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Objetos Distribuídos

2.3 Integração entre Java e CORBA

Nesta seção, serão apresentados os esforços que têm sido empreendidos para que as tecnologias Java [Gosl96] [Flan97] e CORBA possam ser integradas, a fim de que se consiga o melhor dos dois mundos. A idéia aqui é discutir como Java suporta CORBA e vice-versa, sempre dentro do escopo Cliente-Servidor. Em seguida, abordar-se-á a proposta RMI (Remote Method Invocation), um modelo de objeto distribuído para a linguagem Java, comparando-o com o protocolo IIOP. Por fim, será mencionada a ferramenta ORB usada na implementação do SGPOM.

2.3.1 Java como suporte à CORBA

De certo modo, a infra-estrutura Java começa quando a da CORBA termina. Como já visto, CORBA municia um substrato de objetos distribuídos que permite que as aplicações estendam o seu alcance através e além de redes, linguagens, fronteiras de componentes e Sistemas Operacionais. Enquanto isso, o novo paradigma por trás de Java oferece suporte à implementação de objetos portáveis que trabalham sobre os principais Sistemas Operacionais existentes. CORBA trata da transparência de acesso e localização (transparência de rede), ao passo que Java lida com a transparência de

implementação. Uma lista do que Java provê para CORBA é dada a seguir [Evan97] [Orfa97]:

Java está fazendo com que se integre CORBA a World Wide Web (WWW), mediante o desenvolvimento de ORBs em Java, os quais, por sua vez, podem ser embutidos em browsers (interfaces gráficas de navegação), fornecendo suporte a aplicações-cliente (conhecidas como applets).

• Java simplifica a distribuição de códigos em grandes sistemas CORBA. Para tanto, códigos em Java podem ser ativados e gerenciados a partir de um servidor central. Atualizações feitas no servidor são refletidas em cada um dos clientes, o que auxilia na administração de grandes redes.

• Java complementa a infra-estrutura de agências do ambiente CORBA. Para CORBA, está-se definindo um alicerce de suporte a agentes móveis (Mobile Agent Facility [OMG98d]), ainda em fase de especificação. Tal estrutura irá permitir que objetos possam vagar através dos nós de uma rede, a partir de certas regras. Tais agentes levam consigo o seu estado, o seu itinerário (caminho a ser percorrido) e o seu comportamento. Os bytecodes Java (códigos de execução para a Máquina Virtual Java6) se tornam ideais para representar e carregar esse comportamento. Portanto, nesse ponto, será possível fazer com que as applets Java possam assumir um caráter mais dinâmico, exercendo o papel de pequenos agentes móveis.

• Java se torna uma grande linguagem na implementação de objetos CORBA, já que parece ser ideal para se escrever códigos cliente e servidor. Isso por causa do suporte a multithreading, à “coleta de lixo” (garbage collection), a operações de networking e ao tratamento de exceções. Além disso, o modelo de objeto Java parece complementar o da CORBA; ambos usam o conceito de interfaces para separar a definição de um objeto de sua implementação.

2.3.2 CORBA como suporte à Java

Ao se estender as funcionalidades da WWW com CORBA, passa-se a oferecer, pelo menos, três benefícios em imediato: evitam-se os gargalos oferecidos por soluções do tipo CGI (Common Gateway Interface), principalmente quanto ao tempo de atendimento às requisições; oferece-se um ambiente Web para comunicação servidor a servidor bastante robusto e escalável; e estende-se o próprio paradigma Java com o substrato de objetos e serviços distribuídos. Isso posto, pode-se concluir que:

• Ao se lançar mão do ambiente CORBA, permite-se que os clientes (por exemplo, as applets) invoquem diretamente métodos a um servidor. Para tanto, o cliente passa os parâmetros usando Stubs pré-compilados ou os remete, dinamicamente, usando o componente de invocação dinâmica da CORBA (DII). Em ambos os casos, o servidor recebe a chamada, diretamente, via um Skeleton pré-compilado. Pode-se passar com essas invocações, além de tipos básicos (como string), qualquer outro definido pelo usuário (na forma de structs, enums, sequences e arrays).

• Uma das vantagens dessa integração (CORBA e Java), com relação a serviços que empregam a tecnologia CGI, é o provimento de suporte à manutenção do estado do servidor ao longo de uma sessão de invocações oriundas de um ou mais clientes. Uma aplicação em CGI não dispõe de recursos para manter um estado contínuo de execução entre as requisições. Já um servidor em forma de objeto CORBA pode

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atender a várias requisições, usando, caso seja necessário para esse fim, o Serviço de Concorrência.

• Com o advento do paradigma CORBA, pode-se conseguir um melhor balanceamento da carga do sistema, distribuindo melhor as funcionalidades (e responsabilidades) entre os servidores e, por conseguinte, auxiliando no atendimento mais rápido aos clientes. Relativo a isso, CORBA fornece os CORBAservices que permitem que objetos servidores se tornem mais específicos em suas funcionalidades (modularidade).

Afora essa integração, applets Java não podem se comunicar além dos espaços de endereçamento usando métodos de invocação remota. Isso significa que não há um modo fácil de tal aplicação ambulante fazer uma invocação a um método de um objeto remoto (RMI, como se verá adiante, só permite que aplicações em Java possam conversar). Com CORBA, tais applets podem se comunicar com outros objetos escritos em linguagens diferentes, estes localizados em outros espaços de endereçamento .

2.3.3 RMI

O Método de Invocação Remota, RMI [Orfa97] [Voge97], foi projetado para suportar invocações a métodos remotos, entre objetos localizados em diferentes Máquinas Virtuais Java. Tal proposta torna a figura do ORB quase transparente para o cliente pela adição de novos requisitos no lado do servidor. De uma maneira concisa, pode-se dizer que essa abordagem provê mecanismos semelhantes ao RPC (Remote Procedure Call), sendo, no caso, voltada a objetos Java.

Um objeto RMI é um objeto Java remoto cujos métodos podem ser invocados a partir de uma outra Máquina Virtual Java, mesmo através de uma rede. Pode-se fazer invocações a esse objeto, como se o mesmo estivesse disponível localmente (transparência de invocação). Sob esse aspecto, a proposta RMI é bastante similar à da CORBA. E como a da CORBA, ela permite que se passe uma referência a um objeto remoto em um argumento ou que se retorne essa referência como resultado de uma invocação.

A idéia que está por trás desse mecanismo é muito simples (ver Figura 2.7): classes Stub e Skeleton são geradas diretamente a partir de uma classe Java denotada como remota. A classe Stub lida com o binding (ligação) para com o objeto remoto e com a serialização (marshalling) dos dados/parâmetros para o lado do cliente. A classe Skeleton manipula as invocações que chegam.

A principal vantagem da abordagem CORBA sobre a do RMI é que ela suporta múltiplas linguagens de programação. Embora Java seja mais amigável para implementação do que C, C++, Cobol e, portanto, seja uma boa candidata a tomar o lugar dessas linguagens no desenvolvimento de software comercial, haverá sempre aplicações já consolidadas implementadas em linguagens mais antigas (códigos legados). Aplicações em Java podem apenas acessar essas antigas aplicações se elas estiverem encapsuladas (empacotadas) sob um objeto CORBA. Na verdade, RMI é um mecanismo interessante quando se está tratando de pequenas e/ou médias aplicações completamente implementadas em Java.

Figura 2.7: Método de Invocação Remota.

Comparando-se RMI e IIOP — o protocolo de interoperabilidade da especificação CORBA 2.0 —, há determinadas razões que tornam este último um substrato de transporte aparentemente inconveniente para o sistema RMI-Java. Algumas dizem respeito a considerações de projeto; outras são devidas a divergências técnicas entre as duas abordagens. Dentre essas incompatibilidades, podem ser citadas:

• RMI faz uso marcante da habilidade do paradigma Java de realizar a baixa (download) de código de uma maneira segura e de possibilitar a passagem de objetos por valor (cópia da estrutura do objeto). Isso ainda não é possível dentro do contexto CORBA, onde, atualmente, apenas é permitida a passagem de objetos por referência. Portanto, não há condições para o IIOP de mover outra coisa que não seja dados ou pseudo-objetos CORBA. Destarte, códigos não podem ser transportados em um sistema CORBA, já que esta é uma arquitetura independente de qualquer linguagem de programação7.

Objetos RMI são alvo do mecanismo de garbage collection suportado por Java, ao passo que objetos CORBA não podem (e, de certo modo, não devem) lançar mão desse artifício. Logo, o protocolo RMI necessita suportar mensagens que tenham que ver com tal mecanismo, o que não é atendido e nem especificado pelo IIOP.

• Com relação à identificação de tipos, o IIOP reconhece tipos e métodos com referência ao Repositório de Interfaces da arquitetura CORBA. RMI, por sua vez, não apresenta mecanismo de suporte algum do gênero desse repositório. Pelo contrário, para ele, um tipo de um objeto é identificado pelo nome qualificativo geral da classe, além de um segredo criptográfico baseado na estrutura do objeto Java.

• O IIOP define tamanhos específicos para os tipos de dados primitivos (tais como, char, long, boolean). Portanto, às vezes, não se consegue fazer o mapeamento desses tipos para os seus correspondentes em Java.

• Finalmente, o IIOP (seguindo o modelo CORBA) provê suporte explícito a três tipos diferentes de argumentos: parâmetros in, out e inout. Java somente suporta a noção análoga aos parâmetros in. Portanto, um sistema RMI não seria capaz de atender a chamadas IIOP que fizessem uso dos outros tipos de parâmetros.

De qualquer forma, as expectativas quanto à integração desses dois mecanismos deverão ser atendidas com uma nova versão do kit de desenvolvimento Java (JDK 1.2), a qual se encontra em fase de avaliação e testes. Um novo pacote de

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Não obstante, há, correntemente, uma proposta de especificação de um Serviço de Objetos que atuará como responsável pelo suporte à passagem por valor dos objetos CORBA pelas operações. Para descrição dessa proposta, o leitor deve recorrer ao documento do OMG [OMG98c].

classes e interfaces, baseado numa primeira implementação de ORB conhecida como JOE, provê suporte à construção de objetos distribuídos Java segundo o Modelo de Objetos CORBA. Esse novo ORB, sob o cognome de Java IDL, traz um ambiente de desenvolvimento composto por um compilador IDL (idltojava) e por um Servidor de Nomes (tnameserv) concordante com aquele especificado pelo OMG [OMG98a]. Nesse mesmo rumo, uma tendência que parece se solidificar é a de sinergia entre as abordagens JavaBeans8 e CORBA — referida como Enterprise Beans —, que deverá introduzir como alicerce de suporte o JTS (Java Transaction Service), o qual é baseado no Serviço de Transações (ver Subseção 2.2.5).

Contudo, até o momento, Java IDL só provê suporte a Objetos transientes (cujos tempos de vida estão limitados àqueles dos processos servidores que os contêm), o que, muitas vezes, não é interessante — o próprio Name Server, que pode ser visto como um Objeto ordinário, tem a sua estrutura (diretório) de nomes lógicos removida (e, por conseguinte, perdida) toda vez que pára a sua execução. Mais ainda, não há implementação do Repositório de Interfaces, o que elimina a opção de invocação dinâmica (DII).

A partir dessas considerações, quando se pensa na configuração e implementação do SGPOM, é natural que se dê mais atenção a produtos que integrem ORBs e Java, em detrimento da abordagem RMI; ainda mais que esse serviço está fortemente atrelado à especificação do POS, a qual, por sua conta, foi projetada para trabalhar em um ambiente concordante com CORBA.

2.3.4 OrbixWeb

O produto OrbixWeb3.0™ [IONA97a] [IONA97B] — o qual é acompanhado, desde a sua versão anterior, por um compilador IDL que provê um mapeamento total tanto para o lado do cliente como para o lado do servidor — foi o escolhido para suporte ao desenvolvimento do SGPOM. Tal produto vem passando por um processo de amadurecimento constante, sendo empregado em outros projetos acadêmicos. Como oferece uma implementação robusta do IIOP, além de recursos e facilidades adicionais à construção de objetos CORBA, e por atender ao recente Mapeamento Padrão de IDL para Java [OMG97a] — o qual garante a portabilidade de Stubs e Skeletons —, esse produto se mostrou adequado para os propósitos de implementação do protótipo do SGPOM.