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A atividade de relações públicas viabiliza um amplo espectro de possibilidades de aplicação por conta do repertório agregado a ela. Algumas delas parecem ser mais amplamente difundidas e ocupadas por profissionais da área do que outras, como é o caso das organizações.

Nesse sentido, de modo a afastar qualquer reducionismo ou classificação indevida da atividade enquanto [mais] pertinente a um único campo possível, intencionamos expor o trabalho em favor de celebridades como uma possibilidade, ainda pouco explorada, desvelando o potencial contributivo das relações públicas, bem como as lacunas que se impõem.

Trataremos celebridade em um sentido amplo, de modo a contrapor reducionismos e preconcepções possivelmente atreladas ao termo, como a ideia de futilidade. Por celebridades serão consideradas todas aquelas pessoas cuja reputação detém certa relevância perante a opinião pública, cuja condição célebre seja advinda de quaisquer atividades: da política, da arte, da ciência, do esporte, bem como de outras. Exploraremos o termo e o conceito de celebridade em maior profundidade de maneira embasada nas ideias de Lilti (2018) e Rojek (2008), especialmente, de modo que a discussão seja ampliada.

Partimos do anseio pela construção de conhecimento referencial acerca da atuação profissional concernente ao escopo das relações públicas em favor das necessidades de celebridades no que tange à formatação e gestão de sua imagem, reputação e consequente distinção simbólica em relação com os meios de comunicação e com os públicos. Sua relevância, para além da visibilização de mais um dos múltiplos campos nos quais os relações-públicas podem atuar, reside na potencialidade de estimular o exercício crítico acerca da atividade, bem como reconhecer os avanços logrados e as limitações remanescentes no sentido da maior profissionalização e expansão do reconhecimento no campo das Relações Públicas.

A pesquisa foi formatada de modo a responder à seguinte questão: “qual o estado da arte da relação entre relações públicas e celebridades, no sentido do reconhecimento e da provisão de repertório, na visão da Academia e de profissionais de mercado?”. Ademais, também partiu de alguns pressupostos, como o de que há escasso e pouco difundido referencial acerca da temática, bem como de que as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Relações Públicas do Ministério da Educação não consideram a provisão de conhecimentos específicos acerca da prestação de serviços de relações públicas para celebridades. Em consequência, os cursos de graduação não trazem à tona repertório suficiente, motivo pelo qual profissionais tendem a buscar formação complementar específica.

De modo a delinear o panorama proposto, este Trabalho de Conclusão de Curso está dividido em seis capítulos, que incluem estudo e análise de pesquisas de dados primários e secundários, capazes de suportar as intencionalidades supracitadas. Elas vão ao encontro do escopo pertinente, e não foram formatadas com a pretensão de encerrar a discussão por meio da obtenção de respostas conclusivas. Pelo contrário, almejam estimular mais perguntas e aprofundamentos.

Nesse sentido, os três primeiros capítulos têm caráter de elaboração teórica, propriamente. Nos apoiaremos em autores clássicos legitimados no campo da Comunicação, como Benjamin (2017), Bourdieu (1974; 2009; 1992) e McLuhan (1962; 2007), das Relações Públicas, como Kunsch (2003a; 2003b; 1997; 2009a), Farias (2009; 2016; 2019; 2011), Ferrari (2011; 2003), França (2006; 2008), bem como teóricos que versam acerca da temática das celebridades como Rojek (2008) e Lilti (2018), além de outros autores e autoras.

No capítulo “Relações Públicas: primórdios e formatações”, adentraremos brevemente em uma análise dos acontecimentos supostamente originários da profissão de relações públicas, em contexto mundial e nacional, a fim de verificarmos se eles são capazes de demonstrar afinidades, bem como o emprego propriamente, da atividade de relações públicas no sentido dos interesses de pessoas célebres. Em adição, também serão tratadas questões acerca da reconhecida relevância dos públicos à atividade de relações públicas, além da prevalência das contextualizações ancoradas no contexto organizacional.

Serão abordadas, no capítulo “Cultura da celebridade: conceituação, meios de comunicação, culto e distinção simbólica”, reflexões acerca do conceito de celebridade, passando pela etimologia do termo até o desenvolvimento histórico da ideia de celebridade.

Ademais, também serão tratadas questões propriamente relacionadas ao culto de pessoas célebres, em suas idiossincrasias e relações com os meios de comunicação e com as imagens por eles difundidas na lógica da distinção simbólica.

De maneira embasada em referencial teórico nacional e estrangeiro, na sequência, em

“Relações Públicas e a contribuição às celebridades”, analisaremos o estado da arte da intersecção entre relações públicas e celebridades, constatadas suas sinergias. Traremos à tona as potencialidades ao mesmo tempo em que apontaremos pontos a serem desenvolvidos de modo que a atividade profissional e o arcabouço teórico possam ser mais amplamente desenvolvidos e difundidos.

Os capítulos “Relações Públicas e celebridades: perspectiva acadêmica” e “Impressões das coordenadoras dos cursos de graduação em Relações Públicas do Estado de São Paulo”

serão dedicados ao delineamento de um panorama da visão da Academia acerca das

intersecções e lacunas que tangenciam a relação entre a profissão de relações públicas e seu exercício em prol de celebridades.

Para tanto, no primeiro deles, serão analisadas as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação em Relações Públicas do Ministério da Educação (MEC), que foram obtidas a partir do website oficial da instituição, bem como as matrizes curriculares dos cursos de graduação em Relações Públicas de algumas Instituições de Ensino Superior situadas no Estado de São Paulo, selecionadas por intencionalidade considerando sua relevância para o campo da Comunicação e das Relações Públicas, de naturezas distintas (privadas e públicas), de modo que seja possível verificar se estabelecem a abordagem e o estudo da temática na formação de profissionais.

No referido capítulo subsequente, serão colhidas as impressões da coordenação dos referidos cursos por meio de pesquisa qualitativa, com a realização de entrevistas em profundidade, quando as questões serão tratadas em maior profundidade. Em linha com a recomendação de distanciamento social por parte do Ministério da Saúde, no contexto de combate à pandemia de COVID-19, a realização das entrevistas se deu de maneira remota, por meio de plataformas de videoconferência.

Por fim, o capítulo “A perspectiva do mercado: impressões dos relações-públicas em relação com celebridades” será dedicado à apreensão das percepções de profissionais de mercado que desenvolvem atividades de relações públicas de modo a atender aos interesses de celebridades. Para tanto, foram realizadas sondagens com o intuito de obter suas impressões acerca da obtenção de repertório para a referida atuação, bem como de seu respectivo reconhecimento por parte das próprias celebridades, também de maneira remota. Os profissionais selecionados têm ao menos dez anos de atuação com celebridades, e cursaram ao menos um semestre do curso de graduação em Relações Públicas.

Não obstante, reforçamos a intencionalidade de que as análises empreendidas possam encorajar pesquisas cada vez mais profundas concernentes à temática, com números amostrais mais densos, capazes de constituir material referencial teórico, e, em adição, visibilizar o trabalho de relações públicas em favor de celebridades enquanto campo possível e relevante de atuação por parte de profissionais da área, bem como temática de estudo com expressivo potencial de desenvolvimento e complexificação.

No documento Relações Públicas e Celebridade: (páginas 17-20)