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5. METODOLOGIA

5.2 INSTRUMENTOS PARA LEVANTAMENTO E ANÁLISE DE DADOS

Para o desenvolvimento da pesquisa realizou-se o estudo com a Triangulação de Métodos (MINAYO; ASSIS; SOUZA 2005), quando vários procedimentos técnicos são utilizados na construção dos resultados, no caso desse trabalho: pesquisa bibliográfica, análise documental, entrevistas semiestruturadas e questionários. É comum que as pesquisas de natureza qualitativa utilizem de um conjunto procedimentos, como meio de melhor percepção de uma realidade (BOGDAN, BIKLEN, 1994; GÜNTHER, 2006).

Para o estudo documental foram utilizados os registros e históricos de leis e eventos decisivos para a constituição da educação, as políticas públicas de educação no Brasil, as leis e regulamentos importantes que constituem os Institutos Federais e ensino superior, as políticas

atuais de acesso a esta modalidade de ensino trazendo para reflexão as políticas de assistência estudantil nos Institutos Federais como ações afirmativas. E ainda os dados levantados a partir dos Censos escolares e materiais informativos de evasão provenientes do campo onde a pesquisa foi realizada.

Tal escolha se deve à consistência das fontes que contextualizam a política educacional brasileira (Constituição Federal, leis, decretos, resoluções e regulamentações, políticas governamentais de acesso, expansão e permanência do ensino); que demonstram informações estatísticas da população estudada (dados populacionais, sistemas de avaliação, censo escolar) e que informam dados de evasão no contexto específico do público desta pesquisa (GODOY, 1995b; CERVO, BERVIAN e DA SILVA, 2007).

[...] os documentos constituem uma fonte não-reativa, as informações neles contidas permanecem as mesmas após longos períodos de tempo. Podem ser considerados uma fonte natural de informações à medida que, por terem origem num determinado contexto histórico, econômico e social, retratam e fornecem dados sobre esse mesmo contexto. Não há, portanto, o perigo de alteração no comportamento dos sujeitos sob investigação. (GODOY, 1995b, p. 22).

Para a condução do estudo de caso foram aplicados questionários (APÊNDICE A e APÊNDICE B) disponibilizados via GOOGLE DOCS aos estudantes evadidos e regulares. Este questionário se baseou nos instrumentos e indicadores utilizados por: Casto e Teixeira (2012); Adachi (2009); Oliveira (2011); Osse (2013); Marques (2014) uma vez que foram os trabalhos que apresentaram anexados seus instrumentos.

O questionário é um instrumento de construção de dados organizados de forma ordenada e sistemática que permitam avaliar as variáveis em estudo, nesse caso os antecedentes da evasão e a percepção dos estudantes sobre a atuação do PNAES enquanto promotor da permanência e êxito escolar (MARCONI, LAKATOS, 2009; BARBETTA, 2014).

Nesse estudo elegeu-se como modelo o questionário com escala genericamente denominada Escala Likert que se constitui em uma escala intervalar em que se apresentam dois extremos, um de concordância e o outro de discordância com uma distância igual entre as duas posições. É utilizado com frequência quando se trata de conhecer opiniões e atitudes, pois as variações apresentam proposições do mais favorável ao mais desfavorável, e entre elas um ponto intermediário onde se representa a indecisão (LIKERT, 1932).

Antes do início do levantamento de dados foi realizado um pré-teste dos questionários com alguns sujeitos/indivíduos em situações semelhantes à população em estudo, a fim de detectar possíveis falhas tais como ambiguidade de respostas, respostas não previstas, falta de

variabilidade de respostas, entre outras. Só após essa simulação e feitas as possíveis correções é que o instrumento foi aplicado efetivamente (BARBETTA, 2014).

O questionário (APÊNDICE A) foi enviado à população de ex-alunos através para os endereços de e-mail encontrados nos registros dos estudantes na Coordenação de Registros Escolares da Instituição. Somado a isso, a busca também se fez através de ligações telefônicas no intuito de confirmar os e-mails, oferecer explicações a respeito do objetivo da pesquisa, bem como convidar à sua participação.

Junto ao questionário foi enviada carta de apresentação da pesquisa explicando sua natureza, importância e necessidade das respostas e o prazo para devolução do questionário (MARCONI, LAKATOS, 2009), bem como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C).

A amostra foi constituida pelos respondentes que se decidiram participar da pesquisa. Observou-se um retorno expressivo de e-mails sugerindo inatividade dos mesmos ou prejuízos quanto ao recebimento do instrumento da pesquisa (spam). Da mesma maneira a respeito dos contatos por telefone, muitos não responderam constatando que os dados registrados possuem pouca condição de oferecer contato com os estudantes.

A aplicação da pesquisa com os estudantes em curso se deu de forma distinta. Utilizou- se como instrumento o questionário online (APÊNDICE B), mas dessa vez, ao contrário do envio aos endereços de e-mail dos participantes, optou-se pela postagem do instrumento no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) atendendo ao pedido da gestão da instituição que pretendia favorecer a divulgação e potencializar as atividades desse sistema. O instrumento foi então publicado a todos os estudantes matriculados no ensino superior que foram convidados pessoalmente, turma por turma, pela pesquisadora até os laboratórios de informática para conhecerem a pesquisa e optarem por participar da mesma, confirmando no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C).

A aplicação dos questionários aos estudantes em curso se deu presencialmente pelo acesso da pesquisadora aos mesmos e considerando a utilidade de uma apresentação/explicação dos objetivos da pesquisa. Foi ainda levado em consideração as possíveis desatualizações dos dados pessoais informados no momento da matrícula, e a disposição da instituição de laboratórios informatizados à serviço de atividades institucionais.

Para a população que corresponde aos gestores do PNAES na instituição, sobre os quais se pretendeu descrever o processo de implementação do programa na IES, foi aplicada uma entrevista semiestruturada. A escolha se deu por ser um instrumento consagrado nos diversos

campos das ciências sociais, capaz de construir dados e auxiliar no diagnóstico ou tratamento de um problema social (MARCONI, LAKATOS, 2009).

A entrevista tem como vantagens o fato de ser universalmente aplicável, independente dos segmentos da população; é flexível, podendo no decorrer do processo ser esclarecida, garantindo sua compreensão genuína; oportuniza maior rol de avaliação (das atitudes, condutas, reações, gestos); favorece a obtenção de informações que não estejam formalizadas em documentos; permite que as informações sejam quantificadas e tratadas estatisticamente (MARCONI, LAKATOS, 2009).

Para Yin (2001) as evidências de um estudo de caso podem ser provenientes de vários procedimentos, documentos, registros em arquivos, observação direta, entrevista dentre outros. Entende-se que cada procedimento merece um olhar e atenção específicos, mas de maneira geral convergem em importância por possibilitar o uso de várias fontes de evidências; formalizar uma base bem estruturada de dados a serem analisados e o possível encadeamento entre as informações construídas, através de ligações entre questões, dados e conclusões.

A respeito da entrevista, Yin (2001) a destaca como uma das mais importantes fontes de informação quando se trata de um estudo de caso. A utilização de um informante-chave para o autor, possível com a utilização desse instrumento, é essencial para o sucesso do estudo de caso, uma vez que fornecem ao pesquisador percepções e interpretações sobre um assunto além de oferecer indicações para outras fontes de evidências importantes para o estudo.

O procedimento de entrevista foi, portanto, escolhido, pois se entende que a partir dela que se obtêm dados que se referem diretamente ao indivíduo entrevistado, suas atitudes, valores e opiniões, são informações ao nível mais profundo da realidade, o que os cientistas sociais denominam “subjetivo” (MINAYO, 2000; YIN, 2001).

Foi adotada a entrevista semiestruturada (APÊNDICE D), que combinou perguntas abertas e fechadas, em que o informante teve a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto. A pesquisadora seguiu o conjunto de questões previamente definidas, orientadas por uma relação de pontos de interesse que o entrevistador foi explorando no curso da entrevista. Aos gestores que compuseram a amostra dessa pesquisa foram disponibilizados antes do início da entrevista o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C) (GIL, 2010).

Os dados levantados por meio dos questionários foram analisados via estatística descritiva e análise de correlação (BARBETTA, 2014). A análise de correlação se fez utilizando o coeficiente de correlação de Pearson que quantifica a intensidade de associação linear existente entre variáveis (STEVENSON, 2001).

Diante da amplitude dos antecedentes da evasão encontrados na literatura (Quadro 7), e que basearam a construção dos questionários, foram elencadas as principais correlações positivas (com força maior que 0,5 e menor que –0,5) e as principais correlações negativas (com fraqueza entre -0,49 e 0,49) em cada grupo estudado selecionando aquelas que apresentaram maiores forças e fraquezas (STEVENSON, 2001).

Os dados levantados por meio das entrevistas foram submetidos à análise de conteúdo (Bardin, 1977). Instrumento esse de análise das comunicações que teve seu desenvolvimento iniciado nos Estados Unidos nos departamentos de ciências políticas. Foi ilustrado a princípio por H. Lasswel através da análise feita da imprensa e propaganda desde 1915 aproximadamente. Trata-se de “compreender as características, estruturas e/ ou modelos que estão por trás dos fragmentos de mensagens tomados em consideração” (GODOY, 1995b, p. 23). Diz respeito à atividade de percepção, tratamento e análise das informações, advinda de documentos, de forma crítica e ocupada com os sentidos manifestos e ocultos da comunicação (SEVERINO, 2007).

Conceitualmente Bardin (1977, p. 42) descreve a análise de conteúdo como

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos [sic] de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.

Parte do pressuposto de que qualquer comunicação, verbal ou por escrita, transportada de um emissor a um receptor poderá ser decodificada por meio das técnicas da análise de conteúdo.

Segundo Bardin (1977) a utilização dessa técnica enquanto um instrumento de investigação laborioso significa negar a suposta ilusão da transparência dos fatos sociais, e afastar-se da negligente compreensão espontânea assumindo uma postura de desconfiança e questionamento das evidências. Quando se prioriza o emprego metodológico de suas técnicas, o pesquisador passa a adotar atitude vigilante e crítica, diferente da indução e leitura simplificada do real.

Como objetivos do emprego desse método Bardin (1977) elenca: a superação da incerteza, na medida em que o investigador analisa criticamente a validade de generalidade de sua percepção; e o enriquecimento da leitura, como um processo de produtividade de análise persistente diante das mensagens. E enquanto funções revela que a análise de conteúdo pode adotar na prática a função heurística de enriquecer a atitude exploratória e acrescentar na

descoberta e função de administração da prova, que significa ser utilizada para verificação de hipóteses provisórias. Ou as duas complementarmente em um reforço mútuo.

Dentre o conjunto de técnicas utilizadas na análise de conteúdo, para este trabalho optou-se pela análise categorial temática, que consiste no exercício de desmembramento do texto (proveniente de documentos, relados, entrevistas) em unidades de categorização. O texto é compreendido na sua totalidade e posteriormente passado pelo crivo da classificação, quando é dissolvido em temas (BARDIN, 1977).

Nos trabalhos que serviram de referência a esse estudo, essa técnica foi utilizada repetidamente (BARDAGI, 2007; CESAR, 2012; KUSSUDA, 2012; CASTRO, 2013; CASTRO, TEIXEIRA, 2013; LIMA-JÚNIOR, 2013). Em razão de sua simplicidade e eficácia, a análise categorial temática alcança bons resultados em textos carregados de sentidos manifestados.

As etapas da técnica seguem três fases: 1) pré-análise, 2) exploração do material e 3) tratamento dos resultados, inferência e interpretação. A primeira, pré-análise, é o momento em que o material a que se pretende analisar é organizado sistematicamente, delimitado e ordenado em ideias iniciais para torná-lo mais funcional. Essa organização ocorre em quatro passos: I) leitura flutuante, o contato com os documentos da construção de dados, aproximação do texto como um todo; II) seleção dos documentos, quando se define o que será analisado; III) formulação das hipóteses e dos objetivos; IV) demarcação dos índices e indicadores a partir dos documentos de análise (BARDIN, 1977).

O segundo momento consiste na exploração do material definindo-o em categorias. É quando os itens de sentido são categorizados e definidos em unidades de registro, ou unidades de sentido (temáticas relevantes) segundo critérios definidos. Tal como colocar em gavetas, os assuntos que aparecem ou não (nos materiais textuais construídos) e que são pertinentes ao estudo do fenômeno são explorados, codificados, classificados e categorizados nessa fase (BARDIN, 1977).

As categorias identificadas durante a análise das entrevistas nessa pesquisa foram: Limitada participação dos estudantes nas etapas de execução do PNAES; Gerenciamento do PNAES autônomo e pouco articulado entre os campi; Objetivo de alcançar permanência e êxito estudantil com PNAES; Decisão por Auxílios financeiros que representem as necessidades dos estudantes; Pouca identificação de ações no Eixo Universal; Ausência de formalização das ações das equipes de saúde e pedagógica; Assistência financeira como intervenção principal do PNAES; Pouco monitoramento do estudante beneficiário.

Na sequência, o terceiro momento de uma análise de conteúdo pode ser resumido em: tratamento dos resultados do texto, inferência e interpretação. No primeiro momento faz-se a condensação e realce de informações que foram comunicadas, passando por deduções lógicas, para chegar, posteriormente ao significado daquelas características, na interpretação e análise crítica e reflexiva, nos limites da evidência empírica (BARDIN, 1977).