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CAPÍTULO 3 – METODOLOGIA

3. Problema e questões de partida

3.2 Instrumentos

A nossa investigação privilegiará a uma pesquisa exploratória, a qual consistirá (1) numa pesquisa documental (levantamento bibliográfico, relatórios clínicos, registos do aluno em estudo), com o intuito de explicitar o problema colocado na pergunta de partida com base, em parte, nas referências teóricas publicadas em estudos e artigos científicos;

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3.2.1 Observação

Segundo Quivy (1998, p. 155), “A observação engloba o conjunto das operações através das quais o modelo de análise (constituído por hipóteses e por conceitos) é submetido ao teste dos factos e confrontado com dados observáveis”. Deste modo, a observação permite reunir informações que posteriormente serão analisadas e, para tal, circunscreveu-se a observação ao 2º período do ano letivo 2016/2017, compreendido entre janeiro e abril.

Enquanto professora de Educação Especial, tivemos o privilégio de exercer funções docentes nas aulas de algumas disciplinas (EV, FQ, Francês e Matemática), o que viabilizou a observação direta do aluno P em situações diferentes, permitindo corroborar a ideia de que “A observação direta é aquela em que o próprio investigador procede directamente à recolha das informações, sem se dirigir aos sujeitos interessados” (Quivy, 1998, p. 164).

Neste caso, a observação realizada incidiu em aspetos considerados relevantes para o estudo em curso. Para o efeito, foram construídos instrumentos capazes de produzir todas as informações necessárias e adequadas para testar as hipóteses, ou seja, foi construído um guia de observação, onde se elencaram alguns comportamentos a serem observáveis e registados. Dado que foi nossa intenção captar os comportamentos de P nas aulas das diversas disciplinas que frequenta, optámos por privilegiar a observação participante e não participante, para que o nosso estudo assentasse, sempre que possível, na autenticidade, no rigor e na apreensão dos comportamentos e dos acontecimentos de acordo com o momento em que decorreu. Assim sendo, observação participante far-se-á em contexto de sala de aula e será realizada pelo próprio investigador, enquanto a observação não participante decorrerá da colaboração dos professores do Conselho de Turma, em contexto de sala de aula/pavilhão gimnodesportivo/campo de jogos.

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3.2.2 Entrevistas

Segundo Moser e Kalton (citado por Bell, 2010, p. 137), a entrevista é “uma conversa entre um entrevistador e um entrevistado que tem o objectivo de extrair determinada informação do entrevistado”.

As entrevistas permitirão colher diretamente dados relacionados com os objetivos da pesquisa, nomeadamente, alargar o leque informativo e encontrar pistas de reflexão e de ideias para melhoria da prática da diferenciação curricular. Como tal, serão evitadas perguntas que, de antemão, predisponham o entrevistado a não responder com honestidade.

Na construção do guião da entrevista, tivemos o cuidado em utilizar perguntas claras e objetivas, permitindo a todos os professores entrevistados a interpretação igualitária. Para nos assegurarmos que estas seriam compreendidas e respondidas, de facto, uma vez que correspondem às questões que nos assolam, apresentámo-las, previamente, a um pequeno grupo de professores para as testarmos.

Na aplicação do guião da entrevista semidiretiva, permitiu-se aos entrevistados exprimir-se livremente acerca dos temas abordados, tendo o investigador o cuidado de os guiar sobre os aspetos mais pertinentes e que lhe permitirão atingir os objetivos. Para tal e apoiando-nos em Quivy (1998, p. 183) “O sucesso de uma entrevista deste tipo depende, é claro, da composição das perguntas, mas também, e sobretudo, da capacidade de concentração e da habilidade de quem conduz a entrevista”.

Este método é caraterizado pelo relevo atribuído à comunicação e à interação entre investigador e entrevistado, através do contacto direto, permitindo, assim, extrair informações e outros elementos de reflexão.

Na ótica de Carmo e Ferreira, foram ponderadas algumas vantagens e desvantagens da observação e do uso e implementação do inquérito por entrevista, que passamos a apresentar no Quadro 2:

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Quadro 2 – Vantagens e desvantagens de instrumentos de pesquisa Instrumentos Caraterísticas

Vantagens Desvantagens

Observação da situação real

- Ato de observação pode ser estruturado numa grelha

- Apreensão dos comportamentos e acontecimentos no próprio momento - Material espontâneo para análise - Autenticidade dos acontecimentos

- Dificuldade do observador em ser aceite pelo grupo

- Dificuldades no registo devido à memória seletiva - Dificuldades na interpretação da observação - Subjetividade do observador Inquérito por entrevista

- Flexibilidade do tempo de duração; - Adaptação a novas situações / imprevistos

- Aplicabilidade à diversidade de entrevistados

- Contacto direto entre investigador e interlocutor

- Grau de profundidade dos elementos de análise recolhidos

- Avaliar a comunicação não verbal - Garantia de resposta por parte dos participantes

- Gasta mais tempo

- Implica rigor e maior domínio do assunto

- Crença na espontaneidade do entrevistado e total neutralidade do investigador

- Inibição do entrevistado perante questões delicadas

- Para a análise de conteúdo (não apenas descritiva), após a entrevista é necessário proceder à transcrição, categorização e codificação. É um processo moroso e exige muito tempo.

Fonte: Adaptado de: Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação – Guia para

autoaprendizagem; Reis, F. (2010). Como Elaborar uma Dissertação de Mestrado Segundo Bolonha – Guia Prático

3.2.3 Estudo de caso

O estudo de caso é um método qualitativo que permite ao investigador obter elementos informativos que lhe possibilitem conhecer melhor o objeto em estudo, tanto a nível individual, organizacional como social. O facto de ser meramente descritivo, uma vez que é um método específico de pesquisa de campo, está diretamente relacionado com a análise detalhada de um caso concreto, para o qual o investigador pretende efetuar um

51 estudo minucioso. Na ótica de Carvalho (2009, p. 129), “A pesquisa descritiva está interessada em descobrir e observar os factos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los”. Por esta razão, é considerado um estudo empírico, pois torna possível conceber uma resposta ou, até, testar uma teoria com o suporte informativo sustentado nas entrevistas.

Segundo Yin (citado por Meirinho & Osório, 2010, p. 53), “Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenómeno contemporâneo dentro do seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e o contexto não estão claramente definidos”.

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Figura 1 – Mapa do distrito de Lisboa Figura 2 – Mapa do concelho de Loures

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