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PARTE I – Enquadramento Teórico e desenvolvimento de hipóteses de investigação

C) Interactividade, usabilidade e maturidade dos Web sites

Na tentativa de perceber qual o verdadeiro papel dos sites governamentais nos níveis de transparência e responsabilização dos governos, vários estudiosos têm centrado a sua análise nos modelos de avaliação do e-government. Moon (2002), Pina et al. (2010) e Lourenço et al. (2010) argumentam que existem inúmeros modelos teorizados para fazer a avaliação da implementação dos sites e-government e aferir o nível de desenvolvimento em que estes se encontram. Estes modelos de avaliação dos sites governamentais identificam entre três a cinco estágios de desenvolvimento, podendo ser feita uma distinção entre os três primeiros estágios (que são caracterizados como os patamares tradicionais de disponibilização de informação, mais simples e do tipo “disseminação de informação”) sendo eles: 1 – Painel publicitário (billboard); 2 – Provisão parcial de serviços online e 3 – Portal transaccional. Os estágios 4 e 5 são mais dinâmicos, sendo que os sites governamentais que se encontram nesta fase de desenvolvimento são já bastante sofisticados e disponibilizam formas de comunicação e informação two-way interactivas. Sendo eles: 4- “seamless stage”, caracterizado como a

30 integração completa de serviços administrativos online; e 5- democracia interactiva, caracterizada como a fase de transição do e-government para a e-governance.

Estudos realizados por Pina et al. (2007) e Pina et al. (2010) mostram também que, o nível de desenvolvimento dos sites governamentais está associado a quatro variáveis correlacionadas entre si: transparência, interactividade, usabilidade e maturidade dos Web sites. Para Pina et al (2007) a conjugação das variáveis transparência e interactividade reflectem o grau de abertura de uma organização. Os autores explicitam que interactividade pode ser entendida como “o grau de resposta imediata e do desenvolvimento de serviços online interactivos” (Pina et al. 2010:9), realçando que esta variável está inteiramente relacionada com a facilitação da comunicação e troca de opiniões através de canais electrónicos (e-mail, fóruns, blogs). Usabilidade é definida como a facilidade de acesso à informação e de navegação pelos portais dos sites governamentais. E finalmente a maturidade da Web site está associada ao grau de sofisticação e desenvolvimento da página Web.

Os resultados alcançados por estes autores, que versaram sobre a análise de websites de governos locais europeus, mostram em primeiro lugar que, embora a adesão às iniciativas e-government seja grande e haja já muita informação governamental e serviços disponibilizados online, a grande maioria dos Web sites situam-se, ainda, num estágio de desenvolvimento do tipo 1 – painel publicitário (one-way) privilegiando-se assim um tipo de site governamental orientado para a disseminação de informação. Relativamente às variáveis interactividade e maturidade dos Web sites, verificou-se existir por um lado um reduzido grau de interactividade proporcionado pelos sites governamentais, não sendo possibilitado aos utilizadores deixarem mensagens ou fazerem comentários online. Por outro lado, verificou-se também que os Web sites governamentais são ainda pouco sofisticados, estando aqui mais uma vez patente a ideia de que os sites governamentais apenas se preocupam com a mera disponibilização e proliferação de informação. No que respeita às variáveis transparência e usabilidade, conclui-se que os cidadãos se encontram satisfeitos com o grau de transparência da informação disponibilizada e com as formas de navegação da página, mostrando-se contudo insatisfeitos com a interactividade do site. Wong e Welch (2004) chegam a esta mesma conclusão, verificando que os cidadãos se encontram satisfeitos com a transparência dos sites governamentais e com a informação que lá é depositada, contudo insatisfeitos com o grau de interactividade e participação que lhes é proporcionada.

31 Tolbert e Mossberger (2006) colocam em destaque, também, a componente de interactividade proporcionada pelos websites, afirmando que, “ a Internet possibilita os cidadãos estarem mais informados acerca dos assuntos políticos e governamentais e que a interactividade dos media digitais potencia o surgimento de novas formas de comunicação entre os eleitos locais e os cidadãos – através de plataformas de debate público” (Tolbert e Mossberger 2006: 357).

Em suma, e como vêm revelando também outros estudos (Moon 2002; Ho (2002); Welch e Hinnant 2003; Carrizoles 2008), era esperado que Governos nacionais e subnacionais fizessem esforços progressivos no sentido passar de um estádio de “Governo Eletrónico” para um de “Governação Digital”, promovendo uma maior Democracia Digital, através da criação de veículos de informação e comunicação com os cidadãos que possibilitem uma total interacção entre as partes. Tal permitiria processos políticos e administrativos mais transparentes, maior sentimento de pertença dos cidadãos relativamente aos assuntos que os afectam directamente, e consequentemente uma maior receptividade às políticas públicas adoptadas, criando-se um ambiente de maior confiança e crédito nas entidades públicas. Contudo, e como colocam em evidência os estudos acima mencionados, os sites governamentais são utilizados maioritariamente com o propósito de providenciar e disponibilizar serviços online, mas não criam uma verdadeira interactividade com a comunidade pública, no sentido de esta se envolver democraticamente nos assuntos da vida política, podendo dar pareceres, trocar opiniões e mostrar desagrados. Como evidenciam os autores, “A realidade é que a utilização das TIC tem servido muito mais objectivos de implementação de novas formas de prestação dos serviços do que propósitos de aumento de participação, de democraticidade, de transparência e de responsabilização: confunde-se assim eGovernance com eGovernment e subalterniza-se a vertente de eDemocracy” (Lourenço et al. 2010: 6).

Pina et al. (2007) partilham desta mesma opinião, enfatizando que, “Parece ser o caso de que os governos estão preocupados com o desenvolvimento do e-government mais com um objectivo de dar uma imagem de modernização e de maior responsabilização perante os cidadãos e as suas exigências, do que propriamente com a introdução de mudanças reais no modo como a administração pública opera e interage com os cidadãos” (Pina et al. 2007: 465). Wong e Welch (2004) acrescentam ainda uma ideia importante de que, “Há um perigo associado a esta nova interface governo-cidadão

32 criada pelo e-governmnent, no sentido em que este pode ser usado apenas como um canal adicional para mais propaganda e controlo político, em vez de fomentar uma efectiva responsabilização” (Wong e Welch 2004: 290).

Assim e transpondo estes argumentos para o estudo das redes sociais, pretende-se perceber se de facto as páginas de Facebook criam uma maior interactividade entre municípios e munícipes, e se esse grau de interactividade faz variar o grau de transparência da informação disponibilizada. Espera-se assim que:

H4: Quanto maior é a interactividade proporcionada pela página de Facebook, maior é o grau de transparência da informação disponibilizada.