4 ABORDAGEM DA PESQUISA E OS PROCEDIMENTOS
4.4 Instrumentos e procedimentos
Inicialmente, para que a pesquisa pudesse ser realizada no IEFES, foi solicitada a autorização (APÊNDICE 1) pela responsável da instituição. Também foi requerida a autorização para uso do nome do local (APÊNDICE 2). A participação dos professores e alunos foi autorizada pelos mesmos, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE 3). Este estudo seguiu as normas que regulamentam a pesquisa envolvendo seres humanos (Resolução CNS/MS 466/2012). Para isso, foi submetido à Plataforma Brasil e analisado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC). Todos os preceitos éticos40 estabelecidos foram respeitados no que se refere a zelar pela legitimidade, privacidade e sigilo das informações, quando necessárias, tornando os resultados desta pesquisa públicos. Os danos e os riscos foram mínimos: algum constrangimento ou ainda alguma situação de desconforto ao ler as questões ou ser perguntado durante a entrevista. Outro risco comum a todas as pesquisas com seres humanos é a quebra de sigilo, ainda que involuntária e não intencional, pode ocorrer, por mais que tomemos todas as precauções possíveis para que isso não aconteça.
As fontes de evidência mais utilizadas nos estudos de caso são acessadas por meio das entrevistas e as observações. No entanto, não se limitam a estas, podem ainda ser utilizadas: documentação, registros em arquivos e artefatos físicos. Para Yin (2015), independentemente das fontes utilizadas, há quatro princípios essenciais da coleta de dados: usar múltiplas fontes de evidência; criar um banco de dados do estudo de caso; manter o encadeamento de evidências; e, ter cuidado no uso de dados de fontes eletrônicas.
40 O verdadeiro respeito pela liberdade humana, geralmente inclui duas condições necessárias. Os sujeitos devem
concordar voluntariamente em participar – ou seja, sem coerção física ou psicológica. Além disso, sua concordância deve basear-se em informações completas e transparentes (CHRISTIANS apud DENZIN; LINCOLN, 2006, p.146)
Para que a presente pesquisa atenda aos seus objetivos, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas41 (Apêndice 4) com os alunos com deficiência. Segundo Lüdke e André (1986,
p. 34), a grande vantagem dessa técnica em relação às outras “[ ] é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”.
Ribeiro (2008, p. 141) trata a entrevista como:
A técnica mais pertinente quando o pesquisador quer obter informações a respeito do seu objeto, que permitam conhecer sobre atitudes, sentimentos e valores subjacentes ao comportamento, o que significa que se pode ir além das descrições das ações, incorporando novas fontes para a interpretação dos resultados pelos próprios entrevistadores.
O aspecto ético da entrevista é um ponto importante que deve ser observado com muito cuidado. Vieira e Hossne (1998) apud Rosa e Arnoldi (2006, p.100), afirmam que “[...] poucas pessoas têm competência para entender a lógica da entrevista. Por isso, só o consentimento esclarecido do participante não é suficiente”. Segundo os autores, “a palavra consentimento implica em uma ideia de atitude tomada por livre e espontânea vontade, mas não com pleno conhecimento dos fatos”.
Outro ponto importante no momento da entrevista é o registro das respostas, pois pode garantir o sucesso ou fracasso da coleta de dados. Não adianta uma aplicação segura e impecável da técnica se o registro das respostas não for preciso, ou seja, se for falho, insuficiente ou pouco acrescentar à pesquisa (GIL, 2010).
Aos docentes, foi utilizado questionário42 (Apêndice 5) como instrumento de coleta de dados. O questionário, para Marconi; Lakatos (2011) é considerado um meio de observação direta extensiva. O questionário é uma técnica para a coleta de informações mediante perguntas escritas. Os tipos de questionários podem ser: abertos ou dissertativos, cujas respostas são elaboradas pelos próprios respondentes; fechados, cujas respostas encontram-se em opções já oferecidas pelo pesquisador; mistos, que contêm questões abertas e fechadas (RODRIGUES, 2007). Para esta pesquisa, optamos pelo questionário misto com questões relativas à avaliação da aprendizagem dos alunos com deficiência, bem como questões específicas sobre o
41 A entrevista semiestruturada é, “em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos apoiados em
teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta forma, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo de pesquisa” (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).
42 O questionário utilizado na presente pesquisa tem como referência o instrumento utilizado nas outras pesquisas
do projeto maior da Secretaria de Acessibilidade ao qual este estudo está vinculado, embora tenha sido utilizado em outras pesquisas não foi realizado teste piloto.
acompanhamento realizado com esses alunos pela instituição, por estarmos de acordo com Laville e Dionne (1999), ao afirmarem que esse tipo de instrumento contribui para uma maior estabilidade dos resultados.
Para Marconi; Lakatos (2011, p.87)
A elaboração de um questionário requer a observância de normas precisas, a fim de aumentar sua eficácia e validade. Em sua organização devem-se levar em conta os tipos, a ordem, os grupos e a formulação das perguntas e também “tudo aquilo que se sabe sobre percepção, estereótipos, mecanismos de defesa, liderança etc.”
As autoras afirmam ainda que o processo é longo e complexo, exigindo cuidado na seleção das questões, levando em consideração sua importância e o fato de estar de acordo com os objetivos geral e específico (MARCONI; LAKATOS, 2011).
O questionário como uma técnica válida de coleta de dados, apresenta alguns critérios durante sua elaboração: as perguntas devem ser preferencialmente fechadas, relacionadas ao problema proposto; formuladas de maneira clara, concreta e precisa, de forma a possibilitar uma única interpretação; além de abranger os procedimentos de tabulação e análise de dados. Deve ainda ter um número de perguntas limitado, iniciado das mais simples para as mais complexas43. Por fim, deve conter uma introdução que informe sobre a pesquisa e o correto preenchimento do mesmo (GIL, 2010).
É importante ressaltar que a escolha e o uso de diferentes instrumentos de coleta (entrevistas e questionários), junto a diferentes grupos (professores e estudantes), contribuem para garantir o êxito da pesquisa a ser realizada.
O procedimento inicial para aplicação da pesquisa foi contatar com a responsável pelo instituto à época, diretora, para solicitar autorização. Após assinados os documentos foram verificados quais os melhores dias e horários para que eu pudesse entrar em contato com os alunos com deficiência. Como não obtive êxito dessa maneira, o coordenador do curso pela manhã, disponibilizou o contato de e-mail dos alunos. Mandei e-mail e logo obtive o primeiro retorno, verificando o melhor dia, horário e local, marcando assim a data da entrevista. Esses primeiros dados foram coletados em novembro, bem como os demais. Depois dessa primeira entrevista o aluno entrou em contato com os demais via WhatsApp, o que facilitou bastante a
43 Para o filósofo francês René Descartes (1596-1650) o conhecimento é uma unidade onde todos os saberes estão
interligados. Para bem conduzir os nossos pensamentos e alcançar a verdade, Descartes criou um método com quatro princípios: Princípio da evidência, não admitir algo como verdadeiro se não tivermos evidências suficientes para considerar como tal. Princípio da análise, dividir os problemas em tantas partes quanto forem possíveis para que melhor possam ser resolvidos. Princípio da síntese, estabelecer uma ordem de relação entre nossos pensamentos, solucionando primeiro as questões mais simples e depois as mais complexas. E o princípio de controle, fazer constantes revisões de todo processo para ter certeza de que nada foi omitido. (http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=70).
comunicação. Somente uma das alunas não quis participar da pesquisa. Depois de realizadas as entrevistas fui procurar os professores que os alunos haviam indicado, eles indicaram praticamente os mesmos professores, reduzindo a indicação a 8 docentes.
Dos docentes indicados, apenas quatro responderam ao questionário, os demais não consegui contato ou preferiram levar o questionário, mas não devolveram até o prazo estipulado. Então busquei outros professores que estivessem dispostos a participar da pesquisa, que já tivessem sido professores de, pelo menos um desses alunos. Consegui a participação de mais cinco professores, totalizando nove questionários respondidos. O local da pesquisa foram as dependências do próprio instituto sendo utilizado em dias e horários diferentes, de acordo com a escolha dos participantes. Apenas uma entrevista não foi realizada nas dependências do Instituto, por ficar mais prático para a aluna. Os questionários foram entregues aos professores que iam devolvendo à medida que fossem terminando de responder, sendo ou não no mesmo dia da entrega. Já as entrevistas foram gravadas com a utilização de aplicativo no smartphone e ainda utilizando gravador e reprodutor de voz digital portátil da Sony®, modelo ICD – PX312.
As entrevistas, embora orientadas por um roteiro estruturado, permitiram aos participantes discorrerem sobre cada um dos itens sem que lhes fosse tolhida a liberdade de falar sobre outros aspectos compreendidos ou não aos temas das questões propostas.
A seguir iremos discorrer sobre a análise dos dados, diretamente relacionada à escolha dos instrumentos e procedimentos explicados nesse tópico.