LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS
Etapa 8 Redação final da pesquisa
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.2. Transferência de Tecnologia
2.2.4. Intervenientes em processos de transferência de tecnologia
Quental e Emerick (1998) apontam como principal motivador para a transferência de tecnologia o compromisso com o desenvolvimento econômico-social de um determinado país ou comunidade. Entretanto Baldini, Grimaldi e Sobrero (2007) identificaram como elemento primordial para que pesquisadores sejam motivados a conduzir processos de TT o reconhecimento da comunidade científica, ao valorizarem aspectos como prestígio, reputação, visibilidade e estímulo para novas pesquisas.
Invest. em pesquisa Divulgação de invenções Aplicação de patentes Licenças de tecnologia Licenças de tecnologia rentáveis Royalties de tecnologia Empresas start-up Criação de riqueza
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Outros aspectos identificados como motivadores para o desenvolvimento de pesquisas e transferência de tecnologia incluem a possibilidade de obtenção de recursos financeiros, melhor utilização dos equipamentos disponíveis e maior possibilidade de interação com o mercado (SEGATTO-MENDES; MENDES, 2006).
Adicionalmente aos motivadores supracitados Tidd, Bessant e Pavitt (2008) enfatizam que para que um processo de transferência de tecnologia alcance êxito algumas habilidades são requeridas, representando fatores essenciais para o sucesso de processos de transferência de tecnologia (Quadro 4).
Quadro 4 - Fatores Essenciais aos Processos de Transferência de Tecnologia
Habilidade Descrição
Rede de relacionamentos de fontes tecnológicas
Representa a habilidade de construir e manter redes de relacionamento de fontes tecnológicas, que viabilizarão uma ampla gama de opções e disponibilidade e, desta forma, a organização pode selecionar às que satisfaçam suas necessidades.
Seleção Garantir o equilíbrio entre necessidades internas e ofertas externas
de soluções tecnológicas.
Habilidades de negociação
Garantir soluções adequadas para todos os envolvidos em termos tanto de conhecimento quanto de experiências subjacentes à tecnologia, hardware e licenças.
Capacidade de
implementação Gerenciar adequadamente processos de transferência.
Aprendizagem Assegurar a internalização da tecnologia, de forma que passe a
fazer parte da rotina organizacional. Fonte: Adaptado de Tidd, Bessant e Pavitt (2008)
De forma análoga Garnica e Torkomian (2009) identificaram uma série de facilitadores vivenciados em processos de TT de universidades brasileiras e que incluem: existência de escritórios especializados em proteção de propriedade intelectual e TT; retorno financeiro para a instituição e o inventor; elevada qualidade da tecnologia desenvolvida e do documento de patente; credibilidade do inventor e ou da instituição; tecnologia com elevada expectativa de retorno financeiro; suporte jurídico da instituição; apoio de NITs em processos de monitoramento de oportunidades; pessoal qualificado; presença de interlocutor especializado em propriedade intelectual e inventor envolvido com o processo.
De acordo com Nazareno (2016) o novo marco legal da legislação de inovação, caracterizado pela edição da Lei 13.243/2016, também representou um facilitador ao priorizar aspectos como simplificação de processos administrativos, integração de empresas privadas com o sistema público de pesquisa e descentralização do fomento aos Estados e Municípios.
Para Takahashi (2005) são fatores críticos para o sucesso da transferência de tecnologias a capacidade operacional (habilidades relativas ao know-how, ou seja, habilidades para operacionalizar a tecnologia), capacidade de aprendizagem dinâmica (habilidades relativas ao know-why, isto é, habilidade para gerar e gerenciar mudanças) e capacidade de absorção (conhecimento prévio para incorporar e utilizar novos conhecimentos). Outro aspecto mencionado pela autora refere-se à gestão de pessoas, que deve ser focada e desenvolvida a ponto de criar uma cultura de aprendizagem.
Entretanto a despeito dos facilitadores algumas circunstâncias representam barreiras para o processo de TT e nesse sentido em um estudo sobre transferências tecnológicas entre universidades e empresas americanas e inglesas Decter, Bennet e Leseure (2007) identificaram seis entraves: diferenças nas expectativas de financiamento; problemas de comunicação; necessidade de maior suporte técnico; diferenças culturais entre universidades e
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empresas; fundos de financiamento para desenvolvimento posterior (gap funding) e ausência de empreendedorismo.
Ao traçar um panorama dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) brasileiros Torkomian (2009) identificou outros entraves que unidades responsáveis por gerenciar processos de TT podem vivenciar, incluindo restrições para contratação e capacitação de pessoas, número reduzido da equipe ou equipe insuficiente, falta de competências e habilidades para transferência e negociação, inexistência de cultura organizacional voltada para a proteção e problemas relacionados à sustentabilidade.
Torkomian (2009) salienta, ainda, que em relação a estes problemas vivenciados os que foram apontados com maior frequência como sendo muito importantes para o desempenho das atividades dos NITs dizem respeito as restrições de contratação e capacitação, com 60 apontamentos nos 78 NIT pesquisados (77%), em seguida, necessidade de competências e habilidades para transferência de tecnologia (68%), conforme ilustrado pela Figura 5. 60 13 0 1 4 53 13 5 1 6 45 22 4 1 6 50 19 2 1 6 17 1 0 0 60 0 10 20 30 40 50 60 70
Muito Importante Importante Pouco Importante Irrelevante Não informa
Contratação/Capacitação/Estruturação Copetências/Habilidades para licenciamento
Sustentabilidade dos NITs Cutura de PI
Outros
Figura 5 - Problemas Vivenciados pelos NITs
Fonte: Torkomian (2009, p. 33)
De forma complementar Dias e Porto (2013, 2014) apontaram como obstáculos presentes em universidades paulistas um elevado número de funcionários temporários, número insuficiente de pessoal do quadro permanente, inexistência de política institucional para regulamentar a criação de empresas do tipo spin-off, ausência de política para avaliar o potencial de patenteabilidade de uma invenção, publicação dos resultados da pesquisa antes do depósito do pedido de patente e carência de recursos financeiros para depósito de patentes.
Já Garnica e Torkomian (2009) levantaram em um estudo sobre processos de TT de universidades brasileiras barreiras como dificuldades de definição de royalties e valoração tecnológica, excesso de burocracia, lentidão do processo jurídico-administrativo, pouco conhecimento sobre escalonamento de tecnologias, pouca flexibilidade, deficiências com o uso de língua inglesa para termos jurídicos, pessoal insuficiente para o desenvolvimento de pesquisas, deficiências de gestão de projetos e cultura de transferência pouco desenvolvida.
Takahashi (2005) detectou, em um estudo sobre a transferência de conhecimento no segmento farmacêutico, que o principal gargalo existente nas transferências entre empresas
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brasileiras e canadenses reside na incapacidade do receptor replicar os conhecimentos técnicos adquiridos.
Diante desde ambiente marcado por intervenientes à transferência de tecnologia é que atua o principal ator envolvido na condução de processos de TT, representado pela figura do Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT) ou Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), oficialmente instituído no Brasil pela lei de inovação tecnológica e que será o objeto de análise da próxima seção.
2.2.5. Aspectos da gestão de transferência de tecnologia no Brasil: lei de inovação e os