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2.4. Resultados

2.4.1. Contabilidade Mental e Racionalidade

2.4.1.1. Inteligência e Conhecimento

Levantamos junto ao departamento de administração da Universidade Católica de Brasília a média das notas obtidas pelos alunos do curso de graduação em administração de empresas calculada com base nas notas conseguidas pelos alunos durante toda a sua vida acadêmica.

A média das notas obtidas pelos alunos é denominada de Valor Indicativo de Desempenho Acadêmico (VIDA). Utilizamos essas informações como proxy para conhecimento e inteligência. Dessa forma, aqueles que obtiveram uma nota média maior são considerados como detentores de maior nível de conhecimento e inteligência. Separamos o grupo em dois apartados pela mediana. De um lado estão os indivíduos que apresentaram maior valor índice e do outro os que apresentaram menor valor. Podemos utilizar a divisão não paramétrica pela mediana para não nos preocuparmos com os pressupostos da normalidade que se fazem necessários para os testes paramétricos (Maroco, 2007).

Separamos os participantes em dois grupos, apartados pelos valores no índice VIDA: maiores versus menores valores. Em seguida, calculamos o índice médio de cada grupo e comparamos estes valores entre os grupos. Em termos de hipótese temos.

H0: Média do índice VIDA dos indivíduos com desempenho superior = Média do índice VIDA dos indivíduos com desempenho inferior.

Ha: Média do índice VIDA dos indivíduos com desempenho superior ≠ Média do índice VIDA dos indivíduos com desempenho inferior.

Utilizamos o teste t-student para comparação de duas médias populacionais a partir de duas amostras. Este teste serve para testar se as médias de duas populações são significativamente diferentes entre si. Não levamos em consideração a normalidade da amostra, pois, o teste paramétrico t-student são robustos ao erro do tipo I, mesmo quando as distribuições são achatadas ou enviesadas (Myers e Well, 2003). Em termos de hipótese temos:

O escore médio do índice VIDA ficou em 8,61 pontos para o grupo dos que obtiveram maior nota contra o valor encontrado de 7,20 pontos para o grupo dos que obtiveram menores notas. Os resultados são estatisticamente diferentes (p=0,00). Na figura 2.1 está representada a diferença de notas apresentadas pelos dois grupos.

Figura 2.1 – Índice VIDA

Denominamos por grupo de desempenho superior o grupo com pessoas que apresentam um alto grau de sucesso no desempenho acadêmico. O segundo grupo ficou denominado como menor desempenho devido à média das notas ser inferior a do primeiro grupo. Pela hipótese da racionalidade ilimitada, aqueles indivíduos que possuem maior nível de conhecimento e inteligência não devem ser afetados pela contabilidade mental. Alternativamente, esperamos que o nível de conhecimento e inteligência não discrimine a ocorrência de tal efeito.

Para capturar esta idéia testamos as duas hipóteses e assim, verificar se um maior nível de conhecimento e inteligência é capaz de exercer algum tipo de influencia na ocorrência da ilusão contabilidade mental.

Nesta fase do estudo, separamos os participantes em dois novos grupos, apartados pela mediana, sendo um composto pelos participantes que apresentaram maior valor médio apresentado no índice VIDA e outro pelos que obtiveram o menor valor médio. Em seguida calculamos o valor médio do escore de contabilidade mental para cada grupo e comparamos os resultados obtidos. Em termos de hipóteses temos:

H0: O escore médio de contabilidade mental dos que obtiveram melhor desempenho acadêmico = escore médio de contabilidade mental dos que obtiveram pior desempenho acadêmico.

Ha: O escore médio de contabilidade mental dos que obtiveram melhor desempenho acadêmico ≠ escore médio de contabilidade mental dos que obtiveram pior desempenho acadêmico. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

O grupo das maiores notas apresentou um valor médio de 3,69 e o das menores notas um valor médio de 3,79, ambos estatisticamente iguais (p=0,750). Mesmo quando separamos os grupos por diversos quartis, os resultados não significativos mantiveram-se.

Submetemos os resultados obtidos pelos índices de contabilidade mental e o VIDA dos participantes a um teste de correlação para verificar se existe relação entre ambos. Em termos de hipóteses temos:

H0: A correlação entre o escore de contabilidade mental e o índice VIDA = 0. Ha: A correlação entre o escore de contabilidade mental e o índice VIDA ≠ 0.

Como comparamos variáveis quantitativas para as variáveis contabilidade mental e o índice VIDA, utilizaremos o coeficiente de correlação Pearson, que segundo Malhotra e Birks (2007), deve ser utilizado para medir a intensidade e a direção da associação do tipo linear entre duas variáveis quantitativas.

Também utilizamos variáveis nominais para identificar a ausência ou presença da ilusão contabilidade mental. Neste caso, utilizamos o coeficiente de correlação de V de Cramer, que segundo Maroco (2007), deve ser utilizado no caso de variáveis nominais ou indicativas.

Embora tenhamos encontrado uma relação negativa ela não se mostrou significativa, quando utilizamos os valores originais ou quando adotamos variáveis indicativas. Em suma, quando separamos os participantes em maior e menor valor médio apresentado no índice VIDA, não encontramos valores estatisticamente diferentes para os escores médios de contabilidade mental obtidos em cada grupo.

Conforme esperado, os resultados alcançados demonstram que possuir maior ou menor grau de conhecimento e inteligência não deve ser considerado como um fator que possui influencia significativa sobre a ocorrência do viés cognitivo estudado.

Também separamos os participantes em dois grupos, apartados pela mediana: os indivíduos que possuem idades mais elevadas dos mais novos e, em seguida, calculamos o valor médio do índice VIDA para os dois grupos e comparamos os valores encontrados. Em termos de hipóteses:

H0: Média do índice VIDA dos indivíduos mais novos = Média do índice VIDA dos indivíduos mais velhos.

Ha: Média do índice VIDA dos indivíduos mais novos ≠ Média do índice VIDA dos indivíduos mais velhos.

O escore médio do índice VIDA ficou em 8,04 para o grupo dos mais novos contra 7,72 do grupo dos mais velhos. Essa diferença de apenas 0,41 não se mostrou estatisticamente significantes (p=0,207). Na figura 2.2 está representada a diferença de notas apresentadas pelos dois grupos.

Figura 2.2 – Diferença de Conhecimento por Idade

Dessa forma, não temos indícios de que os participantes mais novos obtiveram um desempenho maior do que os participantes mais velhos.

Outra vez, separamos os participantes em dois grupos, porém, neste momento o quesito divisor foi o gênero. Separamos os homens das mulheres, calculamos os valores do índice VIDA em cada grupo e, logo após, comparamos os resultados obtidos entre os grupos.

H0: Média do índice VIDA dos homens = Média do índice VIDA das mulheres. Ha: Média do índice VIDA dos homens ≠ Média do índice VIDA das mulheres. Comparando o resultado do índice VIDA apresentado pelos homens com o apresentado pelas mulheres, tivemos que os primeiros apresentaram uma nota média de 8,00 contra 7,84 das mulheres. Porém, ambos os valores não puderam ser estatisticamente considerados diferentes entre si (p=0,487).

Embora os homens tenham apresentado um valor médio para o índice VIDA maior, não podemos afirmar que estes venham a ser mais inteligentes ou que tenham mais conhecimento que as mulheres. Não podemos afirmar que os homens apresentaram um desempenho superior ao das mulheres.

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