1 INTRODUÇÃO
2.1 Harmonização contábil internacional
2.1.2 Órgãos envolvidos na convergência das normas e práticas contábeis
2.1.2.2 Internacional Accounting Standards Board (IASB)
Anteriormente denominado Internacional Accounting Standards Committee – IASC (Comitê de Normas Contábeis Internacionais), O IASB foi fundado em 29 de julho de 1973, em Londres, por meio de um acordo firmado entre os profissionais da Alemanha, Austrália, Canadá, EUA, França, Holanda, Irlanda, Japão, México e Reino Unido. Outros países foram associando-se gradativamente, entre eles o Brasil, por meio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon). Dentre as finalidades de cada organismo que integra o IASB, destacam-se a formulação e publicação de normas contábeis para apresentação das demonstrações financeiras e a promoção de sua aceitação e cumprimento em âmbito mundial (PAULO, 2002).
[...] o International Accounting Standards Board (Iasb), é responsável pela criação, disseminação e utilização regulares de um padrão de normas internacionais, buscando a convergência de normas entre os mais diversos países que integram o seu quadro de membros (MULLER; SCHERER, 2009, p. 27).
Segundo Carvalho, Lemes e Costa (2006, p.16), a criação do IASB foi uma reação à criação do FASB, que era uma
Instituição sem fins lucrativos, privada, total e exclusivamente voltada para a elaboração de normas contábeis.[...] As demais economias desenvolvidas reagiram, preocupadas com o que poderia ser mais um sinal de hegemonia dos americanos dos Estados Unidos nos negócios mundiais, já que estes se preocupavam em construir um robusto conjunto de normas contábeis baseadas em fundamentos econômico-financeiros sólidos. Somente em 1988, o FASB se uniu ao Grupo Consultivo como observador e não como atuante do grupo. Mas em 1991, declarou seu apoio às Normas Internacionais de Contabilidade. Em 1995, a Comunidade Econômica Europeia aprovou a utilização das IAS pelas empresas de seus países-membros (PAULO, 2002).
O Congresso Americano exige, em 1996, um conjunto de padrões de alta qualidade de princípios contábeis internacionais geralmente aceitos. Em 1998, novas leis nacionais são emitidas na Bélgica, França, Alemanha e Itália, as quais permitem as grandes companhias usarem domesticamente as IAS´s. Em 1995, as primeiras companhias alemãs publicaram as Demonstrações Contábeis baseadas nas IAS´s. Os Ministros das Finanças dos países que formam o Grupo do G7 (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá) e Fundo Monetário Internacional desejam apoiar a implementação das IAS´s, a fim de fortalecer a “estrutura” financeira internacional, O Comitê da Basiléia expressa apoio, no ano de 2000, ao uso das IAS‟s e para os esforços com intuito de harmonizar a Contabilidade internacionalmente (PAULO, 2002, p. 57).
Em abril de 2001, o IASB assumiu a responsabilidade de emitir os padrões contábeis internacionais, sendo esse um dos marcos mais importantes para o processo de convergência das normas contábeis internacionais (MULLER; SCHERER, 2009).
O próprio IASB define-se como um organismo independente no que tange à elaboração e emissão de normas contábeis internacionais, destacando-se, dentre seus objetivos:
a. formular e publicar normas contábeis para utilização na apresentação das demonstrações financeiras e promover a aceitação mundial;
b. trabalhar para melhorar e harmonizar as normas e procedimentos contábeis relativos à apresentação das demonstrações financeiras (IASB, 2002 apud PAULO, 2002, p. 58).
Esses objetivos, contudo, não estão isentos de problemas, pois os países- membros do IASB possuem realidades socioeconômicas sensivelmente distintas, o
que supõe divergências importantes nas sociedades a que se destina a informação contábil.
Com relação à estrutura institucional, na França e na Espanha, por exemplo, as normas contábeis são emitidas dentro de uma moldura legal, enquanto que nos EUA, Inglaterra e Canadá, são elaboradas e publicadas pelas próprias organizações profissionais (MULLER; SCHERER, 2009).
Nos países em que as regras são estabelecidas pela estrutura legislativa, parece óbvio que as regulamentações do Iasb terão difícil acesso para se tornarem efetivas, salvo se houver incorporação nas disposições legais, o que se supõe ter certa rigidez. Nesses termos, a legislação fiscal constitui outro obstáculo importante a ser considerado para a viabilidade das normas contábeis ditadas com vistas a conseguir uma melhoria na informação econômico-financeira (MULLER; SCHERER, 2009, p. 30). Importa ressaltar que as organizações profissionais participantes do conselho do IASB também têm obrigações a serem cumpridas, tais como: prestar apoio às normas publicadas pelo conselho; zelar para que as publicações respeitem as normas; realizar intervenções junto aos governos e autoridades encarregadas de controlar os mercados de valores, exigindo que os relatórios contábeis sejam publicados em conformidade com as normas do conselho; buscar que se adotem as medidas oportunas para que os relatórios e informes contábeis se ajustem às exigências das normas; e procurar fazer com que as normas do conselho sejam aceitas e observadas internacionalmente (MULLER; SCHERER, 2009).
O IASB possui dois órgãos de apoio, a saber:
O IFRIC – International Financial Reporting Interpretations Committee e o SAC – Standards Advisory Council cujas responsabilidades são, respectivamente, a interpretação das normas publicadas pelo IASB, apontando conflitos que impedem a convergência. Já o SAC funciona como um órgão consultivo recomendando prioridades e agenda, além de promover o IASB ao redor do mundo (LOPES, 2008, p. 25).
Para o processo de elaboração das normas contábeis internacionais, o conselho do IASB garante elevados padrões de qualidade, assegurando que sejam aceitas e válidas para os usuários e elaboradores de relatórios financeiros. Dessa forma, segundo Muller e Scherer (2009, p. 31-32), o processo se desenvolve em sete etapas, a saber:
1) O Iasb escolhe um tema de estudo em função dos objetivos perseguidos pelo conselho [...] (Point Outline)
2) O tema escolhido é estudado por um grupo de trabalho constituído por representantes de países-membros do Iasb, assistido pelo secretariado do próprio Iasb, que elabora um projeto de normas para a consideração do conselho (Exposure Draft)
3) O Iasb estuda os projetos em diferentes etapas de desenvolvimento, formulando recomendações ao grupo de trabalho (Discussion Paper)
4) Em cada uma das etapas em que o projeto é objeto de exame, todos os membros fundadores do Iasb efetuam consultas ao correspondente comitê de investigação contábil de seus próprios institutos.
5) O texto do projeto da norma contábil internacional é objeto de aprovação pelo Iasb, sendo posteriormente publicado por todas as organizações-membros [...]
6) Todos os comentários recebidos são examinados pelo grupo de trabalho responsável pelo projeto, que leva à consideração do conselho um texto revisando o projeto da norma;
7) O conselho do Iasb aprova o texto definitivo da norma contábil, que, aprovada, deve ser publicada pelas organizações-membros em seus países respectivos.
Após a criação do IASB, os novos pronunciamentos editados passaram a ser denominados Internacional Financial Reporting Standard (IFRS). As Normas Internacionais de Contabilidade são pronunciamentos contábeis internacionais publicados pelo IASB, os quais se baseiam em princípios e não observam regras específicas.
Essas normas foram criadas para proporcionar um melhor entendimento das informações nas demonstrações financeiras e contábeis, entre os participantes do mercado de capitais no mundo e os usuários de contabilidade para subsidiar decisões. Com o mesmo fim, surgiram diversos órgãos internacionais que, direta ou indiretamente, estão envolvidos com a harmonização contábil internacional.
Dessa forma, a elaboração e a divulgação das normas contábeis internacionais têm como propósito o atendimento das necessidades dos mercados de capitais e da comunidade internacional de negócios.
Em relação ao Iasb, ressaltam Muller e Scherer (2009, p. 34) que
alguns países adotam os pronunciamentos desse órgão como válidos nacionalmente; outros costumam considerar as normas do Iasb antes de produzirem suas próprias normas nacionais – como é o caso do Brasil; outros possuem sistemas totalmente autônomos de emissão de normas contábeis, mas que apresentam semelhança muito grande com as do Iasb, por forte influência desses mesmos países no comitê – por exemplo, os Estados Unidos.
Outros dois organismos internacionais são também importantes no processo de convergência das normas contábeis internacionais: o Financial Accounting Standards Board – FASB (Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira), já abordado, e a Organization for Economic Cooperation and Development – OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).