5 – ANÁLISE DOS DADOS
INTERESSE NA CAPACIDADE DE OUTORGA DE DIPLOMAS
ARTHUR ANDERSEN MOTOROLA ARTHUR D. LITTLE
DE MANEIRA INDEPENDENTE
X X X
POR MEIO DE PARCERIA COM INSTITUIÇÃO DE ENSINO
SUPERIOR X x
Fonte: Entrevistas
Quanto à opinião a respeito da configuração de um cenário marcado
e instituições de ensino superior tradicionais, as universidades corporativas da Motorola e da Arthur D. Little declararam, tanto em termos da atuação específica de suas respectivas unidades, como em termos da atuação das universidades corporativas em geral, que o contexto atual é marcado por situações de concorrência, porém apenas em algumas áreas específicas. Já a universidade corporativa da Arthur Andersen declarou, em termos de sua atuação específica, não vislumbrar situações claras de concorrência; porém ao considerar a atuação das universidades corporativas como um todo, afirmou visualizar tais situações de concorrência, especialmente em determinadas áreas, como por exemplo, a área de educação executiva.
As possibilidades de cooperação entre universidades corporativas e instituições de ensino superior foram mencionadas claramente apenas pela universidade corporativa da Arthur D. Little. A Motorola University apesar de não ter feito um comentário claro a esse respeito, vem pautando sua atuação com base em diversas parcerias com instituições de ensino superior tradicionais. A universidade corporativa da Arthur Andersen, diferentemente, não fez menção às possibilidades de parceria, e tampouco tem alguma em vigor.
Cada um dos entrevistados expôs de maneira detalhada as suas opiniões. Segundo o entrevistado na Motorola University, o contexto atual configura uma situação de concorrência. Para justificar tal assertiva o entrevistado declara que “existem múltiplos caminhos para as pessoas aprenderem, e a universidade corporativa é um desses caminhos que enfoca necessidades específicas de aprendizagem de um determinado setor ou empresa, contribuindo para a manutenção competitiva da performance individual”. O entrevistado comenta adicionalmente que, por outro lado, há áreas que não justificam a atuação de universidades corporativas, inclusive porque elas não dispõem de habilidades e competências necessárias para atuar em tais áreas. Embora sustente a opinião de que a atuação das universidades corporativas determinam um ambiente competitivo, o entrevistado ressalta que as universidades corporativas provêm serviços educacionais potencialmente diferentes dos de instituições de ensino superior
tradicionais, acrescentando que estas não estão preparadas para o número de universidades corporativas que estão surgindo e que deveriam repensar suas formas de operar. Por fim reforça sua opinião de que se trata de um ambiente competitivo mas afirma crer que há espaço para ambas. Para exemplificar declara que, apesar dos serviços educacionais disponíveis na universidade corporativa, os empregados dispõem de um fundo de assistência à educação que reembolsa taxas de matrícula e mensalidade de cursos de graduação, mestrado e até mesmo doutorado mantidos por instituições destacadas.
Também o entrevistado da universidade corporativa da Arthur D. Little declarou que o contexto atual se configura como uma situação de concorrência, porém abrandou esse posicionamento destacando que a competição só ocorre em determinadas áreas. O impacto de sua declaração foi ainda mais reduzido ao afirmar que não acredita que muitas universidades corporativas se tornem como a universidade corporativa da Arthur D. Little, pois entende que as circunstâncias de evolução dessa foram únicas. O entrevistado não julga ser uma grande ameaça argumentando que não existe a pretensão de se tornar uma grande instituição de ensino superior, como Harvard ou
Thunderbird. Declarou atuar em um nicho de mercado como uma instituição
especializada voltada para o atendimento de profissionais experientes em um ambiente de formação internacional. Embora considere seu nicho de mercado pequeno declarou pretender dobrar o número de 60 alunos ingressantes anualmente.
“Várias universidades corporativas estão falando sobre o interesse em conferir diplomas, mas não consigo imaginá-las transpondo as barreiras do processo de acreditação”. O entrevistado crê que é mais provável que as universidades corporativas estabeleçam parcerias com instituições de ensino superior de forma a atender as prerrogativas e passar a oferecer diplomas de pós-graduação, mas não entende as razões que motivem o alcance desse objetivo, uma vez que tais atividades não consistem em uma competência essencial da empresa. É de opinião também que as universidades corporativas que buscariam esse caminho seriam provavelmente outras empresas de consultoria, uma vez que as atividades de consultoria são analíticas e
aprendidas, e que existem clientes externos identificáveis para os quais poderiam ser prestados esses serviços.
Ao considerar especificamente a universidade corporativa da Arthur Andersen, o entrevistado declarou, em primeiro plano, que o contexto atual não configura uma situação de competição entre universidades corporativas e instituições de ensino superior, sustentando tal opinião no fato destas atuarem em “negócios diferentes”. Segundo o entrevistado, instituições de ensino superior estão focadas no desenvolvimento conceitual amplo, enquanto que a universidade corporativa da Arthur Andersen volta-se para processos próprios de aplicação do conhecimento, de propriedade da empresa, considerados únicos e não passíveis de serem compartilhados. Em um segundo plano, o entrevistado declarou que precisa de indivíduos graduados, com base conceitual ampla, que podem ou não ter cursado um mestrado, e que esse último aspecto poderia gerar uma situação de competição entre universidades corporativas e instituições de ensino superior, uma vez que, se a Arthur Andersen, por exemplo, decidisse recrutar apenas graduados e conferir-lhes seu próprio desenvolvimento educacional, estaria tirando um “filão” significativo do mercado das instituições de ensino superior, pois no contexto americano os cursos de mestrado – MBAs e equivalentes – são os principais responsáveis pela sustentação financeira destas instituições. O peso dessa declaração foi amenizado pela informação de que a Arthur Andersen contrata em todo o mundo, anualmente, um número que varia entre 15 e 20 mil alunos, e que face a essa demanda não seria possível restringir a contratação apenas a graduados.
Ao considerar as universidades corporativas de maneira geral, o entrevistado da Arthur Andersen declarou que se estas, ao se voltarem para a educação executiva, estiverem deixando de contratar os programas desse nível oferecidos por instituições de ensino superior, então configuraria uma situação de competição.
Questionado a respeito do seu interesse declarado na certificação de suas atividades educacionais, o entrevistado afirmou que a universidade corporativa da Arthur Andersen não tem como objetivo diminuir o market share
das instituições de ensino superior, mas que é provável que o Massachusetts
Institute of Technology – MIT, por exemplo, esteja sentido a atuação da
Microsoft nesse âmbito.
Solicitado para concluir em linhas gerais a sua opinião, o entrevistado da universidade corporativa da Arthur Andersen declarou não visualizar “muita competição” do ponto de vista específico da atuação da universidade corporativa a qual pertence, porém declarou visualizar competição entre instituições de ensino superior e universidades corporativas na área de educação executiva, dado que ambas estão trabalhando com objetivos idênticos, e que uma série de universidades corporativas está afirmando querer desenvolver e ministrar tais programas e cursos de maneira independente.
QUADRO K
UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: CONCORRÊNCIA OU