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CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.2 Instrumentos metodológicos

De acordo com André (2005), em geral, as técnicas de coleta de dados utilizadas nas pesquisas de estudo de caso são as observações, entrevistas, análise de documentos, gravações, anotações de campo. A autora retrata que “não são as técnicas que definem o tipo de estudo, e sim o conhecimento que dele advém” (ANDRÉ, 2005, p.16). Lüdke e André (1986) ressaltam que com a variedade de informações oriundas de fontes variadas, o pesquisador poderá cruzar as informações, descobrir novos dados, confirmar ou rejeitar hipóteses.

Para tanto, os instrumentos utilizados para a realização da pesquisa foram: entrevistas, análise dos Projetos Pedagógicos Curriculares das escolas nos hospitais e a observação, com registro de anotações de campo, do trabalho pedagógico nas instituições.

Primeiramente foram realizadas as entrevistas. O recurso da entrevista foi utilizado com o objetivo de obtenção de dados que interessam à investigação, considerando que esta técnica, segundo Gil (1999), é bastante adequada para se obter informações acerca do que as pessoas sabem, sentem ou desejam, o que pretendem fazer, se já fizeram ou não, bem como impressões acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes. Optou-se pela entrevista semi-estruturada que, de acordo com Triviños (1987), parte de certos questionamentos básicos que interessam à pesquisa e que oferecem amplo campo de interrogativas que vão surgindo na medida em que recebem as respostas do informante.

Para tanto, os sujeitos da pesquisa compreendem os professores, pedagogos e o Idealizador do Programa. Dessa maneira, foram realizadas entrevistas com doze professores, três pedagogos e um Idealizador do Programa.

As questões das entrevistas com os pedagogos (Apêndice B) e professores (Apêndice C) eram referentes: às atribuições do profissional de educação em contexto hospitalar; à constituição do currículo da escola no hospital, como acontecem as práticas pedagógicas desenvolvidas por eles e quais são as dificuldades e as sugestões para a melhoria da prática pedagógica nesse espaço.

A entrevista realizada com o idealizador do Programa (Apêndice D) envolveu questões referentes às dificuldades e processo implantação do SAREH, como foi realizado o processo de seleção de professores, como ocorre o acompanhamento da secretaria em relação ao trabalho realizado no hospital, bem como as críticas e sugestões para o Programa.

As entrevistas foram gravadas por meio digital som (MP3) e posteriormente transcritas pela pesquisadora. As entrevistas apresentaram durações variadas (de 15 minutos a 1hora e 30 minutos) e foram agendadas com os profissionais no primeiro dia de ingresso da pesquisadora no campo de pesquisa, de acordo com a disponibilidade que cada um apresentava durante a sua rotina. De forma geral, no dia em que era realizada a entrevista com o professor, também foi acompanhado o trabalho dele na instituição. Com relação ao idealizador do Programa, a entrevista foi realizada no Gabinete da Secretaria Estadual de Educação em Curitiba, previamente agendada conforme a semana de estadia da pesquisadora na cidade.

Quando foram realizadas as entrevistas com os professores e pedagogos, também foram feitas observações, com registro de anotações de campo, com objetivo de reunir alguns elementos das práticas pedagógicas que são realizadas no contexto hospitalar. De acordo com Triviños (1987), a utilização das anotações de campo pode ser um recurso interessante para descrever as manifestações observadas que se considerem necessárias e importantes para as análises.

Gil (2009) pontua que a observação é uma estratégia importante para a obtenção de dados na investigação científica, uma vez que o pesquisador permanece em contato direto com o fenômeno que está sendo estudado. Para tanto, as observações realizadas neste estudo caracterizam-se como assistemáticas que, conforme indicações de Marconi e Lakatos (1996), consiste em recolher e registrar dados da realidade sem que ocorra a utilização de meios técnicos especiais (como por exemplo, um plano ou um quadro com itens a serem observados e previamente estipulados).

Portanto, os registros das observações nos hospitais foram realizados na medida em que se acompanhava o trabalho do professor e pedagogo no contexto hospitalar. Foram registrados dados como: a organização do trabalho pedagógico no hospital, como os professores desenvolvem as aulas com os alunos, quais os materiais disponibilizados, dentre outros elementos para subsidiar a compreensão em torno da constituição do currículo em contexto hospitalar. Para alguns autores este tipo de observação pode ser considerada assistemática ou livre. Nesta medida, Ander-Egg (1978) citado por Marconi e Lakatos (1996, p.81) infere que a observação assistemática “não é totalmente espontânea ou casual, porque um mínimo de interação, de sistema e de controle se impõe em todos os casos, para chegar a resultados válidos”. Assim, as autoras asseveram que, de maneira geral, “o pesquisador sempre sabe o que observar” (MARCONI; LAKATOS, 1996, p.81).

A pesquisa de campo nos três hospitais compreendeu um período de cinco dias, totalizando 24 horas em cada instituição. Durante este tempo, foi designado um dia pela

manhã para o acompanhamento da rotina de trabalho da pedagoga no período da manhã. Cabe ressaltar que no período da tarde as observações foram direcionadas tanto ao trabalho do professor como do pedagogo. No hospital de Maringá a pesquisa foi realizada no período de 08 a 12 de março de 2010. Em Londrina o estudo aconteceu no período de 10 a 14 de maio de 2010 e em Curitiba de 04 a 08 de outubro de 2010.

Outro recurso utilizado na pesquisa para a coleta de dados foi a análise documental envolvendo os Projetos Pedagógicos Curriculares dos três hospitais. Gil (2009) e Lüdke e André (1986) assinalam que um dos fatores importantes na utilização de documentos na pesquisa estudo de caso, refere-se ao fato das informações corroborarem com resultados obtidos através de outros procedimentos. Lüdke e André (1986) ressaltam que os documentos além de representarem uma fonte de informação contextualizada, emergem de um determinado contexto e fornecem informações sobre este contexto. Nesse sentido, as autoras também alertam para o fato de que os enfoques das interpretações podem variar, como por exemplo, alguns podem trabalhar de forma mais aprofundada os aspectos políticos, outros os aspectos psicológicos, filosóficos, e assim por diante.