Diante de um mercado globalizado, que se apresenta cada vez mais competitivo e dinâmico, a vantagem competitiva de uma empresa de base tecnológica encontra-se diretamente relacionada a sua capacidade de se adequarem às mudanças oriundas da atividade de pesquisa e desenvolvimento de produtos, de forma a garantir produtos atualizados tecnologicamente, com características de desempenho, custo e prazos de distribuição condizentes com o nível de exigência do mercado de consumo.
Conforme Baxter (1998), Peixoto (1999) e Amaral (2001), o processo de desenvolvimento de produtos, apresenta grande influência na capacidade de uma organização responder de forma satisfatória às exigências que lhe são impostas pelo mercado, para tanto, se faz necessário que as organizações apresentem um constante aperfeiçoamento nas atividades relacionadas ao desenvolvimento de produto.
Para Forcellini (2004), a globalização da economia fortalece a necessidade da atividade de projetos de produtos, fato que impulsiona a busca por conhecimentos e metodologias sistematizadas, que permitam melhorar a qualidade do produto e reduzir o tempo do ciclo de desenvolvimento do mesmo.
De acordo com Fiod Neto (1993), uma organização, para manter-se competitiva, não pode atuar no desenvolvimento de produtos de forma, intuitiva, empírica ou mesmo por tentativa e erro, mas deve apoiar-se em metodologias e métodos sistêmicos, que apresentam embasamento científico, considerando-se a complexidade envolvida no processo.
Antes mesmo de apresentar algumas metodologias e métodos adotados no processo de desenvolvimento de projeto de um produto, é necessário que fique claro o conceito que envolve o termo “processo de desenvolvimento de produtos”. São inúmeros os autores que buscaram apresentar um conceito para o tema, entre eles destacam-se: Back (1983); Valeriano (1998); Ogliari (1999); Romano (2003); Forcellini (2004); Pahl & Beitz (2005) e Rozenfeld et al (2006).
Respeitando as particularidades apresentadas em cada um dos conceitos estudados, pode-se concluir que: o processo de desenvolvimento de produtos é um conjunto de
(2003); e um último por Rozenfeld et al (2006).
• Ogliari (1999), realizou uma análise comparativa entre as abordagens consideradas clássicas, envolvendo os modelos de metodologias de projetos de produtos propostos por Back (1983), Ullman (1992), Pahl & Beitz (1996) e Hubka & Eder (1996). Ainda sob o enfoque da análise, o autor identifica a existência de diferenças entre as metodologias propostas e que se dão na terminologia empregada e no detalhamento dos processos, no mais uma similaridade entre as propostas. Diante do exposto, o autor estabeleceu um modelo de consenso conforme se apresenta na Figura 3.1.
Figura 3.1 – Modelo de consenso proposto por Ogliari (1999)
Em síntese, o projeto de um produto tem início com o levantamento das informações junto ao mercado, na sequência, desenvolvem-se as fases com os respectivos resultados, iniciando-se com projeto informacional (especificações de projeto), conceitual (concepção do
produto), preliminar (leiaute do produto) e por fim o detalhado, com as documentações geradas, possibilitando a caracterização detalhada de cada etapa desenvolvida.
• Romano (2003) considera incompletos os modelos aplicados ao processo de desenvolvimento de produtos, quando consideradas somente as seis fases identificadas pelo autor, onde quatro delas referem-se ao projeto (informacional, conceitual, preliminar e detalhado) e duas fases com a preparação da produção e do lançamento do produto.
Portanto, para o desenvolvimento da sua proposta, o autor trabalhou sob a ótica de gerenciamento de projetos, onde são considerados: o planejamento, a execução, o controle e o encerramento da atividade. Diante desse contexto, o autor buscou subsídios nos conteúdos apresentados por Valeriano (1998); Project Management Institute (2000); Verzuh (2000); Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR – ISO 10006 (2006), para tornar o processo de desenvolvimento mais completo quanto possível, fatos que o levaram a inserir em sua proposta mais duas fases, a de planejamento e a de validação ou encerramento do processo.
O modelo desenvolvido e proposto por Romano divide-se em três macrofases que, por sua vez, se subdividem em oito fases distintas, conforme pode ser observado na Figura 3.2. Quanto às macrofases, são caracterizadas pelo planejamento (produto), pelas etapas de projetação (projeto informacional, conceitual, preliminar e detalhado) e pela implementação do produto (preparação da produção, lançamento e validação).
Figura 3.2 – Modelo de referência proposto por Romano (2003)
• Rozenfeld et al (2006) o modelo apresentado pelos autores, apresenta algumas peculiaridades relacionadas ao desenvolvimento de bens de capital e de consumo duráveis, voltados principalmente para empresas com ênfase em tecnologia mecânica. Sua concepção apresenta-se de forma genérica, fato a ser considerado, pois possibilita, através de pequenas adaptações, a adequação do modelo ao desenvolvimento de qualquer outro tipo de produto. Na Figura 3.3 pode ser observada a representação gráfica do modelo proposto, que se encontra estruturado em macrofases, fases, atividades e tarefas, além de que considera os processos de apoio relevantes.
Figura 3.3 – Modelo de referência proposto por Rozenfeld et al (2006)
De acordo com a proposta, o processo de desenvolvimento encontra-se dividido em três macrofases que interagem com suas respectivas fases. Compõem as macrofases o: pré- desenvolvimento; desenvolvimento e pós-desenvolvimento. Segundo os autores, estas macrofases, quando relacionadas ao pré-desenvolvimento e o pós-desenvolvimento são genéricas, podendo assim ser adaptadas, de forma a serem empregadas em outros tipos de empresas.
Quando a macrofase, que se refere ao desenvolvimento, nesta são enfatizados os aspectos tecnológicos relacionados á definição do produto em si, suas características e formas de produção. Neste contexto encontram-se envolvidos o: planejamento do projeto; projeto informacional; conceitual; detalhado; preparação da produção e lançamento do produto.
No modelo proposto, verifica-se que as fases encontram-se dispostas de forma sequencial, mas, na realidade, podem estar sobrepostas, ou seja, sendo desenvolvidas em paralelo. As fases identificadas no modelo são definidas em função da entrega dos resultados obtidos na tarefa desenvolvida, ao final de cada fase é realizada uma revisão (gate), o qual permite tomar a decisão de dar continuidade ao processo, passando a uma nova fase, até a conclusão efetiva do desenvolvimento do produto.
Contextualizado o tema “processo de desenvolvimento de produtos”, verifica-se, nas abordagens realizadas, a existência de uma similaridade entre as mesmas, considerando-se que algumas apresentam-se de forma superficial (genéricas) e outras mais detalhadas (específicas), podendo ser aplicadas para a obtenção de um produto proveniente de materiais poliméricos.