• Nenhum resultado encontrado

Interpreta¸c˜ ao geom´ etrica da conjuga¸c˜ ao Caso Sela

sendo f , g, A e B fun¸c˜oes C∞, com λ 6= 0, f (0) 6= 0, g(0) = 0, j∞A(0, 0) = 0 e

j∞B(0, 0) = 0.

Prova: O Lema 5.1.9 garante a existˆencia de pelo menos uma variedade central para o sistema (5.30). Assim, escolhemos uma variedade central dada pelo gr´afico de uma fun¸c˜ao ρ de classe C∞ com j∞ρ(0) = 0. Tomemos a mudan¸ca de coordenadas da forma

(u, v) = (x, y − ρ(x)). Da´ı,    ˙u = ˙x, ˙v = ˙y − ρ0(x) ˙x, isto ´e,   

˙u = um(f (u) + u ˜A(u, v)),

˙v = v(λ + g(u) + u ˜B(u, v)) − ρ0(u)(umf (u) + um+1A(u, v)),˜

(5.63)

onde ˜A(u, v) = A(u, v − ρ(u)) e ˜B(u, v) = B(u, v − ρ(u)).

Observe que v = 0 se, e somente se, (x, y) ´e um ponto do gr´afico de ρ. Logo, pr´oximo a (0, 0), o eixo v = 0 ´e invariante pelo sistema (5.63).

Ainda, podemos reescrever o sistema (5.63) da forma

 

˙u = um(f (u) + u ˜A(u, v)),

˙v = v(λ + g(u)) + uB(u, v),˜˜

(5.64)

onde B(u, v) = v ˜˜˜ B(u, v)) − ρ0(u)(um−1f (u) + umA(u, v)). Note que˜ B ´˜˜ e flat na origem,

visto que ˜B e ρ tamb´em s˜ao.

Analogamente ao Lema 5.1.4, temos queB(u, 0) = 0, se u ´˜˜ e pequeno. Disso, segue que ∂θB(u, 0) = 0, se u ´˜˜ e pequeno e θ ´e da forma (θ1, 0).

Usando a F´ormula de Taylor em (u, 0) obtemos, de modo an´alogo a (5.17), que

˜ ˜

B(u, v) = v ˜H(u, v),

onde ˜H(u, v) = ∂(0,1)B(u, 0)+v˜˜ R1

0(1−t)∂

(0,2)B((u, 0)+t(0, v))dt. Renomeando os termos,˜˜

segue que o sistema (5.30) pode ser escrito da forma (5.62).

´

E poss´ıvel demonstrar que, atrav´es de uma mudan¸ca de coordenadas σ de classe C∞ com a propriedade de que σ ´e infinitamente tangente `a identidade em (0, 0), os termos flat’s A e B do sistema (5.62) podem ser removidos. Os detalhes da constru¸c˜ao dessa mudan¸ca de coordenadas podem ser encontrados na Se¸c˜ao 2.7 de Dumortier et al (2006). Assim, podemos supor que o campo definido pelo sistema (5.62) ´e C∞-conjugado ao campo definido por    ˙x = xmf (x), ˙ y = y(λ + g(x)), (5.65)

onde f e g s˜ao fun¸c˜oes C∞, λ 6= 0, f (0) 6= 0 e g(0) = 0.

Nosso pr´oximo objetivo ´e realizar uma mudan¸ca de coordenadas que transforme o sistema (5.65) numa forma polinomial adequada. Para isso, o resultado que segue ´e o argumento principal.

Proposi¸c˜ao 5.1.11 Seja

˙u = um(1 + g(u)) (5.66)

uma equa¸c˜ao diferencial em R, onde m ∈ N com m > 2, g uma fun¸c˜ao de classe C∞ e g(0) = 0. Ent˜ao, existe uma mudan¸ca de coordenadas da forma

u = x(1 + α(x)), (5.67)

com α uma fun¸c˜ao de classe C∞ satisfazendo α(0) = 0, que conjuga suavemente o campo definido pela equa¸c˜ao (5.66) com o campo definido por

˙x = xm(1 + axm−1), (5.68)

para algum a ∈ R.

Prova: Faremos a prova por etapas mas, primeiramente, observemos que a composi¸c˜ao de finitas mudan¸cas de coordenada da forma (5.67) com α(0) = 0 ´e, tamb´em, da forma (5.67) com α(0) = 0.

Etapa 1: se g(u) = alul+ O(|x|l+1) e 1 6 l 6 m − 2, ent˜ao existe c ∈ R tal que a

mudan¸ca de coordenadas

u = x(1 + cxl) (5.69)

conjuga o campo definido pela equa¸c˜ao (5.66) com o campo dado pela equa¸c˜ao

˙x = xm(1 + g(x)), (5.70)

com g(x) = O(|x|l+1).

De fato, de (5.66) e (5.69) segue que,

˙x(1 + c(l + 1)xl) = xm(1 + cxl)m[1 + alxl(1 + cxl)l+ O(|x|l+1)]

= xm(1 + cmxl+ O(|x|2l))(1 + alxl+ O(|x|2l) + O(|x|l+1)]

= xm(1 + cmxl+ O(|x|2l))(1 + alxl+ O(|x|l+1), isto ´e, ˙x(1 + c(l + 1)xl) = xm(1 + cmxl+ alxl+ O(|x|l+1). (5.71) Note que 1 1 + c(l + 1)xl = 1 − c(l + 1)x l + (c(l + 1)xl)2 − (c(l + 1)xl)3+ · · · = 1 − c(l + 1)xl+ (c(l + 1)xl)2(1 − c(l + 1)xl+ · · · ) = 1 − c(l + 1)xl+ (c(l + 1)xl)2  1 1 + c(l + 1)xl  = 1 − c(l + 1)xl+ O(|x|2l).

Disso e de (5.71), segue que

˙x = xm(1 + cmxl+ alxl+ O(|x|l+1)(1 − c(l + 1)xl+ O(|x|2l))

= xm(1 − c(l + 1)xl+ xl(al+ cm) + O(|x|l+1),

ou seja,

˙x = xm(1 + xl(c(−l − 1 + m) + al) + O(|x|l+1)). (5.72)

De (5.72), observamos que existe c tal que o coeficiente de xl se anula, logo, temos o afirmado na Etapa 1.

Etapa 2: se g(u) = aum−1 + a

lul+ O(|u|l+1) e l = m, m + 1, · · · , 2m − 3, ent˜ao

existe c ∈ R tal que a mudan¸ca de coordenadas

conjuga a equa¸c˜ao diferencial (5.66) com a equa¸c˜ao diferencial

˙x = xm(1 + g(x)), (5.74)

com g(x) = O(|x|l+1).

De fato, utilizando argumentos an´alogos aos da Etapa 1 obtemos que, para todo c ∈ R, a mudan¸ca de coordenadas (5.73) conjuga o campo dado pela equa¸c˜ao (5.66) com o campo definido pela equa¸c˜ao

˙x = xm(1 + axm−1 + xl(al− cl − c + mc) + O(|x|l+1)). (5.75)

De (5.75), observamos que existe c tal que o coeficiente de xl se anula, logo, temos o

afirmado na Etapa 2.

Etapa 3: existe uma mudan¸ca de coordenadas da forma (5.67), com α(0) = 0, que conjuga suavemente o campo dado pela equa¸c˜ao (5.66) com o campo definido por

˙x = xm(1 + g(x)), (5.76)

com g(x) = axm−1+ O(|x|N), onde N > 2m − 2.

De fato, basta aplicar a Etapa 1 com l = 1, 2, · · · , m − 2 e a Etapa 2 com l = m, m + 1, · · · , 2m − 3, sucessivamente.

Etapa 4: existe uma mudan¸ca de coordenadas da forma

u = x(1 + bxm−1), (5.77)

para b = −a/m, que conjuga suavemente o campo definido pela equa¸c˜ao

˙u = um(1 + g(u)),

sendo g(u) = aum−1+ O(|u|N), com o campo definido pela equa¸c˜ao

˙x = x

m

1 − bxm−1(1 + h(x)), (5.78)

De fato, de (5.77) segue que ˙x(1 − bxm−1) = xm(1 + bxm−1)m(1 + axm−1(1 − bxm−1)m−1+ O(|x|N)) = xm(1 + bmxm−1 + O(|x|2m−2))(1 + axm−1(1 + (m − 1)bxm−1+ + O(|x|2m−2)) + O(|x|N)) = xm(1 + bmxm−1 + O(|x|2m−2))(1 + axm−1+ O(|x|2m−2)+ + O(|x|N)) = xm(1 + bmxm−1 + O(|x|2m−2))(1 + axm−1+ O(|x|2m−2)) = xm(1 + axm−1+ bmxm−1 + O(|x|2m−2)), isto ´e, ˙x = x m 1 − bxm−1(1 + O(|x| 2m−2 )).

Isso mostra o afirmado na Etapa 4.

Etapa 5: existe uma mudan¸ca de coordenadas da forma

u = x(1 + y(x))

com y uma fun¸c˜ao de classe C∞ e y(0) = 0, que conjuga suavemente o campo definido por

˙u = u

m

1 − aum−1(1 + g(u)),

sendo g(u) = O(|u|2m−2), com o campo definido por

˙x = x

m

1 − axm−1. (5.79)

Tomemos a mudan¸ca de coordenadas

u = x(1 + y(x)), donde ˙u = ˙x  1 + y(x) + xdy dx  ,

que, por simplicidade, escreveremos

˙u = ˙x  1 + y + xdy dx  . Da´ı, ˙x = x m(1 + y)m 1 − axm−1(1 + y)m−1 1 + O(|x|2m−2) 1 + y + xdxdy . (5.80)

Igualando (5.79) e (5.80), temos  1 + y + xdy dx  = (1 − ax m−1)(1 + y)m 1 − axm−1(1 + y)m−1(1 + ˜B(x, y)), (5.81)

onde ˜B(x, y) = O(|x|2m−2) e, portanto, y(x) deve ser a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (5.81). De (5.81), segue que

1 + y + xdy dx =

(1 − axm−1)(1 + my + y ˜A(x, y))(1 + ˜B(x, y))

1 − axm−1− axm−1(m − 1)y + y ˜C(x, y)

= (1 + my − ax

m−1+ yA(x, y))(1 + ˜˜˜ B(x, y))

1 − axm−1+ yC(x, y)˜˜

,

onde ˜A(0, 0) = 0, ˜C(0, 0) = 0, A(0, 0) = 0,˜˜ C(0, 0) = 0 e ˜˜˜ B(x, y) = O(|x|2m−2). Da´ı,

1 + y + xdy

dx = (1 + my − ax

m−1+ y ¯A(x, y) +B(x))(1 + ax˜˜ m−1+ yA(x, y) + ¯˜˜ C(x)),

onde ¯A(0, 0) = 0,B = O(|x|˜˜ 2m−2) e ¯C(x) = O(|x|2m−2) e, logo, y deve ser solu¸c˜ao de

xdy

dx = y((m − 1) + A(x, y)) + B(x, y), (5.82) com A(0, 0) = 0 e B(x, y) = O(|x|2m−2). Na Etapa 7 mostraremos que a equa¸c˜ao (5.82)

tem solu¸c˜ao C∞ definida em uma vizinhan¸ca da origem.

Etapa 6: existe uma mudan¸ca de coordenadas da forma

u = x(1 + y(x)) (5.83)

com y(0) = 0, que conjuga C∞ o campo definido pela equa¸c˜ao

˙u = u

m

1 − aum−1

com o campo dado pela equa¸c˜ao

˙x = xm(1 + axm−1). (5.84)

A demonstra¸c˜ao da Etapa 6 ´e an´aloga a da Etapa 5 e, portanto, ser´a omitida.

Etapa 7: a equa¸c˜ao diferencial

xdy

com A(0, 0) = 0 e B(x, y) = O(|x|2m−2), tem solu¸c˜ao da forma

y(x) = x2m−3Y (x),

onde Y ´e uma fun¸c˜ao de classe C∞ em uma vizinhan¸ca da origem.

As solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial (5.85), para x 6= 0, s˜ao dadas pela solu¸c˜ao do sistema    ˙x = x, ˙

y = y((m − 1) + A(x, y)) + B(x, y),

(5.86)

onde A(0, 0) = 0 e B(x, y) = O(|x|2m−2).

Usando o blow-up na dire¸c˜ao x dado por

(x, y) = (u, vu2m−3), (5.87)

temos que

˙

y = ˙vu2m−3+ (2m − 3)u2m−4˙uv,

donde, notando que ˙u = u, segue que

vu2m−3((m − 1) + ˜A(u, v)) + ˜B(u) = ˙vu2m−3+ (2m − 3)u2m−3v,

onde ˜A(u, v) = A(u, vu2m−3) e ˜B(u) = B(u). Da´ı,

˙v = v(2 − m) + ˜A(u, v) + ¯B(u)

com ¯B(u) = ˜B(u)/u2m−3.

Portanto, o blow-up (5.87) transforma o sistema (5.86) no sistema

   ˙u = u, ˙v = v((2 − m) + ˜A(u, v)) + ¯B(u, v), (5.88)

onde ˜A(0, 0) = 0 e ¯B(x, y) = O(|x|4m−5).

Note que 4m − 5 > m para todo m > 2, isto ´e, ¯B(u, v) = O(|u|2) e, logo, ∂ ¯B(u,v)∂u = O(|u|). Ainda, notemos que (0, 0) ´e a ´unica singularidade de (5.88).

Da´ı, observando que a matriz jacobiana do campo definido pelo sistema (5.88) no ponto (0, 0) ´e " 1 0 0 2 − m # ,

e segue que (0, 0) ´e uma singularidade semi-hiperb´olica, quando m = 2 e, uma sela hiperb´olica, quando m > 3.

Em ambos os casos, existe uma variedade inst´avel invariante de classe C∞ (resp. Cω) que ´e o gr´afico de uma fun¸c˜ao (x, Y (x)). Logo, a fun¸c˜ao y(x) = x2m−3Y (x) fornece

uma solu¸c˜ao de (5.85).

Aplicando convenientemente a Proposi¸c˜ao 5.1.11 ao sistema (5.65), encontraremos as formas normais C∞ para sistemas do tipo (5.1) concluindo, assim, a demonstra¸c˜ao das afirma¸c˜oes C∞ do Teorema 5.0.1. Observe que todas as mudan¸cas de coordenadas anteriores produziam campos C∞-conjugados. No entanto, o pr´oximo resultado trata de campos C∞-equivalentes.

Lema 5.1.12 Se m ´e par, ou se m ´e ´ımpar mas f (0) > 0, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo definido pelo sistema (5.65) ´e C∞-equivalente ao campo dado pelo sistema    ˙x = xm(1 + axm−1), ˙ y = y, (5.89)

sendo a ∈ R. Se m ´e ´ımpar e f (0) < 0, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo definido pelo sistema (5.65) ´e C∞-equivalente ao campo dado pelo sistema

   ˙x = −xm(1 + axm−1), ˙ y = y, (5.90) sendo a ∈ R.

Prova: Primeiro, utilizando o Lema 2.0.4, multiplicamos o sistema (5.65) por (λ + g(x))−1, obtendo que o sistema (5.65) ´e C∞-equivalente ao sistema

   ˙x = xm(b + ˜f (x)), ˙ y = y, (5.91)

para alguma fun¸c˜ao ˜f de classe C∞ satisfazendo ˜f (0) = 0 e b = f (0)/λ.

Como λ > 0, segue que se m ´e par, ou se m ´e ´ımpar mas f (0) > 0, ent˜ao m−1√b ∈ R e a mudan¸ca linear de coordenadas dada por (x, y) 7→ (m−1√

bx, y) conjuga o campo definido pelo sistema (5.91) com o campo dado por

   ˙x = xm(1 + ¯f (x)), ˙ y = y, (5.92)

sendo ¯f uma fun¸c˜ao de classe C∞ tal que ¯f (0) = 0.

Se m ´e ´ımpar e f (0) < 0 ent˜ao a mudan¸ca linear de coordenadas dada por (x, y) 7→ (m−1√−bx, y) conjuga o campo definido pelo sistema (5.91) com o campo dado por

   ˙x = −xm(1 + ¯f (x)), ˙ y = y, (5.93)

sendo ¯f uma fun¸c˜ao de classe C∞ tal que ¯f (0) = 0.

Basta aplicar a mudan¸ca de coordenadas (x, y) 7→ (x(1 + α(x)), y), sendo α dada pela Proposi¸c˜ao 5.1.11, aos campos definidos pelos sistemas (5.92) e (5.93).

5.2

RESULTADOS TOPOL ´OGICOS

Seja X um campo planar com a origem uma singularidade isolada semi-hiperb´olica. Na se¸c˜ao anterior vimos que existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo X ´e C∞-equivalente ao campo dado pelo sistema (5.92) ou (5.93). Diremos que X est´a no sua forma normal quando considerarmos X dado pelo sistema (5.92) ou (5.93), sendo m = 2, 3, ... e a ∈ R.

Para entendermos como ´e o retrato de fase de X pr´oximo `a origem, vamos conjugar topologicamente o campo X com campos cujos retratos de fase j´a s˜ao conhecidos, isto ´e, vamos encontrar modelos topol´ogicos para as formas normais. Para tal, vamos dividir esta se¸c˜ao em trˆes subse¸c˜oes.

5.2.1

PRIMEIRO CASO - N ´O

Nessas condi¸c˜oes, vamos demonstrar o lema abaixo:

Lema 5.2.1 Se m ´e um n´umero ´ımpar ≥ 3 e a ∈ R, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo X definido pelo sistema

   ˙x = xm(1 + axm−1), ˙ y = y, (5.94)

´e C0-conjugado ao campo L dado pelo sistema    ˙x = x, ˙ y = y. (5.95)

Prova: Seja X o campo dado pelo sistema (5.94) e consideremos o aberto V0 contendo

a origem tal que (0, 0) ´e a ´unica singularidade de X|V0.

A prova ser´a dividida em v´arios passos, sendo que a desigualdade mais importante ´e apresentada no Passo 1.

Passo 1: Existe r > 0 tal que para todo (x, y) ∈ Br((0, 0)) − {(0, 0)} vale

h(x, y), X(x, y)i 6= 0, sendo h·, ·i o produto interno usual de R2.

De fato, note que

h(x, y), X(x, y)i = xm+1+ ax2m+ y2. (5.96)

Tomando r < 1/(2|a| + 1) segue que para |x| < r temos |x|m−1 < r, logo

(2|a| + 1)|x|m−1 < 1 ⇒ 2|a||x|m−1 < 1 ⇒ |axm−1| < 1 2, isto ´e, |x| < r ⇒ |ax|m−1 < 1 2. (5.97) Segue de (5.96) e (5.97) que |x| < r ⇒ x m+1 2 + y 2 < h(x, y), X(x, y)i < 3x m+1 2 + y 2, (5.98)

mostrando o primeiro passo.

Diminuindo r > 0 se necess´ario, podemos supor Br((0, 0)) ⊂ V0.

Passo 2: Sr((0, 0)) ´e uma se¸c˜ao transversal local dos campos X e L, para todo

(x, y) ∈ Sr((0, 0)).

De fato, como

h(x, y), L(x, y)i = x2+ y2 6= 0,

segue que L(x, y) n˜ao pertence ao espa¸co tangente a Sr((0, 0)) no ponto (x, y). De (5.98)

segue conclus˜ao an´aloga para X(x, y), o que mostra o resultado.

Passo 3: A fun¸c˜ao V (x, y) = (x2+ y2)/2 ´e uma fun¸c˜ao de Liapounov estrita do

campo −X no ponto (0, 0).

De fato, note que

V (0, 0) = 0 e V (x, y) > 0 para (x, y) ∈ Br((0, 0)) − {(0, 0)}. De (5.98) segue que h(x, y), −X(x, y)i < −x m+1 2 − y 2, isto ´e, ˙ V (x, y) < −x m+1 2 − y 2,

mostrando que

˙

V (x, y) < 0, ∀(x, y) ∈ Br((0, 0)) − {(0, 0)},

e, logo, mostrando o Passo 3.

Passo 4: Seja ϕ o fluxo do campo X. Vamos mostrar que existe 0 < r1 6 r tal

que

lim

t→−∞ϕ(t, x, y) = 0, ∀(x, y) ∈ Br1((0, 0)) − {(0, 0)},

isto ´e, todas as ´orbitas de X “emanam” do ponto (0, 0).

De fato, do Passo 3 e do Teorema 1.5.3, segue que existe 0 < r1 6 r tal que

k(x, y)k ⇒ lim

t→∞ϕ(−t, x, y) = 0, (5.99)

isto ´e, (0, 0) ´e singularidade assintoticamente est´avel do campo −X. Observe que de (5.99), temos que

lim

t→−∞ϕ(t, x, y) = 0, ∀(x, y) ∈ Br1((0, 0)) − {(0, 0)}.

Mostramos, assim, o quarto passo.

Passo 5: A aplica¸c˜ao t 7→ kϕ(t, x, y)k ´e crescente para todo (x, y) ∈ Br1((0, 0)) −

{(0, 0)}.

De fato, note que

d

dtkϕ(t, x, y)k

2

= 2hϕ(t, x, y), X(ϕ(t, x, y))i, ∀(x, y) ∈ R2. Portanto, de (5.98), segue que

d

dtkϕ(t, x, y)k

2 > ϕ1(t, x, y)m+1

2 + ϕ2(t, x, y) > 0, ∀(x, y) ∈ Br1((0, 0)) − {(0, 0)},

onde ϕ(t, x, y) = (ϕ1(t, x, y), ϕ2(t, x, y)).

Logo, a aplica¸c˜ao t 7→ kϕ(t, x, y)k2´e crescente para todo ponto (x, y) ∈ B

r1((0, 0))−

{(0, 0)} e o mesmo vale para a aplica¸c˜ao t 7→ kϕ(t, x, y)k, como quer´ıamos mostrar.

Do Passo 4 conclu´ımos que toda trajet´oria do campo −X, iniciando em pontos de Br1((0, 0)) − {(0, 0)}, est´a contida no compacto Br1[(0, 0)] para todo t > 0. Ainda, pelo

Passo 5, temos que t 7→ kϕ(−t, x, y)k ´e decrescente para todo (x, y) ∈ Br1((0, 0))−{(0, 0)}.

Assim, do Teorema de Poincar´e-Bendixson temos que o conjunto ω−limite de (x, y) rela- tivo ao campo −X s´o pode ser ou um foco ou uma ´orbita peri´odica. No pr´oximo passo

descartamos a segunda possibilidade.

Passo 6: Vamos mostrar que os eixos x = 0 e y = 0 s˜ao invariantes pelo fluxo de X.

Toda fun¸c˜ao da forma t 7→ (0, ety) ´e solu¸c˜ao do sistema (5.94). Da´ı segue que o eixo x = 0 ´e invariante pelo fluxo de X. Analogamente, se t 7→ x(t) ´e solu¸c˜ao da primeira equa¸c˜ao do sistema (5.94), ent˜ao t 7→ (x(t), 0) ´e solu¸c˜ao do sistema (5.94). Da´ı segue que o eixo y = 0 ´e invariante pelo fluxo de X.

Dos passos anteriores segue que, para todo (x, y) ∈ Br1((0, 0)) − {(0, 0)}, existe

t0 > 0 tal que

kϕ(t0, x, y)k2 = r1.

Ainda, sabemos que d

dtkϕ(t, x, y)k

2 6= 0, ∀(x, y) ∈ B

r1((0, 0)) − {(0, 0)}.

Logo, pelo Teorema da Fun¸c˜ao Impl´ıcita, a fun¸c˜ao

τ : Br1[(0, 0)] − {(0, 0)} → R

(x, y) 7→ τ(x,y)

definida por kϕ(τ(x,y), x, y)k = r1, ´e de classe Ck, com k = 1, 2, · · · , ∞ ou k = ω (depen-

dendo do campo X).

Vamos tomar por r2 = min{r1, 1}. Denotando por ψ o fluxo do campo L, definimos

a fun¸c˜ao h : Br2[(0, 0)] → R 2 por h(x, y) =   

ψ(−τ(x,y), ϕ(τ(x,y), x, y)), se (x, y) 6= (0, 0),

0, se (x, y) = (0, 0).

(5.100)

Geometricamente, podemos interpretar h como a Figura 5.5.

Passo 7: Mostraremos que h, definida em (5.100), ´e um homeomorfismo.

Observa-se que para (x, y) 6= (0, 0), h ´e cont´ınua visto que ´e uma composi¸c˜ao de fun¸c˜oes cont´ınuas. Nosso objetivo, ent˜ao, ´e mostrar que

lim

(x,y)→(0,0)kh(x, y)k = 0.

Note que, de (5.98), temos, para (x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)}, que

h(x, y), X(x, y)i 6 3 2x

Figura 5.5: Interpreta¸c˜ao geom´etrica da aplica¸c˜ao h. 𝑥 𝑥 𝑦 (𝑥, 𝑦) ℎ(𝑥, 𝑦)

Ainda, para (x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)}, vale

xm−1 < r2 ⇒ xm−1 < 1 ⇒ xm+1 < x2. (5.102)

Logo, de (5.101) e de (5.102), segue que

h(x, y), X(x, y)i 6 3

2k(x, y)k

2

, ∀(x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)}. (5.103)

De (5.103) segue que, para (x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)},

d dtkϕ(t, x, y)k 2 6 3 2kϕ(t, x, y)k 2. (5.104) Integrando (5.104) de 0 a t, temos lnkϕ(t, x, y)k 2 k(x, y)k2 6 3 2t, ∀(x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)} e t > 0,

que implica que

e−32t 6 k(x, y)k 2

kϕ(t, x, y)k2, ∀(x, y) ∈ Br2((0, 0)) − {(0, 0)} e t > 0. (5.105)

Ainda, note que, para todo (x, y) ∈ Br2[(0, 0)]

kh(x, y)k = kψ(−τ(x,y), x, y)k

6 ke−τ(x,y)kkϕ(τ

(x,y), x, y)k

isto ´e,

kh(x, y)k 6 ke−τ(x,y)kr. (5.106)

De (5.105) e (5.106), segue que

lim

(x,y)→(0,0)h(x, y) = (0, 0).

Logo, h ´e cont´ınua. ´E poss´ıvel verificar que h possui uma fun¸c˜ao inversa h−1 defi- nida em uma vizinhan¸ca compacta da origem por uma express˜ao an´aloga a de h. Como Br2[(0, 0)] ´e compacto, h

−1 ´e cont´ınua mostrando, assim, o Passo 7.

Passo 8: Existe uma vizinhan¸ca da origem na qual h conjuga topologicamente os campos X e L.

De fato, vamos considerar os pontos (x, y) ∈ Br2[(0, 0)] e h dado em (5.100).

Mostraremos que

h(ϕ(t, x, y)) = ψ(t, h(x, y)), ∀(x, y) ∈ Br2[(0, 0)].

Note que, se (x, y) = (0, 0), temos

h(ϕ(t, x, y)) = h(0, 0) = 0 = ψ(0, 0) = ψ(t, h(x, y)).

Se (x, y) 6= (0, 0), ent˜ao

h(ϕ(t, x, y)) = ψ(−τϕ(t,x,y), ϕ(τϕ(t,x,y), ϕ(t, x, y)))

= ψ(−τϕ(t,x,y), ϕ(τ(x,y)− t, ϕ(t, x, y)))

= ψ(−τϕ(t,x,y), ϕ(τ(x,y), x, y))

= ψ(t − τ(x,y), ϕ(τ(x,y), x, y))

= ψ(t, ψ(−τ(x,y), ϕ(τ(x,y), x, y))

= ψ(t, h(x, y)).

Concluindo, assim, o Passo 8.

Atrav´es dos passos anteriores, conclu´ımos o lema.

5.2.2

SEGUNDO CASO - SELA

Lema 5.2.2 Se m ´e um n´umero ´ımpar ≥ 3 e a ∈ R, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo X definido pelo sistema

   ˙x = −xm(1 + axm−1), ˙ y = y, (5.107)

´e C0-conjugado ao campo L dado pelo sistema    ˙x = −x, ˙ y = y. (5.108)

Prova: Consideremos o aberto V0contendo a origem tal que (0, 0) ´e a ´unica singularidade

de X|V0. Ainda, seja ϕ o fluxo de X e ψ o fluxo de L. Assim, temos que

ϕ(t, x, y) = (ϕ1(t, x, y), ϕ2(t, x, y)) = (ϕ1(t, x, y), ety)

e

ψ(t, x, y) = (ψ1(t, x, y), ψ2(t, x, y)) = (e−tx, ety).

Note que ϕ1 e ψ1 s˜ao independentes de y.

Passo 1: Existe 0 < r < 1 tal que

0 < x < r =⇒ 0 6 ψ1(t, x, y) 6 ϕ1(t, x, y). (5.109)

De fato, como visto no caso anterior, existe r > 0 tal que

0 < x < r =⇒ 1 2x m < xm(1 + axm−1) < 3 2x m .

Disso, segue que se |x| < r ent˜ao

−xm(1 + axm−1) < −1 2x

m

.

Como m = 3, 5, · · · , diminuindo r se necess´ario, podemos escolher r tal que

0 < x < r =⇒ −xm(1 + axm−1) > −x.

Ent˜ao, para cada x0 fixo com 0 6 x0 < b, temos que as solu¸c˜oes t → ψ1(t, x0) e

t → ϕ1(t, x0) dos respectivos problemas de valor inicial

   ˙x = −x, x(0) = x0, e    ˙x = −xm(1 + axm−1), x(0) = x0,

satisfazem (5.109).

Passo 2: Se 0 6 x0 6 b, ent˜ao lim

t→+∞ϕ1(t, x0) = 0.

De fato, como a derivada de ϕ1´e negativa, temos que a aplica¸c˜ao t → ϕ1(t, x0) ´e de-

crescente e, assim, lim

t→∞ϕ1(t, x0) existe. Com isso, ´e poss´ıvel provar que limt→+∞ϕ1(t, x0) = 0.

Denotamos por C a transversal {x = b} ao campo X. Pelo Passo 2, existe uma fun¸c˜ao

σ : (0, r) × R → R, de classe C∞ tal que

ϕ(σ(x,y), x, y) ∈ C, ∀(x, y) ∈ (0, r) × R.

Sendo assim, definimos h : (0, r) × R → R2 por

h(x, y) = ψ(−σ(x,y), ϕ(σ(x,y), x, y)).

Geometricamente, podemos interpretar h como a Figura 5.6.

Figura 5.6: Interpreta¸c˜ao geom´etrica da aplica¸c˜ao h.

𝑥 𝑥 𝑦 (𝑥, 𝑦) ℎ(𝑥, 𝑦) b

Como as segundas equa¸c˜oes dos sistemas (5.107) e (5.108) s˜ao iguais, segue que h ´e da forma

para alguma fun¸c˜ao real h1 apropriada. Observe que h ´e uma composi¸c˜ao de fun¸c˜oes

cont´ınuas e, logo, h ´e cont´ınua. Nosso pr´oximo objetivo ´e demonstrar que h posssui ex- tens˜ao cont´ınua para uma vizinhan¸ca da origem.

Passo 3: Mostraremos que, para 0 6 x 6 b, temos |h1(x, y)| 6 x.

De fato, para 0 6 x 6 b, utilizando a desigualdade (5.109), temos h1(x, y) = ψ1(−σ(x,y), ϕ1(σ(x,y), x, y))

6 ϕ1(−σ(x,y), ϕ1(σ(x,y), x, y))

= ϕ1(0, x, y),

isto ´e,

h1(x, y) 6 x.

Passo 4: h possui extens˜ao cont´ınua H = (H1, H2) para [0, r) × R.

De fato, de (5.110) basta verificar que h1 possui extens˜ao cont´ınua para [0, r) × R.

Mas, pelo Passo 3, ´e suficiente definir

H1(x, y) =

(

h1(x, y), se 0 < x < r

0, se x = 0.

A prova de que H ´e uma conjuga¸c˜ao segue de modo an´alogo ao Caso N´o.

5.2.3

TERCEIRO CASO - SELA-N ´O

Neste caso, vamos demonstrar o lema abaixo:

Lema 5.2.3 Se m ´e um n´umero par ≥ 2 e a ∈ R, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo X definido pelo sistema

   ˙x = xm(1 + axm−1) ˙ y = y (5.111)

´e C0-conjugado ao campo L dado pelo sistema    ˙x = x2 ˙ y = y. (5.112)

Prova: O homeomorfismo ´e constru´ıdo como uma “colagem”dos homeomorfismos dos casos n´o e sela. O ponto principal a ser observado ´e que ambos os homeomorfismos constru´ıdos nos casos n´o e sela s˜ao iguais `a aplica¸c˜ao identidade sobre pontos do eixo vertical. Como ambos os homeomorfismos coincidem em um conjunto fechado, podemos definir uma fun¸c˜ao “colagem”cont´ınua.

Cap´ıtulo 6

SINGULARIDADES

NILPOTENTES

Neste cap´ıtulo vamos considerar campos vetoriais planares de classe Cω da forma

X = (P (x, y), Q(x, y)), onde P (x, y) e Q(x, y) s˜ao fun¸c˜oes reais anal´ıticas em um aberto de R2. Tal cap´ıtulo ´e baseado em Dumortier et al (2006).

Do Teorema de Grobman-Hartman e do Teorema 5.0.1, sabemos que no caso de campos de vetores planares, existem trˆes possibilidades topol´ogicas de retrato de fase local tanto em uma singularidade hiperb´olica quanto em uma singularidade semi-hiperb´olica isolada. Nesse cap´ıtulo verificaremos que existem sete possibilidades topol´ogicas de retra- tos de fase locais poss´ıveis para uma singularidade nilpotente isolada.

Vamos supor que X tenha uma singularidade nilpotente. Como visto no Cap´ıtulo 2 podemos transladar tal singularidade para origem por uma mundan¸ca de coordenadas. Assim, vamos considerar a origem como sendo a singularidade nilpotente de X. Sendo assim, da Teoria de Jordan, podemos supor que o campo X ´e da forma

   ˙x = y + A(x, y), ˙ y = B(x, y), (6.1)

com A e B s˜ao fun¸c˜oes de classe C∞com ordem de anulamento pelo menos dois na origem. O objetivo deste cap´ıtulo ´e demonstrar o seguinte resultado:

Teorema 6.0.1 (Singularidades Nilpotentes) Seja (0, 0) um ponto singular isolado do campo de vetores X dado por

˙x = y + A(x, y), ˙

y = B(x, y),

(6.2)

onde A e B s˜ao fun¸c˜oes reais anal´ıticas em uma vizinhan¸ca do ponto (0, 0) e, tamb´em, A(0, 0) = B(0, 0) = 0 e DA(0, 0) = DB(0, 0) = 0. Seja y = f (x) solu¸c˜ao da equa¸c˜ao

y + A(x, y) = 0 em uma vizinhan¸ca do ponto (0, 0). Consideremos F (x) = B(x, f (x)) e G(x) = (∂A/∂x + ∂B/∂y)(x, f (x)). Ent˜ao

[1.] se G(x) ≡ 0 e F (x) = axm+ o(|x|m), para m ∈ N e a 6= 0, ent˜ao

[1.i] se m ´e ´ımpar e a > 0, ent˜ao a origem de X ´e uma sela (Figura 6.1(a)) e se a < 0, ent˜ao a origem de X ´e ou um centro ou um foco (Figura 6.1 (b) ou (c) ou (d));

[1.ii] se m ´e par, ent˜ao a origem X ´e uma c´uspide (Figura 6.1(e));

[2.] se F (x) = axm+ o(|x|m) e G(x) = bxn+ o(|x|n), com n > 1, m ≥ 2, a 6= 0 e

b 6= 0, ent˜ao temos

[2.i] se m ´e par, e

[2.i.1] m < 2n + 1, ent˜ao a origem de X ´e uma c´uspide (Figura 6.1(e)); [2.i.2] m > 2n + 1, ent˜ao a origem de X ´e uma sela-n´o (Figura 6.1(f )); [2.ii] se m ´e ´ımpar e a > 0, ent˜ao a origem de X ´e uma sela (Figura 6.1(a)); [2.iii] se m ´e ´ımpar, a < 0 e

[2.iii.1] ou m < 2n + 1, ou m = 2n + 1 e b2+ 4a(n + 1) < 0, ent˜ao a origem

de X ´e ou um centro ou um foco (Figura 6.1(b) ou (c) ou (d));

[2.iii.2] n ´e ´ımpar e ou m > 2n + 1, ou m = 2n + 1 e b2 + 4a(n + 1) ≥ 0, ent˜ao o retrato de fase de X pr´oximo a origem consiste de um setor hiperb´olico e um setor el´ıptico (Figura 6.1(h));

[2.iii.3] n ´e par e ou m > 2n + 1, ou m = 2n + 1 e b2+ 4a(n + 1) ≥ 0, ent˜ao

a origem de X ´e um n´o (Figura 6.1(i) ou (j)). O n´o ´e atrator, se b < 0 e repulsor, se b > 0.

Figura 6.1: Possibilidades de retrato de fase no caso nilpotente.

(a) (b) (c) (d) (e)

(f) (g) (h) (i) (j)

6.0.1 caracteriza localmente os retratos de fase de campos pr´oximos `as singularidades nilpotentes isoladas.

Assim como no caso de singularidade semi-hiperb´olica, se as fun¸c˜oes A e B no sistema (6.2) s˜ao anal´ıticas e a singularidade (0, 0) ´e isolada, ent˜ao existe m > 2 tal que

dm

dxmf (0) 6= 0.

A verifica¸c˜ao desse fato ´e an´aloga a da Observa¸c˜ao 5.0.4.

6.1

RESULTADOS C

Utilizando os argumentos encontrados na p´agina 363 de Andronov et al (1973), verifica-se que a mudan¸ca da coordenadas u = x, v = y + A(x, y), ´e uma Cω−conjuga¸c˜ao

entre X e o campo definido pelo sistema 

˙u = v,

˙v = f (u) + vg(u) + v2B(u, v),˜

(6.3)

onde j1f (0),g(0) = 0 e ˜B uma fun¸c˜ao de classe Cω em uma vizinhan¸ca da origem.

´

E poss´ıvel verificar que, embora a fun¸c˜ao F do Teorema 6.0.1 seja diferente da fun¸c˜ao f do sistema (6.3), ambas tˆem exatamente a mesma ordem de anulamento e, al´em disso, o coeficiente do primeiro termo n˜ao nulo da F´ormula de Taylor de ambas coincide. Ainda, a fun¸c˜ao g no sistema (6.3) ´e, em geral, diferente da fun¸c˜ao G do enunciado do teorema 6.0.1. Ambas podem ter ordem de anulamento distintas, inclusive uma pode ter ordem de anulamento infinito na origem e a outra n˜ao. Tamb´em pode ocorrer de G e g possu´ırem distintos primeiros coeficientes n˜ao nulos em suas respectivas F´ormulas de Taylor. Mas verifica-se que a aplica¸c˜ao do teorema 6.0.1 conduz `as mesmas conclus˜oes se subsituirmos G por g. Os detalhes podem ser encontrados na p´agina 363 de Andronov et al(1973).

Podemos ent˜ao supor que

f (x) = axm+ o(|x|m), (6.4)

com a 6= 0. Al´em disso, ou

g(x) = bxn+ o(|x|n), (6.5)

com b 6= 0 ou j∞g(0) = 0.

Lema 6.1.1 Se a 6= 0 ent˜ao existe uma vizinhan¸ca da origem na qual o campo dado pelo sistema (6.3) ´e linearmente equivalente ao campo dado pelo sistema da forma

   ˙ X = Y, ˙

Y = Xm+ ˜bY (Xn+ o(|X|n)) + o(|X|m) + O(|Y |2),

se m ´e par, ou da forma    ˙ X = Y, ˙

Y = δXm+ ˜bY (Xn+ o(|X|n)) + o(|X|m) + O(|Y |2),

(6.7)

com δ = ±1, se m ´e ´ımpar. Al´em disso, ˜b = 1 se b 6= 0, e ˜b = 0 se b = 0.

Prova: Tomemos a mudan¸ca de coordenadas

(X(t), Y (t)) = (αu(γt), βv(γt)),

com αβγ 6= 0, sendo α, β e γ constantes a serem determinadas. Da´ı, ˙ X = αγY (t) β , (6.8) e de (6.4) e (6.5), temos ˙ Y = βγa αm X m+ βγo(|X|m) + γb αnY X n+ γY o(|X|n) + γ βY 2B(X, Y ). (6.9)

Tomemos, ent˜ao, αγ = β. Da´ı, ˙X = Y . Ainda

˙ Y = γ 2a αm−1X m+ γb αnY X

n+ o(|X|m) + Y o(|X|n) + O(|Y |2).

Suponha b 6= 0. Nesse caso, se m ´e par ent˜ao tomando α = m−1paγ2

temos γ2a/αm−1 = 1 e γ = αn/b resulta em γb/αn = 1. Caso m seja ´ımpar a argumenta¸c˜ao ´e an´aloga. O caso b = 0 tamb´em segue por argumentos similares.

6.2

RESULTADOS TOPOL ´OGICOS

Passamos agora ao estudo das singularidades do sistemas (6.6) e (6.7). N´os distin- guimos o estudo em trˆes casos, conforme o tipo de blow-up utilizado.

6.2.1

CASO m < 2n + 1

Come¸camos com a express˜ao

 

˙x = y,

˙

y = δxm+ y(bxn+ o(|x|n)) + O(|y|2),

Documentos relacionados