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Capítulo IV – Análise de Dados

3. A Implementação de Projectos na Turma

3.4. Intervir

O projecto Intervir é, por sua vez, um projecto da Câmara Municipal de Lisboa que se desenvolve em várias Juntas de Freguesia desenvolvendo-se aí actividades que promovam a resolução dos principais problemas apresentados pela comunidade de cada uma delas. Conta com a participação da responsável do projecto, uma animadora, uma auxiliar de limpeza e um técnico de artes plásticas que desenvolve algumas actividades semanalmente.

“O programa Intervir o que é que é? É um programa municipal, da Câmara Municipal de Lisboa, mas que no terreno é desenvolvido pelas Juntas de Freguesia específicas. Todas as Juntas de Freguesia na cidade de Lisboa podem candidatar-se para desenvolverem este programa que tem objectivos muito específicos, nas suas freguesias, atendendo às necessidades que consideram mais urgentes, digamos assim.” (1ª Entrevista à responsável pelo Projecto Intervir)

No caso da Escola alvo do nosso estudo o problema identificado prende- se com o facto de existirem aí “Crianças e jovens em situação de risco (contexto de graves carências ao nível sócio – cultural, destacando-se o consumo e trafico de substâncias, o insucesso e abandono escolares e a negligência)” (Projecto Intervir, p.7)

“O projecto Intervir é um programa municipal de prevenção da toxicodependência. O que faz muito sentido neste bairro, onde o tráfico é claramente visível a poucos metros da escola. Não tanto centrado nos consumos que é mais o que nós chamaríamos drogas legais: como álcool, tabaco. É mais centrado nessas drogas, do que consumo. O tráfico é que é muito visível aqui no centro bairro a poucos metros da escola.” (1ª Entrevista à responsável pelo Projecto Intervir)

Este projecto, ao contrário do que acontece com os projectos referidos anteriormente, não é destinado a uma só turma, mas a um grupo que engloba

alunos de todas as turmas, alunos estes sinalizados pelos próprios professores como apresentando problemas mais graves de comportamento e socialização que se tornam prioritários alterar.

“A população – alvo deste projecto (crianças e jovens) encontra-se vulnerável face a diferentes factores de risco: abuso e tráfico de substâncias, delinquência, violência doméstica, desemprego crónico, ambiente familiar disfuncional e/ou desorganizado, criminalidade, gravidez na adolescência, baixo nível de escolaridade, entre outros. Este enquadramento favorece riscos sociais como o absentismo, abandono e insucesso escolares, a baixa auto – estima e auto – imagem, o baixo limiar de resistência à frustração, a agressividade e o reduzido controlo dos impulsos.” (Projecto Intervir, p.5)

O projecto envolve a participação dos alunos que frequentam esta escola, como também acompanha antigos alunos dessa mesma escola que se encontram a estudar já no segundo ciclo. Há uma continuidade no acompanhamento de alunos, contudo as vagas destinadas a esses alunos são escassas e as que são ocupadas acabam por na realidade não serem preenchidas, uma vez que os alunos não frequentam tão assiduamente as sessões.

As sessões deste projecto decorrem no próprio edifício da escola após o horário lectivo e conta com vinte e três inscrições, vinte e uma de crianças entre os seis e os doze anos, alunos a frequentar esta escola, e dois adolescentes, a frequentar outro nível de ensino noutra escola do Agrupamento. Foi mesmo disponibilizada uma sala só para o desenvolvimento deste projecto. O facto de o projecto ser desenvolvido no próprio recinto escolar tem-se verificado de extrema importância, segundo a responsável pelo projecto, uma vez que estão mais próximos das crianças, tendo acesso, mais facilmente, ao que se passa com eles no seu dia-a-dia.

“Estamos a trabalhar na escola só por ai já temos uma mais valia muito grande. É mais fácil, porque já estamos inseridas no meio das crianças e eu não venho só para o horário do intervir, venho mais cedo, tento integrar-me o mais possível no ambiente dos miúdos.” (1ª Entrevista à responsável pelo Projecto Intervir)

Pretende-se com este projecto desenvolver nas crianças que nele participam uma relação positiva e de confiança com os adultos, promovendo a motivação, a aprendizagem, a aceitação entre pares e a auto - estima, desenvolvendo igualmente actividades para a prevenção primária dos consumos de substâncias, a promoção da saúde e a prevenção social da agressividade.

“O Intervir já se passa no horário não lectivo. É pós lectivo, das 17h30m às 19h. Também é uma mais valia para as crianças. O objectivo principal deles, penso eu, é tirá-los da rua, mantê-los num espaço que possam desenvolver actividades e ser trabalhados, sem se aperceberem, em termos emocionais. Terem ali um momento de descontracção, viver o que lhes vai na alma e nesse sentido, acho que sim, tem resultado muito bem.” (1ª Entrevista à Coordenadora de Estabelecimento)

No projecto são apresentados como objectivos mais gerais prevenção dos consumos de substâncias, a diminuição da agressividade, tanto verbal como corporal, sensibilização e aumento dos conhecimentos na área da promoção da saúde, e prevenção primária dos comportamentos de risco. Apesar de no projecto ser referido que é necessária uma intervenção de toda a comunidade, em especial dos pais, “a concretização e eficácia da intervenção implica o envolvimento da comunidade educativa e das famílias” (Projecto Intervir, p.4) este aspecto não tem vindo a verificar-se, sobretudo no que se refere à participação das famílias.

“Mas não é uma ligação muito próxima, não temos uma intervenção tão dirigida aos pais. Até porque me parece que não teríamos muito o tempo que seria necessário para isso, ou seja, poderia ser feita sessões de formação parental, mas não sei se a comunidade teria alguma receptividade a esse tipo de iniciativas.” (1ª Entrevista à responsável pelo Projecto Intervir)

Segundo a responsável pelo projecto, existem alguns contactos, foram realizadas algumas actividades no sentido de aproximação dos pais, mas estes não se mostram muito receptivos.