• Nenhum resultado encontrado

A elaboração de inventários de movimentos de vertente iniciou‐se em muitos países após a II  Guerra  Mundial,  como  forma  de  minimizar  as  limitações  que  estes  impunham  ao  seu 

desenvolvimento socioeconómico (Sorriso‐Valvo, 2002). Trabalhos pioneiros do ponto de vista 

da  inventariação  sistemática,  como  o  iniciado  na  década  60  do  século  XX  na  antiga  Checoslováquia,  serviram  de  referência,  para  que,  um  pouco  por  todo  o  mundo,  fossem  surgindo  novos  inventários,  de  base  nacional,  elaborados  por  instituições  governamentais 

(Pašek,  1977).  Alguns  destes  inventários  (e.g.  antiga  Checoslováquia  e  Itália)  foram  levados  a 

cabo após a ocorrência de deslizamentos de consequências catastróficas, como os de Handlová 

em  1960/1961  ou  Sarno  em  1998,  respectivamente  (Pašek,  1977; Sorriso‐Valvo,  2002).  Para 

cada  movimento  era  efectuada  a  sua  cartografia,  descrição  e  preenchido  um  formulário  de 

campo,  devidamente  codificado  para  posterior  computação  (Pašek,  1977; WP/WLI,  1990).  A 

utilização  de  uma  classificação  sólida,  pré‐definida,  minimizava  a  influência  das  abordagens  subjectivas  e  de  diferentes  graus  de  qualificação  de  cada  um  dos  elementos  registados.  A 

introdução  de  novos  termos  devia  ser  considerada  apenas  para  casos  excepcionais  (Pašek, 

1977).  

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  

______________________________________________________________________________________________ 

Segundo Pašek (1977) os dados sobre deslizamentos a incluir nos inventários podem ser de três 

tipos:  

i) Numéricos ‐ coordenadas, altitude, parâmetros de dimensão, entre outros; 

ii) Descritivos (classificáveis) ‐ tipo, forma, idade, grau de actividade, entre outros; 

iii) Descritivos  (não  classificáveis)  ‐  forma  da  superfície  da  cicatriz  principal  ou  forma  da  língua do movimento, entre outros.  

 

2.2.1 – TIPOS DE INVENTÁRIOS 

Segundo Guzzetti et al. (2000), os mapas de inventário inserem‐se no que designam de mapas 

de  movimentos  de  vertente,  em  conjunto  com  os  mapas  de  densidade  e  os  mapas  de  perigosidade  (hazard).  Nos  mapas  de  inventário,  é  cartografada  a  localização  de  todos  movimentos  de  vertente  (por  tipologia  e  data  de  ocorrência)  que  permanecem  morfologicamente  visíveis  nas  áreas  de  levantamento.  A  sua  representação  gráfica,  pode  ser  efectuada considerando apenas um ponto ou a totalidade da área instabilizada, dependendo da 

escala  do  mapa  (Parise,  2001).  Estes  podem  ser  preparados  por  diferentes  métodos 

dependendo do objectivo, recursos disponíveis e escala da investigação. As técnicas utilizadas  podem  ser bastante  variadas  e  incluem:  análise  estereoscópica  de  fotografias  aéreas  verticais  ou oblíquas; cartografia geomorfológica de campo; investigações de geologia de engenharia à  escala  da  vertente;  técnicas  de  detecção  remota  (imagens  SAR,  imagens  multiespectrais  ou 

MDE obtidos a partir de sensores remotos); e recolha de dados em arquivos históricos (Guzzetti 

et al., 2000; Guzzetti, 2005), imagens VHR (Ikonos, Quickbird); LIDAR, entre outras. 

De  acordo  com Guzzetti  (2005),  as  assumpções  que  tornam  possível  a  elaboração  de  um 

inventário de movimentos de vertente são as seguintes:  

i) Os  movimentos  de  vertente,  deixam  sinais  discerníveis,  podendo‐se  reconhecer, 

classificar  e  cartografar  a  maioria  deles  no  campo  ou  através  de  fotografias  aéreas  em estereoscopia;  

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  ______________________________________________________________________________________________ 

45  

ii) A  assinatura  morfológica  de  um  movimento  de  vertente  depende  do  tipo  de 

movimento e da taxa de deslocação da ruptura na vertente;  

iii) Os  movimentos  não  ocorrem  de  forma  aleatória  ou  por  sorte.  As  rupturas  são  o 

resultado da acção conjunta de processos físicos e a sua actividade é controlada por  leis  mecânicas  que  podem  ser  determinadas  de  forma  empírica,  estatística  ou  determinística; 

iv) Adopção  do  princípio  do  uniformitarismo,  no  sentido  em  que  a  cartografia  dos 

movimentos actuais é importante para compreender a distribuição dos movimentos  ocorridos no passado e que os mapas de inventário são fundamentais para prever as  futuras ocorrências de instabilidade.    O propósito da elaboração de um inventário de movimentos de vertente tem um ou mais dos  seguintes objectivos (Galli et al., 2008):  

i) A  localização  dos  movimentos  de  vertente  discriminados  pela  sua  tipologia  numa 

determinada região; 

ii) A  cartografia  dos  movimentos  de  vertente  desencadeados  por  um  único  evento 

(sísmico, precipitação intensa ou fusão rápida de neve); 

iii) A  verificação  da  abundância  de  movimentos  de  vertente  (mapas  de  densidade, 

segundo Guzzetti et al. (2000)

iv) A determinação estatística da relação área‐frequência das áreas de ruptura; 

v) O  fornecimento  de  informação  importante  para  a  construção  de  modelos  de 

susceptibilidade e perigosidade. 

Independentemente do modo como são agrupados os inventários de movimentos de vertente,  eles  ou  têm  por  base  uma  catalogação  histórica  ou  uma  base  geomorfológica.  Os  Catálogos  Históricos correspondem, no essencial, a arquivos (bases de dados) de movimentos de vertente 

(IGS‐WP/WLI, 1990) onde é reportada a sua localização. Neste tipo de inventários, os dados são 

extraídos  sobretudo  a  partir  de  bibliografia,  crónicas,  jornais,  relatórios  técnicos  e  científicos,  inquéritos a organizações públicas e consultores privados, entrevistas a peritos sobre dinâmica 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  

______________________________________________________________________________________________ 

de vertentes. A sua aplicação pode ser considerada à escala nacional, de bacia hidrográfica ou 

de  província/região  (Guzzetti,  2005)  Os  inventários  de  movimentos  de  vertente  de  base 

geomorfológica  (depósitos  de  movimentos  de  vertente/áreas  de  ruptura),  por  sua  vez,  estão  fortemente dependentes: (i) da experiência/treino dos técnicos que elaboram o levantamento  de campo ou a fotointerpretação; (ii) do tipo e escala da fotografia aérea; (iii) da escala do mapa  de base; (iv) da complexidade do contexto geológico/geomorfológico; (v) do uso do solo; (vi) da 

persistência da morfológica dos movimentos de vertente no terreno (Guzzetti et al., 2000; Galli 

et  al.,  2008).  Os  inventários  de  base  geomorfológica,  podem  ainda  ser  diferenciados  (Figura2.12) em função do tempo disponível para os realizar:  i) Inventário de reconhecimento – obtenção de informação geral sobre a distribuição,  abundância e tipo de movimentos de vertente, geralmente incompletos (Galli et al.,  2008);   ii) Inventário geomorfológico – é considerado completo para movimentos superiores a  2 ha, consistente, e indicador da “verdade” de campo (Guzzetti et al., 2003 in Galli et  al., 2008); 

iii) Multi‐temporal  –  corresponde  à  forma  mais  avançada  de  um  inventário  de 

movimentos de vertente (Guzzetti, 2005). Resultam da interpretação sistemática de 

conjuntos  de  fotografias  aéreas  de  diferentes  idades  (todas  as  disponíveis  ou  períodos  geralmente  de  20‐30  anos)  de  uma  mesma  área,  complementados  por  extenso trabalho  de campo (geomorfológico  e geológico). Traduzem‐se geralmente  por serem mais robustos que os anteriores.  

 

Os  mapas  de  inventário  de  movimentos  de  vertente  podem  ser  elaborados  considerando  apenas  um  tipo  de  movimento  em  particular  ou  considerando  a  instabilidade  total  ocorrida  numa região. Podem reportar os movimentos associados a um único evento desencadeante ou  reportar os movimentos que ocorreram ao longo de centena ou milhares de anos. Estão ainda  fortemente dependentes da escala do inventário.  

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  ______________________________________________________________________________________________ 

47  

  Figura  2.12  –  Comparação  entre  diferentes tipos  de  inventários em  função  do  tempo  para  os  realizar.  Aplicação à região de Umbria com ampliação à área de Collazzone em Itália. (A) Mapa de inventário de  reconhecimento;  (B)  Mapa  de  inventário  geomorfológico;  (C)  Mapa  de  inventário  multi‐temporal  baseado em fotointerpretação (adaptado de Galli et al., 2008).  

 

2.2.1.1 – INVENTÁRIOS DEPENDENTES DA ESCALA 

De  acordo com Guzzetti  et al. (2000),  os mapas de inventários dependentes da escala podem 

ser de três tipos: (i) Inventários de pequena escala (<1:200.000); (ii) Inventários de média escala  (1:200.000‐1:25.000); (iii) Inventários de grande escala (>1:25.000). 

(a) Inventários de pequena escala (<1:200.000) 

No âmbito da Década Internacional para  a Redução dos Desastres Naturais, o WP/WLI (1990) 

propôs  um  modelo/método  de  relatório  de  movimentos  de  vertente,  correspondendo  à  unidade  básica  do  inventário  de  movimentos  à  escala  mundial,  o  World  Landslide  Inventory.  Nesta base de dados devem constar apenas os movimentos então designados de “significativos” 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  

______________________________________________________________________________________________ 

(WP/WLI,  1990).  Incluem‐se  nesta  categoria  todos  os  movimentos  que  cumpram  um  dos 

seguintes  requisitos  (WP/WLI,  1990):  tenham  um  volume  de  massa  deslocada  superior  a 

1.000.000 m3; ocasionem mortos; ou originem danos directos ou indirectos consideráveis.  

Os  inventários  de  pequena  escala,  podem  ser  utilizados  no  planeamento  regional,  na  identificação  de  áreas onde  se  concentrem os processos  relacionados  com  os  movimentos  de  vertente,  em  estudos  geomorfológicos  regionais  ou  para  a  produção  de  mapas  de 

susceptibilidade  de  pequena  escala  (Guzzetti  et  al.,  1996b  in  Guzzetti  et  al.,  2000).  Os  dados 

referentes  a  movimentos  de  vertente  provêm  sobretudo  de  informação  documental  (bibliografia,  crónicas,  jornais,  relatórios  técnicos  e  científicos),  inquéritos  a  organizações  públicas  e  consultores  privados,  entrevistas  a  peritos  sobre  dinâmica  de  vertentes  ou  da 

interpretação de fotografias aéreas (Guzzetti et al., 2000).  

Com o intuito de estabelecer padrões mundiais de ocorrência de movimentos de vertente, têm  surgido  vários  mapas/bases  de  dados  à  escala  mundial  (Figura  2.13)  que,  de  um  modo  geral, 

seguem um ou mais critérios estabelecidos pelo WP/WLI (1990). A inclusão curiosa de Fanhões 

na Database of Landslides of the World, parece estar relacionada com um artigo publicado por 

Zêzere  et  al.  (2007)  na  revista  Landslides,  em  que  reportam  os  custos  directos  e  indirectos 

associados a um cenário de interrupção da CREL por ocorrência de movimentos de vertente. O  erro  de  localização  aceita‐se  devido  à  escala  deste  inventário,  contudo  os  movimentos  que  danificaram a CREL em 1996 e que foram alvo do referido estudo, ocorreram no vale do Trancão  e não em Fanhões como está reportado na base de dados.             

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  ______________________________________________________________________________________________  49                   Figura 2.13 – Bases de dados de movimentos de vertente à escala mundial. O mapa da esquerda é um  produto  da  Database  of  Landslides  of  the  World  da  responsabilidade  do  International  Consortium  on 

Landslides (ICL), http://www.iclhq.org/redirect/landslide/simple.php  (consultado  pela  última vez  a  10/09/2010).  O mapa e  quadro da direita  fazem  parte  da Durham  University  Fatal  Landslide  Database  da responsabilidade  do 

International  Landslide  Centre.  No  mapa  estão  representados  com  um  ponto  vermelho  os  movimentos  que 

geraram  mortos  durante  o  ano  de  2009, http://daveslandslideblog.blogspot.com/2010/01/2009‐fatal‐landslide‐ map‐and‐statistics.html) (consultado pela ultima vez a 19/09/2010). O quadro reporta ao ano de 2003 e ilustra o  tipo  de  informação  que  está  agregada  à  base  de  dados,  http://www.landslidecentre.org/database.htm,  (Consultado pela última vez em 19/09/2010). 

 

b) Inventários de média escala (1:200.000‐1:25.000) 

De  base  Nacional  ou  Regional,  estes  inventários  são  preparados  através  da  interpretação  sistemática de fotografias aéreas a escalas de impressão que variam entre 1:60.000 a 1:20.000,  e  pela  integração  de  verificações  de  campo  com  informação  histórica.  Têm  aplicação  em  estudos  geomorfológicos,  na  análise  da  distribuição  regional  dos  tipos  e  padrões  de  movimentos de vertente, ou como bases de dados para a avaliação estatística da perigosidade e 

risco  associados  aos  movimentos  de  vertente  (Guzzetti  et  al.,  2000).  À  escala  regional,  os 

inventários  detalhados  de  base  geomorfológica,  elaborados  por  equipas  de  geomorfólogos 

experientes, constituem uma boa alternativa aos mapas de inventários multi‐temporais. (Galli 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  

______________________________________________________________________________________________ 

Considerando  o  exemplo  do  caso  Italiano,  a  obrigatoriedade  de  elaboração  de  um  inventário  das áreas afectadas por movimentos de vertente e cheias, bem como a elaboração da avaliação  da perigosidade e risco associado e de planos para o uso sustentável do território, surgiram com  a  aplicação  em  1989  da  Lei  n.º  183  ‐  Norme  per  il  riassetto  organizzativo  e  funzionale  Della 

Difesa del Suolo (Sorriso‐Valvo, 2002; Salvemini, 2010). Estas acções foram implementadas no  âmbito do Programa SCAI (Studio dei Centri Abitati Instabili), do Projecto AVI (Abitati Vulnerabili 

Italiani),  e  do  Projecto  IFFI  (Inventario  Fenomeni  Franosi  Italiani),  sustentadas  pela  criação  da  Autorità di Bacino Regionali. 

a) O Projecto IFFI, base de dados electrónica de movimentos de vertente, coordenado pelo  ISPRA (Instituto Superiore per la Protezione e la Ricerca Ambientale) e pelas Províncias e  Regiões  Autónomas  Italianas,  tem  como  principais  objectivos  a  produção  de  um  inventário, apoiado  por  um  serviço  de  cartografia online,  que  possibilite  a  visualização  da  distribuição  e  do  número  de  movimentos  de  vertente  e  a  inquirição  aos  principais  parâmetros  envolvidos  na  determinação  da  instabilidade,  bem  como  a  consulta  dos 

relatórios sobre movimentos de vertente ocorridos em Itália (APAT, 2007; ISPRA, 2008). 

As escalas de interesse são a nacional e a regional. À data de 2008 estavam registados 

482.272  movimentos  que  afectavam  uma  área  aproximada  de  20.500  km2, 

correspondente  a  cerca  de  6,9  %  do  território  italiano.  70  %  dos  municípios  estavam 

afectados por fenómenos de instabilidade (ISPRA, 2008). 

 

b) O  Projecto  AVI  corresponde  a  um  inventário  de  arquivo  histórico,  coordenado  pelo 

Gruppo Nazionale per la Difesa dalla Catastrofi Idrogeologiche (GNDCI), sob a alçada do  Consiglio  Nazionale  delle  Ricerche  (CNR),  onde,  desde  1990,  são  registados  os  locais 

afectados por movimentos de vertente e cheias em Itália (Figura 2.14). A complexidade  da  base  de  dados  então  criada,  com  a  disponibilidade  de  novos  catálogos  históricos,  bases  de  dados,  dados  históricos  e  requisições  frequentes  das  comunidades  científica,  técnica,  administrativa  e  política,  levou  à  transição  de  uma  base  de  dados  simples  (arquivo de informação histórica) para um Sistema de informação complexo designado  de  SICI  (Sistema  Informativo  sulle  Catastrofi  Idrogeologiche).  O SICI é  uma  colecção  de 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  ______________________________________________________________________________________________ 

51  

bases  de  dados  contendo  informação  histórica,  geográfica,  hidrológica,  de  danos  e  bibliográfica de movimentos de vertente e cheias em Itália, que procura dar resposta às 

muitas  solicitações  dos  intervenientes  atrás  enumerados  (Guzzetti,  2005).  Organizado 

em 10 módulos, o SICI inclui o módulo AVI, especialmente importante para o século XX.  Este  módulo  tinha  à  data  da  sua  última  actualização  um  registo  de  31.182  registos  de  movimentos  de  vertente,  equivalente  a  uma  densidade  nacional  de  movimentos  de 

vertente de 14 casos por km2 (Guzzetti, 2005).  

 

Uma  das  particularidades  do  inventário  Italiano,  consistiu  na  adopção  da  escala  1:10.000,  em  detrimento  da  1:25.000  inicialmente  pensada,  uma  vez  que  a  distribuição  espacial  dos  movimentos se encontrava bastante disseminada pelo território.  

 

Figura  2.14  –  Mapas  de  inventário  de  movimentos de  vertente e  inundações  para  Itália,  elaborado  no  âmbito  do  Projecto  AVI  e  que  reporta  a  localização  de  movimentos  de  vertente  e  inundações  com  consequências para as populações (Reichenbach et al., 1998). 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  

______________________________________________________________________________________________ 

c) Inventários de grande escala (>1:25.000) 

Os inventários de grande escala são elaborados para áreas circunscritas, de aplicação Regional  ou  Local.  Resultam,  no  essencial,  da  interpretação  de  fotografias  aéreas  de  escala  superior  a  1:20.000, e de extenso trabalho de campo. Neste tipo de inventários, faz‐se uso de um conjunto  muito  variado  de  técnicas  e  ferramentas  pertencentes  aos  domínios  da  geomorfologia,  engenharia geológica e engenharia de geotecnia (reportam‐se os efeitos de terreno de eventos  naturais  com  potencial  de  destruição  muito  acentuada,  como  sejam,  eventos  meteorológicos  extremos ou sísmicos). Estes inventários podem ainda ser efectuados como suporte para uma  análise e cartografia detalhada dos efeitos localmente produzidos por movimentos de vertente,  para  planear  estudos  geotécnicos  ou  para  definir  medidas  de  correcção  da  instabilidade 

(Guzzetti  et  al.,  2000).  Este  tipo  de  mapas  de  inventários  à  escala  regional  estão  sempre 

incompletos,  em  consequência  da  forma  como  são  obtidos.  À  escala  local,  com  recurso  a  um  extensivo trabalho de campo e estudos geotécnicos, permitem a identificação e cartografia da  totalidade dos movimentos (Wills e McCrink, 2002).    2.2.1.2 – INVENTÁRIOS DE EVENTO  Os inventários de evento estão relacionados com registo dos movimentos ocorridos durante um  único episódio desencadeante, como seja a ocorrência de um sismo, tempestade, episódio de 

precipitação  extrema  e  prolongada  ou  fusão  rápida  de  neve  ou  gelo  (Guzzetti,  2005;  Figura 

2.15).  A  sua  preparação  envolve  a  interpretação  de  fotografias  aéreas  de  grande  e  média  escalas tiradas logo após a ocorrência do evento desencadeante, complementadas por trabalho 

de  campo  de  verificação  ou  extensivo  (Guzzetti,  2005).  O  autor  salienta  ainda  que  o  grau  de 

completude do inventário decorre da disponibilidade de fotografias aéreas e das condições de  terreno  para  realizar  o  levantamento.  Em  muitas  situações,  os  inventários  de  evento  cobrem  apenas  uma  parte  da  área  influenciada  pelo  evento  desencadeante.  Estes  mapas  de  evento  podem  ser  muito  úteis  na  predição  do  número  de  movimentos  de  vertente  e  respectiva  área  instabilizada,  caso  se  verifique  novamente  um  evento  desencadeante  de  magnitude  e 

CLASSIFICAÇÃO E INVENTARIAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE VERTENTE  ______________________________________________________________________________________________ 

53  

intensidade  semelhantes,  e  podem  representar  o  pior  cenário  histórico  de  instabilidade  para 

uma determinada área (Parise, 2001).               Figura 2.15 – Vistas aéreas de áreas afectadas por movimentos de vertente em resposta à ocorrência de  um único evento desencadeante. A) Nova Zelândia, na sequência de um evento de precipitação extrema  (Hancox e Wright, 2005); B) província de Sichuan, China na sequência de um sismo (Wang et al., 2008).   

2.3  –  INVENTARIAÇÃO  DOS  MOVIMENTOS  DE  VERTENTE  NA  BACIA  DO  RIO 

Documentos relacionados