Na condução da pesquisa, para coleta dos dados foram feitos uso da 1- observação participante, 2- da entrevista, 3- do Grupo focal, 4- da análise documental, e foi feito registro de imagens e fatos por meio de fotografias. Foram utilizados questionários sociodemográficos abertos, entrevista semiestruturada e diretrizes para os grupos focais. Descrevem-se a seguir os instrumentos utilizados para a coleta de dados.
3.3.1 Técnica da observação participante
Segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 190), a observação refere-se a uma ―[...] técnica de coleta de informações, que utiliza os sentidos na observação de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos e fenômenos que se desejam estudar‖. Seguindo as recomendações de Bronfenbrenner (2011, p. 16), em favor da pesquisa sobre o desenvolvimento-no-contexto, ―[...] de observação da vida real dos seres humanos‖, pretendeu-se que a observação fosse a mais naturalística possível, e, para isso, procedeu-se à inserção ecológica.
A respeito da observação participante, Gil (1987, p. 42) faz algumas considerações que vieram ao encontro das necessidades desta investigação:
A observação participante, ou observação ativa, consiste na participação real do observador na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada. Neste caso, o observador assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo. Daí porque se pode definir observação participante como uma técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo.
Pretendeu-se observar os diversos ambientes de trabalho, as práticas educativas e os relacionamentos interpessoais entre os sujeitos da pesquisa. Os dados da observação foram registrados sem uso de meios técnicos especiais ou de perguntas diretas (LAKATOS; MARCONI, 2001). As observações (apêndice H) foram incorporadas à discussão conforme sua pertinência.
3.3.2 A entrevista e o grupo focal
Utilizou-se a entrevista semiestruturada e o grupo focal (GF) como instrumentos de coleta de dados. Foi feito uso da entrevista somente com a diretora da escola (apêndice D). Procedeu-se dessa forma porque a pesquisadora entendeu que sua presença no grupo focal com os professores poderia constrangê-los e tirar a liberdade, tão essencial para riqueza dos dados, quando estes fossem arguidos sobre a atuação da gestão da escola, um dos objetivos deste trabalho. A entrevista consiste num processo de interação social entre duas pessoas, e uma delas, o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado (HAGUETE, 1997).
Já para coleta de dados dos professores, alunos e responsáveis por alunos, adotou-se como instrumento o grupo focal, por se acreditar que ele pode ―[...] contribuir para o desenvolvimento e a potencialização da pesquisa social e, consequentemente, das condições de vida dos segmentos populacionais pauperizados e socialmente excluídos‖ (MOREIRA, NETO e SUCENA, 2002, p. 4), porque "[...] a fala que é trabalhada nos grupos focais não é meramente descritiva ou expositiva ela é uma ‗fala em debate‘, pois todos os pontos de vista expressos devem ser discutidos pelos participantes‖ (MOREIRA, NETO e SUCENA, 2002, p. 6).Isso contribui para a emancipação dos participantes.
Durante a realização do grupo focal, os participantes percebem as crenças, valores, atitudes e contradições que estão presentes em seus comportamentos e nos dos outros, e se dão conta do que pensam, sentem e aprenderam com as situações da vida, por meio da troca de experiências e opiniões entre eles (COSTA, DE ANTONI, FERRONATO, 2001). Essa escolha justifica-se também pela filosofia que fundamenta este trabalho, que é a de favorecer práticas educativas libertadoras, inclusive e principalmente, dos sujeitos da pesquisa.
A técnica focal é definida como:
Uma técnica de Pesquisa na qual o Pesquisador reúne, num mesmo local e durante um certo período, uma determinada quantidade de pessoas que fazem parte do público-alvo de suas investigações, tendo como objetivo
coletar, a partir do diálogo e do debate com e entre eles, informações acerca de um tema específico (MOREIRA, NETO e SUCENA, 2002, p. 5). Cabe salientar, ainda, que o grupo focal permite ao pesquisador analisar os diferentes posicionamentos das pessoas em relação ao tema, assim como explorar o modo como os acontecimentos são articulados, confrontados, transformados e criticados por meio da influência mútua e, ainda, como isso se relaciona à comunicação de pares e às normas grupais (BECK, GUALDA, HOFFMANN et al, 2008).Nesta pesquisa foram feitos quatro grupos focais, dois com professores, um com alunos e um com os responsáveis pelos alunos.
Para a aplicação da técnica de GF, foi realizada a montagem dos grupos, que, de acordo com Barbosa (1999) e Gatti (2005), devem abranger entre seis e doze participantes. Já para autores como Dall‘Agnoll e Trench (1999) o número recomendável de participantes depende da finalidade estabelecida, podendo variar entre quatro e quinze participantes.
Os grupos focais dos professores foram montados respeitando-se a divisão de professores que a escola tem, conforme os agrupamentos de alunos. Dessa forma foi realizado um grupo focal dos professores do ciclo I (1º e 2º anos), que na escola recebe o nome de ―alfabetização‖, e outro grupo focal dos professores do ciclo II (3º, 4º e 5º anos), que recebe o nome de ―projeto de pesquisa‖. Com os alunos e os responsáveis pelos alunos, foram formados dois grupos focais, respectivamente. Após a montagem dos GFs, eles foram realizados num ambiente adequado e privativo dentro da escola, utilizando-se as questões previamente elaboradas e relacionadas ao tema em questão (apêndices E, F e G).
3.3.3 Questionário sociodemográfico.
Foi feito um levantamento das características dos docentes, com a finalidade de traçar seu perfil a partir de questões sobre gênero, idade, estado civil, formação, tempo de atuação na escola, etc. (apêndice A). Considerou-se o potencial explicativo desses dados para as singularidades encontradas no trabalho. Da mesma forma e com a mesma intenção, aplicaram-se questionários
sociodemográficos nos alunos e nos responsáveis por alunos (apêndices B e C, respectivamente).