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4.3 Construção do Modelo de Simulação

4.3.3 Interface do programa

O programa desenvolvido, com base no modelo teórico, tem uma interface inte- rativa que serve de apoio à sua utilização, como se ilustra na Figura 4.3.

No lado esquerdo da interface encontram-se os botões de controlo, o de Setup, que repõe as características iniciais da simulação e o botão Go, que dá início ao programa de intervenção, com uma duração de 12 meses, e que ao fim desse tempo ter decorrido para automaticamente. Em Population Size é possível inserir o número de doentes com multimorbilidade, ou seja, o tamanho da amostra que fará parte das intervenções esco- lhidas.

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Figura 4.3: Interface interativa do modelo de simulação desenvolvido. À esquerda encontram-se os atributos dos agentes, ao centro o painel de interação e à direita as intervenções, bem como os resultados dos outcomes

Ao centro está representado o ambiente de simulação, que inclui os diferentes agentes, que interagem entre si. A cinzento escuro estão representados os doentes com multimorbilidade, a população em estudo, a laranja os profissionais de saúde, que po- dem ser desde enfermeiros, médicos ou psicólogos, envolvidos nas intervenções e a azul claro os amigos ou familiares, que são os cuidadores informais envolvidos na interven- ção de apoio familiar. O número de doentes é dado pelo valor introduzido em Population Size, como mencionado anteriormente, e o número de profissionais de saúde e de amigos ou familiares é definido em função deste valor. O modelo de simulação foi programado assumindo-se que por cada 5 doentes existe um profissional de saúde e que por cada doente existem, em média, 2 amigos ou familiares envolvidos nos cuidados do mesmo.

As características ou atributos da população multimórbida encontram-se no pai- nel esquerdo da interface, que se encontra aproximado na Figura 4.4. Estas incluem o género, idade por níveis, fatores de risco, níveis socioeconómicos e padrões mais comuns de doenças crónicas, incluindo a percentagem associada. Todos estes parâmetros estão representados pelo número de doentes que verifica a característica, por exemplo, o nú- mero 120 em Female e 80 em Male, significa que em 200 doentes com multimorbilidade, 120 são do sexo feminino e 80 do masculino.

No painel direito da interface, visível na Figura 4.4, estão representadas as dife- rentes intervenções, através de botões do tipo On-Off, em que é possível ligar ou desligar as intervenções de interesse a avaliar, bem como a opção de No Interventions que funci- ona como o comparador, para comparar o resultado sem qualquer intervenção. Abaixo encontram-se os resultados relacionados com os diferentes outcomes. O número de hos- pitalizações ou Hospitalizations está representado pelo número de doentes que foi hospi- talizado nos últimos 12 meses, o valor em percentagem da taxa de hospitalização e um gráfico da evolução das hospitalizações ao longo do tempo. A mortalidade ou Mortality

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diz respeito ao número de doentes que faleceram nos últimos 12 meses e inclui também o valor da taxa de mortalidade, em percentagem.

Figura 4.4: Painel com os principais atributos dos agentes, à esquerda, e painel de intervenções e outcomes, à direita

Em relação à qualidade de vida relacionada à saúde, estão disponíveis na inter- face resultados relacionados com o questionário EQ-5D e com o SF-36. Para ambos os questionários existe um valor de LOW quality of life, que é indicador da percentagem de doentes que tem um baixo valor de qualidade de vida. Para além dos valores médios dos índices de cada questionário, estão também representados gráficos da evolução das diferentes escalas ao longo do tempo de intervenção.

Na interface, para além da visualização 2D, é também possível visualizar a inte- ração dos agentes em 3D. Isto tem interesse quando estão a decorrer as diferentes inter- venções, pois dependente da intervenção que se está a analisar os doentes podem inte- ragir com os profissionais de saúde ou com os familiares e amigos. Na Figura 4.5 estão ilustradas as interações entre agentes na intervenção de apoio à autogestão das doenças, em que os participantes com multimorbilidade, representados a cinzento, interagem com os profissionais de saúde, representados a laranja, mais próximos da sua localiza- ção. Como se pode observar pela figura, nem todos os doentes interagem com os profis- sionais de saúde, o que pode ser explicado por dois principais motivos: pela falta de

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acesso a um profissional de saúde na área onde localizam ou por não terem os atributos da população alvo dessa intervenção. As intervenções de modificação de estilos de vida, adesão à terapêutica e apoio psicológico não se encontram representadas, mas a sua vi- sualização 3D é semelhante à da Figura 4.5, na qual a interação é entre doentes e profis- sionais de saúde.

Figura 4.5: Visualização 3D da interação entre agentes na intervenção de autogestão das doenças

Na Figura 4.6 está representada a interação dos diferentes agentes na intervenção de apoio familiar. Em contraste com o que se observa na Figura 4.5, neste caso são os familiares que se deslocam e interagem com os doentes que estão mais próximos da sua localização. As interações dos familiares ou amigos com os doentes é aleatória, logo exis- tem doentes que contam com o apoio de quatro fontes de apoio social, enquanto que existem doentes sem qualquer apoio familiar, o que vai de encontro ao que se passa na realidade.

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