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Interferências entre o processo de instalação de elevadores e a obra

4.6 Análise crítica do processo de instalação de elevadores

4.6.8 Interferências entre o processo de instalação de elevadores e a obra

O processo de instalação de elevadores está diretamente ligado à execução da estrutura, alvenaria, revestimentos e instalação elétrica das obras.

Conforme o relato de um engenheiro especialista em planejamento de obras, dois supervisores de instalação e um consultor em transporte vertical, deve haver uma maior integração entre os serviços de execução dos contra-marcos ou chapas (cada fabricante trabalha de uma forma) para a instalação das portas do elevador e definição da alvenaria da frente da caixa de corrida (Figura 4.14) pela equipe de pré-instalação e os serviços de acabamento do corredor.

Figura 4.14 - Chapa de piso ou Pré-marco para a colocação das portas

Para o engenheiro especialista em planejamento de obras, o momento da colocação dos contra-marcos em obra é muito importante, pois afeta a conclusão de todos os ambientes de um mesmo pavimento, já que a colocação destes libera a execução dos serviços do corredor.

Normalmente, a obra não pode executar os fechamentos da alvenaria da caixa de corrida nas paredes do corredor (fechamento da frente do elevador), revestimentos, contrapisos e toda a seqüência de serviços subseqüentes antes da colocação dos contra-marcos. Assim, os serviços realizados nas partes internas dos apartamentos são concluídos antes dos serviços do corredor, fazendo com que algumas equipes tenham que voltar posteriormente ao andar para executarem os serviços no corredor.

Segundo os dois supervisores de instalação e a totalidade de montadores entrevistados, o momento da colocação dos contra-marcos também afeta negativamente a terminalidade dos serviços de instalação de elevadores. Na opinião deles, esta colocação é responsabilidade da equipe de pré-instalação juntamente com a obra. Porém, em muitas obras, a não colocação dos contra-marcos na etapa de pré-instalação tem prejudicado o andamento da instalação pelos fabricantes, pois o montador deve interromper a instalação para colocar os contra-marcos e esperar que a obra execute os serviços de arremate necessários para que, posteriormente, ele possa finalizá-la. Durante as entrevistas, os montadores reclamaram da demora na execução desses arremates pela obra, apontando que os serviços relacionados ao elevador normalmente não são priorizados em relação a outros serviços de obra. Por exemplo, a obra pode alocar a sua mão-de-obra na finalização do reboco de um apartamento e deixar para executar os arremates num momento posterior, apesar de constar no contrato que a construtora deve alocar mão-de-obra para a execução dos serviços na oportunidade e forma que forem solicitados pelo fabricante, de modo a não atrasarem a instalação.

Em geral, os arremates demoram alguns dias para serem concluídos, fazendo com que a equipe de instalação do fabricante saia do canteiro e desloque-se para outra obra ou, até mesmo, fique ociosa por alguns

dias. Segundo os montadores, a falta de terminalidade da instalação ocasiona um aumento nos seus custos, em função de custos de deslocamento de equipes. Também dificulta o planejamento das suas equipes pelas obras e provoca a queda de produtividade das equipes, que, após o período de ociosidade, demoram para retomar o ritmo de trabalho. Para um supervisor, o rendimento e a qualidade da instalação depende muito do nível de ocupação do montador. Além disso, o atraso na instalação proveniente dos arremates realizados pelas obras tem prejudicado os terceirizados de montagem a atingir as suas metas mensais de instalação.

Conseqüentemente, as metas do fabricante também não são cumpridas.

De acordo com a totalidade dos supervisores de instalação, o ideal seria entrar com a equipe no canteiro e terminar a instalação sem a necessidade de sair do local para retornar posteriormente. No entanto, tem ocorrido com freqüência casos de instalação nos quais as equipes montam as guias, a estrutura da cabina, colocam os contra-marcos, chapas ou marcos e saem da obra para que os serviços de arremates (acabamento final da alvenaria e piso junto ao elevador) sejam finalizados (Figura 4.15).

Máquina

Pesos Estrutura contrapeso

Guias Suporte de guias Quadro de comando

Longarinas Parte superior da cabina Cabos de aço e manobra

Chapas Portas

Calhas e fiação Painéis de cabina Placas de parada Base da cabina

Tempo de execução

Atividades 1...n Q

Figura 4.15 - Instalação das chapas durante a instalação11

Como explica um dos supervisores de instalação: “[...] não temos que ficar parando para eles executarem serviços. Instalamos em dois meses um elevador, que, normalmente, duraria um mês para ser instalado [...]”. No entanto, apesar do fornecedor culpar as construtoras, esse problema existe devido à falta de integração entre a equipe de pré-instalação do fornecedor de elevador e as outras equipes que desenvolvem as suas atividades no canteiro de obras, antes da instalação do elevador.

Outro problema freqüente em obra e oriundo da má definição do momento da colocação dos contra-marcos, chapas ou marcos é o retrabalho na alvenaria de fechamento da frente do elevador. Esse fato foi apontado por todos os supervisores e montadores, assim como por três engenheiros entrevistados. Os engenheiros demonstraram uma insatisfação elevada com relação aos retrabalhos freqüentes na execução da

11 A descrição das atividades do diagrama se encontram no anexo G

alvenaria, os quais têm efeitos diretos sobre o andamento da obra e têm gerado discussões entre fabricantes e construtoras. No ponto de vista dos engenheiros, falta uma clareza nas definições do que deve ser feito. Um dos engenheiros julgou que essas definições deveriam estar melhor esclarecidas no momento do projeto, sendo levadas em consideração apenas durante a fase de execução. Por outro lado, os fornecedores explicam que os retrabalhos acontecem pelo adiantamento da execução das alvenarias de frente do elevador pela obra, exemplificando que, em muitos casos, estas executam a alvenaria sem antes ter comprado o elevador.

Uma alternativa para a solução desses problemas, conforme descreve o engenheiro especialista em planejamento, seria o fabricante mandar os contra-marcos, chapas ou marcos para a obra bem antes do momento da instalação, ou seja, na etapa de pré-instalação, de forma a não atrasar o início dos serviços no corredor. Desse modo, esses serviços podem ser executados no mesmo momento em que se executam os serviços nos apartamentos, evitando que as equipes da obra voltem ao pavimento. Este procedimento tem sido possível em algumas obras, exigindo, entretanto, um controle mais apurado dos níveis de piso acabado dos pavimentos, lembrando que o elevador, ao ser montado, será ajustado para parar exatamente conforme o posicionamento dos contra-marcos. Para o engenheiro, esta alternativa também exige a definição do fornecedor e das especificações mais no início da obra.

De acordo com as considerações acima, é evidente que deve haver uma melhoria na assessoria prestadas pelas equipes responsáveis pela pré-instalação do elevador, tanto como uma melhor coordenação entre as atividades realizadas no período de pré-instalação e as atividades das obras. Para que isso aconteça eficientemente, deveria haver uma melhoria significativa no processo de planejamento de médio prazo (planejamento tático) das empresas de construção, envolvendo neste processo todos os seus fornecedores e subempreiteiros. Além disso, os fabricantes deveriam despender uma atenção maior no processo de pré-instalação, buscando uma maior interação com os processos da obra durante o período anterior à instalação.

Ainda com relação às interferências entre os processos do fabricante e de obra, segundo três supervisores de instalação e todos os montadores, a interface com o processo de instalação elétrica deve ser melhor planejada. Todos citaram que um percentual elevado de obras não possuem energia elétrica na casa de máquinas no início da instalação do elevador. Dessa forma, as equipes de instalação elétrica, geralmente, executam o serviço durante a instalação do elevador, interferindo e, portanto, interrompendo a montagem. Na figura abaixo (Figura 4.16), o montador interrompeu a instalação para que a equipe de instalação elétrica pudesse concluir a passagem da fiação pela caixa de corrida do elevador. Em outra obra, a equipe de instalação elétrica entrou no canteiro uma semana após o início da montagem, fazendo com que o montador iniciasse a instalação pela montagem e transporte manual de guias. Nesse caso, o montador ficou ocioso por 3 dias, esperando a equipe de instalação elétrica para executar a ligação da máquina.

Figura 4.16 - Interferência entre as equipes de instalação elétrica e instalação do elevador