1. INTRODUÇÃO
1.2. Interface entre o objeto de estudo e as produções científicas: o estado da questão
Somos seres inconclusos/as, porque sempre temos o que aprender. A aprendizagem por sua vez, nos leva a evoluir como seres humanizados/as, como pessoas críticas. E isto nos possibilita avaliar o mundo que nos rodeia e questionar qual é nossa função nele. Poderíamos simplesmente nos calar diante de absurdos, nos conformar com uma vida mediana, não nos posicionarmos politicamente. No entanto, como nos ensina nosso Patrono da Educação, Paulo Freire, somos seres de busca, portanto, a investigação e o questionamento nos movem.
Seria uma contradição se, inconcluso e consciente da inconclusão, o ser humano, histórico, não se tornasse um ser da busca. Aí radicam, de um lado, a sua educabilidade, de outro, a esperança como estado de espírito que lhe é natural. Toda procura gera a esperança de achar e ninguém é esperançoso por teimosia [...] Uma das coisas mais significativas de que nos tornamos capazes mulheres e homens ao longo da longa história que, feita por nós, a nós nos faz e refaz, é a possibilidade que temos de reinventar o mundo e não apenas de repeti-lo, ou reproduzi-lo. (FREIRE, 2000, p.55).
Neste sentido, na esperança de contribuir com a disseminação de novos conhecimentos desenvolvemos esta pesquisa em Educação. Para isso, realizamos o Estado da Questão (EQ)
para alcançar a delimitação, a intelecção de nosso objeto de estudo e a construção empírica de nossa pesquisa.
O EQ é uma técnica que tem por finalidade constatar como o tema está sendo pesquisado atualmente através de um rigoroso levantamento bibliográfico. De acordo com Nóbrega-Therrien e Nóbrega-Therrien (2004, p.4), “[...] os achados têm que estar necessariamente ou diretamente articulados ao tema: devem referenciar especificamente o que existe em publicações ou estudos com relação a este, na área de investigação do estudante/pesquisador [...]”, assim, elaboramos o Estado da Questão com o propósito de analisar as produções científicas que dizem respeito às necessidades formativas de docentes universitários/as para a inclusão de pessoas com deficiência.
Ainda segundo Nóbrega-Therrien e Therrien (2004), não existe um caminho específico a seguir para realizar o EQ, mas isso não significa que sua elaboração é despretensiosa, sem método e sem rigor, antes, deve ser elaborado com cuidado e criticidade para que o/a pesquisador/a não se desassocie de suas concepções teóricas e filosóficas. Para tanto, o/a pesquisador/a deve ter certos tipos de domínios, os quais a autora e o autor destacam o domínio da literatura e o domínio conceitual.
Nóbrega-Therrien e Therrien (2004) salientam que o/a pesquisador/a tem a opção de escolher a estrutura do EQ, todavia deve-se atentar à estrutura do texto construído para ficar evidente a autoria do/a pesquisador/a. Nesta direção, optamos por estruturar o EQ da seguinte forma: fizemos levantamentos bibliográficos4 de pesquisas de mestrado e de doutorado e de artigos científicos. Para identificarmos dissertações e teses realizamos pesquisa no Catálogo de Teses e Dissertações online da CAPES e para identificarmos os artigos científicos realizamos pesquisa no Google Acadêmico, no SciElo e nos anais das reuniões da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd).
Para selecionar as pesquisas, buscamos aquelas que tinham aproximação com o que desejávamos investigar, para tanto, a priori escolhemos aquelas em que no título tinham referência direta de inclusão de pessoas com deficiência na Educação Superior, na sequência fizemos a leitura do resumo para verificar quais diziam respeito ao trabalho do/a docente universitário/a frente à inclusão de pessoas com deficiência e para analisar quais tinham aproximação com nossas bases teóricas e filosóficas.
4 Vale ressaltar que quando realizamos os levantamentos bibliográficos ainda não havíamos traçado nossos objetivos e nem nossos problemas de pesquisa, porque foi através desses levantamentos bibliográficos que conseguimos delineá-los, conforme explicam Nóbrega-Therrien; Therrien (2004), o EQ possibilita definir o objeto de investigação e as categorias de análise. Por este motivo, os descritores que usamos na busca foram associados apenas às nossas primeiras projeções e aspirações para construir o projeto de pesquisa.
Selecionadas as dissertações e teses, as listamos em quadros conforme os descritores que utilizamos na busca. Em seguida, fizemos um mapa conceitual segundo os/as autores/as e na sequência apresentamos as pesquisas de forma individual, evidenciando as contribuições para a delimitação de nosso objeto de estudo e para a construção empírica de nossa pesquisa.
Após esse movimento, traçamos algumas reflexões e por fim apresentamos dados quantitativos que dizem respeito à totalidade de pesquisas analisadas.
Após apresentar as pesquisas de mestrado e de doutorado, sobremaneira, listamos os artigos científicos selecionados. Primeiro listamos os artigos encontrados no Google Acadêmico e no SciElo em um quadro e trouxemos as contribuições de alguns destes artigos científicos para nossa pesquisa. Posteriormente, listamos os artigos encontrados nos anais das reuniões da ANPEd em um quadro e por semelhante modo, apresentamos as contribuições de alguns artigos para a pesquisa. Feito isto, apresentamos dados quantitativos da totalidade de artigos selecionados5.
No primeiro levantamento bibliográfico6 de dissertações e teses que realizamos utilizamos os descritores “Inclusão de pessoas com deficiência” and “Educação Superior” or
“Ensino Superior”. Ao fazer a busca, selecionamos a área do conhecimento de educação, porquanto no resultado da busca apareceram pesquisas referentes à inclusão/ingresso de pessoas com deficiência em diferentes setores da sociedade.
Quanto ao período, refinamos a busca entre os anos de 2015 a 2020. O ano de 2015 porque foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), para identificarmos se a partir desta lei as pesquisas sobre inclusão de pessoas com deficiência na Educação Superior, aumentaram em virtude da nova demanda estipulada por lei. E no ano 2020 para constarmos as pesquisas mais recentes. Obtivemos assim o resultado de 19.635 pesquisas de mestrado e doutorado. E selecionamos as pesquisas discriminadas no Quadro 1.
5 Não trouxemos detalhamento de todos os artigos como fizemos com as dissertações e teses porque como o artigo científico é um estudo mais breve, muitas das considerações que os/as autores/as trouxeram já tinham sido apontadas nas dissertações e teses analisadas. Só apresentamos as considerações inéditas que se aproximavam com até então, nosso objeto de estudo desejado.
6 Este levantamento bibliográfico foi realizado a priori durante o curso da disciplina de Seminários de Pesquisa em Saberes e Práticas Educativas II em 2019, como expusemos na subseção anterior. Posteriormente, voltamos a fazê-lo com os mesmos critérios de refinamento da busca, contudo, selecionamos o período 2015-2020.
Quadro 1: Relação de Dissertações e Teses no período de 2015 - 2020 em torno dos
3. O Trabalho Docente e a Inclusão de Estudantes com Deficiência nos Cursos
Fonte: Elaborado pela autora com base em informações coletadas na Base de Dados da Capes. Março/2020.
No Estado da Questão a abordagem do tema é transformada em questionamento para ser compreendida do ponto de vista dos/as autores/as encontrados no levantamento bibliográfico, por isso, de antemão, indagamos: Qual é a concepção de inclusão e/ou educação inclusiva? Deste modo, esquematizamos as concepções que cada autor/a usou em sua pesquisa conforme apresentamos no Quadro 2.
Quadro 2 – Concepções de inclusão/educação inclusiva
AUTOR/A CONCEPÇÕES
ALVARENGA (2016)
Inclusão - Condição específica ao qual assegura à pessoa com deficiência acessibilidade garantindo-lhe maior autonomia.
OLIVEIRA (2017)
Educação inclusiva - é entendida como processo, tendo em conta os inúmeros fatores que a constitui ao longo do tempo, além de ser responsabilidade conjunta.
MENDES (2017)
Educação inclusiva - Busca por instrumentos necessários para a aprendizagem da pessoa com deficiência possibilitando-a ao acesso, permanência e a aprendizagem com qualidade e sucesso.
BORGMANN (2016)
Inclusão - aproximação daqueles que estiveram historicamente excluídos, deixados de lado ou de fora.
Fonte: Elaborado pela autora com base nas concepções de inclusão/educação inclusiva apresentado pelos/as autores. Março 2020.
Identificado o conceito de inclusão e/ou educação inclusiva em que os/as autores/as se ampararam, realizamos uma análise minuciosa, pois de acordo com Nóbrega-Therrien e Therrien (2004, p.5), a pesquisa:
[...] requer igualmente a perspectiva de contribuição do próprio estudante/pesquisador cuja argumentação, lógica, sensibilidade, criatividade e intuição apontam as dimensões da nova investigação. É precisamente esse processo e o material/texto produzido nesta fase que fornecem os elementos para identificar e definir os referenciais e as categorias imprescindíveis à análise dos dados no enfoque desejado.
Deste modo, apresentamos a seguir cada pesquisa que fora listada no quadro 1 e sintetizamos as principais contribuições da discussão empírica.
A pesquisa de mestrado de Alvarenga (2016) tem por objetivo geral: investigar e compreender as percepções e as ações de ensino promovidas pelos docentes que atuam nos cursos de licenciatura da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, em decorrência dos processos de inclusão. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa com abordagem avaliativa de enfoque interpretativo. Como instrumento de coleta de dados a autora usou a entrevista semiestruturada com 7 docentes de cursos de licenciatura que atuaram em turmas que havia pessoas com deficiência cognitiva e/ou sensorial e realizou a análise de dados conforme Análise de Discurso do Sujeito Coletivo segundo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005; 2006).
A pesquisa desenvolvida por Alvarenga (2016), indica que as pessoas com deficiência são histórica, social e culturalmente tidas como incapazes, anormais.
Desta forma, o padrão de normalidade, socialmente construído, é caracterizado pela imagem que as pessoas percebem em relação ao outro. Em outras palavras, se os indivíduos apresentam alguma incongruência nesse padrão de normalidade, são considerados seres humanos improdutivos, necessitados ou deficientes, que não teriam condições físicas e intelectuais de participarem ativamente dos segmentos sociais e educativos (ALVARENGA, 2016, p. 46).
Contudo, para além das condições físicas, sensoriais, motoras e intelectuais, as pessoas com deficiência são dotadas de sentimentos, têm formas específicas de compreender o mundo e, acima de tudo, constituem-se cidadãs pois têm direitos e deveres assim como todos/as os/as demais. Neste sentido, foram formuladas políticas públicas de proteção à pessoa com deficiência com base na Declaração dos Direitos Humanos que asseguram direitos essenciais à existência e à sobrevivência das pessoas com deficiência.
Dentre muitos direitos das pessoas com deficiência, está a educação. Todavia, as políticas públicas que garantem a acessibilidade na Educação Superior são recentes e necessitam de ações afirmativas para que as pessoas com deficiência alcancem êxito na vida acadêmica. Trata-se de um cenário novo, em que as pessoas com deficiência estão ingressando cada vez mais na Educação Superior, prova disso é que tem crescido consideravelmente o número de matrículas de pessoas com deficiência nos últimos anos, conforme dados trazidos por Alvarenga (2016), no ano de 2009 o número de estudantes com deficiência matriculados/as na Educação Superior no Brasil foi de 20.530.
Nos anos seguintes, de 2010 a 2015 houve um crescimento de 91,18% no número de matrículas chegando a 37.986 em 2015. No ano de 2016 houve uma queda de 5,52% e foram matriculados 35.891 estudantes, voltando a crescer no ano de 2017 com 38.272 estudantes matriculados. Com isto, os/as docentes universitários/as se deparam defronte vários impasses e desafios para incluir as pessoas com deficiência nas atividades acadêmicas.
Já a pesquisa de mestrado de Oliveira (2017) tem por objetivo geral: analisar as práticas pedagógicas de professores universitários atuantes na trajetória inicial de um curso de licenciatura em Educação Física frente aos desafios demandados para a permanência do estudante com deficiência visual.
A escolha metodológica deste autor se configura como uma pesquisa de natureza qualitativa com abordagem de estudo de caso ao qual fez a coleta de dados com observação livre e estruturada e entrevista semiestruturada com 5 docentes universitários, 1 participante do núcleo de acessibilidade, 1 aluno cego matriculado no curso e fez a análise de dados segundo a Análise de Conteúdo de Bardin (2011).
Oliveira (2017) vai ao encontro com as proposições de Alvarenga (2016) no que diz respeito às políticas públicas de acessibilidade à educação por pessoas com deficiência.
Ademais, uma contribuição relevante que o autor traz é a definição de ações afirmativas na Educação Superior:
As ações afirmativas representam ganhos democráticos para a educação nacional e têm como proposta reduzir a exclusão que historicamente marca a Educação Superior.
[...] São ações de efeito compensatório que visam garantir acesso e permanência de grupos, que foram excluídos de vários espaços sociais. (OLIVEIRA, 2017, p. 28)
Uma das ações afirmativas que importante para a inclusão de pessoas com deficiência nas IFES refere-se aos núcleos de acessibilidade, pois “atuam para garantir o acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços, ambientes, ações e processos desenvolvidos na instituição”
(OLIVEIRA, 2017, p. 32). Além disso, de acordo com o autor, os núcleos de acessibilidade são os responsáveis pelo Atendimento Educacional Especializado – AEE, nas Instituições Federais de Ensino Superior – IFES.
Sobre a Docência Universitária, o autor discute sobre os saberes necessários à docência Oliveira (2017) compreende-se por saberes docentes diferentes conhecimentos oriundos do
“saber-fazer”. Quanto à inclusão de pessoas com deficiência, Oliveira (2017) explicita a relevância de os/as docentes universitários/as terem o saber pedagógico, para planejar e avaliar o processo de ensino-aprendizagem. Porém, salienta que o/a docente não é o/a único/a responsável por promover qualidade no processo de ensino-aprendizagem da pessoa com deficiência na universidade, por isso se faz necessário espaços que possibilitem interação entre docente e AEE, evidenciando a relevante atuação dos núcleos de acessibilidade.
Na pesquisa de mestrado de Mendes (2017) o objetivo geral foi definido como:
compreender o trabalho docente junto aos estudantes com deficiência nos cursos de licenciatura em Matemática no Sistema ACAFE (Associação Catarinense das Fundações Educacionais). A pesquisa é de natureza qualitativa e tem base epistemológica o materialismo histórico dialético.
Como coleta de dados o autor aplicou questionário a 34 professores formadores e fez a análise desses dados de acordo a Análise de Conteúdo de Bardin (1977).
Mendes (2017) recupera a história da Educação Superior no Brasil e afirma que ocorreu tardiamente e que foi marcada pela exclusão de considerável parcela da população vez que esse espaço era elitizado. Sobremodo como dissertam a autora e o autor supracitados, o autor menciona o quanto as políticas públicas foram fundamentais para a democratização do acesso à Educação Superior:
[...] este compromisso é um resgate histórico dos anos em que estas pessoas tiveram tolhidos seus direitos de cursarem uma graduação, bem como uma dívida pública junto às pessoas com deficiência no que tange a democratização do acesso e permanência deste grupo marginalizado da educação superior (MENDES, 2017, p.
47).
O autor destina uma seção para discutir sobre o trabalho docente na universidade. Ele usa a concepção de trabalho segundo Marx. Esta concepção de trabalho denuncia as relações de exploração, dominação e alienação que são características do modo de produção capitalista.
(MENDES, 2017)
A educação e o trabalho docente, segundo o autor, podem corroborar tanto para reproduzir o modelo ideológico do capitalismo quanto para desalienar e libertar o sujeito.
Assim, o autor foca sua discussão para o trabalho docente e por semelhante modo, como
discutiu Oliveira (2017), disserta sobre a formação do/a docente universitário/a e os saberes necessários à docência. Ele reforça que no caso dos cursos de licenciatura, os/as docentes são formadores/as de docentes para atuarem na Educação Básica, neste sentido, é necessário que trabalhem consoante a perspectiva da diversidade. E é importante também que sejam exemplo para aqueles/as que estão sendo formados/as e busquem práticas inclusivas.
A pesquisa de doutorado de Borgmann (2016) tem como objetivo geral: analisar como o reconhecimento às diferenças dos estudantes com deficiência se produz no contexto do ensino superior em uma instituição que assume uma política de inclusão. Como percurso metodológico a autora definiu que esta é uma pesquisa narrativa de natureza qualitativa em que se utilizou entrevistas narrativas com 4 acadêmicos com deficiência matriculados em cursos de graduação da UNIJUÍ para coleta de dados. E para analisá-los a autora utilizou a perspectiva hermenêutica (2014).
Nesta pesquisa a autora traz importantes considerações no que tange o princípio de igualdade, inclusão e reconhecimento da diferença.
A busca por esta compreensão faz rever as noções de igualdade e diferença como algo que precisa ser mais problematizado, pois, nesta pesquisa entendo a diferença não como “o diverso”, mas como algo pensado sempre em relação à identidade. [...]
Geralmente buscamos a igualdade que apaga e ignoram as diferenças e que torna o diferente um grupo, um coletivo distante que necessita ser normalizado, ou olhamos para diferença como possibilidade de (des)igualdade (BORGMANN, 2016, p.89).
Sobre o reconhecimento da diferença Borgmann (2016) analisa que o processo de reconhecimento é complexo e exige ser analisado do prisma das relações primárias, das relações com o direito e da comunidade de valores, e se algum desses prismas forem violados e/ou desrespeitados, a pessoa pode se sentir excluída. Nesta direção, a autora menciona que a inclusão “transcende um discurso meramente romântico de estarem todos juntos, com os mesmos direitos” (BORGMANN, 2016, p. 83). Desta forma, a inclusão requer uma mudança atitudinal e considerar o caráter da formação humana que ocorre nas relações sociais que possibilita o respeito às diferenças.
O interesse pelo debate acerca da diferença/deficiência no âmbito da luta pelo reconhecimento liga-se, portanto, aos estudantes que chegam a frequentar um curso de nível superior, por entender que estes nunca foram reconhecidos como alunos capazes de estarem na classe comum de ensino regular e quiçá na universidade.
Percebo que os alunos com deficiência na universidade e talvez em qualquer espaço, ainda são vistos como sujeitos incapazes, doentes, coitadinhos e, com isso muitas vezes excluídos por suas diferenças (BORGMANN, 2016, p. 87).
Esse estigma de que as pessoas com deficiência são incapazes tem que ser quebrado em todos os espaços, sobretudo nas universidades, pois são espaços que devem - ou deveriam - promover a democratização do ensino e a justiça social. Assim, para além da realização de investigações sobre a inclusão de pessoas com deficiência, as universidades devem ser espaços acessíveis e inclusivos.
O primeiro levantamento bibliográfico – Quadro 1 – que realizamos foi fundamental para compreendermos que o processo de inclusão de pessoas com deficiência na Educação Superior começa a caminhar a partir de políticas públicas e de ações afirmativas, no entanto, ainda há uma longa jornada a trilhar para que a inclusão seja efetiva nesse nível de educação. E uma das possibilidades que temos para corroborar com isto é investigando a atuação do/a docente universitário/a na inclusão de pessoas com deficiência.
Para ampliar a compreensão sobre esse processo, fizemos um novo levantamento bibliográfico no Catálogo de Dissertações e Teses online da CAPES usando os descritores
“Necessidades formativas” and “Docência universitária” and “Inclusão de pessoas com deficiência” e usamos os mesmos critérios da busca anterior para refinar os resultados.
Por meio desta pesquisa obtivemos o resultado de 19.616 pesquisas de Mestrado e de Doutorado. Contudo, a maioria das pesquisas tinham aparecido na busca anterior. Refizemos a busca selecionando aquelas que se associavam às necessidades formativas de docentes universitários/as e obtivemos poucos estudos.
Com a intenção de ampliarmos a busca, visitamos também o Repositório Institucional da UFU e selecionamos a unidade acadêmica de educação (Faculdade de Educação – FACED) e o tema necessidades formativas e obtivemos o resultado de 5 pesquisas, contudo elas versavam sobre necessidades formativas de docentes da Educação Básica, logo não selecionamos nenhuma pesquisa. Em ambas as plataformas, CAPES e Repositório Institucional da UFU, selecionamos as pesquisas que não estavam diretamente ligadas a um curso de graduação específico e aquelas que contemplavam o estudo de necessidades formativas de docentes universitários/as de diferentes áreas do conhecimento. Como resultado destas duas buscas, obtivemos as seguintes pesquisas:
Quadro 3 – Relação de Dissertações e Teses no período 2015 - 2020 em torno dos concepção epistêmica e filosófica que cada autor/a se apropria.
Organizamos, no Quadro 4, em suma a conceituação de necessidades formativas conforme exposto pelas autoras.
Quadro 4 – Concepções de necessidades formativas
AUTOR/A CONCEPÇÕES
OLIVEIRA (2016)
Advém de produções sócio históricas que surgem a partir de condições objetivas e subjetivas da realidade.
REHEM (2018)
Carência de competências e habilidades que o exercício da docência exige. Competências e habilidades por sua vez são construções que se dão no exercício diário profissional de forma contínua. Essas competências e habilidades são imprescindíveis e urgentes ao exercício da docência universitária.
SOUSA (2018)
Necessidades formativas estão correlacionadas com o contexto e devem ser definidas e
Necessidades formativas estão correlacionadas com o contexto e devem ser definidas e