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Parte II Categorias

5.3 Interpretação das respostas nas categorias

De acordo com os itens supra pesquisados, quanto à Categoria Formação Profissional dos professores, pode-se observar que os sujeitos têm uma postura consciente da importância da formação específica, continuada e pedagógica; da prática docente e pedagógica; dos saberes pedagógicos e da formação profissional dos alunos e, também, na Categoria Saberes Docentes, quando questionados, os professores entendem que são importantes e muito importantes na pesquisa, valorizam os saberes profissionais, os saberes disciplinares, os saberes curriculares e os saberes experienciais.

Quanto à Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem pode-se observar que os professores ficam hesitando em sair da sua comodidade, pois transmitir o que sabe é seguro, ficando na área de conforto. Para entender que a tarefa do professor envolve o aluno “ser humano”, o processo de aprendizagem e os conhecimentos de sua formação acadêmica, faz-se necessário deslocar-se de seu regalo, conhecer novas metodologias de ensino e criar novas situações que estejam centradas na aprendizagem do aluno.

Em especial, na Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem, quando os professores são questionados sobre “Considerar que no processo de ensino- aprendizagem o professor deve se preocupar com a variedade e quantidade de noções/conceitos/informações.” manifestam uma abordagem tradicional conforme Mizukami (1986).

A autora clarifica a necessidade, não desta visão e sim com a:

[...] formação do pensamento reflexivo. Ao cuidar e enfatizar a correção, a beleza, o formalismo, acaba reduzindo o valor dos dados sensíveis e intuitivos, o que pode ter como consequência a redução do ensino a um processo de impressão, a uma pura receptividade. (MIZUKAMI, 1986, p.14).

Nesta abordagem tradicional, o professor é o principal atuante no ensino- aprendizagem, é o polo fundamental da relação professor-aluno, detentor e quantificador dos conteúdos a serem ministrados, sendo este, um ponto que deve ser revisto, pelos professores pesquisados, no modelo respondido na aplicação desta pesquisa.

De forma peculiar, na Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem em “Considerar que o professor deve aceitar o aluno como ele é e compreender os sentimentos que possui.”, é uma abordagem humanista, segundo Mizukami (1986). Nesta abordagem, o professor é um facilitador da aprendizagem, ele dá assistência ao aluno em si, ele não transmite o conteúdo, é autêntico e congruente. Tem como qualidades a compreensão do outro a partir do referencial do outro e o apreço, no qual, tem-se a aceitação e confiança em relação ao aluno.

Mizukami (1986) cita Rogers (1972, p.104-5), sendo este é um autor com uma proposta representada pela psicologia humanista, o ensino centrado no aluno:

O único homem que se educa é aquele que aprendeu como aprender; que a aprendeu como se adaptar e mudar; que se capacitou de que nenhum conhecimento é seguro, que nenhum processo de buscar conhecimento oferece uma base de segurança. Mutabilidade, dependência de um processo antes que de um conhecimento estático, eis a única coisa que tem certo sentido como objetivo da educação, no mundo moderno. (MIZUKAMI, 1986, p.44).

Um ponto principal que vem de encontro com a questão pesquisada, nesta abordagem, são as relações EU-TU e nunca EU-ISTO, citado por Mizukami (1986), o professor compreende empaticamente e aceita o aluno, com isso, desenvolve um clima favorável para a aprendizagem e, portanto, o aluno se autodesenvolve e o processo de aprendizagem fica facilitado, o que, neste estudo, é um ponto de reflexão para os professores que ministram aulas de Matemática no Ensino Superior.

Na questão, desenvolvida na Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem, “Considerar que se o aluno não aprendeu significa que o professor não ensinou.”, os professores pesquisados necessitam rever suas perspectivas sobre este questionamento.

Freire (2011) aponta que:

[...] É que o processo de aprender, em que historicamente descobrimos que era possível ensinar como tarefa não apenas embutida no aprender, mas perfilada em si, com relação a aprender, é um processo que pode deflagrar no aprendiz uma curiosidade crescente, que pode torná-lo mais e mais criador. O que quero dizer é o seguinte: quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e desenvolve o que venho chamando “curiosidade epistemológica”, sem a qual não alcançamos o conhecimento cabal do objeto. (FREIRE, 2011, p. 26-27).

Assim, o autor reafirma que o aluno aprende sem a necessidade do professor ensinar, o aprender está firmado na curiosidade progressista do aprendiz.

Novamente na questão “Considerar que o processo de ensino e aprendizagem deve ser indissociado da pesquisa” questionada na Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem, os professores pesquisados carecem de apropriar-se da condição de pesquisadores no ensino-aprendizagem.

Em Freire (2011) ensinar exige pesquisa:

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE, 2011, p. 31).

Para este autor, a pesquisa, a procura, a busca, fazem parte da natureza da prática docente. O professor deve se perceber e assumir como pesquisador no processo de ensino- aprendizagem.

Especificamente a questão, “Considerar o processo de ensino-aprendizagem deve predominar ações verbais e de memorização dos conteúdos”, na Categoria Concepções do Processo de Ensino e Aprendizagem desta pesquisa, está alinhada ao aspecto da abordagem tradicional citada em Mizutani (1986). O conteúdo é visto com configuração terminada. Desta

forma, as tarefas são padronizadas, o que, segundo Mizukami (1986, p.14) implica “[...] poder recorrer-se à rotina para se conseguir a fixação de conhecimentos/conteúdos/informações”.

Nesta seção buscou-se demonstrar os resultados, as análises e as interpretações confrontando com os autores que regem estas questões e realizou-se uma análise de correlação entre as Categorias estudadas. Na próxima seção será caracterizada e discutida a “Modelagem Matemática” como uma metodologia de ensino que colabora para que a Formação Profissional do Professor satisfaça a formação específica, continuada e pedagógica do mesmo e estabelece saberes que contribuem para a prática docente constante na seção 2; e que está próxima das teorias da Aprendizagem explicitadas na Seção 3.

6 MODELAGEM MATEMÁTICA: POSSIBILIDADE DE ENSINAR E APRENDER