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Intergovernamentabilidade e Supranacionalidade

Dentro do contexto dos processos de integração internacional, deve-se levar em consideração qual modelo de disposição da ordem jurídica os Estados que o integram irão adotar, a fim de tornar mais efetivas as decisões provenientes dos tratados, protocolos, negociações e dos sistemas de solução de controvérsias, objetivando dar uma maior

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aplicabilidade ao “direito comunitário” dentro dos ordenamentos jurídicos dos países componentes dos blocos.

Os dois métodos utilizados modernamente no âmbito dos blocos de integração são o da intergovernamentabilidade e o da supranacionalidade. A diferença entre eles é basicamente quanto a necessidade de uma maior ou menor burocracia quando for necessária a internalização dos tratados e protocolos pelos ordenamentos jurídicos dos componentes e pelo maior ou menor grau de autonomia entre os países que formam o bloco. Em termo simples explica o professor Lupi (2001, p. 316):

Embora algumas vezes haja equívocos na utilização destes conceitos, é praticamente assente a distinção entre os dois, cabendo o emprego do termo supranacionalidade a processo de integração mais avançada e de intergovernamentabilidade a processos de mera cooperação internacional.

A intergovernamentabilidade situa as decisões tomadas dentro do bloco econômico em um plano mais político, por manter tais decisões atreladas à vontade dos Estados membros. Grande parte das decisões devem ser tomadas por consenso, dependendo dos interesses dos países partes. É, como já exposto, mais uma questão de cooperação entre os membros do que de um real poder de decisão sobre os Estados. De tal modo, as decisões já tomadas no âmbito do bloco deverão ainda serem recepcionadas pelo países, a fim de produzirem seus efeitos jurídicos. Tal modelo prioriza um maior controle político do bloco econômico, impedindo que se ponha em risco a soberania dos países membros.

De tal maneira, para Silva e Silva (2003, p.6):

A intergovernamentabilidade apresenta-se como uma via alternativa, ou seja, constitui-se no instituto que possibilita ao Estado manter intocada a sua soberania no que se refere ao auto-regramento e ainda assim participar de processo integracionista que visa a formação de um bloco econômico.

Apresenta-se assim a intergovernamentabilidade como um estado intermediário entre a soberania clássica e a supranacionalidade. Há um sistema de integração que possui competência para tomar decisões quanto às políticas a serem adotadas pelos países do bloco, porém tais decisões encontram-se subordinadas à aceitação por parte dos componentes quanto à sua execução, o que o deixa próximo da soberania clássica, por ainda respeitar as decisões autônomas dos Estados membros, mas procura alcançar uma certa abertura e maior

concessão, por meio dos compromissos firmados e pela aceitação das regras de tal sistema através do princípio da obrigatoriedade dos pactos.

O que parece ser consenso entre os estudiosos do tema é de que dentro do panorama mundial atual, principalmente quando se toca no assunto dos blocos político econômicos, não é a intergovernamentabilidade o sistema mais desejável, nem mais eficaz, para que se realize de modo mais efetivo a integração entre os países do bloco, por conta da excessiva burocracia, o que ocasiona a lentidão e impede que sejam aplicadas as decisões de maneira célere.

A supranacionalidade, por sua vez, surge recentemente, advindo justamente das tendências integracionistas de nossa época, como método mais desejado para que haja uma real integração, uma maior união, entre os países a comporem os blocos, em contraponto à intergovernamentabilidade, que, como já exposto, aparenta mera cooperação internacional. O compromisso tomado através de órgãos internacionais possuidores de poderes supranacionais demonstra o real interesse na união de tais países, principalmente por assegurar, de forma muito mais séria, o surgimento de um verdadeiro “direito comunitário”. As normas de tal direito seriam superiores às dos Estados componentes dos blocos, não necessitando passar por um processo de internalização, mas sim possuindo aplicação direta e imediata sobre todos eles. Não é necessário, para que se tornem eficazes, que passem pelo procedimento interno de incorporação de normas jurídicas, mas apenas que estejam de acordo com o procedimento específico para sua criação dentro da comunidade internacional.

Nos trás, de tal modo, o nascimento de um poder político maior que o dos Estados, superando o antigo conceito de soberania, não mais indivisível ou indisponível, através da delegação por parte dos países componentes dos blocos de parte de seu poder soberano a uma entidade supranacional, em que o poder decisivo é exercido em função do interesse comum, e não dos interesses dos Estados.

Na lição de Odete Maria de Oliveira (apud Cláudia Locateli, 2002, p. 3 - 4):

A supranacionalidade caracteriza-se pela prevalência das decisões comunitárias sobre o interesse individual dos Estados-membros, contando com uma estrutura institucional autônoma e independente e que dispõe de funcionários próprios. As normas produzidas na comunidade são dotadas de primazia e aplicabilidade direta, contando com o auxílio de um Tribunal de Justiça permanente, responsável pela aplicação uniforme das regras comunitárias.

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A supranacionalidade é então a forma mais desejada de política de integração entre os países componentes de um bloco que vise realmente o estreitamento econômico e político de seus membros. Não é, de forma alguma, a solução para todos os problemas presentes quando da integração entre Estados, mas, por voltar a atenção do bloco para os interesses comunitários ao invés dos interesses específicos de cada país, possuindo órgãos dotados de poderes superiores de decisão e aplicação das políticas necessárias para a efetivação de tal integração, acaba como meio de amenizar as dificuldades e os conflitos que tendem a surgir durante tal processo.

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