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4 PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: ALTERNATIVA EDUCACIONAL

4.3 INSTRUMENTOS METODOLÓGICOS ESPECÍFICOS DA

A Pedagogia da Alternância e seus instrumentos metodológicos possibilitam trabalhar de forma dinâmica, em tempos e espaços vividos nas instituições educacionais e no meio sócio profissional, por meio da simbiose teórico- prática que visa à apropriação e socialização de conhecimento de formação geral, técnicos e tecnológicos, tendo em vista, melhor preparação dos jovens para o mercado de trabalho para conduzirem seus empreendimentos e quiçá contribuírem com a Educação do Campo.

Para o acesso aos conhecimentos teóricos e novos do programa, um conjunto de meios visa a colocar os aprendizes em ação, mais do que em atitude passiva de recepção: aulas participativas animadas por um monitor, trabalho documental individual ou em pequenos grupos, palestras, conferências, utilização das novas tecnologias educativas. A gama de instrumentos é infinita, mas cada um deles só tem sentido se situado numa ação pedagógica. As EFA´s criaram, para isto, instrumentos de ensino e de aprendizagem: as fichas pedagógicas (CDs) que visam articular e colocar os conhecimentos da vida e dos programas em continuidade, a dar vida a uma pedagogia ativa e experiencial” (GIMONET,1988).

Nesse sentido, a Pedagogia da Alternância possui dispositivos pedagógicos, com ferramentas específicas que contribuem com o processo de pedagogização, alicerçados pelo contexto local e social das suas práticas educativas. É importante ressaltar que esses instrumentos não são trabalhados

isoladamente, mas compõem o “Plano de Formação” da instituição que precisam ser trabalhados de forma organizada e integrada. Os referidos instrumentos pedagógicos serão abordados, de forma sintetizada, a seguir:

O Plano de Estudo (P.E) é caracterizado como pesquisa em forma de questionário, sobre um determinado tema, previamente escolhido pela comunidade escolar e sistematizado pelo professor na sessão escolar para ser posto em prática na sessão familiar. O jovem interroga seu pai, sua mãe, os adultos que o cercam que compõe o núcleo de relações e comunitário. Ele dialoga, observando e fazendo as anotações necessárias, e posteriormente redige um texto que será socializado com o monitor e demais colegas de turma, no retorno para o tempo escola.

A Colocação em Comum (C.C) é uma ferramenta constitui-se na socialização da pesquisa do Plano de Estudo com debates, problematização e síntese do conhecimento de cada um no conhecimento do grupo. A ação do professor neste processo é intermediar, provocar questionamentos para serem aprofundados nas aulas, após planejamento pedagógico interdisciplinar. A Colocação em Comum possibilidade a aprendizagem com o outro. Além das conotações afetivas que esse fato possui, existe um aporte importante na aprendizagem em grupos e a geração de desenvolvimento individual e grupal. Segundo Vygotsky, o conhecimento começa sempre sendo objetivo de intercâmbio social, quer dizer interpessoal, para em seguida torna-se intrapessoal. Com isso, a CC estabelece uma inigualável oportunidade de gerar conhecimentos, problematizar situações sociais, culturais, econômicas, técnicas, históricas, para gerar novas buscas e aportes nos diferentes âmbitos. O estudo de uma determinada realidade leva a uma abordagem interdisciplinar, que permite superar a superficialidade das análises.

O Caderno da Realidade (C.R) é uma espécie de diário de bordo, utilizado para registros, anotações, reflexões, sistematização, ilustrações e síntese elaborada pelos jovens nos períodos escolares, familiares e comunitários. A organização do C.R, em parte é desenvolvida em casa e, em parte na escola sob a orientação e acompanhamento dos professores. Visa colaborar com a autonomia e produção independente do jovem no registro de suas idéias e do percurso formativo.

Em nível psicopedagógico, tal ferramenta auxilia e estimula o aluno em amadurecimento cognitivo, despertando para uma maior percepção da vida cotidiana e ajudando a desenvolver a formação geral do jovem aprendiz.

As Viagens e Visitas de Estudo (V.E) são atividades realizadas com fins de ampliar horizontes e complementar conhecimento em situações práticas como associações, cooperativas, granjas, pisciculturas, pomares, sítios, propriedades agrícolas, etc. As visitas são feitas, geralmente, nas comunidades ou nos municípios mais próximos. Os temas trabalhados são estipulados conforme a situação articuladora e financeira da escola. Tais visitas e viagens são realizadas pelos jovens acompanhados pelos professores e, na medida do possível até pelos pais, para uma melhor divisão das responsabilidades educativas. Este instrumento permite um melhor aprofundamento de temas sociais, técnicos, econômicos e políticos, é a prática enriquecendo a teoria.

A Visita às famílias (V.F) possibilita que o elo integrativo entre a escola e a família seja consolidado, visando a interação e o compartilhamento de conhecimentos, podendo ser realizada em diferentes tempos e espaços, sendo programadas pelos professores e coordenadores visando: conhecer a realidade do aluno e o seu meio, para aprofundar nos problemas de ordem sócio-econômica e suas influências sobre os alunos,tanto no âmbito comportamental, quanto no âmbito das capacidades de aprendizagem; Conscientizar as famílias sobre o seu papel na educação dos filhos eco-atores da alternância, bem como da importância da participação na escola, através da associação e; permite uma avaliação de todo o projeto e educativo a nível profissional, intelectual, humano, comunitário, social e ético-espiritual

Os Serões são atividades complementares, de caráter informativo, lúdico e cultural, tendo como protagonista a comunidade escolar e intervenções externas como agricultores, professores, médicos, religiosos e técnicos de áreas afins para debates e aprofundamentos advindos dos Planos de Estudos com a finalidade de valorizar os recursos humanos locais, intensificar os intercâmbios e promover encontros de solidariedade entre a EFA e a comunidade.

O Projeto Profissional do Jovem (P.P.J.) é o projeto que o aluno desenvolve ao longo do curso do Ensino Médio e Educação Profissional, sendo orientado pelos professores,para que ao sair da EFA, o mesmo possa desenvolver seu próprio negócio, pois além de requisito para a conclusão do curso, é um meio de inserção profissional ou geração de trabalho e renda para o educando e seus familiares, permitindo que permaneçam em seus locais de origem e promovam o desenvolvimento local sustentável.

Por fim, o Estágio que proporciona ao aluno vivenciar de forma concreta a teoria e prática, onde o aluno observa, participa e experimenta ações do cotidiano no meio sócio profissional com orientação dos Orientadores de Estágio. O estágio ajuda na escolha da profissão. A experiência do estágio deve ser intensificada nos dois últimos anos do Ensino Fundamental e durante o Ensino Médio, por concomitância com a Educação Profissional. Esse instrumento coloca o jovem na situação de estar aberto a “aprender a aprender” com aquisição de habilidades psicomotoras.

Esses Instrumentos metodológicos são por natureza, utilizados, de modo geral, nas EFA´s, mediante Pedagogia da Alternância, tornando-as diferenciadas e adequadas a realidade do aluno campesino, de acordo com Nascimento (2005):

Os Instrumentos Pedagógicos garantem a realização de uma educação adequada ao conhecimento de uma determinada realidade. Eles forma pensados com este propósito, de resgate, respeito e valorização desta, no entanto, não cabe apenas conhece-las, este conhecimento supõe intervenção crítica e qualificada. A variedade das informações extraídas destes documentos mostram uma riqueza de conhecimento muito grande e que precisa ser melhor trabalhado nas EFA´s (NASCIMENTOS, 2005, p. 133)

Contudo, apesar da importância desses Instrumentos Pedagógicos para o bom andamento e funcionamento das atividades do processo ensino-aprendizagem, especificamente, na EFA do Cedro, segundo depoimento dos partícipes dessa investigação, em virtude da situação delicada e conturbada pela qual a escola vem passando nos últimos tempos, a utilização de alguns desses instrumentos está comprometida, como por exemplo: as Viagens e Visita de Estudo, a Visita às Famílias, entre outras. Os problemas econômicos e de gestão responsáveis pela referida fragilidade escolar, seriam solucionados mediante a regularidade do calendário estabelecido, para o repasse dos recursos orçamentários, firmado por meio do Termo de Fomento, pelo Governo do Estado, e mediante, ainda, a implementação de Políticas Públicas condizentes com a realidade do Assentamento do Cedro, como política de Transporte Escolar afirmou o Diretor da Escola, em entrevista.

4.4 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DA ESCOLA FAMÍLIA