram suas ausências, sendo duas por estarem cursando disciplinas de doutorado e mestrado e uma por problemas pessoais. Todos estavam muito motivados a participar da pesquisa, inclusive dese comprometer a estarem todos presentes nas datas posteriores do encontro.
Como instrumento paraorientar a coleta de dados utilizamos um roteiro de questões,elaborado pelo próprio pesquisador, formuladas de forma a orientar o andamento do encontro socioclínicoe para responder os objetivos deste estudo. O roteiro é composto por cinco questõesque serviram de start e direcionaram a discussão do grupo, conforme apêndice 3.
O roteiro de questões que norteia a discussão nos grupos deve conter poucos itens, permitindo certa flexibilidade na condução do encontro, com registro de temas não previstos, mas relevantes. Convém estruturar o roteiro de tal modo que as primeiras questões sejam mais gerais e mais "fáceis" de responder. Esta estratégia visa a incentivar a participação imediata de todos. Gradativamente vão sendo inseridos os tópicos mais específicos e polêmicos, bem como questões suscitadas por respostas anteriores. Procuramos evitar questões que se iniciem com a expressão "por que", as quais podem deixar os participantes numa situação muito defensiva, admitindo o lado "politicamente correto" da questão, tornando as questões mais amplas para o debate. (GOMES; BARBOSA, 1999).
Outra ferramenta para coleta de dados foi o diário de pesquisa feito pela pesquisadora, que proporcionou a análise de todas as suas implicações relacionado ao objeto deste estudo. Lourau (1988) afirma que qualquer tipo de diário comporta uma dimensão sociológica importante. Através do diário, o escritor não apenas anota, mas expressa por meio da escrita as diversas dimensões que entram em contato com ele
(MOURÃO, 2006).
A técnica de diário de pesquisa para Lourau (2004) seria a escrita do pesquisador em seu contexto histórico-social, um pesquisador implicado e que reflete sobre o tema. Trata-se de uma técnica capaz de restituir, na linguagem escrita, o trabalho de campo, possibilitando “produzir um conhecimento sobre a temporalidade da pesquisa”, aproximando o leitor da cotidianidade do que foi possível produzir num dado contexto, evitando interpretações “ilusórias”, “fantasiosas” da produção científica (Lourau, 1993). Nesse sentido, o diário de pesquisa “permite o conhecimento da vivência cotidiana de campo não o ’ como fazer‘ das normas, mas o ’ como foi feito‘ da prática” (LOURAU, 1993).
Compreendemos que o diário de pesquisa, no âmbito da Análise Institucional, é uma ferramenta para intervir na pesquisa porque que tem o potencial de gerar um movimento de reflexão da própria prática, na medida em que se escreve o ocorrido no dia a dia, no âmbito individual ou no coletivo, é o momento de reflexão com e sobre o vivido, revelando os não ditos e pressupondo que o pesquisador no processo depesquisar não é neutro (PEZZATO, 2011).
O preenchimento do diário era feito sempre que algo acontecia relacionado aos objetivos ou ao objeto de estudo dentro do IFFluminense Não era escrito diariamente mas sempre que necessitava relatar algo novo ocorrido que mexia com as minhas implicações enquanto servidora federal do IFFluminense.
O encontro socioclínico foi bastante proveitoso visto que os docentes abordados já se conhecem bastante e se sentiram livres e amparados para discutir o tema. As discussões para serem realizadas livremente, evidenciando o não-dito institucional, necessitam ser feitas num ambiente em que os sujeitos se sintam confortáveis e que este ambiente não seja ameaçador. Todos estavam bastante empolgados com a pesquisa e com o que ela poderia trazer de benefícios para a saúde destes. O pensar coletivo sobre uma tema que faz parte do dia a dia dos docentes facilita a discussão e a observação das controvérsias, tornando possível a construção de opiniões, a solução de problemas e a mudança de comportamentos e atitudes dos integrantes do grupo.
A restituição foi feita no dia 13 de abril às 14 horas no Laboratório de primeiros socorros do IFFluminensecampus Campos Guarus. Contamos com a colaboração de cinco professores dos dez que temos na organização de ensino. Três já haviam participado do encontro socioclínico antes e dois estavam ouvindo pela primeira vez o
tema para o debate. Após a apresentação da pré-análise dos dados os docentes concordaram com a análise feita, com a utilização das iniciais de seus nomes para manter o sigilo de suas identidades e nos parabenizaram pela iniciativa de propor estratégias para implantação de uma política de educação em saúde dentro do IFFluminense. Os outros cinco professores de enfermagem da casa não puderam comparecer por problema de ordem pessoal e profissional.