CAPÍTULO V – MÉTODOS E PROCEDIMENTOS
RN/PAIS Variáveis do estudo
2. Descrição dos Instrumentos de Recolha de Dados
2.1. Instrumentos utilizados com os Profissionais de Saúde
Ao utilizarmos como instrumento de colheita de dados, o questionário, pretendemos colher informações junto dos participantes relativos aos conhecimentos e dificuldades que os Pais apresentam no cuidar do RN segundo a opinião dos Enfermeiros, embora tenhamos consciência que só teremos acesso ao material que
o participante aceitar fornecer. Este instrumento foi aplicado a todos os Enfermeiros da Extensão de Saúde pois todos cumpriam os critérios definidos para a amostra.
Os questionários foram entregues aos Enfermeiros em mão própria, precedidos de uma carta de apresentação do autor e do trabalho a desenvolver (Anexo nº 1) onde se pedia a sua colaboração. Conscientes do tamanho deste instrumento, tivemos o cuidado de reduzir ao mínimo o número de folhas de forma a evitar reacções prévias negativas por parte dos inquiridos. Está estruturado em quatro partes correspondentes aos aspectos a investigar.
Na primeira parte fazemos o estudo da caracterização sócio-demográfica, tendo-se elaborado doze (12) questões com as quais procuramos saber a idade, o sexo, a nacionalidade, o local de residência, a religião, o agregado familiar, a existência de filhos, o grau de carreira, o tempo de exercício profissional e o tempo de exercício profissional na área de Saúde Infantil e Juvenil, as habilitações académicas e profissionais.
A segunda parte é constituída por seis (6) questões que têm como finalidade caracterizar a importância que os Enfermeiros atribuem à promoção de cuidados antecipatórios, definir se os Enfermeiros nas suas práticas de cuidados têm em consideração algumas variáveis importantes como a idade dos Pais, a cultura dos Pais, a paridade do casal e as experiências anteriores com outras crianças que não filhos, conforme descrito na revisão da literatura, e definir que mudanças efectuar nos Centros de Saúde para que a promoção de cuidados seja mais eficaz.
A terceira parte representa os conhecimentos que os Pais apresentam quando recorrem à 1ª Consulta de Vigilância do RN segundo a opinião dos Enfermeiros e é constituída por um conjunto de dez (10) dimensões e quarenta e três (43) questões com resposta em escala de tipo Likert com cinco (5) pontos, numa amplitude que vai desde Muito Baixo (1) a Muito Elevado (5) em que quanto mais alta for a cotação maior será o nível de conhecimentos dos Pais.
A quarta parte representa as dificuldades que os Pais apresentam quando recorrem à 1ª Consulta de Vigilância do RN segundo a opinião dos Enfermeiros e é constituída pelas mesmas dez (10) dimensões e quarenta e três (43) questões com
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a mesma escala de medida, em que quanto mais alta for a cotação maior será o nível de dificuldades dos Pais. Estas dimensões prendem-se com as temáticas preconizadas pelo Guia Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde Infantil relativamente à promoção de cuidados antecipatórios (Silva et al., 2001).
O recurso à observação participante permitiu analisar as práticas que os Enfermeiros mobilizam na 1ª Consulta de Vigilância do RN com vista ao desenvolvimento de competências parentais.
A técnica de observação participante tem como finalidade, a obtenção de dados através do contacto directo com os sujeitos em estudo. Concordamos com a perspectiva de Carmo e Ferreira (1998) quando refere que o investigador deve assumir um papel junto da população que lhe permita a percepção das experiências pessoais que pretende estudar, sem no entanto estar directamente incluído no grupo em estudo. De acordo com Parreira (2000, p. 43) “(…) o investigador recolhe, regista
e interpreta os dados mediante a participação na vida do grupo” permitindo detectar
através da comunicação não verbal, fenómenos e vivências que o sujeito poderia omitir intencionalmente.
As competências do enfermeiro de cuidados gerais estão organizadas por domínios, nomeadamente prática profissional, ética e legal; prestação e gestão de cuidados e desenvolvimento profissional (Ordem dos Enfermeiros, 2003). Neste âmbito foram definidos em Conselho de Enfermagem, princípios chave da prestação e gestão de cuidados de enfermagem. Relativamente à prestação de cuidados importa referir que envolve a promoção de saúde, a colheita de dados, o planeamento, a execução, a avaliação e por último a comunicação e as relações interpessoais. Em relação à gestão de cuidados foram considerados os aspectos do ambiente seguro, os cuidados de saúde interprofissionais e a delegação e supervisão dos cuidados (Ordem dos Enfermeiros, 2003).
Tendo por base a nossa experiência profissional e o referencial teórico utilizado construímos assim, uma grelha de observação da prática dos cuidados de enfermagem (Anexo nº 2) onde utilizámos no Domínio da Prestação de Cuidados
(A), os aspectos da promoção de saúde, a comunicação e as relações interpessoais e no Domínio da Gestão dos Cuidados (B) o ambiente seguro.
Estes domínios contribuíram para uma orientação mais segura no terreno em que consideramos como alvo da nossa observação os seguintes aspectos:
A1 – Observação da Promoção de Cuidados Antecipatórios; A2 – Observação da Comunicação Interpessoal;
B1 – Observação do Contexto Situacional.
Na Observação da Promoção de Cuidados Antecipatórios (A1), fizemos uma adaptação ao instrumento utilizado pela Unidade de Saúde de Almada, Seixal e
Sesimbra a fim de validar o Guia Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde
Infantil (Silva et al., 2001). Da mesma, seleccionámos os aspectos referenciados
como «promoção de cuidados antecipatórios», pois os mesmos apresentam as competências parentais que são necessárias desenvolver para prestar cuidados ao RN e portanto fundamentais referenciar por parte do Enfermeiro na 1ª Consulta de Vigilância do RN.
Nesta observação da Promoção de Cuidados Antecipatórios (A1) a grelha de observação foi construída com o objectivo de analisar até que ponto os Enfermeiros vão de encontro ao que está preconizado no Guia Orientador da Consulta de
Enfermagem de Saúde Infantil, de acordo com as orientações da Unidade de Saúde
de Almada, Seixal e Sesimbra. Esta grelha é composta por quarenta e três (43) itens, distribuídos por dez (10) dimensões de promoção de cuidados, avaliados por uma escala dicotómica (Sim/Não). Quando a observação correspondia ao «Sim»” era aplicada a esta resposta o Score 1 (os enfermeiros cumprem o preconizado pelo
Guia Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde Infantil), se a observação
correspondia ao «Não» era aplicado o Score 0 (os enfermeiros não cumprem o preconizado pelo Guia Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde Infantil).
Para analisar a adequação da prestação de cuidados, cada item correspondente ao
Score 1, foi ainda sujeito a uma escala de medida de adequação de quatro (4)
pontos, numa amplitude que vai desde o “Nada Adequado” (1) ao “Muito Adequado” (4), considerando-se “Não Aplicável” para as situações correspondentes ao Score 0.
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Para facilitar a análise estatística dos dados, relativos ao domínio da prestação de cuidados, nomeadamente, observação da promoção de cuidados antecipatórios, estes serão apresentados segundo o somatório dos Scores por dimensões observadas.
Neste domínio, considerámos as seguintes dimensões: Alimentação do RN (Score
8); Eliminação do RN (Score 4); Higiene e Conforto do RN (Score 4); Vestuário do
RN (Score 3); Sono e Repouso (Score 2); Afecto e Estimulação do RN (Score 4); Adaptação ao Papel Parental (Score 3); Segurança do RN (Score 8); Sexualidade (Score1) e Vigilância de Saúde (Score 6).
O somatório dos Scores de cada dimensão observada reflecte o cumprimento do preconizado pelo Guia Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde Infantil. Quanto mais elevada for a pontuação do somatório dos Scores por dimensão observada, maior será o cumprimento das práticas preconizado pelo Guia
Orientador da Consulta de Enfermagem de Saúde Infantil.
Como as dimensões apresentam diferentes Scores toda a análise estatística vai ter em consideração esse pressuposto para que os dados apresentados transmitam com realismo das práticas realizadas pelos Enfermeiros.
Na Observação da Comunicação Interpessoal (A2) considerámos duas grelhas que compreendem dados respeitantes ao comportamento verbal e ao comportamento não-verbal do enfermeiro. Nos comportamentos verbais foram contemplados os aspectos relacionados com a linguagem; o discurso; o tom de voz e a comunicação do enfermeiro. Nos comportamentos não verbais foram tidos em consideração os aspectos relacionados com a postura e a atitude do enfermeiro e o estabelecimento de uma relação de confiança.
Na Observação do Contexto Situacional (B1) considerámos uma grelha de observação das condições do ambiente das práticas de cuidados de enfermagem, nomeadamente, no que se refere ao ambiente; à privacidade e às interferências externas.
Qualquer destas observações contribuiu para a caracterização das práticas de cuidados de enfermagem, em termos da comunicação verbal e não verbal, assim como para analisar as condições do ambiente onde estas ocorreram. Associado a estas observações foi ainda contemplado uma coluna de observações para registo de dados complementares.
Foram efectuadas observações da prática de cuidados de enfermagem na 1ª Consulta de Vigilância do RN que decorreu em momentos distintos do dia durante o período de colheita de dados, havendo sempre uma marcação prévia da referida consulta. A duração da observação foi em média de 65 minutos ( X =65,0), com um tempo máximo de 85 minutos e mínimo de 30 minutos (Mx=85; Mn=30).
Esta técnica de observação obrigou ao registo dos dados imediatamente após as experiências vivenciadas, visto o investigador estar envolvido nos acontecimentos presenciados. Esta presença activa permitiu a interiorização das experiências vivenciadas e reflectir sobre elas antes e durante o processo de registo, o que reforça a ideia de Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (1994) sobre a percepção e a análise pessoal da pessoa que investiga. Assim foi imprescindível o registo das observações no menor espaço de tempo possível após as mesmas, de modo a que não fossem desperdiçadas dados relevantes para o estudo.
De forma a criar um ambiente de empatia com o grupo de RN/Pais para além da observação participante da prática de cuidados de enfermagem, foram ainda acompanhados os RN/Pais durante o período que antecede à consulta médica e durante a própria consulta médica, participando sempre que necessário. Embora esta observação não fizesse parte dos objectivos deste estudo, foi uma das estratégias adoptadas para conseguir a aproximação com este grupo de sujeitos. Esta aproximação permitiu o estabelecimento de uma relação de confiança e de aceitação que foi fundamental na observação fílmica devido ao facto de ter facilitado a participação dos Pais para a realização do filme.
De acordo com Ramos (2004b, p. 225-226) é
(…) importante uma boa inserção no meio, já que quanto melhor for a inserção do investigador no terreno, mais as pessoas observadas participam no processo.
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É fundamental a relação de confiança e de aceitação que se estabelece entre o investigador e os intervenientes no processo de observação. Observar os Homens no seu contexto de vida é, em primeiro lugar, ser observado e ser aceite por eles como referia Flarthey.