7.27- Instrumentos Financeiros – Derivativos
Os principais riscos de mercado aos quais a Companhia está exposta são risco de taxa de juros, de taxa de câmbio e de preço de commodity.
Esses riscos são gerenciados através do uso de instrumentos derivativos. A atividade de gerenciamento de risco segue a política de gerenciamento de risco, que requer a diversificação de transações e contra-partidas. A Companhia monitora e avalia a posição geral regularmente a fim de avaliar resultados financeiros e o impacto financeiro no fluxo de caixa. Também são revistos periodicamente os limites de crédito e a qualidade do hedge de nossas contra-partes.
Política de gestão de risco
A Vale entende que o gerenciamento eficaz do risco é um objetivo fundamental para apoiar o crescimento estratégico e flexibilidade financeira. No apoio desse objetivo, o Conselho de Administração estabeleceu uma política de gerenciamento de risco e um comitê de gerenciamento de risco. Sob essa política, são medidos, monitorados e gerenciados o risco da carteira, usando uma estrutura simples, e considerando a natureza da diversificação da carteira. O risco de mercado é protegido somente quando é considerado necessário suportar a estratégia corporativa ou para manter o nível de flexibilidade financeira.
O comitê de gerenciamento de risco auxilia a Diretoria Executiva a examinar e revisar informações relacionadas com o gerenciamento de risco empresarial e estrutural, incluindo políticas significativas, procedimentos e práticas aplicadas no gerenciamento de risco. A politica de gerenciamento de risco empresarial é desenhada para promover um efetivo sistema de gerenciamento de risco e para assegurar que os riscos de nível empresarial sejam reportados no mínimo trimestralmente ao comitê de gerenciamento de risco.
A Companhia aborda alguns dos riscos através da utilização de instrumentos derivativos. As atividades de gestão de risco seguem as políticas de gestão de riscos, que geralmente proíbem negociações especulativas e venda a descoberto e exige diversificação das transações e contra-partes.
A Vale acompanha e avalia a posição global regularmente, a fim de avaliar os resultados e o impacto financeiro sobre o fluxo de caixa. Periodicamente, são revistos os limites e possibilidades de crédito dos parceiros nessas transações.
Risco de taxa de juros
A Companhia está exposta ao risco de taxa de juros sobre os empréstimos. A dívida de taxa variável consiste principalmente em empréstimos em dólar, relacionados a operações financeiras, empréstimos em bancos comerciais e organizações multilaterais, e em Real são empréstimos na forma de debêntures e financiamento para aquisição de bens e serviços emitidos no mercado brasileiro. Em geral, as dívidas de taxa variável são sujeitas a mudanças na “London Interbank Offered Rate” (USD LIBOR). Conseqüentemente, as flutuações na LIBOR podem impactar negativamente o cash flow. Para atenuar os efeitos da volatilidade das taxas de juros a Vale considera o hedge natural entre a flutuação da taxa em dólar e dos preços dos metais. Quando não há hedge natural , a Companhia opta por realizar o mesmo efeito com o auxílio de instrumentos financeiros. A taxa flutuante em Reais está sujeita a mudanças principalmente no CDI e na TJLP.
As transações de derivativos de taxa de juros são contratadas para proteger a exposição da dívida flutuante em Reais. O portifólio de derivativos de taxas de juros e composto de swap de taxa para converter a dívida flutuante em reais para valores fixos em dólares.
Risco cambial
A Companhia está exposta ao risco cambial proveniente da dívida em moeda estrangeira. Por outro lado, uma substancial proporção das receitas é denominada em dólares americanos. Isto garante um hedge natural contra eventuais desvalorizações da moeda brasileira frente ao dólar americano. Por exemplo, quando ocorre uma desvalorização do Real, o impacto negativo imediato na dívida denominada em moeda estrangeira é compensado pelo efeito positivo da desvalorização sobre os fluxos de caixa futuros. Em vista disso, a Companhia utiliza apenas eventualmente os instrumentos derivativos para administrar a exposição cambial da dívida de longo prazo denominada em dólares americanos. Ocasionalmente poderão ser feitas operações com instrumentos derivativos para minimizar os efeitos que a volatilidade das taxas de câmbio entre o Real e o dólar americano possam causar no fluxo de caixa.
Os fluxos de caixa também estão sujeitos à volatilidade de outras moedas diante do dólar americano. Enquanto os preços da maioria dos produtos são basicamente em dólares americanos, uma substancial parcela dos custos, despesas e investimentos não é denominada nessa moeda, mas sobretudo em reais e em dólares canadenses. Nos projetos desenvolvidos fora do Brasil e do Canadá, a Companhia está também exposta à volatilidade de outras moedas, como o Euro, o Dólar Australiano e o Renminbi Chinês.
A Vale tem outras exposições vinculadas à dívida. A exposição em Euro é decorrente de uma linha de crédito do KFW (Kreditanstalt für Wiederaufbau). Para mitigar o risco cambial, foram contratados fowards de moedas.
Risco de Preços de Produtos
A Companhia está também exposta a vários riscos de mercado relacionados à volatilidade dos preços dos mercados mundiais para os seguintes produtos:
• Minério de ferro e pelotas, que representam 42,8% das receitas brutas consolidadas em 2007; • Níquel, que representa 29,7% das receitas brutas consolidadas de 2007;
• Minério de manganês e ferro-ligas, que representa 2,3% das receitas brutas consolidadas de 2007; • Produtos de alumínio, que representa 8,3% das receitas brutas consolidadas de 2007; e
• Concentrado de cobre, que representa 2,3% das receitas brutas consolidadas de 2007.
Outros produtos, como metais do grupo platina, caulim e potássio, representaram um percentual pequeno das receitas consolidadas.
Não são praticadas transações envolvendo derivativos para cobertura de risco relacionado ao minério de ferro, pelotas, caulim, minério de manganês ou ferro-ligas. A política de gerenciamento de risco permite fazer hedge contra o risco de mercado somente quando isso é necessário para a estratégia corporativa ou para manter a flexibilidade financeira. Atualmente as transações envolvendo derivativos incluem compra futura e contratos de venda de níquel, contratos futuros e de opções de alumínio, opções de compra e venda bem como posições em ouro e instrumentos derivativos para platina e óleo combustível.
A Diretoria Executiva aprovou operações de hedge de uma parcela da produção de alumínio e cobre para 2007 e 2008 a fim de reduzir o risco para o fluxo de caixa decorrente da mudança na estrutura de capital e o expressivo aumento da dívida depois da aquisição da Vale Inco.
Níquel - Geralmente não são utilizados instrumentos derivativos para fazer hedge de exposição às flutuações dos preços do níquel. Entretanto,
são negociados contratos futuros de compra na Bolsa de Metais de Londres (LME), os quais são substancialmente compensados por contratos de preço fixo, com a finalidade de manter a exposição ao risco de preço do níquel. A Companhia também participa de contratos futuros de venda na LME, para minimizar o risco de preço decorrente dos estoques de níquel de produtos intermediários e acabados que foram adquiridos.
Alumínio - Com o objetivo de administrar o risco decorrente das oscilações dos preços do alumínio, são realizadas operações de hedge
envolvendo opções de compra e venda, bem como contratos futuros. Estes instrumentos derivativos permitiram estabelecer lucros médios mínimos de produção futura de alumínio acima dos custos de produção previstos e, portanto, assegurar uma geração de caixa estável. Contudo, também foram sentidos o efeito da redução dos ganhos potenciais auferidos com aumentos de preço do alumínio no mercado spot. A política tem sido a de liquidar todos os contratos de derivativos em dinheiro, sem a entrega física de produto.
Cobre - A Companhia possui contratos de opções de venda a pagar, dando o direito – mas não a obrigação – de vender cobre, e foram vendidos
contratos de opção de compra, dando ao comprador o direito – mas não a obrigação – de comprar cobre por um período de tempo até 2008. Grande parte da posição dos derivativos para o cobre foi adicionada a carteira como resultado da aquisição da Vale Inco.
PGMs e outros metais preciosos - Atualmente a Companhia mantém uma pequena posição em instrumentos derivativos para ouro, estruturada
com a finalidade de administrar os riscos decorrentes das oscilações dos preços do ouro, oscilações inerentes ao conteúdo do ouro associadas à produção de concentrado de cobre. A Vale entrou em atividades de hedge de platina para gerenciar o risco associado à volatilidade dos preços. Estes contratos são geralmente contratos de swap ou opções, e pretendem garantir um mínimo de realizações de preço para uma parcela de produção futura desses metais. Mediante tais contratos de swap, a Companhia recebe preços fixos de platina e paga preços variáveis baseados na média mensal dos preços do mercado spot.
Óleo combustível – A Companhia utiliza contratos de swap para óleo combustível a fim de minimizar o impacto das oscilações dos preços da
energia com estes contratos são pagos preços fixos pela energia e são recebidos volumes baseados na média mensal de preços do mercado spot.
Existe um derivativo embutido relacionado à energia da subsidiária Albrás, pelo qual a Companhia tem uma perda não-realizada de R$30 milhões em de 31 de dezembro de 2007 e US$163 milhões em 31 de dezembro de 2006.
O saldo ativo (passivo) e a oscilação do valor de mercado de instrumentos derivativos financeiros são como segue:
Juros (libor) Moedas Ouro Produtos de
alumínio
Ganhos (perdas) não realizados em 30/09/07 (2) 1.194 (74) (320) Liquidação financeira (4) (352) 18 29 Despesas financeiras, líquidas (3) 311 (12) 107 Variações monetárias, líquidas - (36) 3 11
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/07 (9) 1.117 (65) (173)
Juros (libor) Moedas Ouro Produtos de
alumínio
Ganhos (perdas) não realizados em 30/06/07 16 684 (71) (563) Liquidação financeira (6) (11) 13 55 Despesas financeiras, líquidas (12) 545 (19) 175 Variações monetárias, líquidas - (24) 3 13
Ganhos (perdas) não realizados em 30/09/07 (2) 1.194 (74) (320)
Juros (libor) Moedas Ouro Produtos de
alumínio
Ganhos (perdas) não realizados em 30/09/06 (3) 77 (111) (422) Ganho (perda) realizada com a consolidação da Inco 9 20 - -Liquidação financeira - (14) 14 48 Despesas financeiras, líquidas 7 (116) (20) (314) Variações monetárias, líquidas - - 2 9
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/06 13 (33) (115) (679)
Consolidado Trimestres (Não auditado) 4T/07
Cobre Níquel. Platina Total
(653) 6 (47) 104 112 46 9 (142) 187 23 (7) 606 22 (1) 2 1 (332) 74 (43) 569 3T/07
Cobre Níquel. Platina Total
(682) 54 (46) (608) 133 (143) 7 48 (132) 96 (10) 643 28 (1) 2 21 (653) 6 (47) 104 4T/06
Cobre Níquel. Platina. Total
6 - - (453) (778) 132 (47) (664) (1) (188) - (141) 135 90 5 (213) - - 11 (638) 34 (42) (1.460)
Juros (libor) Moedas Ouro Produtos de
alumínio
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/06 13 (33) (115) (679) Liquidação financeira (10) (520) 65 222 Despesas financeiras, líquidas (10) 1.751 (30) 191 Variações monetárias, líquidas (2) (81) 15 93
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/07 (9) 1.117 (65) (173)
Juros (libor) Moedas Ouro Produtos de
alumínio
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/05 (9) 2 (107) (494) Ganho (perda) realizada com a consolidação da Inco 9 20 - -Liquidação financeira 4 (14) 41 224 Despesas financeiras, líquidas 8 (41) (58) (461) Variações monetárias, líquidas 1 - 9 52
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/06 13 (33) (115) (679)
Consolidado 2007
Cobre Níquel Platina Total
(638) 34 (42) (1.460) 458 (77) 23 161 (269) 115 (33) 1.715 117 2 9 153 (332) 74 (43) 569 2006
Cobre Níquel Platina Total
- - (608) (778) 132 (47) (664) (1) (188) - 66 141 90 5 (316) - - 62 (638) 34 (42) (1.460)
Controladora 2007 Juros (libor) Moedas Ouro Cobre Total
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/06 - 5 (69) 46 (18) Liquidação financeira - (493) 41 (2) (454) Despesas financeiras, líquidas - 1.625 (28) (46) 1.551 Variações monetárias, líquidas - (73) 11 - (62)
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/07 - 1.064 (45) (2) 1.017 2006 Juros (libor) Moedas Ouro Cobre Total
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/05 - 2 (63) - (61) Liquidação financeira - - 25 - 25 Despesas financeiras, líquidas - 3 (36) 46 13 Variações monetárias, líquidas - - 5 - 5
Ganhos (perdas) não realizados em 31/12/06 - 5 (69) 46 (18)
As datas de vencimento dos instrumentos financeiros consolidados são como segue:
Ouro Dezembro de 2008
Juros (LIBOR) Dezembro de 2011
Moedas Dezembro de 2011
Produtos de alumínio Dezembro de 2008
Concentrado de cobre Dezembro de 2008
Níquel Dezembro de 2009
Platina Dezembro de 2008