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Inventário como metodologia aplicada ao Estudo da

2.2. Inventário da Arquitetura Ausente

2.2.3 Inventário como metodologia aplicada ao Estudo da

A metodologia adotada para a construção do inventário tomou como ponto de partida a elaboração da revisão bibliográfica. Nesta primeira etapa estudaram-se trabalhos que tratam do resgate da memória edificada por intermédio da iconografia.

A localização das fontes documentais sobre a cidade de Pelotas constituiu a segunda etapa desenvolvida. Assim, reconheceram-se os acervos onde estão depositados os dados iconográficos, impressos e manuscritos, utilizados na pesquisa. Estes acervos, públicos e particulares, foram encontrados sob a salvaguarda da Biblioteca Pública Pelotense, do Núcleo de Estudos sobre Arquitetura Brasileira da FAUrb/UFPel, das Secretarias Municipais de Cultura e Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana de Pelotas e das coleções particulares dos bibliófilos Fausto Leitão, Mogar Xavier e do professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas doutor Eduardo Arriada.

Dentre estes acervos, merece destaque a documentação revelada pelo arquivo da Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana de Pelotas. Afinal, foi a partir dos projetos arquitetônicos, arquivados junto ao órgão municipal que se desenvolveu, com base de dados precisa, a evolução construtiva da área pesquisada, pois os projetos registravam as datas de sua aprovação e consequentemente o provável nascimento das construções na própria história da cidade.

Depois de concluída a localização das fontes documentais, desenvolveu- se a sistematização e a análise desta documentação. Realizou-se então a identificação, catalogação e a coleta de dados iconográficos e históricos.

Após classificar este material, fez-se necessário produzir a digitalização destas informações, para que mais tarde fossem inseridas nas fichas de inventário. Neste momento inicial, digitalizaram-se imagens (fotografias e cartões postais) e documentos (projetos arquitetônicos, anúncios de jornais e periódicos). Fez-se necessário ainda realizar o levantamento fotográfico de alguns edifícios, para assim concluir iconograficamente a coleta de dados dos lotes que foram cadastrados.

A diversidade de suportes, onde se depositavam estas informações, tornou a etapa de coleta de dados da pesquisa um exercício de persistência, que a cada dado encontrado descortinava a memória edificada do Centro Histórico de Pelotas.

Para indicar graficamente, na ficha cadastro, a localização do lote objeto do cadastramento, produziram-se mapas indicativos. Estes mapas tiveram como base o mapa atual do parcelamento da área, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana. Da mesma forma, foram elaborados mapas de quarteirão com base no mapa do município de 1835, os quais indicaram o quarteirão onde o lote cadastrado está inserido.

De posse dos dados iconográficos digitalizados e com a conclusão dos mapas indicativos, iniciou-se o preenchimento da ficha resumo e da ficha cadastro dos 35 lotes que integram o recorte físico espacial da pesquisa. Nesta fase foram também digitados os textos, reproduzidos de fontes primárias, que elucidaram a origem da ocupação da área em estudo. O preenchimento destas fichas permitiu organizar e recuperar dados iconográficos, urbanos, construtivos e históricos, bem como indicaram sua proteção legal e as fontes pesquisadas.

Tais registros apresentaram a evolução urbana resgatada individualmente em cada lote cadastrado, sendo abordadas as transformações pelas quais este lote foi submetido. Ao analisarmos as referidas informações, nos foi permitido avaliar questões relativas à sua conformação urbana, à linguagem arquitetônica apresentada pelos edifícios que existiram sobre o lote, aos usos destas construções e à identidade de seus proprietários.

A elaboração do inventário proporcionou a informatização da informação e permitiu que este documento fosse transformado em banco de dados, possibilitando sua utilização em outros trabalhos distintos da pesquisa desenvolvida.

Também alicerçada na conclusão do Inventário que balizou a pesquisa, confeccionou-se a tabela de ETAPAS URBANAS, contendo as informações indicadas nas fichas resumo dos lotes pesquisados. Esta planilha teve como finalidade apresentar informações agrupadas e tabuladas, permitindo estabelecer um panorama global de todas as transformações apontadas pela pesquisa. Tal planilha encontra-se reproduzida na figura 14.

Figura 14 – Tabela de Etapas Urbanas

Fonte: Inventário da Arquitetura Ausente do Centro Histórico de Pelotas – desenvolvido para a pesquisa.

Assim, fundamentado tanto na conclusão do Inventário da Arquitetura Ausente como na elaboração da planilha das Etapas Urbanas, tornou-se possível tabular e interpretar a história edificada da área pesquisada. Nestes resultados apontaram-se 86 ocupações que alternadamente se estabeleceram no Centro Histórico de Pelotas. As ocupações se distribuíram em quatro períodos temporais distintos, cujos limites deram origem as etapas urbanas estudadas.

Os períodos não apresentaram um limite temporal homogêneo. Estes foram definidos de maneira a possibilitar que as ocupações identificadas em um mesmo lote, sempre que possível, estabelecessem-se em faixas temporais distintas, para não haver sobreposição de ocupações dentro do período estudado.

Nasceu, assim, o estudo da Arquitetura Ausente do Centro Histórico de Pelotas, consolidado em quatro limites temporais, com as ocupações sendo apresentadas seguindo uma ordem cronológica de construção.

Na primeira etapa urbana, definida dentro dos anos de 1835 até o ano de 1875, reconheceram-se 18 ocupações. A segunda etapa urbana, que inicia em 1876 e estende-se até 1925, identificou 41 ocupações. Tal faixa mereceu destaque por possuir o maior número de registros construtivos. A terceira etapa urbana, estabelecida no espaço temporal entre os anos 1926 e 1960, apresentou 15 ocupações. Finalmente na quarta e última etapa urbana, delimitada pelos anos de 1961 a 2011, cadastraram-se 12 ocupações.

Dentro destas faixas temporais podemos observar que a primeira etapa construtiva abrigou 20,93% do total de ocupações cadastradas na pesquisa, e contrastou, consideravelmente, com o percentual de 47,67% de ocupações, identificadas na segunda etapa pesquisada. A terceira e quarta etapas construtivas apresentaram, respectivamente, 17,44% e 13,95% do total das ocupações que integraram a pesquisa, demonstrando uma considerável redução construtiva em relação às etapas anteriores, conforme se observa no gráfico da figura 15.

Figura 15 – Gráfico do Total de ocupações.

Fonte: Inventário da Arquitetura Ausente do Centro Histórico de Pelotas – desenvolvido para a pesquisa.

Os estudos individualizados sobre estas quatro etapas urbanas resultaram nos capítulos seguintes da dissertação.

Deste modo, o Inventário da Arquitetura Ausente e a planilha de Etapas Urbanas consolidaram a construção da memória edificada do Centro Histórico de

Pelotas. Ambos os documentos permitiram dar fundamentação ao desenvolvimento do resgate da arquitetura ausente da cidade e se constituíram no segundo volume desta dissertação.

Devemos salientar, no entanto, que o inventário não deve ser considerado terminado. A elaboração de estratégias de manutenção e atualização e a busca pela claridade da informação sempre se fará necessária, reconhecendo que os aspectos da história podem mudar, permitindo que futuras investigações possam incorporar novas informações. Na prática, a atualização pode ser feita de dois modos: junto à base de dados (com a atualização de uma bibliografia, adições textuais ou de ilustrações, referências, etc.) ou com visitas ao local, para investigação in loco.

CAPÍTULO 3.

PRIMEIRA ETAPA URBANA: PERÍODO - 1835 a 1875

A origem do estudo da arquitetura ausente do Centro Histórico de Pelotas tomou como marco temporal o ano de 1835, época em que foi confeccionada a planta da cidade de Pelotas e momento em que a área contígua em direção Sul ao cais do porto, de propriedade de Mariana Eufrasia da Silveira, foi anexada ao primeiro loteamento.

A partir desta data se inicia o primeiro período temporal estudado, o qual se estendeu até o ano de 1875, compreendendo, portanto, os 40 anos iniciais de existência da cidade de Pelotas. Neste período havia, em torno da Praça Coronel Pedro Osório, 18 construções. Estes prédios representaram a origem da urbanização da nova expansão territorial, que anos mais tarde se transformaria na área de maior valor artístico e cultural da cidade.