2.2 PROCEDIMENTOS EMPREGADOS
2.2.4 Instrumentos, técnicas de pesquisa e tratamento dos dados
Os instrumentos e técnicas de pesquisa são oriundos da exploração do campo investigativo desenvolvido a partir de fontes primárias e secundárias. As fontes secundárias representam dados extraídos de pesquisa bibliográfica e documental.
Além de livros, periódicos, fichamentos e cartas, são realizadas leituras em diversos documentos institucionais, bem como pesquisas nos sites das IES estudadas, ocasionando, por conseguinte, a coleta de dados, assim como o processo de investigação e planejamento do trabalho empírico.
A pesquisa documental se traduz nos ditames previstos na Política Nacional de Extensão Universitária (Pneu), especialmente na contextualização do Plano Nacional de Educação (PNE); nas Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira
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Início –até 40% cursado Meio –de 50 a 70%
cursado
Final –a partir de 70%
cursado
(Deesb); nas Cartas do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (Forproex) e do Fórum Nacional de Extensão e Ação Comunitária das Universidades e Instituições de Ensino Superior Comunitárias (ForExt); nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Direito; nos Planos de Desenvolvimento Institucionais (PDIs), Projetos Pedagógicos Institucionais (PPIs) e nos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs) de graduação em Direito da UFSM e da UFN; assim como em relatórios e imagens dos projetos de extensão e nas demais fontes documentais das instituições investigadas. Com isso, realiza-se um estudo aprofundado acerca das legislações que contemplam a temática, de forma aberta e intuitiva, formulando-se algumas questões norteadoras. Por meio de tais pesquisas foi possível identificar o estado da arte (PRODANOV; FREITAS, 2013).
As fontes primárias são aquelas provindas da própria realidade, do estudo e trabalho oriundos do próprio pesquisador, o que significa dizer que não são encontradas em documentos (PRODANOV; FREITAS, 2013). Neste sentido, foi utilizada a observação direta intensiva que representa duas técnicas, quais sejam:
observação e entrevista (LAKATOS; MARCONI, 2003).
Acerca da técnica de observação, a mesma se revelou importante no alcance das informações, além de trazer elementos voltados ao comportamento do entrevistado (PRODANOV; FREITAS, 2013). Ainda, os dados foram complementados com as atividades de extensão, realizadas tanto nas dependências físicas das IES, quanto na comunidade de desenvolvimento das ações e projetos de extensão.
Emprega-se ora a técnica da observação não participante e ora a técnica da observação participante. A primeira se traduziu em uns projetos, ao existir o contato com a comunidade estudada sem que houvesse integração, ou seja, envolvimento com as situações. Enquanto a segunda se apresentou em outros projetos quando a pesquisadora assumiu o papel de um membro do grupo (LAKATOS; MARCONI, 2003).
A entrevista estruturada, realizada face a face, tem como base um roteiro com questões preestabelecidas e impressas que contemplam os seguintes eixos: perfil da coordenação de curso e de extensão; política acadêmica institucional de ensino, pesquisa e extensão; formação discente; perfil do egresso do curso; avaliação da prática extensionista; organização curricular; indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, curricularização da extensão, dispondo, ao final, de uma questão nominada Pauta Livre para que fosse oportunizado ao entrevistado abordar algum
assunto relevante ao tema que não tenha sido trazido nas questões. Assinala-se, ainda, que por mais que tenha se adotado a entrevista estruturada, com alguns entrevistados, foi possível desenvolver outras questões afetas ao tema que não se encontram no instrumento. Destaca-se que o roteiro das entrevistas é embasado na conexão entre teoria, metodologia e empiria, tendo como fundamento a conversa com finalidade (MINAYO, 2000), o que resultou na elaboração de três instrumentos:
- Entrevista estruturada com coordenadores dos cursos de graduação em direito e gestores de extensão de IES na região centro do Estado do Rio Grande do Sul. Este instrumento possui 17 questões dissertativas, duas objetivas e ainda uma vigésima questão nominada Pauta Livre (Apêndice D).
- Entrevista estruturada com docentes coordenadores de projetos de extensão de IES na região centro do Estado do Rio Grande do Sul. Este instrumento possui 16 questões dissertativas, duas objetivas e uma última questão denominada Pauta Livre (Apêndice E).
- Entrevista estruturada com discentes dos cursos de graduação em Direito de IES na região centro do Estado do Rio Grande do Sul que participaram de ações/projetos de extensão. Este instrumento possui 11 questões dissertativas, quatro objetivas e uma última pergunta intitulada Pauta Livre (Apêndice F).
Bardin (2016, p. 94) indica que a “análise de conteúdo de entrevistas é muito delicada”, e é por este motivo que se dá a escolha do método, permitindo transpor o procedimento meramente descritivo. Entende-se que a análise do conteúdo pode ser trabalhada sob os meandros da análise quantitativa, observando a “frequência com que surgem certas características do conteúdo” (BARDIN, 2016, p. 26), assim como pela análise qualitativa, ressaltando “a presença ou ausência de uma dada característica de conteúdo ou de um conjunto de características num determinado fragmento de mensagem que é tomado em consideração.” (BARDIN, 2016, p. 27).
Denota-se que as expressões mais citadas, quando da correlação com a extensão, foram inseridas no programa “WordClouds.com”, criando, desta forma, uma nuvem de palavras de cada um dos nichos de atores que compõe a Tese, demonstradas no último capítulo.
Dessa forma, partindo dos dados brutos, determina-se um nível de correspondência entre o plano teórico e empírico. Nesse sentido, observa-se as seguintes fases: (1) a pré-análise; (2) a exploração do material; (3) o tratamento dos resultados e a interpretação. A primeira fase, da pré-análise, possui “três missões: a
escolha dos documentos a serem submetidos à análise, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final.”
(BARDIN, 2016, p. 125). Em um primeiro momento, estabelece-se uma dinâmica de organização e planejamento, a começar pela leitura flutuante, que representa o contato com os documentos a fim de conhecer o texto deixando-se “invadir por impressões e orientações.” (BARDIN, 2016, p. 126). Além da leitura flutuante, há a escolha dos documentos, aqui traduzidos pelas 21 entrevistas realizadas e transcritas com os nichos de atores já mencionados. Assinala-se o vasto material oriundo das entrevistas que perfazem o total de 282 páginas, sendo possível dimensionar a complexidade da pesquisa proporcionada. Menciona-se algumas das principais regras: exaustividade, representatividade, homogeneidade, pertinência (BARDIN, 2016).
A formulação das hipóteses e dos objetivos são o terceiro passo da fase de pré-análise, enquanto o quarto momento se dá com a referenciação dos índices e a elaboração de indicadores. No que tange a essa etapa, é possível efetuar agrupamentos de informações tendo por base seis categorias analíticas: Concepção da extensão universitária; Contexto e diretrizes institucionais; Curricularização da extensão; Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; Aprendizagens discentes em contextos reais e Avaliação do fazer extensionista (Apêndice G), bem como o conteúdo a que ela se refere, fazendo correlação com as hipóteses anteriormente traçadas e que deram ensejo à novas hipóteses não delineadas em um primeiro momento. Em outras palavras, desde a pré-análise devem ser determinadas operações de recorte do texto em unidades comparáveis de categorização para análise temática e de modalidade de codificação para o registro dos dados” (BARDIN, 2016, p. 130). O último item da fase de pré-análise se dá com a preparação do material que consiste desde as entrevistas gravadas, sendo transmitidas na integralidade, e as gravações conservadas (para informação paralinguística) (BARDIN, 2016).
A segunda fase, nominada como exploração do material, “[...] consiste essencialmente em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas” (BARDIN, 2016, p. 131). Tratar o material significa realizar a codificação, que representa a transformação dos dados brutos da entrevista por meio de recorte, agregação e enumeração e que possa alcançar uma representação do conteúdo ou da sua expressão (BARDIN, 2016).
A terceira fase permeia o tratamento dos resultados e interpretação. O tratamento de dados brutos aduz que os mesmos mostrem-se significativos e válidos através de “operações estatísticas simples (percentagens), ou mais complexas (análise fatorial), permitem estabelecer quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos, os quais condensam e põem em relevo as informações fornecidas pela análise” (BARDIN, 2016, p. 131). A interpretação origina ora outras orientações para uma nova análise, ora a utilização dos resultados de análise com fins teóricos ou pragmáticos (BARDIN, 2016).
Remonta-se nestes meandros, que as técnicas de entrevista e de observação participante estão associadas ao método etnográfico, bem como a técnica da escrita do diário de campo, que representa não somente um “instrumento de ‘passar a limpo’
todas as situações, fatos e acontecimentos vividos durante o tempo transcorrido de um dia compartilhado [...]” (ROCHA; ECKERT, 2008, p. 15); mas, sim, “[...] um espaço para o(a) etnógrafo avaliar sua própria conduta em campo, seus deslizes e acertos junto às pessoas e/ou grupos pesquisados, numa constante vigilância epistemológica”
(ROCHA; ECKERT, 2008, p. 15). Registra-se que se utiliza do diário de campo para apropriação do dado empírico, sendo a escrita elemento de reconstrução da interação social vivida pelo antropólogo com a comunidade investigada, além de possibilitar observar as ações dos discentes das IES investigadas junto às comunidades.
Trazer a etnografia para o curso de graduação em Direito ao estabelecer relações, transcrever textos, selecionar informantes, mapear campos, manter um caderno de notas, transpor relatos em diários de campo, levantar genealogias e assim por diante, proporcionou o alinhamento das traduções da realidade social (GEERTZ, 2011).
No universo alvitrado, com relação à prática, são feitas inserções etnográficas que dão embasamento para a fundamentação teórica e as análises dos relatos, das vivências e das realidades vividas pelos acadêmicos do curso de Direito das IES investigadas. Posteriormente, são analisadas e fundamentadas nas teorias, gerando conclusões. Nesta Tese, a empiria conferiu o critério para a busca da teoria. Reflexões em torno do compromisso do pesquisador a partir dos dados angariados, bem como o significado desses dados para o grupo que está sendo estudado, necessitam ser pensados, haja vista a responsabilidade com o grupo e com a ciência.