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Interrogatório Judicial

No documento Direito Processual Penal (páginas 31-35)

Provas em espécie

2) Interrogatório Judicial

Estudada a prova pericial, é necessário avançarmos no tema “provas em espécie”. O CPP nos traz, a partir do artigo 185, o interrogatório do réu/acusado, chamado de interrogatório judicial.

Professor, mas o que é “interrogatório”?

Interrogar é o ato de fazer perguntas à determinada pessoa, com a finalidade de se verificar circunstâncias ainda não provadas.

Veja:

Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado.

Dada a sua importância para o Processo Penal, podemos apontar algumas características:

É meio de prova → Isso porque está no título do CPP que trata das provas.

É meio de defesa → Isso porque o acusado pode exercer sua autodefesa por meio do interrogatório.

Autodefesa é a possibilidade de o réu se defender dos fatos imputados a ele. Isso é possível através do Direito de Presença e do Direito de Audiência. Em outras palavras, o réu tem o direito de estar presente no processo (Direito de Presença) e de ser ouvido nele (Direito de Audiência), por meio de seu interrogatório.

É ato sujeito à judicialidade → É ato presidido por um Juiz (magistrado).

Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado.

É ato assistido por um defensor técnico → Se o defensor do réu não estiver presente, o ato será nulo. Ninguém pode ser interrogado sem a presença de defesa técnica, pois esta é indisponível.

Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, constituído ou nomeado.

Art. 185, § 5º Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz garantirá ao réu o direito de entrevista prévia e reservada com o seu defensor; se realizado por videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos reservados para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso.

É meio de prova colhido sob o crivo do contraditório → Isso se explica porque o interrogatório, apesar de ser presidido pelo Juiz, é feito na presença do MP e do defensor do acusado, que podem, inclusive, perguntar para o réu.

É ato oral e individual → O sujeito fala no interrogatório. Além disso, cada réu deve ser ouvido de forma separada.

Art. 191. Havendo mais de um acusado, serão interrogados separadamente.

É ato bifásico (duas fases) → Na primeira fase, o Juiz pergunta em relação à qualificação do réu.

Na segunda fase, pergunta sobre fatos atribuídos a ele.

Conforme prevalece na doutrina, o réu não pode silenciar ou mentir na primeira fase, sob pena de cometer contravenção penal.

Art. 187. O interrogatório será constituído de duas partes: sobre a pessoa do acusado e sobre os fatos.

§ 1º Na primeira parte o interrogando será perguntado sobre a residência, meios de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais.

§ 2º Na segunda parte será perguntado sobre:

I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita

II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuí-la, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela

III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta IV - as provas já apuradas

V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde quando, e se tem o que alegar contra elas;

VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido;

VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração

VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa.

É ato protegido pelo direito ao silêncio → O réu não é obrigado a falar no interrogatório. Ele tem o direito de ficar calado. Tal silêncio não constitui confissão e nem poderá ser interpretado em

prejuízo do acusado (não utiliza-se a crença popular no sentido de que “se não falou é porque é culpado” ou “quem cala consente”).

Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas.

Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.

Preciso, ainda, falar de uma grande polêmica. Trata-se do artigo 260 do CPP.

Leia:

Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença Professor, qual o problema dele?

O artigo 260 trata da condução coercitiva. Em síntese, ele diz que se o acusado não quiser participar do interrogatório ou de outro ato processual, o Juiz poderá conduzi-lo coercitivamente.

Exemplo: Caio, rapaz que está respondendo criminalmente por ter cometido um furto, é intimado a comparecer à audiência para nela ser interrogado.

Caio decide não comparecer.

Sendo assim, o magistrado determina sua condução coercitiva, mandando policiais buscá-lo.

Professor, continuo não vendo o problema. A condução coercitiva é legal ou ilegal?

Para fins de prova, você precisa saber que o STF decidiu que a condução coercitiva para a realização de interrogatório é inconstitucional.

A Corte Suprema entendeu que uma eventual condução representa restrição da liberdade do indivíduo, que sequer foi condenado e, portanto, não é culpado.

No mesmo sentido, também foi citado que tal ato fere o direito ao silêncio.

Interrogatório Judicial Meio de

prova

Meio de defesa

Ato

judicial Assistido por defensor

Sujeito ao contraditório

Individual

e oral Bifásico Protegido pelo direito ao silêncio

Interrogatório como último ato da audiência.

Veja a previsão do artigo 400 do CPP, que traz o procedimento comum ordinário:

Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.

Note que o acusado deve ser interrogado por último!!!!! Isso se explica porque ele deve ser capaz de negar os argumentos expostos pela acusação.

Muita atenção aqui, pois a inversão na ordem do artigo 400 pode configurar uma nulidade, dependendo do caso concreto.

OBS: A Lei de Drogas (Lei 11.343/06) não traz o interrogatório como último ato da AIJ. No entanto, o Supremo Tribunal Federal diz que, mesmo assim, o acusado deverá ser ouvido no final da audiência.

Muita atenção, pois o STF tem entendimento diferente do que diz a Lei.

No documento Direito Processual Penal (páginas 31-35)

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