1.2 METODOLOGIA DA PESQUISA
1.2.4 Instrumentos de pesquisa e procedimentos de coleta de dados
A coleta dos dados ocorreu durante o segundo semestre de 2012 e continuou no ano de 2013. Os instrumentos metodológicos utilizados foram: documentos oficiais, notas de campo, registros em arquivos, fotografias e entrevista semiestruturada.
Os documentos são Leis e Decretos Federais; Resoluções do CONSEPE/UFMT, Resoluções do Conselho Diretor da UFMT e os cadernos com registros do programa.
A decisão pelo estudo de caso, como método para pesquisar o Programa de Monitoria da UFMT, delineou a procura por documentos institucionais, por meio do sítio da própria instituição (resoluções). Ao fazer a leitura atenta de tais documentos, percebi que eles se remetiam a outras legislações que foram localizadas em sítios de legislações oficiais de órgãos do governo federal, assim como em processos e livros de arquivos dos Órgãos Colegiados da UFMT. Com as leituras, levantei os aspectos considerados relevantes para o estudo, os quais eram anotados em um caderno exclusivo para as “notas de campo”. Os diferentes aspectos foram analisados de forma descritiva e à luz de teóricos que nortearam o desenvolvimento de toda a pesquisa, de modo a convergir para o objeto único em estudo: O Programa de Monitoria da UFMT.
Os documentos citados acima são fontes de dados que tratam sobre a monitoria. Bogdan (1994) assinala que documentos dessa natureza são considerados documentos oficiais, analisados e apreciados pelos pesquisadores, da modalidade de pesquisa qualitativa, por estarem permeados de subjetividade e envoltos por ideologias oficiais. Para Yin (2010), os dados
encontrados, inclusive em documentos, fazem parte das evidências do estudo de caso que o pesquisador encontra em diversas fontes. Bogdan (1994) considera que os dados são informações recolhidas pelo próprio investigador e esses dados podem ser produzidos de forma ativa: “transcrições de entrevistas e notas de campo referentes a observações” (p. 149). Podem ainda, ser dados produzidos por terceiros e utilizados pelo pesquisador, tais como: “diários, fotografias, documentos oficiais e artigos de jornais” (ibidem). Yin (2010, p. 143) considera que todos esses materiais são fontes de informações recomendadas ao pesquisador que realiza um estudo de caso. Elas permitem “o desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, um processo de
triangulação de dados que visam corroborar mesmo fato ou fenômeno” (grifo do autor).
Figura 2: Convergência de múltiplas fontes de evidências em estudo único. Adaptada de Yin (2010, p. 144).
As múltiplas fontes de evidências apresentadas por meio dos instrumentos utilizados neste estudo favoreceu a utilização da triangulação de dados, aqui entendida como uma forma de analisar dados, de fontes variadas com o objetivo de ampliar e aprofundar o conhecimento a respeito de um determinado programa. Nesse sentido, a triangulação “pode estabelecer
Programa de Monitoria da UFMT Convergência de evidências (estudo único) Registros em arquivo Entrevistas Semiestruturadas Documentos Oficiais (Leis e Resoluções) Observações diretas/notas de campo Registros fotográficos
ligações entre descobertas obtidas por diferentes fontes, ilustrá-las e torna-las mais compreensíveis; pode também conduzir a paradoxos, dando nova direção aos problemas a serem pesquisados” (NEVES, 1996, p. 35).
Ao realizar uma reflexão a respeito da triangulação, Duarte (2009, p. 3), argumenta que esta se constitui em “um conceito central na integração metodológica”, utilizada, com frequência, nas pesquisas de cunho qualitativo, como forma de articular diversos métodos. A autora justifica ainda que a triangulação representa a quebra da hegemonia metodológica, na qual o dado só poderia ser analisado por meio de um único método. De acordo com Yin (2010, p. 143), “qualquer achado ou conclusão de estudo de caso é, provavelmente, mais convincente e acurado se for baseado em diversas fontes diferentes de informação”.
Esse mesmo autor apresenta seis fontes que avalia como relevantes para o desenvolvimento do estudo de caso, todavia essas fontes não são as únicas e nem todas precisam estar presentes em um mesmo estudo de caso. As fontes por ele apresentadas são: “documentação, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos” (YIN, 2010, p. 126). Das fontes elencadas por Yin, pelo menos quatro foram utilizadas para recolher as evidências que serão apresentadas neste do estudo de caso:
Documentação: Considerada relevante para o estudo de caso, pelo autor, é uma fonte que contribui para validar a historicidade do caso mediante datas e nomenclaturas oficiais, assim como indicar novas fontes de informações que tragam mais evidências para o estudo. A documentação permite a inferência de como funcionou ou funciona determinado programa em diferentes momentos históricos, embora seja importante a preocupação com a autenticidade dos documentos utilizados como fontes. No estudo de caso em questão, a documentação encontrada foi utilizada para situar historicamente o Programa de Monitoria da UFMT no tempo e no espaço; apontar os possíveis sujeitos, assim como confrontar com outras fontes de informações recolhidas pela investigadora.
Registros em arquivos: A utilização de registro em arquivos varia de acordo com a necessidade apresentada pelo estudo de caso desenvolvido. Segundo Yin (2010), o registro em arquivos pode ser utilizado para abordar ou
demonstrar a quantificação de determinada evidência ou mesmo para aprofundar discussões a partir de determinada evidência. Nesse sentido, os registros em arquivos, a respeito do Programa de Monitoria da UFMT, foram utilizados para evidenciar, de forma quantitativa e temporal, o número de cursos, de disciplinas, de participantes, assim como evidenciar a faixa-etária e diferença de gêneros dos envolvidos no Programa. Os registros em arquivos permitiram ainda, entender com maior profundidade, como o programa de monitoria da UFMT foi se desenvolvendo no decorrer do tempo e também, identificar os nomes dos professores, egressos do programa e sujeitos da pesquisa, por meio de entrevista.
Observação direta ou notas de campo: Nomeada por Bogdan (1994) como notas de campo e por Yin (2010) como observação direta, essas têm sido recursos utilizados que contribuem para o detalhamento de situações que ocorrem no campo de investigação. “As observações podem ser tão valiosas que você pode até mesmo considerar fotografar o local do estudo de caso” (YIN, 2010, p.137). Neste estudo, o recurso fotográfico foi utilizado para revelar a realidade de arquivos encontrados no interior da instituição e mostrar documentos que fazem parte da história do programa de monitoria que resistiram ao tempo e às condições adversas de conservação.
Entrevistas: A entrevista é um instrumento utilizado como recurso que pode agregar ricas informações a um estudo de caso, assim como contribuir com a identificação de outras fontes de dados. Yin (2010) é enfático em classificá-la como uma das mais importantes fontes de evidências para o estudo de caso. Para ele, “as entrevistas são uma fonte essencial de evidência do estudo de caso” (2010, p. 135), razão que corrobora a escolha da entrevista neste estudo, como fonte principal de dados que apontam resultados para as análises e discussões que serão apresentadas no último capítulo desta dissertação.
O conjunto de informações recolhido por meio dessas fontes ou desses instrumentos forma o que Bardin (2011) e Roque Moraes (2003) denominam de
Corpus. Roque Moraes (2003) justifica que essas informações não são dados,
ao contrário são informações conseguidas a partir de muito esforço despendido pelo pesquisador. O corpus permite à pesquisa qualitativa, com o auxílio da análise textual, “aprofundar a compreensão dos fenômenos que investiga a
partir de uma análise rigorosa e criteriosa desse tipo de informação” (ROQUE MORAES, 2003, p. 191).
Para fins deste estudo, utilizei a entrevista semiestruturada, composta por um roteiro elaborado antecipadamente. Para Manzini (2003), esse roteiro assegura ao pesquisador o direcionamento do foco em um determinado assunto. Por não ser uma estrutura engessada, admite que o pesquisador faça novos questionamentos a partir de respostas do entrevistado. Manzini (1990/1991, p. 154), afirma que “a entrevista semiestruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista”. Tais questionamentos possibilitam aprofundar no tema e atingir o objetivo pretendido pelo pesquisador.
Com essa intenção, o roteiro da entrevista foi elaborado em quatro blocos (apêndice - 1), distribuídos da seguinte forma:
Bloco 1 – Identificação do entrevistado. Esse bloco foi produzido com o intuito de dar subsídios mínimos para traçar o perfil de caracterização do sujeito da pesquisa, assim como de obter a autorização escrita para a publicação dos dados recolhidos na entrevista.
Bloco 2 – Informação sobre a formação acadêmica. Os questionamentos desse bloco objetivaram a recolha de evidências profissionais de cada sujeito entrevistado, de modo que complementasse seu perfil e permitisse ao leitor conhecer um pouco mais o sujeito e sua trajetória de formação profissional.
Bloco 3 – A iniciação e o trabalho como docente. No 3º bloco, foram abordadas questões que permitiram ao entrevistado narrar sua experiência inicial no trabalho docente até a atualidade, incluindo aí as dificuldades enfrentadas, assim como as experiências que contribuíram para sua trajetória de profissional docente. A proposta de questionamentos dessa natureza visa perceber se, no exercício da docência, aparece algum vestígio de contribuição da monitoria para a iniciação à docência do professor do ensino superior.
Bloco 4 – A Experiência do monitor. Nesse bloco, foram propostas questões que aguçam a memória do sujeito, de modo a recordar de sua experiência como monitor acadêmico ainda na graduação. O objetivo desse
bloco foi evidenciar os possíveis aspectos de contribuição entre a experiência do monitor e o ensino como professor.
Esse roteiro foi utilizado, inicialmente, como projeto piloto em entrevistas com quatro professores voluntários. Posteriormente foram feitas as adequações julgadas necessárias para atingir o objetivo proposto pela pesquisa que era responder: Em que aspectos a monitoria pode contribuir para a formação inicial do docente do ensino superior?
Manzini (2003) entende que essa é uma tarefa de planejamento para a coleta de informações, a qual permite adequar o roteiro à linguagem considerada necessária à entrevista.