• Nenhum resultado encontrado

documentação 4. Adaptabilidade 10 Explicitação

2.13 INTERFACE DO PONTO DE VISTA DO DESIGN

Diferente da computação e, por consequência, do senso comum, o design tem uma visão e uma abordagem mais ampla para a interface e, em especial,

27

Segundo a NET Market Share, empresa referência em estatística de mercado para tecnologias de internet, o sistema operacional Microsoft Windows detém uma parcela de mercado equivalente à 91,57%. Seu concorrente mais próximo é o Mac OS, com apenas 6,9%. Fonte:

http://www.netmarketshare.com. Acesso em: mar/2015.

28

Também segundo a NET Market Share, o Linux, sistema operacional para computadores pessoais capaz de ser rodado sem uma GUI detém uma faixa de mercado equivalente a 1,53%. Fonte: http://www.netmarketshare.com. Acesso em: mar/2015.

interfaces digitais e GUIs. Isso porque é uma prática já enraizada na maneira de projetar do designer - quando desenvolve uma solução - de pensar na totalidade, ou seja, considerar o todo levando em conta as partes e suas inter-relações.

Assim sendo, o design não enxerga a interface de determinado artefato - seja uma página web, seja uma maçaneta - como algo descolado do todo. Não é possível projetar uma interface em sua plenitude, se essa mesma interface não for projetada dentro de um determinado contexto.

É equivocada a visão de alguns desenvolvedores de tratarem a interface como simples “perfumaria”, ou seja, como um elemento supérfluo que só recebe uma maior atenção quando sobra espaço no cronograma ou quando o sistema foi posto em funcionamento e seus usuários não conseguiram utilizá-lo.

O projeto de uma interface - concebida para atender as necessidades do usuário com o qual ela se relaciona - leva em conta não apenas os requisitos para a interface, mas os requisitos globais do projeto. Isso porque o design entende que a interface, dentro da estrutura de determinado artefato, não se apresenta como parte independente ou supérflua, mas como parte de um todo complexo e completamente interligado entre suas funcionalidades e particularidades, atuando como protagonista, uma espécie de intérprete e gerente que faz a mediação entre o que deseja o usuário e o que o sistema é capaz de fazer.

Dentro dessa abordagem, BONSIEPE (1997, p. 12) afirma:

Temos que levar em conta que interface não é uma ‘coisa’, mas o espaço no qual se estrutura a interação entre corpo, ferramenta (objeto ou signo) e objetivo da ação. É exatamente este o domínio central do design. A interface revela o caráter de ferramenta dos objetos e o conteúdo comunicativo das informações. A interface transforma objetos em produtos. A interface transforma sinais em informação interpretável. A interface transforma simples presença física em disponibilidade.

BONSIEPE demonstra que, do ponto de vista do design, a interface é relevante para tornar efetiva a relação que se cria entre o ser humano e um determinado artefato. No caso de uma interface web, ela transforma códigos de máquina em informação interpretável ao homem.

2.14 INTERFACE WEB COMO TEXTO SINCRÉTICO

Aqui se faz oportuno verificar o que a teoria semiótica, adotada neste trabalho como apoio, alargamento ou contraponto às teorias tradicionalmente dedicadas às questões das novas tecnologias - têm a oferecer para se entender questões relacionadas à interface web.

Conforme esclarece BARROS (1999) a semiótica tem por objetivo o texto, ou melhor, procura descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz. Isso leva diretamente a uma questão importante: o que, de fato, é o texto?

Ainda segundo a autora

Um texto define-se de duas formas que se complementam: pela organização ou estruturação que faz dele um ‘todo de sentido’, como objeto da comunicação que se estabelece entre um destinador e um destinatário. A primeira concepção de texto, entendido como objeto de significação, faz que seu estudo se confunda com o exame dos procedimentos e mecanismos que o estruturam, que o tecem como um ‘todo de sentido’. [...] A segunda caracterização de texto não mais o toma como objeto de significação, mas como objeto de comunicação entre dois sujeitos. [...] Nesse caso, o texto precisa ser examinado em relação ao contexto sócio-histórico que o envolve e que, em última instância, lhe atribui sentido (BARROS, 1999, p. 7). A semiótica visual, através de autores como FLOCH (1995; 1997) e RAMALHO E OLIVEIRA (2005), trabalha com o conceito de texto visual. O texto visual é assim chamado por diferenciar-se do conceito convencional de texto (aqui referido como texto verbal) por não restringir apenas às palavras, seus elementos constitutivos.

RAMALHO E OLIVEIRA (2005) lembra que também se considera "texto" aquele concebido por meio da articulação de duas ou mais linguagens, sonora e visual, verbal e sonora, visual e verbal, como um filme, uma propaganda, um rótulo ou, como neste caso, uma interface web, que articula duas linguagens, visual e verbal.

Ainda no final dos anos 1990, LEVACOV (1998, p. 15) afirmava:

Qualquer um pode autopublicar-se e milhares já o fazem graças aos recursos oferecidos pelo desktop publishing e pela internet. Esse novo suporte também permite que o conceito de histórias lineares [...] seja implodido, com a introdução de uma forma eletrônica alternativa, não-sequencial, de produção de textos: o hipertexto (ou hipermídia, como é chamado por quanto inclui imagens). A hipermídia também oferece a oportunidade de integrar três indústrias e tecnologias que até recentemente estavam separadas: publishing,

computing e broadcasting. Por meio da hipermídia [...], a relação

prévias como a fotografia, o vídeo e a televisão. A convergência de todas, sob o signo digital, é uma das contribuições que a revolução eletrônica tem a oferecer.

O que a autora chama de “convergência de indústrias e tecnologias” pode ser entendido na semiótica pós-greimasiana como sincretismo, hibridismo ou miscigenação.

Assim, pode-se afirmar que a interface web, que nada mais é do que um dos subprodutos da convergência já observada por LEVACOV, trata-se de um texto sincrético, híbrido ou miscigenado, pois tem sua linguagem articulada por mais de uma linguagem.

Formado pela combinação entre imagens e palavras que detém diferentes e variadas funções enquanto seus elementos constitutivos, uma interface de sistemas para web constitui uma unidade de análise, enquanto materialidade expressiva emoldurada e com uma coesão e coerência interna.

3 QUESTÕES RELACIONADAS À METODOLOGIA E AOS PROCEDIMENTOS DE