5 O IFSOL, UMA IDÉIA BASEADA NA TRANSDISCIPLINARIDADE FOI PARA
5.3 Inteligências Múltiplas Disciplinas Integradas
A ideia de um sujeito integral deveria nos levar a conceber um conjunto de áreas, em que a cognição é apenas parte deste todo. A aprendizagem experenciada, com interação ao meio, partindo do simples para o complexo, provocadora de desafios, visando a resolução de problemas, etc., não pode ser restrita apenas à cognitiva. Como qualquer outra aprendizagem deve expandir-se também para as áreas motora, afetiva, social, etc. (NOGUEIRA, 2003, p.42).
O grande feito de Heisenbrg foi expressar essas limitações dos conceitos clássicos de uma forma matematicamente precisa - que hoje leva seu nome e é conhecida como “princípio de indeterminação”. Consiste numa série de relações matemáticas que determinam até que ponto os conceitos clássicos podem ser aplicados aos fenômenos atômicos, estabelecendo assim limites da imaginação humana no mundo subatômico.
O princípio da indeterminação mede o grau em que o cientista influencia as propriedades dos objetos observados pelo próprio processo de mensuração. Na física atômica, os cientistas já não podem exercer o papel de observadores objetivos e imparciais; eles são envolvidos no mundo que observam, e o princípio de Heisenberg mede esse envolvimento. No seu nível mais fundamental, o princípio de indeterminação é uma medida de quanto o universo é uno e inter-relacionado. Nos anos 20, os físicos liderados por Heisenberg e Bohr, contataram que o mundo não é uma coleção de objetos distintos; pelo
60 contrário, ele parece uma teia de relações entre as diversas partes de um todo unificado (CAPRA, 1992, p. 15).
Como no zen, as soluções dos problemas dos físicos permaneciam ocultas em paradoxos que não podiam ser resolvidos pelo raciocínio lógico, mas apenas entendidos em termos de uma nova capacidade perceptiva que incorporasse a realidade atômica. Os físicos só tinham a natureza para lhes ensinar. E ela, como os mestres do zen – budismo, não afirmava nada; apenas apresentava os enigmas (CAPRA, 1992, p. 25).
Eu estava sentado na praia, ao cair de uma tarde de verão, e observava o movimento das ondas, sentindo ao mesmo tempo o ritmo da respiração. Nesse momento, de súbito, apercebi-me intensamente do ambiente que me acercava: este se me afigurava como se participasse de uma gigantesca dança cósmica. Como físico, eu sabia a areis as rochas, a água e o ar a meu redor eram feitos de moléculas e átomos em vibração, e que tais moléculas e átomos, por seu turno, consistiam em partículas que interagiam entre si por meio da criação e da destruição de outras partículas. Sabia do mesmo modo que a atmosfera da Terra era plenamente bombardeada por chuvas de “raios cósmicos”, partículas de alta energia que sofriam múltiplas colisões à medida que penetravam na atmosfera. Tudo isso me era familiar em razão de minha pesquisa em física de alta energia; até aquele momento, porém, tudo isso me chegara apenas por intermédio de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Sentado na praia, senti que minhas experiências anteriores adquiriam vida (CAPRA, 1992, p. 26).
Certa vez, Bateson me deu o manuscrito Mindandnature para ler, [...] “Qual o padrão que une o caranguejo à lagosta, a orquídea à prímula, e todos os quatro a mim ? E eu a você?”
Bateson expunha dessa maneira a sua teia de ideias, e eu, com observações rápidas ou perguntas curtas, procurava enxergar certos elos de sua rede por meio do meu próprio entendimento.
Certo dia, estávamos sentados num terraço de Esalen,Bateson falava sobre lógica. “A lógica é um instrumento muito elegante”, disse ele, “e fizemos bom uso dela nesses últimos dois mil anos. O problema é que quando a aplicamos aos caranguejos e às tartarugas, às borboletas e à formação do hábito...” Sua voz foi se extinguindo, e depois de uma pausa ele acrescentou, contemplando o oceano: “Bem, para todas essas coisas lindas”, e olhou diretamente para mim, “a lógica simplesmente não serve”.
Como assim?
“Não serve”, prosseguiu animado, “porque não é a lógica que torna coeso todo o tecido das coisas vivas. Perceba, quando criamos encadeamento causais circulares, como sempre acontece no mundo vivo, o uso da lógica nos faz deparar com paradoxos. Veja o caso do termostato, um dispositivo sensorial simples, não?”
Olhou para mim, querendo saber se eu estava o estava acompanhando, e, vendo que sim prosseguiu.
“Se está ligado, está desligado; e se está desligado, está ligado. Se sim, então não; se não, então sim”.
Ficou quieto então para que eu ponderasse sobre o que dissera. Sua última frase me lembrava os paradoxos clássicos da lógica aristotélica – e isso era evidentemente o que ele entendia. Arisquei, portanto, um salto.
“Você quer dizer que os termostatos mentem ?”
Os olhos de Bateson reluziram: “Sim-não-sim-não-sim-não. Veja que o equivalente cibernético da lógica é a oscilação”.
E calou-se de novo. Nesse instante, percebi algo subitamente, e estabeleci uma conexão com algo que despertara meu interesse há muito tempo. Fiquei bastante excitado, e disse com um sorriso provocador:
“Heráclito sabia disso!”
“Heráclito sabia disso”, repetiu Bateson, respondendo ao meu sorriso com o seu. “E também Lao – TSE”, prossegui.
“Certamente; e também aquelas árvores ali. A lógica não serve para elas.” “O que elas usam então?
61 “Metáforas.”
“Metáforas?”
“Sim, metáforas. É assim que se sustenta todo esse tecido de interligações mentais. A metáfora está no âmago do estar vivo” (CAPRA, 1992, p. 62).
Um beijo traiu Jesus de Nazaré. Mas, para o Nazareno completar a sua missão, ele precisou de Judas Iscariotes.
Por meio da lógica provavelmente não entenderemos este fato bíblico. Mas pela rede de integração de ideias, quem sabe se não compreenderemos melhor o acontecido?