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4 Resultados e Discussão

M. interrupta seminigra

40 As antenas dos machos de Melipona seminigra são maiores que os das fêmeas com 3.994 µm em enquanto os dos machos de M. interrupta elas medem em média 3.697 µm e nas operárias, rainha virgem e rainha fecundada de M. interrupta medem 3.179 µm, 3.542 µm e 3.522 µm respectivamente e em M. seminigra 3.227 µm, 3953 µm e 3.755 µm. Nos machos de M. interrupta o menor segmento é o pedicelo e o maior é o último flagelômero, com o comprimento de 240 µm e 377 µm, respectivamente (Tabela 2). Nas castas de M. interrupta em operária o menor segmento é o oitavo flagelômero com 292 µm é o maior é o primeiro flagelômero com 354 µm (Tabela 3). Em rainha virgem o menor segmento é o pedicelo com 268 µm e o maior é o último flagelômero com 399 µm (Tabela 4). Em rainha fecundada o menor segmento é o pedicelo com 241 µm e o maior é o último flagelômero com 423 µm (Tabela 5). Em machos de M. seminigra o menor segmento é o pedicelo e o maior e o último flagelômero 209 µm e 429 µm (Tabela 6). Nas castas de M. seminigra em operária o menor segmento é o pedicelo com 249 µm e o maior o último flagelômero com 376 µm (Tabela 7). Em rainha virgem o menor segmento é o pedicelo com 235 µm e o maior é o último flagelômero com 415 µm (Tabela 8). Em rainha fecundada o menor segmento é o pedicelo com 250 µm e o maior é o último flagelômero com 437 µm (Tabela 9).

Tabela 2: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de MACHOS de

Melipona interrupta.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 209 ±15 28.040 ±4.594 1º 240 ±22 34.636 ±4.588 2º 358 ±14 71.223 ±4.436 3º 336 ±11 65.737 ±4.939 4º 325 ±8 60.073 ±4.225 5º 319 ±8 59.530 ±4.691 6º 311 ±8 61.364 ±1.215 7º 307 ±11 55.191 ±5.176 8º 309 ±8 54.713 ±4.968 9º 302 ±9 53.582 ±5.207 10º 304 ±8 52.688 ±4.236 11º 377 ±33 55.345 ±6.772

41 Tabela 3: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de OPERÁRIA de

Melipona interrupta.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 292 ±9 32.263 ±2.968 1º 354 ±23 61.437 ±5.531 2º 285 ±19 54.728 ±3.258 3º 303 ±12 54.166 ±2.112 4º 287 ±9 50.933 ±2.342 5º 276 ±7 48.279 ±3.032 6º 265 ±12 47.284 ±4.231 7º 263 ±9 46.941 ±3.725 8º 254 ±10 45.964 ±3.917 9º 255 ±19 45.909 ±4.803 10º 345 ±21 54.777 ±7.403

Tabela 4: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de RAINHA VIRGEM

de Melipona interrupta.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 268 ±11 30.991 ±3.148 1º 340 ±22 52.166 ±3.949 2º 301 ±15 47.833 ±3.178 3º 328 ±7 50.586 ±3.174 4º 334 ±10 49.582 ±3.469 5º 318 ±11 46.187 ±3.316 6º 312 ±11 45.754 ±2.368 7º 309 ±11 44.113 ±2.521 8º 316 ±16 44.801 ±2.924 9º 317 ±12 43.401 ±2.694 10º 399 ±18 51.300 ±2.667

Tabela 5: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de RAINHA

FECUNDADA de Melipona interrupta.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 241 ±23 27.112 ±1.495 1º 341 ±11 52.759 ±2.782 2º 301 ±10 47.802 ±2.343 3º 326 ±15 48.706 ±2.153 4º 330 ±10 48.706 ±2.153 5º 312 ±9 45.070 ±2.921 6º 309 ±8 44.044 ±1.891 7º 309 ±5 43.799 ±498 8º 312 ±3 43.738 ±993 9º 318 ±22 41.935 ±1.620 10º 423 ±13 52.288 ±3.788

42 Tabela 6: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de MACHO de

Melipona seminigra.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 244 ±25 29.395 ±6.684 1º 207 ±16 32.039 ±4.515 2º 361 ±23 71.853 ±3.532 3º 366 ±18 66.889 ±4.256 4º 356 ±16 65.523 ±3.267 5º 348 ±18 62.099 ±4.068 6º 349 ±19 61.295 ±3.443 7º 331 ±21 54.665 ±3.416 8º 340 ±20 56.089 ±5.913 9º 325 ±16 51.667 ±5.087 10º 338 ±9 52.993 ±4.097 11º 429 ±24 56.529 ±6.795

Tabela 8: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de RAINHA VIRGEM

de Melipona seminigra.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 250 ±27 28.047 ±5.672 1º 279 ±38 43.873 ±14.283 2º 350 ±40 48.713 ±15.963 3º 336 ±43 49.933 ±16.678 4º 347 ±41 51.166 ±15.345 5º 333 ±46 48.133 ±14.294 6º 336 ±43 19.073 ±14.771 7º 323 ±43 47.113 ±13.508 8º 350 ±37 49.159 ±13.104 9º 346 ±37 45.483 ±12.626 10º 437 ±41 51.126 ±9.301

Tabela 7: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de OPERÁRIA de

Melipona seminigra.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 249 ±17 35.725 ±2.656 1º 289 ±19 52.746 ±8.420 2º 280 ±38 55.555 ±1.915 3º 309 ±10 56.847 ±669 4º 306 ±35 55.318 ±1.765 5º 294 ±9 52.502 ±2.528 6º 292 ±9 52.227 ±1.287 7º 277 ±7 49.296 ±1.662 8º 275 ±14 51.848 ±5.128 9º 280 ±8 52.257 ±1.824 10º 376 ±15 63.801 ±5.244

43 Tabela 9: Comprimento e área em µm (micrometro) dos segmentos das antenas de RAINHA

FECUNDADA de Melipona seminigra.

Segmentos Comprimento Desvio Padrão Área Desvio Padrão

Pedicelo 235 ±19 30.457 ±3.256 1º 302 ±8 45.128 ±2.459 2º 335 ±8 53.210 ±2.064 3º 354 ±7 54.976 ±4.542 4º 357 ±5 53.745 ±2.987 5º 352 ±4 52.451 ±2.512 6º 350 ±3 49.673 ±2.119 7º 339 ±5 48.269 ±2.199 8º 360 ±10 49.367 ±1.438 9º 356 ±10 49.084 ±2.453 10º 415 ±16 51.141 ±5.742

4.1 - Características morfológicas das sensilas encontradas 4.2 - Sensilas tricóides (I ao VI)

Sensilas tricóides (ST) são representadas por um grupo de sensilas que se assemelham com pêlos, podendo ser curtas ou longas e estão inseridas na cutícula entre pequenas depressões. Devido às variações morfológicas dessas sensilas, as mesmas foram divididas em seis morfotipos diferentes (I ao VI). Esses tipos de sensilas se encontram distribuídas por toda a antena. Em M. interrupta e M. seminigra as sensilas tricóides são as mais abundantes na antena e estão presentes do segundo flagelômero até o último segmento antenal.

O número total de cada tipo de sensilas pode variar dependendo do sexo ou casta em ambas as espécies, mas a sensila STI e placóide são as sensilas de maior quantidade nas duas espécies (Figuras 14 e 15).

44 Figura 14: Número de sensilas por sexo e casta de Melipona interrupta. MA = macho; OP = operária; RV = rainha virgem e RF = rainha fecundada. STI = sensila tricóide tipo I; PL = sensila placóide; STII = sensila tricóide tipo II; STIII = sensila tricóide tipo III; SE = sensila setae; STIV = sensila tricóide tipo IV; STVI = sensila tricóide tipo VI; STV = sensila tricóide tipo V; SB = sensila basicônica; CO = sensila celocônica; CE = sensila cética; SA = sensila ampulácea; CA = sensila campaniforme (Legenda segue sequência decrescente).

45 Figura 15: Número de sensilas por sexo e casta de Melipona seminigra. MA = macho; OP = operária; RV = rainha virgem e RF = rainha fecundada. STI = sensila tricóide tipo I; PL = sensila placóide; STII = sensila tricóide tipo II; STIII = sensila tricóide tipo III; SE = sensila setae; STIV = sensila tricóide tipo IV; STVI = sensila tricóide tipo VI; STV = sensila tricóide tipo V; SB = sensila basicônica; CO = sensila celocônica; CE = sensila cética; SA = sensila ampulácea; CA = sensila campaniforme.

46 Em ambas as espécies, sensilas tricóides do tipo I (STI) são encontradas a partir do segundo flagelômero antenal até a parte distal da antena, sendo completamente ausente no pedicelo e no primeiro segmento (Figura 16). Dentre as sensilas tricóides, essa é a mais abundante (Figuras 14 e 15). Apresenta um formato que lembra uma ponta de lança com a base alargada e ápice afilado e sempre está inclinada no sentido da extremidade distal da antena (Figura 34A). Sensilas tricóides tipo I (STI), apresentam grande abundância em M. interrupta e M. seminigra, com uma distribuição homogênea a partir do segundo segmento em todas as castas e sexos. As operárias de M. interrupta são as que possuem maior quantidade de sensilas tricóides I, com 33,48 ± 18,15 (Tabela 10), enquanto as rainhas virgens possuem 28,46 ± 18,04, machos com 26,10 ± 18,17 e as rainhas fecundadas possuem apenas 20,56 ± 17,88 por área de 6.943 µm2, área referente aos 400 x 400 pixels utilizados para contagens das sensilas. As operárias possuem maior quantidade em sua antena e não há diferença significativa no número dessa sensila entre os machos e as rainhas (virgens e fecundadas).

Foi utilizado teste de ANOVA comparando as médias entre os sexos e castas de M. interrupta. A análise do número médio de sensilas STI em M. interrupta mostrou diferença significativa. O teste Tukey foi realizado sobre as categorias, operárias (OP) e machos (M), rainha fecundada (RF) e OP, rainha virgem (RV) e OP (p < 0,001) apresentaram diferenças no número médio de sensila STI. Em RF e MA, RV e MA, e RV e RF não houveram diferenças significativas (p > 0,5) (Figura 17). Em M. seminigra (F = 14.5, p < 0,001) o número médio de sensilas tricóides I é muito maior nos machos do que nas fêmeas, os machos possuem em média 62,68 ± 35,96 por área de 6.943 µm2 (Tabela 11), em seguida está a rainha virgem com 42,05 ± 25,56, operárias com 40,94 ± 22,36 e por último, rainha fecundada com 34,18 ± 20,78. Os machos sãos os que possuem maior quantidade dessa sensila, já nas fêmeas não houve diferença significativa na quatidade deste tipo de sensila. Entre OP e MA, RF e MA, RV e MA (p < 0,001) houveram diferenças significativas (Figura 18). Entre RF e OP, RV e OP, RV e RF (p > 0,2) não houve diferença significativa entre suas médias.

As sensilas STI apresentam função de quimiorrecepção e mecanorrecepção (Cruz- Landim, 2009), portanto, diferentes hábitos de forrageamento nas abelhas podem resultar em diferenças no número dessas sensilas presentes nas antenas. Ainda, tal diferença quanto ao número poderia estar relacionada à função que o indivíduo possui na colônia, levando a

47 indicação de que operárias necessitariam de maior número da sensila STI devido a sua função exclusiva no forrageamento para manutenção alimentar da colmeia.

48 SENSILA TRICÓIDE I

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 16: Distribuição das sensilas tricóide I nos flagelômeros antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricoide I.

49 Figura 17: Número de sensila tricóide I entre os sexos e castas de Melipona interrupta. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

Figura 18: Número de sensilas tricóide I entre os sexos e castas de Melipona seminigra. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

50 Sensilas tricóides II (STII) estão presentes em todos os flagelômeros antenais de ambas as espécies (Figura 19). A sensila tricóide do tipo II (STII) se assemelha a STI tendo sua base inclinada em direção à parte distal da antena, mas diferencia por ser muito mais fina, parecendo um chicote (Figura 34B). Dentre as treze sensilas encontradas, este é o terceiro tipo mais abundante na antena das castas de ambas as espécies. As rainhas virgens possuem maior número desta sensila entre as castas de M. interrupta com 7,2 ± 3,69, seguido por OP, RF e MA com 6,46 ± 3,16; 4,83 ± 3,31 e 3,02 ± 2,67 respectivamente. O número médio dessa sensila entre os sexos de M. interrupta (F = 16.74, p < 0,001) apresentou diferença significativa entre OP e MA, RV e MA, RF e MA (p < 0,02), entre RF e OP, RV e OP, RV e RF (p > 0,1) não houve diferença entre suas médias (Figura 20).

Em Melipona seminigra (F = 18.89, p < 0,001) o número médio dessa sensila entre os sexos de os RF e MA, RV e MA, RF e RF não apresentaram diferenças significativas (p > 0,88), entretanto houve diferença entre machos e operárias (p < 0,001) (Figura 21).

Sensila semelhante à STII foi vista em Camponotus japonicus com presença de poros (Nakanishi et al. 2009) e em M. quadrifasciata anthidioides (Ravaiano et al. 2014). Esta sensila também foi observada em Anaphes victus Huber, 1997 e A. listronoti Huber, 1997 (Hymenoptera: Mymaridae) foram relacionadas com mecanorreceptores (van Baaren et al. 1999). Em M. interrupta e M. seminigra não foi possível observar a presença de poros devido ao aumento utilizado nas imagens. Em algumas abelhas da tribo Emphorini foi observada sensilas semelhantes a STII, chamadas sensilas tricóides B, distribuídas em toda região dorsal do flagelo, menos no primeiro flagelômero. Devido ao fato da sensila STII estar distribuída por quase toda superfície antenal de M. quadrifasciata anthidioides e por serem consideradas sensilas mecanorreceptoras, as STII poderiam auxiliar as abelhas durante o voo, indicando provavelmente a direção do vento (Ravaiano, 2012).

51 SENSILA TRICÓIDE II

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 19: Distribuição das sensilas tricóide II nos flagelômeros antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricoide II.

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Figura 20: Número de sensila tricóide II entre os sexos e castas de Melipona interrupta. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

Figura 21: Número de sensila tricóide II entre os sexos e castas de Melipona seminigra. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

53 Sensila tricóide III é encontrada exclusivamente na metade apical do primeiro segmento em M. interrupta e M. seminigra (Figura 22). Essa sensila possui um formato característico, assemelha-se a uma foice (Figura 34C), sua base é inserida em uma depressão na cutícula, seu corpo é achatado e curvado com o ápice direcionado a base do segmento antenal e pode apresentar sulcos longitudinais, está presente em ambas as espécies.

Em M. interrupta as operárias apresentaram 50,3 ± 13,76 sensilas tipo STIII (Tabela 12), rainhas virgens 55,8 ± 14,25 (Tabela 13) e rainhas fecundadas 51,4 ± 13,53 (Tabela 14), os machos possuem, em média 73,1 ± 23,38 (Tabela 15) sensilas tricóides tipo III por 6.943µm2. Número médio dessa sensila entre os sexos e castas de M. interrupta (F = 3.48, p < 0,02) apresentou diferença significativa somente entre MA e OP (p < 0,03). Entre RF e MA, RV e MA, RF e OP, RV e OP e RV e RF (p > 0,8) não apresentam diferenças significativas (Figura 23). Em M. seminigra (F= 7.28, p < 0,001) as operárias possuem 66 ± 6,23 (Tabela 16), rainhas virgens 52,14 ± 7,66 (Tabela 17), rainhas fecundadas 53,8 ± 6,22 (Tabela 18) e os machos possuem 93 ± 33,82 (Tabela 19). O número médio dessa sensila entre OP e MA, RF e MA, RV e MA (p < 0,03) há diferenças significativas. Entre RF e OP, RV e OP, RV e RF, não apresentam diferenças significativas (Figura 24).

Machos de ambas as espécies tendem a ter maior número de sensilas STIII em relação as fêmeas quando são comparados dentro da área padrão de contagem de 400x400 pixels (6.943µm2) utilizada neste estudo. Porém quando são feitas as comparações utilizando-se a contagem completa das sensilas do primeiro segmento antenal, ambos os sexos apresentam números similares de sensilas, mesmo com diferença significativa no tamanho neste segmento entre os sexos. A presença exclusiva desse tipo de sensila no primeiro segmento antenal também foi observada em M. quadrifasciata anthidioides (Ravaiano et al. 2014). A sensila STIII possui função mecanorreceptora e quimiorreceptora. Tais sensilas foram classificadas em diversas espécies de abelhas nas quais podem ser encontradas em outros flagelômeros, como por exemplo, em macho de Xylocopa frontalis (Olivier, 1789) (Xylocopini) são encontradas no segundo e terceiro flagelômeros e em machos de Oxaea flavescens Klug, 1807 (Andrenidae) no quinto flagelômero (Matiello, 2008).

54 SENSILA TRICÓIDE III

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 22: Distribuição das sensilas tricóide III nos flagelômeros antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricoide III.

55 Figura 23: Número de sensila tricóide III entre os sexos e castas de Melipona interrupta. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

Figura 24: Número de sensila tricóide III entre os sexos e castas de Melipona seminigra. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias

56 A sensila tricóide do tipo IV (STIV) é encontrada no pedicelo, primeiro, terceiro ao nono flagelômero em operária e rainha fecundada de M. interrupta. Nestes flagelômeros as sensilas são mais curtas que as encontradas no pedicelo, em machos e rainha virgem estão presentes apenas no pedicelo e no primeiro segmento (Figura 25). A STIV consiste em uma sensila reta com uma inclinação apontando para a extremidade distal da antena e apresenta sulcos espirais longitudinais, quanto maior for essa sensila mais visível são os sulcos (Figura 34D). As STIV concentram em maior quantidade no pedicelo nas duas espécies e em ambos os sexos. Em M. interrupta as rainhas fecundadas são as que possuem maior número deste tipo de sensila com 3,10 ± 5,97 (Tabela 10) concentrando a maior parte do pedicelo (Tabela 14). Em uma das rainhas fecundadas e operárias de M. interrupta esse tipo de sensila foi encontrada na parte lateral-ventral da antena em todos os segmentos, mas em menor número comparada com o pedicelo e primeiro flagelômero. Em algumas operárias pode ser vista do terceiro ao nono flagelômero, no entanto, não foram registradas em antenas de rainhas virgens, não houve diferença no número de sensila entre os sexos e castas. Em M. seminigra são os machos que possuem maior quantidade dessa sensila com 5,33 ± 18,40 (Tabela 11), concentrando maior parte no pedicelo (Tabela 15). Os sexos e castas de ambas as espécies de M. interrupta (F = 0.81, p > 0,4) e M. seminigra (F = 0.23, p < 0,8) não apresentam diferenças significativas no número médio dessas sensilas (Figura 26 e 27).

As STIV de M. interrupta e M. seminigra são caracterizadas pela presença de sulcos longitudinais e em espiral, semelhante ao observado em outras espécies de abelhas, como Melipona bicolor Lepeletier, 1836, Melitoma segmentaria (Fabricius, 1804) (Matiello, 2008) e em M. quadrifasciata anthidioides (Ravaiano et al. 2014). Essa sensila provavelmente possui função mecanorreceptora devido a capacidade de movimento da base de sua estrutura, e também quimiorreceptora, uma vez que os sulcos presentes no corpo da sensila abrigam poros (Matiello, 2008). No entanto, a função de quimiorrecepção foi descartada em sensilas tricóides sulcadas presentes em vespas parasitas Microplitis croceipes, Cotesia margiventris (Hymenoptera: Braconidae) e em Anastatus japonicus Ashned, 1904 (Hymenoptera: Eupelmidae). Em abelhas da tribo Emphorini não foi verificada a presença de poros no corpo da sensila. Logo foi atribuída a essas sensilas a função de mecanorrecepção (Ochieng et al. 2000; Galvani et al. 2012; Meng et al. 2012). Como foi descrito para outros himenópteros, a STIV possui a função mecânica de propriocepção, que auxilia a percepção da posição da antena em relação a cabeça (Ochieng et al. 2000).

57 SENSILA TRICÓIDE IV

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 25: Distribuição das sensilas tricóide IV nos segmentos antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricoide IV.

58 Figura 26: Número de sensila tricóide IV entre os sexos e castas de Melipona interrupta. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias.

Figura 27: Número de sensila tricóide IV entre os sexos e castas de Melipona seminigra. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias.

A sensila tricóide do tipo V (STV) é exclusiva do último segmento antenal independente do sexo ou casta em M. interrupta e M. seminigra (Figura 28), está concentrada principalmente

59 na metade apical do segmento não sendo encontrada na metade inferior do mesmo ela é longa e possui seu ápice curvado para parte distal da antena, e quanto mais próximo ao ápice antenal mais acentuada é sua curvatura (Figura 34E). Em M. interrupta (F = 2.05, p > 0,1) e M. seminigra (F = 0.16, p > 0,9) entre os sexos e casta não há diferença significativa no número médio dessa sensila (Figuras 29 e 30).

São sensilas sensíveis aos hidrocarbonetos cuticulares (Blomquist & Bagnères, 2010) e auxiliam na identificação das companheiras de ninho. Elas estão presentes nos machos, mas em menor número, o que pode ser explicado pelo fato destes passarem parte da vida, mesmo que pequena, dentro do ninho, podendo, inclusive, reconhecer suas irmãs e desempenhar algumas tarefas dentro da colônia, tais como, desidratação de néctar, trabalho com cerume, defesa do ninho, entre outros (Nogueira Neto, 1997). Em M. quadrifasciata anthidioides também foram encontradas no quarto final do último flagelômero (Ravaiano et al. 2014). Em Melipona scutellaris, Latreille 1811 foram encontradas sensilas semelhantes nos três últimos flagelômeros antenais, denominadas de sensilas curvadas. Registrou-se uma variação destas sensilas em espécies encontradas em duas altitudes diferentes: 200 metros de altitude e acima de 900 m. Os indivíduos coletados em altitude de 200 m possuíam menor quantidade de sensilas curvadas do que indivíduos coletados em altitude de 900 metros. Essa diferença nos indivíduos acima de 900 m sugere que isso possa ser uma adaptação devido a temperatura e índice pluviométrico menores em relação à altitude menor. Porém, até o momento, não se sabe o papel de órgãos sensoriais mais desenvolvidos para esse tipo de ambiente (Nascimento, 2013).

60 SENSILA TRICÓIDE V

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 28: Distribuição das sensilas tricóide V nos flagelômeros antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricoide V.

61 Figura 29: Número de sensila tricóide V entre os sexos e castas de Melipona interrupta. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias.

Figura 30: Número de sensila tricóide V entre os sexos e castas de Melipona seminigra. X = média, MA = machos, OP = operárias, RF = rainhas fecundadas, RV = rainhas virgens. Setas de cores preta no mesmo sentido indicam que não houve diferença estatística, triangulo preto indica que houve diferença estatística entre as categorias.

62 A sensila tricóide do tipo VI (STVI) está distribuída por todos os segmentos antenais iniciando no pedicelo até o décimo flagelômero na parte apical do segmento, onde possui maior quantidade desta sensila, esta sensila está presente em machos e fêmeas de ambas as espécies. Em machos de M. seminigra a STVI está presente no primeiro ao quarto e décimo flagelômero (Figura 31). A STVI é uma sensila longa e seu ápice é reto, está presente em vários flagelômeros da antena de M. interrupta e M. seminigra (Figura 34E), o que a torna visualmente a sensila mais longa dos segmentos. Em M. interrupta (F = 1.62, p > 0,1) e M. seminigra (F = 0.16, p > 0,9) o número médio dessa sensila entre os sexos e as castas não apresentam diferença significativa (Figuras 32 e 33).

As STVI de extremidade reta também foram descritas em M. scutellaris, sendo mais abundante em indivíduos encontrados em altitude de 200 m do que no grupo acima de 900 m de altitude, o que pode representar uma adaptação a essa altitude e aos fatores associados a ela, por exemplo, a umidade do ar relativamente alta e uma menor incidência de ventos, que dificulta o odor de espalhar-se pelo ambiente (Nascimento, 2013). Ravaiano (2012) supôs que a STVI seja responsável pela percepção da velocidade e/ou direção do vento em M. quadrifasciata anthidioides. Em Atta robusta Borgmeier, 1939 a sensila tricóide de extremidade reta é uma das mais abundantes nos três últimos flagelômeros (Euzébio, 2013).

63 SENSILA TRICÓIDE VI

Melipona interrupta M. seminigra

MACHO

OPERÁRIA

RAINHA VIRGEM

RAINHA FECUNDADA

Figura 31: Distribuição das sensilas tricóide VI nos flagelômeros antenais de fêmeas (operária; rainha virgem; rainha fecundada) e macho de Melipona interrupta e M. seminigra. Os fragmentos brancos correspondem a ausência deste tipo de sensila enquanto os coloridos em cinza indicam presença de sensila tricóide VI.

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