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Instrumentos, técnica e procedimentos de coleta de dados

3.2 PRIMEIRO ESTUDO

3.2.2 Instrumentos, técnica e procedimentos de coleta de dados

Neste estudo foi utilizado um questionário, o qual se constitui respectivamente pelos seguintes instrumentos:

1) Técnica de evocação livre,

2) Adaptação do instrumento de avaliação sociofuncional para idosos,

3) Mapa de redes e questões referentes, e,

4) Questões sobre características sociodemográficas e sobre o estado de saúde referido (Anexo A).

Cada uma destas partes é descrita abaixo: 1) Técnica de evocação livre

Constituiu a primeira parte do instrumento para que não houvesse interferência no conteúdo coletado. Esta técnica de evocação livre consistiu em solicitar ao indivíduo que escrevesse no mínimo três e no máximo cinco palavras ou expressões que lhe viessem à mente, imediatamente após a leitura de um estímulo indutor (Pereira, 2005). O intuito foi identificar os elementos das RS, com o estímulo indutor “cuidar da pessoa idosa”, a escolha dos dois termos mais importantes e a devida justificativa (Abric, 2001; Oliveira, Marques, Gomes & Teixeira,

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Demência se caracteriza pela presença de déficits cognitivos, mais significativamente a perda de memória, o que dificulta o relacionamento social e ocupacional (Gallucci Neto, Tamelli & Forlenza, 2005).

2005). Essas palavras são consideradas para realização de uma análise confirmatória dos elementos que compõem o núcleo central da RS.

Além de ser uma técnica prática pode ser realizada isoladamente ou associada a outras técnicas e ou instrumentos, como ocorre neste estudo. Essa técnica é também conhecida como associação livre, caracterizando- se como um teste projetivo, com origem na Psicologia Clínica. Como tal, auxilia na localização das zonas de bloqueamento ou recalcamento, e é utilizada como técnica de coleta de dados em pesquisas científicas por permitir a apreensão de conteúdos mentais de forma espontânea, revelando conteúdos implícitos que não costumam ser lembrados em outras formas de coleta de dados. (Oliveira & cols., 2005). Em adaptação à técnica de associação livre ao estudo das RS, Vèrges (1997) a denomina de evocação.

2) Adaptação do instrumento de avaliação sociofuncional para idosos (IASFI – Fonseca & Rizzotto 2008).

Este instrumento compôs o questionário e foi disposto depois da técnica de evocação. Este instrumento de avaliação funcional dos idosos foi composto pelos itens 3 a 33, e realiza esta avaliação a partir das categorias expostas na fundamentação, a saber, Atividade Básica de Vida Diária (ABVD), Atividade Instrumental de Vida Diária (AIVD) e a Atividade Avançada de Vida Diária (AAVD). Os itens componentes de cada categoria, a exceção da última (AAVD), foram pontuados a partir dos seguintes critérios:

Necessita de ajuda total para realizar a atividade = 1

Ajuda máxima (indivíduo realiza até 25% da atividade sozinho) = 2 Ajuda moderada (indiv. realiza até 50% da atividade sozinho) = 3 Ajuda mínima (indivíduo realiza até 75% da atividade sozinho) = 4 Só precisa de supervisão para realizar a atividade = 5

Realiza a atividade com independência modificada = 6 Realiza a atividade com independência completa = 7

Referente à primeira categoria, ABVD, a independência nesse item expressa o cuidado pessoal e a atenção dada ao ambiente domiciliar. Essa categoria é essencial para caracterizar o autocuidado e para identificar o grau de dependência, dessa forma, o instrumento é prevalente nesta categoria. No item em questão, a pontuação do instrumento pode variar de 20 a 140 pontos. Os pontos são distribuídos pelas seguintes subcategorias, conforme tabela 5.

Tabela 5. Variação da pontuação referente à categoria ABVD ABVD PONTUAÇÃO MÍNIMO MÁXIMO Autocuidado 8 56 Controle de esfíncteres 2 14 Transferências 3 21 Locomoção 3 21 Equilíbrio 4 28 TOTAL 20 140

A categoria AIVD foi dividida em atividades leves e pesadas relativas à limpeza, já que os graus de dificuldade em sua execução são diferenciados. Essa categoria pode pontuar no mínimo 5 e no máximo 35 pontos. E a última categoria, AAVD, foram identificadas e descritas as atividades realizadas, todavia, sem pontuação. Conforme exposto na fundamentação, não é uma categoria determinante para o quesito independência. Referente ao escore total, este representa o somatório dos pontos das duas primeiras categorias, ABVD e AIVD, sendo no mínimo 25 pontos e no máximo 175 pontos4 (Fonseca & Rizzotto, 2008).

A utilização desse instrumento ocorreu com o intuito de separar os idosos por grupos, considerando o sexo e o grau de dependência. Estas duas variáveis foram consideradas como explicativas do estudo, já que ambas diferenciam os tipos de cuidados prestados. O sexo dos participantes diferencia tanto os tipos de cuidados prestados, quanto quem presta o cuidado (Leal, 2000; Karsch, 2003; Garrido & Menezes, 2004; Erbolato, 2006; Silveira, Caldas & Carneiro, 2006; Camarano, Pasinato & Lemos, 2007; Ferreira & Wong, 2008; Inouye, 2008). Já o grau de dependência diferencia o tipo de cuidado, como também a intensidade, a periodicidade e o local de sua realização (Whitlatch & Noelker, 2007).

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Escore total: 25 a 175 pontos

Sub-escores: 25 pontos: dependência completa (assistência total) 26 – 50 pontos: dependência modificada (ajuda em até 75% das tarefas) 51 – 83 pontos: dependência modificada (ajuda em até 50% das tarefas) 84 – 143 pontos: dependência modificada (ajuda em até 25% das tarefas) 144–175 pontos: independência modificada/ completa (não precisa de ajuda para executar as atividades)

3) Mapa de rede social

O mapa de redes sociais constituiu a terceira parte do questionário, proposto por Sluzki (1997), foi utilizado para identificar a constituição da rede social do idoso, bem como, a existência ou não de um cuidador. Foi solicitado a cada participante que apontasse as pessoas mais significativas em sua vida, por meio dos seguintes questionamentos:

1) Neste momento da sua vida quais são as pessoas mais importantes para o (a) senhor (a)? Justifique sua resposta. 2) Hoje quais são as pessoas que o (a) senhor (a) tem contato mais

frequente?

3) Quais as pessoas que atualmente ajudam o (a) senhor em suas necessidades do cotidiano?

Após, as pessoas identificadas nas questões foram distribuídas no mapa de redes. A pesquisadora, após explicação do funcionamento do mapa, solicitou à pessoa idosa para inserir no mapa cada uma das pessoas citadas nas questões anteriores, considerando o círculo interno as relações mais íntimas e o mais externo, as relações ocasionais. A atividade foi realizada conjuntamente com a pesquisadora, a qual auxiliou no processo de entendimento da tarefa, como também, adequou à condição de saúde do idoso à disposição visual do mapa para que o cumprimento da tarefa ocorresse.

A leitura do registro do mapa de redes, conforme Figura 2, é a combinação dos quadrantes e das áreas. Nos quadrantes superiores constam a família e os amigos, e nos inferiores, as relações de trabalho e as relações comunitárias. As áreas são expressas pelos círculos, que somam três. O menor e mais interno enuncia as relações mais íntimas, a exemplo os familiares com contato periódico e ou cotidiano, amigos íntimos. Em seguida um círculo intermediário, que exprime contato menos íntimo o que reflete menor grau de compromisso, exemplifica-se a partir de familiares intermediários e amizades sociais. Por fim, um círculo mais externo que representa as relações ocasionais, tais como conhecidos da igreja, escola e trabalho; familiares distantes (Sluzki, 1997), conforme anexo A.

Figura 2. Mapa de redes por Sluzki (1997)

O procedimento de coleta dos dados foi agendado previamente com o participante. Todos os idosos receberam instruções padronizadas desta pesquisadora e foram acompanhados individualmente até o término do preenchimento do instrumento. Neste estudo, participou também outra pesquisadora do LACCOS, a qual recebeu o devido treinamento, bem como realizou pré-testes para a adequada aplicação do questionário. Este auxílio além de contribuir com a otimização na coleta de dados, já que a aplicação era individual e deste modo demorada, beneficiou também na coleta de dados das pessoas idosas casadas, já que nestes casos a aplicação era feita concomitantemente, propiciando a menor interveniência possível do esposo (a) na coleta em questão.

4) Dados sociodemográficos e de estado de saúde

A parte final do questionário constituiu-se por: (a) dados de identificação, os quais foram adaptados aos objetivos do estudo

1

2 3 Amizades Família Comunidade Escola Profissionais de saúde

Tipos de Relações pelo seu grau de significância:

1. Relações íntimas cotidianas

2. Relações pessoais com contato

(idade, sexo, escolaridade, estado civil, renda familiar, número de filhos, religião e prática religiosa); (b) questões sobre o estado de saúde referido; e, (c) questões sobre o sentimento em relação a própria vida, família, comunidade e serviços de saúde.

3.2.3 Análise dos dados

O IASFI foi pontuado logo após o término da aplicação com cada participante, pois o mesmo propiciou cumprir a composição da amostra do estudo, no que se refere ao grau de dependência versus independência.

Para as questões fechadas e as variáveis sociodemográficas foi empregada estatística descritiva: distribuição de frequência, medidas de tendência central (médias, modas e medianas), medidas de dispersão (desvio-padrão); e, estatística relacional (Qui-quadrado); por meio do

software SPSS (versão 17).

Para a técnica de evocação livre foi utilizado o programa informático Evocation 2000 – Ensemble de programmes permettant

l’analyse des evocations (Vèrges, 1999). Esse programa realiza uma

análise lexicográfica, considerando a frequência e a ordem média de evocação, ou seja, a ordem de aparecimento dos termos, a qual possibilita identificar os elementos da RS, classificando-os em elementos centrais e periféricos.

A análise realizada pelo programa Evocation gerou um diagrama de quatro quadrantes organizados em dois eixos: O eixo vertical corresponde à frequência de evocação das palavras e o eixo horizontal, à ordem média de evocações. O quadrante superior esquerdo da tabela indica os elementos da representação considerados como provavelmente centrais, são aqueles em que as frequências são maiores e mais prontamente evocados. Quanto aos elementos intermediários, o quadrante superior direito, constitui a periferia próxima (1ª periferia), e há chances desses elementos serem periféricos com alto grau de ativação. Já o quadrante inferior esquerdo contém os elementos pouco evocados, mas mencionados com prontidão e se referem também a outra periferia próxima (2ª periferia). Foi realizada uma análise confirmatória por meio das palavras indicadas como mais importantes pelos respondentes. As palavras que fizerem parte do núcleo central de acordo com o programa, e que forem marcadas em pelo menos 50% das vezes

em que forem citadas como mais importantes, foram confirmadas como parte do núcleo central.