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Instrumentos para coleta de dados quantitativos

No documento MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA (páginas 78-81)

Amostragem não probabilística

8.2 Instrumentos para coleta de dados quantitativos

Neste capítulo, vamos estudar somente o questionário como instrumento para coleta de dados quantitativos, por ser de fato o mais comumente empregado para esse fim. A título de informação, são também utilizados formulários, que nada mais são do que questionários res-pondidos pelo próprio entrevistador/pesquisador, face a face com o entrevistado. As etapas de elaboração são exatamente as mesmas.

Malhotra (2012) define questionário como um conjunto formal de perguntas com o ob-jetivo de obter informações dos entrevistados/respondentes.

A elaboração de um bom questionário de pesquisa é uma arte. Além de ser compreensí-vel e de fácil preenchimento pelos respondentes, deve também conter as informações necessá-rias para se responder à pergunta de pesquisa.

A elaboração de perguntas que os entrevistados consigam responder, proporcionando as informações desejadas, é uma tarefa difícil e, por vezes, bastante desafiadora. Além disso, o questionário deve sempre minimizar o erro de resposta, ao evitar que os entrevistados deem respostas imprecisas ou incorretas advindas de dificuldades de interpretação ou ambiguidades.

Para elaborar um bom questionário, Malhotra (2012, p. 243) recomenda algumas etapas:

1. Especificação das informações necessárias: rever escopo, objetivos e hipóteses de pes-quisa. Definir população-alvo de respondentes.

2. Especificação do tipo de método de entrevista: se o questionário será respondido face a face ou por telefone com o respondente ou se será autoaplicado, ou seja, o respon-dente responde sozinho ao questionário enviado por e‑mail ou correio.

3. Determinação do conteúdo de perguntas individuais: consiste em verificar o que deve conter cada pergunta. Por exemplo: Esta pergunta é realmente necessária? A pergunta está clara? Quais serão as possíveis respostas a esta pergunta? Como estas respostas, neste formato, contribuirão de maneira eficaz para meu objetivo da pesquisa?

4. Planejamento das perguntas de forma a torná-las “atrativas” e interessantes. Malhotra (2012) salienta que há pessoas que têm muita dificuldade em dar as informações de-sejadas, seja por falta de informação, esquecimento ou simplesmente por não estar disposto a responder. O autor sugere questões “filtro”, tais como: Você se interessa por pesca esportiva? Dessa forma, há apenas duas possibilidades (sim ou não) como resposta. Assim, caso o entrevistado realmente não tenha interesse no assunto, pro-vavelmente não contribuirá para sua pesquisa, e você também já o dispensa de gastar seu tempo.

5. Decisão quanto à estrutura da pergunta: as perguntas podem ser estruturadas ou não estruturadas. As não estruturadas são perguntas abertas a que o entrevistado respon-de com suas próprias palavras, por exemplo: O que você acha da nova logomarca da empresa Beta? Já as estruturadas especificam o conjunto de respostas alternativas e o Vídeo

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formato da resposta. Exemplo: Você pretende comprar um carro novo nos próximos seis meses? Responda de 1 (certamente não comprarei) a 5 (certamente comprarei).

6. Determinação do enunciado da pergunta: é a tradução do conteúdo e da estrutura da pergunta em palavras, de forma que os entrevistados possam compreendê-la facilmente.

7. Organização das perguntas em ordem adequada: a separação entre “blocos” de informa-ção pode ajudar o respondente a se localizar durante o preenchimento do questionário. A sequência de perguntas também contribui para assegurar a fluidez de resposta.

8. Identificação do formato e layout do questionário: o formato, o espaçamento e o posicio-namento das perguntas podem ter um efeito significativo sobre os resultados. Da mesma forma, o modo de condução favorece o correto preenchimento. Sugere-se elaborar um pequeno fluxo de como será encaminhado o questionário quando houver algumas per-guntas-chave (exemplo: resposta “sim” segue um determinado caminho; resposta “não”

segue outro).

9. Reprodução do questionário: se será em papel ou via link, é importante verificar se todas as questões estão legíveis e completas (por exemplo, perguntas numa página, escalas em outra).

10. Realizar um pré-teste do questionário: uma das etapas mais importantes na pesquisa quantitativa é a realização de um pré-teste com o questionário elaborado. Seu objetivo é identificar e eliminar problemas potenciais. Todos os aspectos do questionário precisam ser testados, do conteúdo da pergunta ao layout. “Os entrevistados no pré-teste devem ser semelhantes aos entrevistados da pesquisa real em termos de características fundamen-tais, familiaridade com o assunto e atitudes e comportamentos de interesse.” (Malhotra, 2012, p. 243).

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8.3 Técnicas para análise de dados qualitativos

Após coletarmos todos os documentos, artigos, transcrições de entrevistas, como analisamos todos esses textos a fim de obter contribuições significativas para nossa pesquisa?

Neste capítulo, duas técnicas serão apresentadas: a análise de conteúdo e a análise de discurso.

A análise de conteúdo é uma técnica de interpretação analítica de textos visando à inferência de conhecimentos relativos à realidade estudada (BARDIN, 2009). Conforme salienta Abela (2002), tanto dados expressos claramente quanto os latentes (o que é dito sem intenção) apresentam sentido e podem ser captados dentro de um contexto. Portanto, texto e contexto são dois aspectos fundamentais na análise de conteúdo.

Mesmo que a análise de conteúdo não siga etapas rígidas, valem as reco-mendações de Bardin (2009), ao considerar que a análise de conteúdo em uma investigação organiza-se em torno de três polos cronológicos:

• A pré-análise: que consiste na fase da organização. É o momento de realização da leitura flutuante, em que se estabelece o primeiro contato com o texto, deixando-se invadir por impressões e orientações.

• A segunda etapa é a exploração do material, fase em que o conteúdo é submetido a uma análise mais aprofundada, orientado em princípio pelas hipóteses formuladas e pelo refe-rencial teórico, surgindo aqui quadros de referências na busca de síntese de coincidências e divergências de ideias.

• Por fim, ocorre o tratamento e a interpretação dos resultados obtidos. Reflexões e intui-ções a partir do material analisado possibilitam relaintui-ções com a realidade, aprofundando as conexões com as ideias determinadas pelo referencial teórico.

Talvez o procedimento mais importante na condução de uma análise de conteúdo seja a atribuição de códigos a extratos dos textos. Na análise categorial, os critérios de codificação estão orientados nos objetivos específicos da pesquisa e podem ser preestabelecidos conforme teoria ou então identificados durante a leitura do conteúdo coletado.

Outra análise de dados qualitativos bastante utilizada é a revisão sistemática de literatura – RSL. Nesta, um levantamento exaustivo de literatura é feito a fim de atingir um objetivo bem definido. Diferentemente da fundamentação teórica do trabalho, a RSL tem um objetivo bastante específico e visa coletar informações de diversos autores sobre determinado tema proposto.

Como resultados, pode-se fazer levantamento de publicações por áreas de interesse, construir redes de relacionamento entre autores ou pesquisadores, verificar distribuição de publicações sobre o tema em diferentes regiões, entre outras informações importantes principalmente para a comuni-dade científica. A seguir, na Figura 2, veja um dos possíveis resultados após a revisão de literatura.

Figura 2 – Frequência de estudos empíricos sobre comportamento organizacional micro no terceiro setor Comportamento de fuga e esquiva

no trabalho Cultura organizacional Motivação no trabalho Desempenho produtivo de indivíduos, gerentes e equipes Tomada de decisão e julgamentos Cognição no trabalho Contratos psicológicos Aprendizagem natural/ induzida no trabalho e sua transferência Bem-estar e saúde no trabalho Significado do trabalho, dos seus produtos e identidade no trabalho Afeto no trabalho Interações sociais nas equipes e nas organizações de trabalho

Fonte: adaptado de Do Nascimento, Borges-Andrade e Porto (2016, p. 371).

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